O amor cristão não é o “amor de telenovelas”

Na homilia desta quinta-feira, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco sublinhou a concretude do amor cristão. Comentando o trecho da Primeira Carta de São João – “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado em nós” (1 Jo 4, 12) –, ele explicou que “permanecer no amor” de Deus não é tanto um êxtase do coração, “uma coisa agradável de sentir”:

Veja que o amor do qual fala João não é o amor de telenovelas! Não, é outra coisa. O amor cristão tem sempre uma qualidade: a concretude. O amor cristão é concreto. O mesmo Jesus, quando fala de amor, fala de coisas concretas: alimentar os famintos, visitar os doentes e muitas coisas concretas. (…) E quando não há essa concretude, pode-se viver um cristianismo de ilusão, porque não se entendeu bem onde está o centro da mensagem de Jesus. Não chega esse amor a ser concreto: é um amor de ilusão, como esta ilusão que tiveram os discípulos quando, vendo Jesus, acreditaram que fosse um fantasma.”

O Santo Padre disse que a confusão em identificar o verdadeiro amor é fruto de um coração insensível. “Se você tem o coração endurecido, não pode amar e pensa que o amor é imaginar coisas. Não, o amor é concreto”. Ele também indicou dois critérios sobre os quais se funda esta concretude do amor cristão:

“Primeiro critério: amar com as obras, não com as palavras. As palavras são lançadas ao vento! Hoje elas são, amanhã não são. Segundo critério de concretude é: no amor é mais importante dar que receber. Aquele que ama dá, dá… Dá coisas, dá a vida, dá a si mesmo a Deus e ao outro. Mas quem não ama, que é egoísta, sempre procura receber, sempre quer ter coisas, ter vantagens.

A contraposição que o Papa faz do “amor cristão” e do “amor de telenovelas” mostra a grande deturpação que os meios de comunicação têm feito da verdadeira caridade. De fato, são muitos os mass media “que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento”01, degradando o amor a puro “sexo” e transformando-o em “mercadoria”, “uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender”, o que, no fim das contas, mercantiliza “o próprio homem”02. Sem falar da tentativa claramente manifesta de passar à sociedade uma visão totalmente abstrata de família, o que equivale a nada menos que a sua destruição.

Ao contrário, o Papa Francisco recorda que “no amor é mais importante dar que receber”. A medida do verdadeiro amor não são os sentimentos, mas a entrega fiel e constante de si ao bem amado. Por isso, diz-se que “o ágape exprime-se geralmente de um modo silencioso e duradouro, sem muito espetáculo”03: na doação de uma mãe que renuncia aos projetos de carreira para cuidar de seus filhos pequenos, no sacrifício de um esposo que batalha diariamente para sustentar sua casa e proteger o seu lar, no filho que ampara os seus pais na velhice etc. Este amor, embora escondido e marcado pela experiência do sofrimento, traz à alma a verdadeira alegria.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 13). Em um mundo onde as pessoas parecem valorizar mais o eros que o agape, os cristãos são chamados a seguir o exemplo de Jesus Cristo, que doou-se até o extremo da Cruz. Como diz São Francisco de Sales, “o Calvário é a montanha dos que amam”.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Papa Bento XVI, Homilia durante Missa de Canonização de Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, 11 de maio de 2007
  2. Papa Bento XVI, Encíclica Deus Caritas Est, 25 de dezembro de 2005, n. 5
  3. Thomas G. Morrow, O namoro cristão em um mundo supersexualizado. 2. ed. São Paulo: Quadrante, 2011. p. 34
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