A importância da batina

habito_3Decididamente significativa é a carta, datada de 11 de fevereiro de 1963, na Festa de Nossa Senhora de Lourdes, que Monsenhor Lefebvre escreveu aos “Mes chers confrères” sobre a batina. Nela se vê todo o significado que adquire o uniforme de quem escolheu o caminho de e por de Deus:

 

“As medidas tomadas por certo número de bispos de diversos Países acerca do hábito eclesiástico merecem alguma reflexão, porque isto pode ter consequências não indiferentes. De per si, o uso da batina ou do clergyman só faz sentido na medida em que tal veste assinala uma distinção em relação à veste secular. Não se trata apenas de uma questão de decência. Além disso, se o clergyman mostra certa austeridade e discrição, imagine, então, a batina” (7). O hábito é a manifestação visível do desapego das vaidades deste mundo, e o superior da congregação insiste sobre esse aspecto, porque é a marca registrada do sacerdote ou do religioso “da mesma forma que dos militares, dos agentes de polícia ou de tráfego. Esta ideia se manifesta em todas as religiões. O líder religioso é facilmente reconhecível pelo seu uniforme, geralmente por seus seguidores. Os fiéis atribuem grande importância a esta marca de distinção […]. O sentimento muito legítimo dos fiéis é, em particular, o respeito do sagrado e, a mais, o desejo de receber as bênçãos do céu, em todas as ocasiões legítimas, por parte daqueles que são seus ministros. De fato, o clergyman até agora parecia ser o uniforme que designava uma pessoa consagrada a Deus, mas com o mínimo de distinção visível, especialmente nos Países onde este hábito corresponde exatamente ao de um leigo […]. A batina do padre atinge estes dois objetivos de maneira clara e inequívoca: o padre está no mundo sem ser do mundo, ele se distingue de todos os viventes, e ele é, além de tudo, protegido de qualquer mal. Eu não vos peço que os tirais do mundo mas que vós OS PRESERVAIS DO MAL, porque eles não são do mundo, como eu não o sou mais (João 17,15-16)” (8).

 

O clergyman não é adequado para o fim, uma vez que imita o hábito usado pelos pastores protestantes e pode ser usado também por leigos. Aqui Monsenhor Lefebvre demonstra toda a sua abertura intelectual e cultural e toda a indiferença que o católico deve ter em relação aos recursos materiais, mesmo que bons e eficazes. Ele não contesta a possibilidade de uma mudança no uniforme do sacerdote, desde que o novo traje tenha a mesma eficácia do precedente no distinguir o ordenado do leigo e, portanto, de preservar e defender o padre das insidias do mundo, além de facilitar o apostolado, com a constante lembrança aos fiéis. O problema do clergyman reside no propósito da mudança: pretende-se aproximar o padre católico do pastor protestante e, portanto, incentivar a sua laicização. Então, é evidente que a oposição não está vinculada a uma questão estética e nem mesmo de decência, mas a uma importante questão doutrinária, ou seja, à reafirmação do caráter sagrado que o sacramento da ordem imprime ao sacerdote.

 

Quanto à eliminação de qualquer específico hábito para o padre, isso apaga toda diferença, tornando cumprida a homologação visual do sacerdote com o leigo, ou seja, a sua laicização; aumenta, portanto, as dificuldades do apostolado e diminui as defesas do padre em relação ao mundo. É evidente que tal mudança é ditada pelo menosprezo e pelo desrespeito da condição sacerdotal; condição de que se envergonhar, a ponto de escondê-la.

 

O documento termina com algumas diretrizes práticas sobre o tema, entre as quais a obrigatoriedade do hábito religioso, seja dentro que fora da residência da comunidade. As divergências foram tantas; as divergências que levarão, assim que possível, a enterrar, com satisfação, em muitos jardins de seminários e conventos, as sacras vestes sacerdotais.

 

 

 

 

 

 

 

 

Via Espaço Vocacional

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