O pecado nos torna semelhantes ao demônio

pecadoTomem o pecado contra a pureza. Sobre esse pecado há uma primeira consideração a fazer, que é a seguinte: o demônio é puro espírito, no sentido de que ele não tem outra coisa senão espírito. Nele não há, como em nós, uma junção de corpo e de alma.

Portanto o demônio não é capaz de cometer o pecado contra a pureza, e nem tem meios de cometê-lo. É um espírito, e está fora da sua alçada a vontade de cometer o pecado contra a pureza, mais ou menos como um quadrúpede não tem vontade de cantar à maneira de um canário, pois está fora da natureza dele. Não há a menor inclinação ou apetência para isso. Entretanto, sabemos que o demônio ama enormemente a impureza e faz todo o possível para arrastar os homens a ela. Ele fica satisfeito com isso, porque, quando os homens caem no pecado de impureza, ficam parecidos com ele. O demônio não é impuro no sentido em que um homem é impuro; entretanto, ele o é enquanto tendo o espírito do homem impuro.

Vemos então que a mentalidade do homem impuro é uma mentalidade parecida com a do demônio. Em que, propriamente, elas são parecidas?

Poderíamos dizer algo semelhante sobre a mentira. O demônio é chamado o “pai da mentira”, e se rejubila com ela. A sua revolta contra Deus foi uma revolta baseada na mentira, isto é, ele quis ser como Deus, quando não tinha nenhuma qualidade, nenhum requisito para sê-lo. Por que o demônio gosta tanto da mentira, e sente no mentiroso uma tal ou qual semelhança consigo? É porque ele sabe que, quando alguém mente, dele se aproxima, toma a sua mentalidade; em última análise, ele fica dono do mentiroso.

O demônio, vendo alguém revoltar-se contra um superior ao qual deve respeito, fica satisfeitíssimo, procura incutir aquilo de todos os modos, favorece os homens que se revoltam e persegue os que obedecem. Ele sente que o indivíduo que se revolta assemelha-se com o que nele há de revoltoso. Neste ele firma o seu domínio, podendo levá-lo para o Inferno.

Então, através dessas considerações, que na primeira linha são simples, percebemos que o demônio quer que todas as pessoas se pareçam com ele, tenham os seus defeitos, a sua maldade, e que vão para o destino eterno a que ele foi condenado. Ele quer ser dono de toda a humanidade, para tê-la consoante consigo. Por esse meio, ele quer impor o seu reino ao mundo; ele quer ser rei.

(Meditação segundo Santo Inácio de Loyola sobre a malícia do pecado)

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