Estar “no mundo” sem ser “do mundo”

Recentemente, falando aos membros das emissoras de televisão católicas da Itália, o Papa Francisco voltou a criticar o que chama de “clericalismo” [1], isto é, limitar a ação dos leigos “às tarefas no seio da Igreja”, ao invés de penetrar “[os] valores cristãos no mundo social, político e econômico” [2]. Na prática cotidiana, seria colocá-los em funções que deveriam ser exercidas ordinariamente pelos sacerdotes, o que terminaria por obscurecer – quando não por eliminar completamente – a distinção entre a hierarquia e os fiéis.

Para evitar esse mal apontado pelo Santo Padre, nada mais importante que conhecer a identidade e a vocação dos leigos. Qual o papel que exercem dentro da Igreja? Ensina o Concílio Vaticano II:

“Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor.” [3]

A partir dessas palavras, é possível perceber a “vocação universal à santidade” na Igreja. Contrariamente a uma mentalidade de senso comum, não são apenas os clérigos que devem ser santos, mas todos os fiéis. O chamado à perfeição, à união com Cristo pelo amor, acontece primeiramente no Batismo. E, deste sacramento, todos podem (e devem) dar testemunho – inclusive os leigos, que estão no mundo, a fim de conquistarem mais almas para Cristo.

Os fiéis estão “no mundo”. Bem antes do Concílio Vaticano II, foi o próprio Jesus quem o observou. Mas, se “eles estão ainda no mundo”, também, assim como Ele, “não são do mundo” [4]. Como se dá isso? Não nasceram os homens – e também os cristãos – de pais e mães desta terra? Como entender, então, que não sejam “do mundo”? É simples: o verdadeiro nascimento do cristão acontece no Batismo. É este sacramento que o torna “de outro mundo”, como diz Jesus a Nicodemos: “Quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”. E ainda: “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” [5].

Nascidos do alto, pelo batismo, mas colocados “no mundo”, os cristãos são chamados à imitação de Cristo, no meio dos homens. Não é possível, em uma atitude de escapismo, “fugir” do mundo ou da realidade de sofrimento que aflige o homem neste “vale de lágrimas”. Nem foi isso que Cristo pediu. Ainda em sua oração sacerdotal, Ele roga ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal” [6]. Este “mal”, define-o Santa Teresa assim: “Nesta vida, só o pecado merece ser chamado de mal, por acarretar males eternos e para sempre. Isso (…) é o que nos deve encher de temor e o que havemos de pedir a Deus em nossas orações” [7].

Cristo passou a maior parte de sua vida humana no ofício de carpinteiro, na presença de seu pai e de sua mãe, aparentemente “oculto”, mas já oferecendo a Sua oblação de coração, que culminaria na Cruz. O próprio Senhor de todo o universo, que lançou sobre Adão e Eva este castigo por seu pecado, veio tirar da terra o seu sustento, com trabalhos penosos [8]. Há dúvida de que, já aqui, ele tomava sobre Si as nossas enfermidades e carregava os nossos sofrimentos [9]? E, se a santidade consiste em seguir o exemplo de Cristo, há dúvida de que é na vida oculta das atividades penosas que devemos nos santificar?

São Josemaría Escrivá, em sua famosa homilia “Amar o mundo apaixonadamente”, dizia que “Deus nos espera cada dia” nas “tarefas civis, materiais, seculares da vida humana”. E salientava:“Há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns, algo que a cada um de nós compete descobrir” [10].

O grande segredo para descobrir Deus no trabalho está na atitude interior de quem labuta. Qualquer serviço pode converter-se em sacrifício, se feito com o espírito de Cristo. Como ensina São João XXIII:

Todo o trabalho e todas as atividades, mesmo as de caráter temporal, que se exercem em união com Jesus, divino Redentor, se tornam um prolongamento do trabalho de Jesus e dele recebem virtude redentora: ‘Aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fruto’ (Jo 15, 5).” [11]

Que as batalhas travadas de acordo com nossas condições de vida – das quais não podemos fugir – nos façam frutificar e nos tornem, em nossas ocupações, verdadeiros “ministros de Cristo”. Sem confundir a vocação laical com o ministério ordenado, mas comprometendo radicalmente a nossa vida, como diz Santo Agostinho:

“Ó irmãos, quando ouvis o Senhor dizer: ‘Onde estou eu aí estará também o meu ministro’, não deveis pensar somente nos bons bispos e nos bons clérigos. Também vós, a vosso modo, deveis ser ministros de Cristo, vivendo bem, fazendo esmolas, pregando o seu nome e a sua doutrina a quem puderdes, de modo que cada qual, mesmo se pai de família, reconheça dever, também por esse título, um afeto paterno à sua família. Por Cristo e pela vida eterna, ninguém deixe de exortar os seus, e os instrua, exorte, repreenda, demonstrando-lhes sempre benevolência e mantendo-os na ordem; exercerá assim em casa o ofício de clérigo e, de certo modo, o de bispo, servindo Cristo, para com ele permanecer eternamente.” [12]

