Um cristão deve consultar horóscopo?

O diabo não busca outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus

A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.

Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:

1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;
2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;
3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que então a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;
4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registram-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que leem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável. Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa em seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando veem que a previsão é negativa, acabam cedendo às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.
“Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/horoscopo-faz-mal-saude-mental-11063132)

Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gêmeos. Veja por exemplo caso de Esau e Jacó (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gêmeos sabem muito bem disso.

Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vênus ou quiçá de outros astros”.

Querer predizer os costumes, os atos e os eventos baseando-se sobre esse tipo de observação, é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes dessa superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demônios. Essas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.

Em doutrinas desse gênero, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demônios que, juntamente com seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus.”

“Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões, I, IV, c. 3).

“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.
“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado a forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias se amedronta e dobra diante de poderes fictícios – o que não é cristão.” (D. Estevão)

São Tomás de Aquino, em sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demônio quer ser adorado, por isso se esconde atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.

Ratzinger ainda é Papa

Texto publicado no jornal italiano Corriere della Sera em 28/05/2014.)

or Vittorio Messori

“Caríssimos irmãos, convoquei-vos hoje para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro,…”

Totalmente imprevistas, proferidas em latim, em voz baixa, aquelas palavras foram como que uma chicotada que em poucos minutos giraram o mundo. E até mesmo em países de maioria não-católica e até não-cristã, mas capazes de compreender a novidade histórica do acontecimento. Não podemos nos esquecer que — para ficar só com as palavras recentes do protestante Obama, do ortodoxo Putin, do anglicano Cameron — o Romano Pontífice hoje seria a mais alta autoridade moral do planeta.

Voltando àquele 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, quem conhece o mundo católico sabe que ainda estamos perplexos e debatendo, muito duramente. Parece haver dois lados: de um lado, o grupo dos guardiões da tradição, para os quais a “renúncia” (não demissão, uma vez que o papa não teria a quem apresentá-la aqui na terra), embora esteja prevista no Código de Direito Canônico, constituiria uma espécie de deserção, quase como se Bento XVI considerasse o seu ofício como o de um presidente de multinacional ou de um Estado, para quem seria natural aposentar-se com o avanço da idade, em prol da eficiência. A mesma eficiência rejeitada, no entanto, por João Paulo II, que escolheu uma longa agonia pública. Do outro lado, o grupo dos que se alegraram: a renúncia seria o fim da sacralidade do pontífice, a aura mística em torno de sua pessoa e, portanto, o ajuste do bispo de Roma ao padrão comum de todos os bispos, requerido por Paulo VI: renunciar ao governo de uma diocese e a atribuições oficiais na Cúria Romana quando alcançasse 75 anos.

Contudo, restavam ainda questões que pareciam não ter resposta adequada: por que não optar por ser chamado de “bispo emérito de Roma”, como sugerido pela revista Civiltà Cattolica, mas de “papa emérito”? Em que pese ter retirado a capa e o annulus piscatorius (anel do pescador) de seu dedo, um sinal da autoridade do governo, por que não renunciar ao hábito branco? Por que não se aposentar no silêncio da clausura de um mosteiro, ao invés de se confinar dentro dos limites da Cidade do Vaticano, ao lado de São Pedro, cruzando muitas vezes — embora em privado — com o sucessor, recebendo convidados e participando de cerimônias, como a recente canonização de Roncalli e Wojtyla? Confesso que me fazia perguntas semelhantes e ficava perplexo.

Respostas a essas perguntas vêm agora de um estudo realizado por Stefano Violi, professor de Direito Canônico nas Faculdades de Teologia de Bolonha e Lugano. Vale a pena examinar essas páginas densas, porque com a decisão de Bento XVI abriram-se para a Igreja inéditos cenários, um tanto desconcertantes. É provável que as conclusões do professor suscitem debates entre os colegas, pois o canonista Violi teoriza que o ato de Ratzinger inova profundamente e que os papas viventes agora são realmente dois, mesmo que um deles, voluntariamente, “pela metade”, para dizê-lo de um modo simplista, mas correto. Para entender seu ponto de vista, precisamos, antes de mais nada, apagar todos os delírios de conspiração e complô, levando a sério o que Bento XVI falou sobre o peso crescente da velhice como a razão primeira e única da sua decisão: “Nos últimos meses, eu senti que as minhas forças tinham diminuído… Os meus recursos, físicos e intelectuais, pela idade avançada, já não são adequados para exercer adequadamente o ministério …”

Mas, estudando em profundidade o latim muito preciso com o qual Joseph Ratzinger acompanhou sua decisão, o olho do canonista descobriu que ela vai muito além dos poucos antecedentes históricos e além das exigências estabelecidas para a “renúncia” do Código atual da Igreja. Se descobre, isso sim, que Bento XVI não tinha a intenção de renunciar ao munus petrinus, nem ao cargo, nem ao seu ofício, isto é, ao que o próprio Cristo atribuiu ao chefe dos Apóstolos e tem sido transmitido aos seus sucessores. O papa renunciou apenas ao ministerium, ou seja, ao exercício da administração prática desse ofício. Na fórmula utilizada por Bento, antes de tudo se distingue o munus — o ofício papal, da executio — que é o próprio exercício do cargo. Mas a executio é dupla: há o aspecto de governo que se exerce agendo et loquendo, trabalhando e ensinando. E há também o aspecto espiritual, não menos importante, que é exercido orando et patiendo, rezando e sofrendo. É o que estaria por trás das palavras de Bento XVI: “Não retorno à vida privada… Eu não tenho mais o poder de liderança na Igreja, mas para o bem desta mesma Igreja e no serviço da oração, continuo no recinto de São Pedro.” Onde “recinto” não deve ser entendido apenas no sentido de um lugar geográfico para viver, mas também um “lugar” teológico.

