A VERDADEIRA E ÚNICA IGREJA

O”…A salvação é alcançada, não pela Igreja ou seus sacramentos, mas através de uma relação pessoal com o próprio Cristo. A salvação é dada diretamente por Cristo individualmente, sem a necessidade de outra mediação”(1).

Contudo, a fé em Jesus Cristo não sujeita o cristão somente a crer e confiar em Sua pessoa, mas em crer e seguir o que Ele ensinou e estabeleceu para continuar Sua obra de salvação no mundo. Que Nosso Senhor Jesus Cristo pretendeu estabelecer uma Igreja, a Sua Igreja, está claro na Sagrada Escritura:

“… E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…” (Mt 16,18).

A Igreja pertence a Cristo que a fundou enquanto estava na terra. Sendo seu fundador Ele também é a sua cabeça: “Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo” (Ef 5,23). Os batizados em nome da Trindade (Mt 28,19) são incorporados no corpo de Cristo, isto é, a Igreja. De forma alguma a Igreja é somente uma instituição humana criada séculos mais tarde, trazendo o nome de um fundador que a criou, mas sim uma instituição divina que requer a participação de todos aqueles que se proclamam cristãos.

Negando a necessidade da Igreja na economia da salvação, o protestantismo também nega a visibilidade da Igreja, insistindo que ela seja apenas uma coleção de crentes ou “salvos”, quem quer que sejam ou onde quer que eles estejam. Entretanto, a visibilidade da Igreja está subentendida em Mt 5,14: “Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha”. Além disso, ao invés de ser apenas uma nebulosa coleção de “verdadeiros crentes”, Cristo estabeleceu Sua Igreja com uma hierarquia autorizada para governá-la (Lc 6,13; Mt 18,17-18), investidos de Sua própria missão (Jo 20,21), com poder de santificar os fiéis (Jo 15,16) e perdoar os pecados (Jo 20,23), assim como poder de ensinar (Mt 28,20) e batizar (Mt 28,19).

Como chefe desta hierárquica e visível Igreja, Cristo apontou Pedro como Seu vigário, ou representante:

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).

Como representante e cabeça da Igreja na terra, Pedro está investido da própria autoridade de Cristo para ensinar e governar:

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 18-19).

Pedro e os apóstolos, como administradores da Igreja na terra, devem ser obedecidos:

“Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta)” (Hb 13,17).

Obedecer a Pedro e aos demais apóstolos é obedecer ao próprio Cristo:

“Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Jo 13,20).

As próprias Escrituras mostram que os apóstolos transmitiam seu ofício através da imposição das mãos para as gerações subseqüentes como seus sucessores (At 13,2; 1 Tm 4,14; Tt 5-10). Para crer que o Novo Testamento substitui a autoridade dos apóstolos após a morte de João é negar a realidade histórica e crer erroneamente que a Igreja fundada por Cristo modificou a sua essência.

Estes que propõem ignorar a legitimidade dos líderes da Igreja de Cristo pela sua própria desobediência, não mais pertencem a esta unidade.

“Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano” (Mt 18,17).

Ignorar os líderes da Igreja de Cristo é efetivamente ignorar o Cristo:

“Aqueles que vos ouve a mim ouve, os que vos rejeitam a mim rejeitam” (Lc 10,16).

É a Igreja quem garante aos fiéis estarem sendo ensinados na verdade, assistidos pelo Espírito Santo:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,16).

“Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15).

A afirmação protestante de que os cristãos precisam somente orar e ler a Bíblia na privacidade e conforto de seu lar ou em grupos de amigos somente resultou em uma divergência de mais de 25 mil diferentes igrejas protestantes, todas clamando serem “crentes na Bíblia”, mesmo concordando em pouquíssimo mais que sua tendência anti-católica. Eles cumprem bem as palavras de Pedro, que avisa quanto aos “ignorantes e pouco fortalecidos” que “deturpam” as Escrituras para sua própria ruína? (2 Pd 3,16).

Apesar da desobediência e dos protestos dos seus inimigos, Cristo protegerá Sua Igreja até o fim dos tempos:

“Os portões do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,10).

Objeção 2: “Então Cristo fundou uma Igreja. Mas essa Igreja definitivamente não é a Igreja Católica Romana!”.

Não somente Cristo fundou uma Igreja, mas essa Igreja é identificada de acordo com certas “características”. Estas características devem possuir dois aspectos: 1- Ela deve ser um sinal visível e evidente para todos, incluindo não-cristãos; 2- Ela deve possuir uma característica essencial sem a qual a Igreja não pode ser a Igreja de Cristo.

De acordo com o pastor presbiteriano Loraine Boettner,

“As características da verdadeira Igreja são:

– Que ensine a verdadeira Palavra de Deus.

– Que administre corretamente os sacramentos e;

– Possua um fiel exercício da disciplina.” (2).

Uma dificuldade óbvia com as características de Boettner é que elas não analisam se a igreja em questão foi verdadeiramente fundada por Cristo. Além do mais, seu critério (baseado em Calvino) não visa descobrir “a verdadeira Igreja” mas “uma verdadeira Igreja”. Qualquer igreja humana pode, portanto, reclamar a si ser uma igreja verdadeira quando ela mesma cumprir os três pontos acima. Acabaríamos com uma situação de ter milhares de “verdadeiras igrejas”, cada uma considerando ensinar devidamente a verdadeira Palavra de Deus, os sacramentos e a disciplina, enquanto as mesmas não possuem unidade de doutrina, governo ou disciplina entre elas mesmas.