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências bibliográficas

  1. Discurso aos membros da associação “Corallo”, 22 de março de 2014
  2. Evangelii Gaudium, 102
  3. Lumen Gentium, 31
  4. Jo 17, 11.14
  5. Jo 3, 3.5
  6. Jo 17, 15
  7. Castelo Interior, Primeiras Moradas, 2, 5
  8. Cf. Gn 3, 17
  9. Cf. Is 53, 4
  10. Questões atuais do Cristianismo, 114
  11. Mater et Magistra, 257
  12. Santo Agostinho, Sobre o Evangelho de São João, t. 51, n. 13. Apud Summi Pontificatus, 62

Deus Pai – Criador Do Mundo

Deus Pai, a primeira Pessoa da Trindade, é considerado o pai perfeito porque ele amou e nunca abandonou os homens, os seus filhos adotivos, querendo sempre salvá-los e perdoando-os infinitamente, desde que eles se arrependam de um modo sincero. Ele não foi criado nem gerado e é considerado “o princípio e o fim, princípio sem princípio” da vida, estando por isso mais associado à criação do mundo. Mas isso não quer dizer que as outras duas pessoas da S.S. Trindade não participassem também nesse importante ato divino. O Credo Niceno-Constantinopolitano faz referência a Deus Pai:
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.
Desde a sua origem a Igreja, exprimiu e transmitiu sua fé em fórmulas breves, especialmente para os candidatos ao Batismo. É o nosso Credo. Ele foi elaborado pelos Apóstolos, por isso chama-se Símbolo dos Apóstolos. O Credo inicia falando de Deus Pai criador de tudo. Deus é um Ser espiritual (não tem corpo e nem sexo); Perfeitíssimo, incapaz de fa¬zer o mal; Eterno, não teve princípio e não terá fim. Ele criou todas as cria¬turas visíveis e invisíveis (anjos) que existem fora do nada. Criou o mundo belo, ordenado, conduzido por leis que o mantém.
O mundo foi criado para manifestar a glória de Deus. Deus cuida do mundo com a Sua Providência divina. “Olhai as aves dos céus…” (Mt 6,26). Deus é Onipotente; pode tudo, nada lhe é impossível; é Onisciente; sabe tudo, nada lhe é oculto ou desconhecido; é Onipresente, está presente em todo lugar, ninguém e nada se esconde dEle.Pelo uso da razão e da inteligência, o homem pode conhecer a Deus; a partir da criação, e de si mesma, a pessoa humana pode saber que Ele é a origem e fim do universo; sumo bem, verdade e beleza infinita. Mas Deus nos ilumina com a Sua Revelação (Sagrada Escritura e Sagrada Tradição) para podermos conhecer melhor as verdades que excedem o nosso entendimento, e também as verdades religiosas e morais.

Fonte: www.jesusobompastor.com.br

Não tenho namorado

Quem de nós não se lembra da turma do colégio, com a qual brincávamos e partilhávamos muitas horas de alegria e descontração, no cinema, na danceteria, festinhas, entre outras atividades. Com o passar do tempo, muitos desses amigos, pouco a pouco, foram encontrando alguém e começaram a namorar. Após alguns anos, aquela galera dos animados finais de semana se reduziu em apenas alguns solteiros. E, por fim, aquela pessoa que era a sua melhor companhia, de repente, também anunciou que estava apaixonada por alguém. Parecia que todo o mundo tinha encontrado a “cara-metade”…

Mesmo sem querer admitir, quem não teve a mesma sorte, muitas vezes, sentia-se como um “patinho feio”, sobretudo nas ocasiões em que o relacionamento vivido não foi tão duradouro como gostaria.
A partir dessa realidade muitos questionamentos começam a aparecer; e tudo é motivo para acreditar que aquilo que o faz se sentir um “solteirão” ou “solteirona” é a idade, a obesidade, a beleza que não é igual à de fulano (a), a condição social e financeira, entre outras coisas.

Na juventude, o que importava era namorar o (a) mais bonito (a) da escola. Naquela época, isso significava o “prêmio” diante dos amigos. Para aqueles que se deixam envolver por um conceito desvirtuado sobre seus relacionamentos, mal podem entender o que realmente buscam viver com a participação de uma pessoa em sua vida. E num sentimento egoístico, facilmente enquadram as pessoas, que deles se aproximam, segundo os conceitos de suas paixões. Aquilo que foi importante para um rapaz, ou uma moça, ontem, pode não ter significado algum, no dia seguinte.

Hoje, aprendemos a ver o namoro por meio de uma faceta diferente dos valores sustentados por uma cultura que, facilmente, afeta a percepção dos menos avisados. Entendemos que a presença de um amor em nossas vidas contribui para que as sementes de nossas qualidades e virtudes floresçam. Isso significa que a participação da namorada na vida do namorado deverá provocar nele o desejo de ser melhor a cada dia, e vice-versa.

