Podemos dizer que a Igreja é uma casta prostituta?

Vários teólogos liberais têm utilizado a expressão ‘casta meretriz’ para referir-se à Igreja Católica. Com isso, querem inferir que ela é, ao mesmo tempo, santa e pecadora. É possível fazer tal afirmação? Esta expressão, extraída de um texto de Santo Ambrósio de Milão, está sendo utilizada corretamente?

O Concílio Vaticano II, no documento denominado Lumen Gentium, em seu número 39, diz claramente: “A santidade indefectível da Igreja, cujo mistério este sagrado Concílio expõe, é objeto da nossa fé.” (LG) Portanto, não procede, em absoluto, a afirmação de que a Igreja é santa e pecadora. Mesmo que os supostos intérpretes do espírito do concílio teimem em dizer o contrário, a frase em destaque não deixa dúvida.

Um desses “intérpretes do espírito do Concílio”, o teólogo Giuseppe Alberigo usou a expressão ‘casta meretriz’ de Santo Ambrósio de Milão para dar nome a um livro e justificar a afirmação de que a Igreja é cheia de pecados. Mas não é esta a fé.

A fé proclamada é a de que a Igreja é imaculada, contudo composta de pessoas maculadas. ‘Immaculata ex-maculatis’ foi como explicou o Cardeal Giacomo Biff quando pregou um retiro para o Papa e os cardeais no ano de 2007. Naquela ocasião, o Cardeal recordou um ensinamento professado por ele mesmo anteriormente sobre a expressão utilizada por Santo Ambrósio.

Santo Ambrósio interpreta a Bíblia de forma simbólica (análise tipológica), ou seja, ele vê nas figuras do Antigo Testamento realidades do Novo. Quando lê o capítulo 2 do Livro de Josué, consegue enxergar espiritualmente na prostituta Raab um símbolo da Igreja. Raab acolheu em sua casa os espiões enviados por Josué e, ao salvá-los, ela estava fazendo algo que é próprio da Igreja.

Assim, a comparação feita por Santo Ambrósio tem limites. A Igreja é prostituta não porque possui pecados, mas sim, porque seduz pecadores e o faz para salvá-los. E ele segue dizendo ainda que tanto mais casta quanto mais pecadores atrair.

Portanto, a expressão casta meretrix não é, de forma nenhuma, uma profissão de fé de que a Igreja é santa e pecadora. Ela é santa e imaculada, que atrai pecadores. A Igreja é a casa dos pecadores, mas não quer dizer que ela mesma seja pecadora.

O Papa Paulo VI no seu Credo do Povo de Deus, professado no final do Ano da Fé, em 1968 disse:“A Igreja é santa apesar de incluir pecadores em seu seio, pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça.”

Cair na desgraça do pecado é abandonar a vida da igreja. Pecar é dar passos para fora da Igreja. Quem peca é o membro da Igreja e não ela, que é imaculada, sem defeito, mas, feita por filhos leprosos, cheios de defeitos, pecadores, como todos nós.

 

Via Pe. Paulo Ricardo

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