As verdadeiras características da verdadeira Igreja, que é visível e essencial, são quatro: Una, Santa, Católica e Apostólica. Estas características não são expressamente encontradas na Escritura, mas são baseadas na razão e podem ser defendidas por ela.

Una:

“Edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). A verdadeira Igreja fundada e edificada por Cristo. Ele desejou fundar uma Igreja, não várias. O protestantismo não é um corpo unido em doutrina e disciplina, mas uma série de organizações díspares e antagônicas não somente ao catolicismo, mas entre cada uma.

“… um só rebanho, um só pastor” (Jo 10,16). A autoridade centrada no Papa tem mantido a Igreja Católica unida na doutrina e na disciplina desde os tempos do Império Romano. O protestantismo continua a fragmentar-se com o advento de cada novo “profeta” que afirma possuir a verdadeira interpretação da Escritura.

Santa:

“Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade” (Jo 17,19).

A verdadeira Igreja será santa em seu fundador, ensinamentos e adoração. Aqui não há garantia de que todos os seus membros irão praticar o que ela ensina como foi dito por Cristo na parábola do semeador (Mt 13,18-23), a rede dos pescadores (Mt 13,47-52), e sobre a ovelha e os cabritos (Mt 25,31-46). A sobrevivência da Igreja Católica apesar dos exemplos dos ?maus papas? e outros escândalos apenas reforça o fato de que a santidade da Igreja deriva de Cristo, e somente dEle. Em qualquer caso, o protestantismo não está livre dos escândalos, e nenhuma de seus fundadores pode ser comparados a nenhum dos santos católicos, muito menos do próprio Cristo.

Católica:

“Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28,19).

Permanecendo única e a mesma, a Igreja se adapta a qualquer época, lugar e pessoa. Nenhuma nação ou raça está excluída de sua pregação, nenhuma língua de seu Evangelho. Aqueles que crêem que os verdadeiros adoradores somente são os brancos e anglo-saxões limitam a remissão do sangue precioso de Cristo. Cristo abriu seus braços na cruz para todas as pessoas e nações, por isso a Igreja deve ser universal, não simplesmente uma igreja nacional baseada em raças ou por interesses de um rei particular ou parlamento.

Apostólica:

A verdadeira Igreja traça a sua história, sucessão episcopal e doutrina, de volta até os próprios apóstolos: “Estarei com vocês…” (Mt 28,20). Não foi estabelecida em 1517, 1534, 1540 ou no século dezenove. Ela deve existir desde os apóstolos, existir agora, e continuar a existir até o fim do mundo.

Somente a Igreja Católica pode demonstrar ser Uma, Santa, Católica e Apostólica. (3).

Os Padres da Igreja:

São Clemente de Roma, Carta aos Coríntios 42,1 (96-98 d.C)

“Os apóstolos receberam o Evangelho do Senhor Jesus Cristo; e Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. Todos estes arranjos são, então, pela vontade de Deus. Recebendo suas instruções e sendo plenos na confiança na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e confirmados na fé pela Palavra de Deus, eles vieram adiante na completa segurança do Espírito Santo, pregando as boas novas de que o Reino de Deus está próximo. Pelos campos e cidades eles pregaram; e nomeavam seus novos convertidos, testando-os pelo Espírito, a serem os bispos e diáconos dos futuros seguidores. Nem isto era novidade: sobre os bispos e diáconos já se haviam escritos há longo tempo. De fato, a Escritura diz: ‘irei instituir bispos na retidão e seus diáconos na fé'”.

Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias 3, 4, 1 (180 d.C).

“Quando, então, tivermos tais provas, não será necessário buscar em outros a verdade que é facilmente obtida da Igreja. Porque os apóstolos, como um homem rico em um banco, depositaram nela o que de mais copiosamente pertence à verdade; e a qualquer um que desejar beber com ela a bebida da verdade. Porque ela é o portão da vida, enquanto todos os demais são ladrões e assaltantes. É por isto que se torna necessário evita-los, enquanto se estima com o máximo de diligência as coisas pertencentes à Igreja, e se agarrar às tradições da verdade… Na Igreja, Deus colocou os apóstolos, profetas e doutores, e todos os demais de acordo com o Espírito; em todas não houve quem não se conformasse com a Igreja. Do contrário, descobriam a si mesmos pelas suas fracas opiniões e infeliz comportamento. Onde está a Igreja, está o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, está a Igreja e toda a Graça”.

São Clemente de Alexandria, Miscellanies 7, 17, 107, 3 (202 d.C).

“Do que foi dito, então, parece-me claro que a verdadeira Igreja, a que realmente é venerável, é uma; e nesta são membros todos aqueles que, de acordo com o plano são justos… Dizemos, portanto, que na substância, no conceito, na origem e na eminência, a venerável Igreja Católica está sozinha, ajuntando como pode na unidade que resulta da aliança familiar”.

São João Crisóstomo, Sobre a Incompreensível na Natureza de Deus, 3,6 (386-387 d.C).

“Vós não podeis rezar em casa como na Igreja, onde há uma grande multidão, onde clamores são ditos para Deus como de um mesmo coração, e onde há algo mais: a união das consciências, a concordância das almas, o vínculo da caridade, as orações dos sacerdotes”.

1 William Webster, The Catholic Church at the Bar of History, Carlisle, Penn.: Banner of Truth Trust, 1995, Ch. 9, p. 133.

2 Roman Catholicism, Presbyterian and Reformed Publishing Co. (Phillipsburg, NJ), 1962, p. 20.

3 C.f., The Holy Catholic Church, Pt. I, p. 44.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Rosa Ribeiro.

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