Encontrar alguém que corresponda às nossas expectativas, muitas vezes, exigirá paciência para ajudá-lo a perceber aquilo que já entendemos e esperamos a respeito da vivência do namoro. E em outras ocasiões será necessário que baixemos as possíveis e demasiadas exigências de uma perfeição, a qual também não possuímos, mas que aplicamos aos outros.

Para aqueles que celebram o Dia dos Namorados parabenizando os amigos, talvez, se achem incapazes de viver um namoro. Entretanto, buscar uma pessoa somente para ter companhia, sabendo que esta não manifesta interesse em estabelecer valores comuns, além de não trazer a realização para o relacionamento como deveria ser, também vai impedir que o seu verdadeiro pretendente se apresente.

Um abraço

 

Dado Moura

Dicas de como driblar a dificuldade conseguir um namorado (a)

Por que, hoje, parece mais difícil conseguir um namorado (a)?

Aqui vão algumas reflexões sobre as razões pelas quais, hoje, parece ser mais difícil conseguir um namorado(a) e dicas de como driblar essa tendência atual.

– Antigamente, nossos avós e pais se casavam com menos idade. Hoje, na idade em que eles se casaram, a juventude quer curtir e ir às inúmeras festas. Então, filtre o tipo de evento que melhor lhe convém e não se entregue às facilidades e aos modismos.

 

– Antes, só existia namoro sério, talvez um ou dois relacionamentos e as pessoas já optavam pelo casamento. Elas valorizavam mais o fato de estarem juntas de alguém. Em nossos dias, a sociedade minou a mentalidade sobre o que é namoro, tornando-o “descartável” tanto no sentido de terminar o relacionamento quanto ao fato de não sentir mais uma paixão frenética, ou quando o “ficar” deu ares de “fast-food” aos relacionamentos. Portanto, não aceite “ficar”, e quando estiver com alguém, curta sua paixão, mas saiba que um relacionamento sobrevive mais com a construção de valores.

– No contexto social dos nossos avós, muitas vezes, eram os pais deles quem escolhiam o pretendente. Então, lhes era “poupado o trabalho” de arrumar um namorado (a). Hoje, você tem de passar pelo processo da paquera, do conhecimento do outro, tem de expressar seus sentimentos e questionamentos interiores e ter cumplicidade com ele (a). Na maioria das vezes, nada disso nos é ensinado pelos mais velhos, porque essa dinâmica é recente, ou seja, tudo depende de você! Veja, então, esse momento como um privilégio, porque você pode escolher uma pessoa.

– A estabilidade financeira que alguns procuram, para só depois entrar num relacionamento, toma tempo. O antigo costume do dote solucionava boa parte desse problema. Mas, na geração dehoje, muitos levam alguns anos se estruturando profissional e financeiramente. Saiba que você pode conciliar namoro com estudo e trabalho.

– A independência feminina é positiva, sem dúvida! Mas o que o feminismo fez foi forçar a mulher a competir com o homem naquilo que é papel dele, naquilo que os traços masculinos conseguem desempenhar melhor. Por exemplo: forçou a mulher – que tem características melhores que o homem em criar empatia e colaboração dentro de uma instituição – a ser competitiva e desenvolver certa agressividade (características masculinas para proteção), o que é próprio do ser masculino.

Então, com a mulher mais agressiva e competitiva, o homem acabou não se interessando pelo compromisso. Afinal, um elo com uma pessoa que ele não pode proteger e que vai competir com ele não lhe parece uma parceria, muito menos amor. Isso fez com que o homem perdesse um pouco da referência de sua identidade, seu papel e seu lugar no mundo.

Não que o homem tenha medo da mulher bem resolvida ou de competir com ela. O problema foi que ele se desinteressou mesmo pelo compromisso. Ainda mais com tantas facilidades no mundo de hoje, muitos homens não querem se prender a relacionamentos.

Homens, tenham iniciativa, mas não só no namoro. O cavalheirismo lhes cai bem no trabalho, com a família, em qualquer ambiente e situação. Sejam práticos onde houver a necessidade de praticidade e estejam atentos quando a sensibilidade precisar falar mais alto; e não tenham receio de compromisso! Iniciativa faz bem, porque está na sua essência.

Mulheres, sejam belas de alma, depositem amor em tudo que fizerem. E que tal aceitar a proteção e o cuidado dos homens? Ao contrário do que muitas mulheres pensam, homens apreciam mulheres inteligentes, que acrescentem algo no relacionamento por meio de suas ideias, de sua força e da união do casal.

– Os meios modernos, a rapidez em resolver as coisas trouxeram muitos benefícios. Entretanto, isso provocou no ser humano muita ansiedade. Ele quer tudo ao toque de um botão. Consequentemente, não aprendeu as gradualidades da vida. Muitos não sabem o que é “plantar para colher”, investir e esperar para chegar a um resultado.

Sem iniciação, nós nos tornamos tímidos, introspectivos e reclusos em várias dimensões da vida.

No campo da afetividade, isso resulta na falta de iniciativa em ir na direção da (o) paquera para conquistá-la (o). Quase sempre ficamos na torcida para que aquela pessoa, por quem nutrimos um interesse, venha até nós, nos dê sinais ou que o céu se mova em nosso favor. Até mesmo do nosso “mundinho” e da nossa rotina é difícil sairmos para nos aventurarmos em conhecer pessoas novas. Queira sair do seu casulo!

