Exorcismo, arma contra o mal

Não há demónios que cospem fogo ou levitações no meio de tempestades destruidoras. Mas a existência do demónio enquanto anjo que renunciou a Deus faz parte dos ensinamentos da Igreja. O exorcismo torna-se assim numa arma de luta do homem contra o Diabo, mas de nada valerá se a vida não for repleta de oração, confissão e retidão. Esta é uma viagem que assusta, mas que importa ser feita.

«Um dia passei numa feira de ocultismo e perguntei pelo melhor que ali estava. Entrei e senti um arrepio. Ele sabia tudo sobre a minha vida, e eu nem abri a boca para falar. Disse-me que a alma do meu pai não estava em paz, e que precisava que eu fizesse magia branca para ficar. Recusei-me e saí dali, mas a partir daquele momento tudo foi diferente.»

Ao longo da história, o homem sentiu a tentação, falou na existência do Mal e concebeu hipóteses sobre a existência do Demónio, um ser, entidade ou pensamento que procura influenciar a nossa vida e afastar os crentes do caminho do Bem, ou de Deus. Mas para a Aldina, 36 anos, todas estas experiências foram bem mais reais. «O meu pai morreu em 2001 e comecei a querer saber mais sobre a sua alma, se estava em paz», diz. Esta curiosidade levou-a a feiras do oculto, encontros de espiritismo, médiuns, leitores de tarot e até a encontros da Nova Era, um movimento que se baseia no bem-estar e na tolerância universal, rejeitando Deus e a religião.

A exploração de pessoas fragilizadas por traumas é comum nesta área. Há muitos “profissionais” da adivinhação que não passam de meros charlatões. «No entanto, nem todos são assim, e é com esses que é preciso ter mais atenção, pois é nesses que o Diabo reside e pode fazer mal», defende o Pe. Duarte Sousa Lara, um sacerdote de Lamego que, nomeado oficialmente pelo seu bispo, se tornou uma referência portuguesa na área dos exorcismos. O sacerdote confirma que há adivinhos que inspirados pelo Demónio, com o qual têm um pacto, conseguem ter os poderes de adivinhação que a Aldina testemunhou na primeira pessoa. Com a escola do Pe. Gabriele Amorth, um padre paulista italiano que trouxe de volta à ribalta o tema das possessões demoníacas em Itália, o Pe. Sousa Lara vai recebendo, acompanhando e exorcizando pessoas que se dirigem até ele em número cada vez maior. «É preciso saber distinguir as pessoas que necessitam de um exorcismo daquelas que têm problemas psicológicos, e algumas das pessoas que vêm até mim são direcionadas para psiquiatras ou psicólogos. Por outro lado, também alguns psicólogos e psiquiatras enviam para mim alguns dos seus casos mais enigmáticos, porque não encontram para eles nenhuma explicação a não ser a presença de um distúrbio de ordem diabólico», assegura. Todas as semanas o sacerdote recebe pessoas que vêm não apenas da sua diocese, mas também de outros pontos do país, até porque, apesar de a Santa Sé ter pedido que em cada diocese houvesse um exorcista, essa ainda não é a realidade do nosso país.

«Já mal conseguia trabalhar, e fui à procura de outros adivinhos para confirmar as teorias. Fui a pessoas cada vez piores. Então começaram os pesadelos», recorda Aldina, que conta que foram ficando cada vez mais «negros» com o passar dos anos. «Durante anos sonhei com o meu pai, e cães a atacarem-me, sangue, tudo muito negro», conta.

Luta entre o bem e o mal

As coisas atingiram o pico em 2011, quando decidiu frequentar um curso da Nova Era. «Quando frequentei o curso da Nova Era, em que paguei 200 €, as coisas pioraram muito mais. Permiti que “mexessem” em mim, e aí aconteceram-me coisas tremendas. Deixei de comer, não controlava o meu corpo, sentia que vinha uma coisa que me alterava a voz, falava línguas que eu não dominava, como o alemão. Estava sempre consciente, com uma força sobre-humana, ninguém me conseguia segurar. Quando me colocavam uma Bíblia à frente durante estes ataques, eu cheguei a rasgar a Bíblia, reagia à água benta, inchava imenso, o meu cabelo ficava em pé…»

Anúncios

LEIA ANTES: os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post. Toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, a posição de "Kerigma, A Proclamação da Palavra". Não serão aprovados os comentários escritos integralmente em letras maiúsculas. A edição deste blog se reserva o direito de excluir qualquer comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. O espaço para comentários é encerrado automaticamente após quinze dias de publicação do post.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s