Hoje em dia, as pessoas não sabem se relacionar. Muitas têm receio de conversar e falar de seus pensamentos e suas experiências por medo de perder o (a) namorado (a) e de não serem compreendidas devido às suas feridas colecionadas durante a vida por causa de relacionamentos antigos. Ou, então, entram “de cabeça”, principalmente na área sexual.

Ao optarem por morar juntos, não cultivam as gradativas etapas de conhecimento um do outro, não prezam por descobrir se há cumplicidade, não protegem o que há de mais sagrado em si mesmos nem a sua capacidade de amar, aumentando a carência e as feridas no coração.

Viva a castidade, virtude pela qual, naturalmente, se sublima todo e qualquer tipo de relacionamento: amizade, namoro, família, profissão… Ainda cultivando o domínio e o amor próprio.

É claro que podem existir outros fatores e muitos não se encaixarão nesses citados. Minha intenção foi fazer uma análise geral da sociedade, por isso não se sinta na obrigação de se ver num desses argumentos. Contudo, eles podem lhe servir também para uma reflexão pessoal.

 

Sandro Aparecido Arquejada

Os 7 ‘nãos’ do Papa Francisco

A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco é deveras provocadora, desde as primeiras linhas, quando o Pontífice descreve a Igreja como ele a quer: “Uma Igreja ‘em saída’, que não olha para si mesma”. A intimidade da Igreja com Jesus é itinerante, e a comunhão se configura essencialmente como comunhão missionária (cf. EG 20-23).

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A Igreja “em saída” é a comunidade dos discípulos missionários que tomam a iniciativa, que se deixam envolver e que são capazes de ousar: “Ousemos um pouco mais ao tomar a iniciativa” (24). Tudo isso, marcado pelo convite de “não sermos cristãos com cara de funeral” (10). Outra expressão bastante tocante, e que tem forte repercussão missionária, é quando o Papa diz:“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, do que uma Igreja enferma pela oclusão e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (49).

Lendo atentamente o documento, impressionam os sete ‘nãos’ do Papa Francisco, que, em chave positiva, podem se transformar em sete ‘sins’ a serviço da evangelização local e mundial.

1. “Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário!” (80). Sim a uma espiritualidade missionária positiva, capaz de ver, no dia a dia, as pegadas de Deus na humanidade.

2. “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (83). Sim a um dinamismo missionário que seja sal e luz, com leigos protagonistas e bem formados para essa tarefa.

3. “Não deixemos que nos roubem a esperança!” (86). Sim a uma evangelização baseada na confiança para sermos fontes de água viva.

4. “Não deixemos que nos roubem a comunidade!” (92). Sim a uma mística que promova a fraternidade e saiba ver uma grandeza sagrada em cada próximo.

5. “Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!” (101). Sim a uma espiritualidade que promova a reciprocidade, o diálogo, o testemunho da comunhão fraterna.

6. “Não deixemos que nos roubem a força missionária!” (109). Sim à defesa e à promoção da vida em todas as suas formas no projeto do Reino de Deus.

7. “Não coarctemos nem pretendamos controlar essa força missionária da piedade popular” (124). “O caminhar juntos para os santuários e o participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador”, diz o Papa Francisco.

:: Veja mais: O Papa, os padres e os carros

Exorta o Papa Francisco: “O Evangelho é claro: O Senhor convidou-os, ide em frente! E isso significa que o cristão é um discípulo do Senhor que caminha, que vai sempre em frente” (L’osservatore Romano, 20/02/2014, p.13). O Bispo de Roma quer uma Igreja tremendamente missionária. Sabemos que a missão dela é, por natureza, evangelizadora. O Papa sabe da evasão de fiéis, dos indiferentes e dos desafios para a Igreja na era pós-moderna; e a resposta para tais problemas é tão somente ir, sair e fazer acontecer a obra da pregação da Palavra de Deus, anunciar Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.

Padre Inácio José do Vale

A Igreja de Cristo.

Se o dono de uma empresa nomeia um administrador para ela… precisamos de ouvi-lo. Para cumprir a Vontade do Dono = Jesus, você precisa obedecer ao administrador = Papa e não fazer as coisas do seu jeito = HERESIA. Sendo assim, se você como um funcionário fizer o que você quiser = HERESIA, o administrador = Papa com a autoridade dada pelo Dono = Jesus o despede da empresa. Claramente o Dono = Jesus não vai montar uma outra empresa e deixar a outra pelo fato de que o empresario errou. Certo que todo funcionário é chamado para uma segunda chance quando comete um erro.

Uma das coisa que é de se maravilhar na Sagrada Escritura, é os momentos em que Jesus ensinou em forma de parábolas para que possamos aprender com melhor facilidade.

E com base nesta pequena parábola que digitei acima, quero dizer que: Jesus instituiu uma só igreja “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”(Mt 16,18).

E ele como Dono deixou um Administrador Mt 16,19: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus…”. O “poder das chaves” expressa a autoridade administrativa e disciplina eclesiástica com relação às necessidades da fé, como em Is 22,22 (cf. Is 9,6; Jó 12,14; Ap 3,7). É deste poder que surge o uso de censuras, excomunhão, absolvição, disciplina batismal, imposição de penas e poderes legislativos. No Antigo Testamento, o comissário ou primeiro-ministro era aquele homem que estava acima da assembléia (Gn 41,40; 43,19; 44,4; 1Rs 4,6; 16,9; 18,3; 2Rs 10,5; 15,5; 18,18; Is 22,15.20-21).

E sabemos que nós somos os funcionários, que devemos servir com amor, pois servimos com amor por encontrar a verdade libertadora, o alimento de vida eterna (Eucaristia). Mais se um funcionário erra ele deve explicação ao Dono,mais o Dono com a autoridade que deixou ao Administrador, deixa que o Administrador nos chame. Mais alguns de nós decidimos seguir nossas próprias escolhas. E foi assim que começou o protestantismo, através de alguém escolheu suas próprias interpretações.E o que ouvimos hoje são pessoas dizendo: a Igreja Católica não é a igreja de Cristo, pois através de Lutero, Cristo renovou a igreja e deixou a Católica de lado, deixou de AMA-LA. E esse argumento protestante é como dizer: Cristo arrependeu-se, viu que fez um erro e o corrigiu 1500 anos depois através de Lutero.

Bom, explicarei a parábola descrita. Bom, se Jesus instituiu uma igreja = a empresa sitada na parábola, logo é nela que ele quer começar um projeto, o projeto da nova aliança. Mais como todo sábio, ele deixou um administrador para tomar de conta da igreja, o deixou com as chaves de ligar e desligar. E nós como cristão vivemos em serviço, o servi para com bem. Mais veja bem, se Jesus instituiu uma igreja e prometeu estar nela até o fins do tempo, logo ele não vai desistir e nem descumprir da sua palavra. Pois a esposa é uma só… Então como [e que Cristo dirrepente desiste da igreja e funda outra. Bom bem ai nós percebemos que a uma contradição,vejamos na parabola.

Se o dono de uma empresa nomeia um administrador para ela… precisamos de ouvi-lo. Para cumprir a Vontade do Dono = Jesus. Bom, sabemos que aquele descumpri a vontade de Deus esta pecando, mais cada pecado tem suas consequências, só não caiam na tese protestante de que todo pecado é igual, pois isso é mentira.

Continuemos: você precisa obedecer ao administrador = Papa, e não fazer as coisas do seu jeito = HERESIA. Sendo assim, se você como um funcionário fizer o que você quiser = HERESIA, o administrador = Papa com a autoridade dada pelo Dono = Jesus o despede da empresa ou o chama para conversar e dar varias chances. É bom notar que a cada dia temos uma nova chance, mais muitos não aproveitam a chance e se revoltam contra o administrador, começa a dizer que ele quer tomar de conta da igreja e que ele quer ser mais que o Próprio Cristo = Deus Filho. E quanto mais você erra mais você é advertido e chaga um ponto em que você é excomungado.

Agora veja, se o Dono da empresa fica sabendo da erro cometido e ver que não a mais volta claramente o Dono = Jesus não vai montar uma outra empresa e deixar a outra pelo fato de que o empresario herege = Lutero que errou.
E foi isso que aconteceu com Lutero, ele se encheu de si, e pregou heresias não soube se reconciliar e hoje o que vemos são pessoas admitindo que cristo deixou a igreja católica.

Sera que Jesus errou quando edificou a igreja em Pedro? Sera que ele desistiu das suas promessas?

Claro que não! Muitas mentes soberbas e contaminadas tem pregado isso.

Jesus jamais desistiu e desistirá da igreja católica, pois a uma só fé, um só rebanho. Lembre-se Satanás tentou a Jesus com as próprias Escrituras, mais Jesus não desistiu.

Em nem um momento vemos nos evangelhos dizer que Cristo desistiu de algo que prometeu.

Muitos vão te fazer desisti, muitos vão te falar que a eucaristia é simbolismo, muitos vão te dizer que a igreja católica é mentirosa, muitos vão te chamar de idolatra, muitos vão te reprender, muitos vão te odiar por pregar um Cristo verdadeiro, muitos etc… Mais lembre-se, Jesus foi tentado, e o próprio santanas usou a bíblia para tentar fazer Jesus desistir e Ele usou a própria Palavra para repreende-lo. Os fariseus e muitos o perseguiram, mais quando o viram ser crucificado e o véu se rasgar dando inicio anova aliança.Muitos deles falaram, veja este era o Filho de Deus
Muitos nos dias de hoje o perseguem, pois quem persegui a igreja, persegui a Cristo, lembre-se de Paulo que um dia perseguiu mais testemunhou da verdade. E assim será no fim, muitos verão que uma só é a igreja de Jesus Cristo. E muitos dirão: Realmente a igreja católica era a Igreja de Jesus.

A todos desejo paz e bem.

Autor: Gilson Azevedo.

Aquele Velho Quartinho

“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;
E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.” (Lucas 10.38-40)

É muito comum na nossa caminhada cristã nos enchermos de afazeres. Afinal, depois daquela experiência impactante de conversão ou depois do passar dos anos dentro da igreja desde a infância, muitos de nós acumulamos funções para o Reino.
É natural que, uma vez que o Senhor abriu nossos olhos e nos deu, de graça, o maior presente que pode existir nos fazendo novas pessoas, nosso coração se mova na intenção de trabalhar e passar a viver para o Senhor em gratidão. E isso é bom!

O problema está no passar dos anos quando somos engolidos pelos afazeres. Sexta no ensaio do louvor, sábado liderando o culto de jovens, domingo na diaconia, terça no estudo bíblico. Nossos olhos muitas vezes saem de Cristo para as atividades.
E como é duro constatar que já não sentimos mais saudades do Senhor. Passamos a nos desculpar pela falta de fervor na vida de oração e fome da palavra pela quantidade de coisas que fazemos. Acreditamos que nossa vida devocional pode ser substituída pelo serviço que prestamos a Deus.

E as vezes vamos além! Como Marta, olhamos pra alguns dos nossos irmãos e dizemos: “Senhor, não se te dá que meus irmãos me deixem fazer tudo sozinho?”.

Mas o convite do Senhor continua o mesmo de sempre. A melhor parte, o melhor lugar para se estar é aos pés de Cristo. Note, Cristo estava na casa de Marta mas ela estava tão ocupada em organizar tudo para o próprio Jesus que perdeu a real intenção que Maria notou: simplesmente estar com ele.

Qual foi a última vez que você sentiu saudades de Deus? Que contou as horas pra estar com o Senhor? Para ler a bíblia? Para gastar tempo com Deus?

É possível estar longe dentro da casa de Deus. Estar tão longe quanto o filho pródigo estava.

Mas os braços estão igualmente abertos para lhe receber de novo numa relação de comunhão. É isso que importa! Estar com o Senhor. Lembre-se, a ordem é amar ao Senhor e se apegar nEle. Faça o que precisar pra isso!

Deus não precisa do seu trabalho. Deus deseja você.

É hora de tirar o pó daquele antigo quartinho de oração. Do banco daquele jardim de silêncio. É hora de voltar a ansiar a hora de simplesmente conversar com o Senhor.

Todo o resto pode esperar.

 

Via http://minhavidacrista.com

O que é a Lectio Divina?

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, pode-se fazê-la em grupo. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.

O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum 25, ratificou e promoveu com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela freqüente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (São Jerônimo, Comm. In Is., prol).

A prática cristã ancestral de Oração Centrante tem suas raízes e é alimentada pela oração de escuta da Palavra de Deus na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos e Salmos. Por isso, faço este convite a você que ainda não faz a Lectio Divina para ter este profundo alimento espiritual e quem faz   desejo os votos de perseverança. A Lectio Divina possui os seguintes passos: comece invocando o Espírito Santo fazendo esta oração: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. – Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém”. A Lectio possui quatro passos: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio (Meditação); 3- Oratio (Oração) e 4- Contemplatio (Contemplação).

Quanto à leitura, Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Sagrada Escritura (aconselha-se que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos). Leia o texto quantas vezes forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes desta perícope: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. É importante que identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de espírito. À leitura, eu escuto: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma:Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura. Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma: Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura.

Quanto à Meditatio, começa, então, diligente meditação. Ela não se detém no exterior, não pára na superfície, apóia o pé mais profundamente, penetra no interior, perscruta cada aspecto. Considera atenta que não se disse: Bem-aventurados os puros de corpo, mas, sim, “os puros de coração”. Pois não basta ter as mãos inocentes de más obras, se não estivermos, no espírito, purificados de pensamentos depravados. Isso o profeta confirma por sua autoridade, ao dizer: Quem subirá o monte do Senhor? Ou quem estará de pé no seu santuário? Aquele que for inocente nas mãos e de coração puro (Sl 24,3-4). Depois de ter refletido sobre esses pontos e outros semelhantes no que toca à pureza do coração, a meditação começa a pensar no prêmio: Como seria glorioso e deleitável ver a face desejada do Senhor, mais bela do que a de todos os homens (Sl 45,3), não mais tendo a aparência como que o revestiu sua mão, mas envergando a estola da imortalidade, e coroado com o diadema que seu Pai lhe deu no dia da ressurreição e de glória, o dia que o Senhor fez (Sl 118,24).

Quanto à Oratio, toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade. Vendo, pois, a alma que não pode por si mesma atingir a desejada doçura de conhecimento e da experiência, e que quanto mais se aproxima do fundo do coração (Sl 64,7), tanto mais distante é Deus (cf. Sl 64,8), ela se humilha e se refugia na oração. E diz: Senhor, que não és contemplado senão pelos corações puros, eu procuro, pela leitura e pela meditação, qual é, e como poder ser adquirida a verdadeira doçura do coração, a fim de por ela conhecer-te, ao menos um pouco.

Quanto ao último passo à Contemplatio, Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

Portanto, diante deste patrimônio da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, desejo a todos que ao lerem este artigo comecem a tomar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois, nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades em nossa caminhada. Que Deus os abençõe nesta nova etapa espiritual.

Pe. Jair Cardoso Alves Neto (Arquidiocese de Cuiabá).

Exorcismo, arma contra o mal

Não há demónios que cospem fogo ou levitações no meio de tempestades destruidoras. Mas a existência do demónio enquanto anjo que renunciou a Deus faz parte dos ensinamentos da Igreja. O exorcismo torna-se assim numa arma de luta do homem contra o Diabo, mas de nada valerá se a vida não for repleta de oração, confissão e retidão. Esta é uma viagem que assusta, mas que importa ser feita.

«Um dia passei numa feira de ocultismo e perguntei pelo melhor que ali estava. Entrei e senti um arrepio. Ele sabia tudo sobre a minha vida, e eu nem abri a boca para falar. Disse-me que a alma do meu pai não estava em paz, e que precisava que eu fizesse magia branca para ficar. Recusei-me e saí dali, mas a partir daquele momento tudo foi diferente.»

Ao longo da história, o homem sentiu a tentação, falou na existência do Mal e concebeu hipóteses sobre a existência do Demónio, um ser, entidade ou pensamento que procura influenciar a nossa vida e afastar os crentes do caminho do Bem, ou de Deus. Mas para a Aldina, 36 anos, todas estas experiências foram bem mais reais. «O meu pai morreu em 2001 e comecei a querer saber mais sobre a sua alma, se estava em paz», diz. Esta curiosidade levou-a a feiras do oculto, encontros de espiritismo, médiuns, leitores de tarot e até a encontros da Nova Era, um movimento que se baseia no bem-estar e na tolerância universal, rejeitando Deus e a religião.

A exploração de pessoas fragilizadas por traumas é comum nesta área. Há muitos “profissionais” da adivinhação que não passam de meros charlatões. «No entanto, nem todos são assim, e é com esses que é preciso ter mais atenção, pois é nesses que o Diabo reside e pode fazer mal», defende o Pe. Duarte Sousa Lara, um sacerdote de Lamego que, nomeado oficialmente pelo seu bispo, se tornou uma referência portuguesa na área dos exorcismos. O sacerdote confirma que há adivinhos que inspirados pelo Demónio, com o qual têm um pacto, conseguem ter os poderes de adivinhação que a Aldina testemunhou na primeira pessoa. Com a escola do Pe. Gabriele Amorth, um padre paulista italiano que trouxe de volta à ribalta o tema das possessões demoníacas em Itália, o Pe. Sousa Lara vai recebendo, acompanhando e exorcizando pessoas que se dirigem até ele em número cada vez maior. «É preciso saber distinguir as pessoas que necessitam de um exorcismo daquelas que têm problemas psicológicos, e algumas das pessoas que vêm até mim são direcionadas para psiquiatras ou psicólogos. Por outro lado, também alguns psicólogos e psiquiatras enviam para mim alguns dos seus casos mais enigmáticos, porque não encontram para eles nenhuma explicação a não ser a presença de um distúrbio de ordem diabólico», assegura. Todas as semanas o sacerdote recebe pessoas que vêm não apenas da sua diocese, mas também de outros pontos do país, até porque, apesar de a Santa Sé ter pedido que em cada diocese houvesse um exorcista, essa ainda não é a realidade do nosso país.

«Já mal conseguia trabalhar, e fui à procura de outros adivinhos para confirmar as teorias. Fui a pessoas cada vez piores. Então começaram os pesadelos», recorda Aldina, que conta que foram ficando cada vez mais «negros» com o passar dos anos. «Durante anos sonhei com o meu pai, e cães a atacarem-me, sangue, tudo muito negro», conta.

Luta entre o bem e o mal

As coisas atingiram o pico em 2011, quando decidiu frequentar um curso da Nova Era. «Quando frequentei o curso da Nova Era, em que paguei 200 €, as coisas pioraram muito mais. Permiti que “mexessem” em mim, e aí aconteceram-me coisas tremendas. Deixei de comer, não controlava o meu corpo, sentia que vinha uma coisa que me alterava a voz, falava línguas que eu não dominava, como o alemão. Estava sempre consciente, com uma força sobre-humana, ninguém me conseguia segurar. Quando me colocavam uma Bíblia à frente durante estes ataques, eu cheguei a rasgar a Bíblia, reagia à água benta, inchava imenso, o meu cabelo ficava em pé…»

Amizade com Deus

“Buscar-me-eis e me encontrareis: procurar-me-eis do fundo do coração, e eu me deixarei encontrar por vós.”( Jer 29,13s )

Santa Teresa nos diz que “a oração é um trato de amizade com Deus”. Nossa motivação para a oração deve ser sempre o amor a Deus. É o amor a Deus que nos impulsiona aos desafios de tão grande bem. Orar é portanto um diálogo de amor. A oração é um Dom de Deus e não um esforço nosso e, podemos afirmar até mesmo que o primeiro passo é sempre Dele. É o Senhor que toma a iniciativa de se relacionar conosco. Por isso, a oração não só é um sadio desejo do nosso coração mas, mais do que isto, é um DESEJO DE DEUS.

Cada um de nós temos um coração de oração que precisa ser trabalhado, desenvolvido para crescer no Dom da oração. Este trabalho consiste num acolhimento da graça de Deus. O coração de oração não é algo que vamos comprar com os nossos esforços, mas que vamos acolher com a nossa liberdade. Este coração orante vai se realizando na nossa história. É um exercício, contínuo e assíduo. É um trato de fidelidade e sinceridade com Deus.

Na oração Deus é que inicia o diálogo. Nosso primeiro passo é pedir o Espírito Santo e abrir o coração para que agindo em nós Ele nos ensine a falar com Deus. Quando clamamos de coração sincero, o Espírito Santo começa a arrumar as coisas, pois nossa alma na maioria das vezes, se encontra bagunçada, e sem a ajuda do Espírito que vem para ordenar e silenciar o nosso ser é impossível agradar a Deus. Quando o Espírito Santo começa a agir eu esqueço de mim e das coisas a minha volta e me volto para Deus. Quando eu me disponho a ter uma vida de oração, Deus não vai permitir que eu continue a mesma pessoa, pois a cada encontro com o Senhor o Espírito vai com a sua luz me revelando QUEM É DEUS E QUEM SOU EU.

Este conhecimento de nós mesmos é essencial para percebermos que não somos perfeitos e que não precisamos ser perfeitos para nos relacionarmos com Deus. Na oração não temos que nos preocupar em não se distrair, em não ter pensamentos vãos, em multiplicar as palavras, em ser isso ou aquilo para Deus mas em AMARMOS MUITO, isto é o essencial.

Se vamos para junto de Deus usando uma máscara de bonzinhos e não vou com os meus pecados e a maldade que há no meu coração, eu já levo a casa arrumada, então eu já não preciso do Espírito para arrumar tudo e nem mesmo posso agradar a Deus na mentira, pois um relacionamento de amizade requer acima de tudo sinceridade e confiança para conhecer o outro e deixar-se conhecer.

Devemos ser como o publicano que batia no peito diante de Deus e rezava: “Tem piedade de mim que sou pecador” e não como fariseu que se justificava com as suas obras e negava a sua verdade. A humildade é uma virtude essencial. Ela nos leva a permitir que o Senhor dê o primeiro passo e inicie este diálogo de amor conforme Ele deseja.

No início de uma amizade são necessários alguns passos:

O primeiro deles é a escolha mútua: Ser escolhido sem que eu tenha escolhido esta pessoa, ou escolher e não ser aceito na escolha pelo outro não levam adiante uma amizade. Quando escolho e sou escolhido, a amizade acontece na alegria e na tristeza. Deus é o amigo que estará sempre escolhendo e acolhendo. Dele vem a possibilidade de acolhê-Lo.

O segundo passo é a abertura: a amizade é uma doação de igual para igual. Não posso pensar que não tenho nada para dar a Deus e me colocar somente como aquele que acolhe. Deus não é o amigo máximo, nem o amigo protetor mas, o amigo que eu amo, o qual, sou chamado a acolher.

O terceiro passo é a honestidade: para Santa Teresa a verdade é fundamental na oração.

O quarto é a fidelidade: sabemos que da parte de Deus isto nunca faltará e, será até mesmo Sua fidelidade para conosco que nos ensinará a sermos fiéis a Ele. Com certeza se marcamos com o Senhor às quatro horas para rezar, às três horas, Ele já estará ansioso esperando por nós. Então sentiremos impulsionado o nosso coração para não permitir que o nosso amigo fique a nos esperar.

Quando nos elegeu o Senhor nos fez um convite para sermos seus amigos. A nós cabe responder com compromisso e interesse a divina proposta. Esta sem dúvida é uma resposta de amor e alguém que ama e se sabe amado por Aquele que com tanto zelo nos escolheu e nos amou primeiro.

 

Formação: Junho/2003

A oração é um dom, uma graça que devemos pedir todos os dias em nossas vidas. Este livro se propõe a ser um instrumento para os membros dos grupos de oração da Obra Shalom que estão trilhando o Caminho da Paz, na fase Filoteia. Entretanto, ele pode ser utilizado por qualquer pessoa que deseja ter vida de oração, vida de amizade com Deus. O nosso objetivo é ajudá-lo a mergulhar mais na intimidade com um Deus que é próximo, que é amigo, que é pessoa e que deseja ter uma amizade pessoal com você. A cada semana você terá a oportunidade de aprofundar os temas vistos no grupo de oração, deixando que através da força da oração eles se tornem vida na sua vida. Este é o segredo mais importante: ser amigo de Deus! Que Ele nos conceda esta graça!

 

Via Comudade Shalom