Eis, então, o porquê da escolha, inesperada e inédita, de se fazer chamar “papa emérito”. Um bispo continua bispo quando a idade ou a doença lhe impõe deixar o governo de sua diocese, e ele se retira para orar por ela. Tanto mais o bispo de Roma, para o qual o munus, o cargo, o ofício de Pedro, foi-lhe conferido de uma vez por todas, para toda a eternidade, por meio do Espírito Santo, servindo-se dos cardeais no conclave só como instrumentos. Aqui também o porquê da decisão de não abandonar o hábito branco, mesmo ficando privado dos sinais particulares do governo ativo. E por isso a vontade de estar ao lado das relíquias do chefe dos apóstolos, venerado na grande basílica. Nas palavras do professor Violi: “Bento XVI foi despojado de todo o poder de governo e comando inerente a seu cargo, sem contudo abandonar o serviço à Igreja: este continua, por meio do exercício na dimensão espiritual do ‘munus pontifício que lhe foi confiado. Com isso, ele não tinha a intenção de renunciar. Ele não renunciou ao ofício, que não é revogável, mas à sua execução.

Será que é por isso que Francisco parece não gostar de se definir como “papa”, consciente de que deve compartilhar o munus pontifício, pelo menos na dimensão espiritual, com Bento? Ele que, no entanto, herdou plenamente de Bento XVI o cargo de bispo de Roma. Será que é por isso que esta é para ele, como se sabe, sua auto-definição preferida, desde as primeiras palavras de saudação ao povo depois da eleição? Tanto é assim que muitos, surpresos, se perguntaram por que ele não usou a palavra “papa” ou “pontífice” em uma ocasião tão solene, diante das TVs do mundo inteiro, mas apenas falou sobre seu papel como o sucessor do episcopado romano.

Pela primeira vez, então, a Igreja de fato tem dois papas, um reinando e outro emérito? Parece que esta era a vontade do próprio Joseph Ratzinger com a renúncia somente do serviço ativo, que se mostrou “um ato solene de seu Magistério”, nas palavras do canonista. Se de fato é assim, tanto melhor para a Igreja: é um dom que haja, lado a lado, também fisicamente, quem dirija e ensine, e quem reze e sofra… por todos, mas acima de tudo para apoiar o irmão no ofício pontifício quotidiano.

Via Igreja Hoje

Santos Inocentes

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os “santos inocentes”, cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem “confessar” sua crença.

Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o “tal rei dos judeus”, voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois “também queria adorá-lo”.

Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que “Raquel choraria a morte de seus filhos” quando o Messias chegasse.

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.

Fonte: Paulinas

O Fascismo e Marxismo Cultural

A IGREJA CATÓLICA E O MARXISMO

Como visto na aula anterior, Marx já havia identificado uma problemática cultural na alienação do proletariado, ao dizer que a religião é o ópio do povo. Isso foi analisado de forma mais sistemática por Antonio Gramsci, que vivenciou toda a crise teórica do comunismo após a I Guerra.Esta crise do marxismo gerou 2 filhos: o fascismo e o marxismo cultural, cada um deles com uma proposta bastante clara para chegar aos seus objetivos de dominação.

O fascismo, que também é um filho bastardo do comunismo, foi o caminho encontrado por Mussolini e Hitler para implantar a revolução em suas nações. Ambos queriam a mesma coisa que Lênin e Stálin, ou seja, uma sociedade sem mercado livre, “justa”, com “igualdade” e um estado forte, obtido através de uma ditadura totalitária. Achavam que a ideologia de classe não era um chamariz atraente o suficiente para fomentar a revolução marxista. Hitler e Mussolini perceberam, na I Guerra, um sentimento patriótico que levou o povo a lutar, a defender os “interesses burgueses” e criaram o fascismo: enquanto o marketing de Stálin falava do proletariado, do trabalhador, da lógica de classes, Hitler e Mussolini falavam dos sentimentos nacionais, de raça, ou seja, dos princípios norteadores do fascismo.

Por outro lado Antonio Gramsci, grande propugnador do marxismo cultural, colocou como projeto para a implantação do socialismo e do marxismo a destruição lenta e gradativa da cultura ocidental. A esse processo Gramsci chamou de “modificação do senso comum”. Para que houvesse o predomínio da mentalidade marxista, não havia a necessidade de uma grande estrutura que sustentasse o saber. Bastava apenas uma ideologia convincente, numa espécie de jogo de marketing. Para o marxismo, sem sombra de dúvida, não existe a verdade, mas um jogo de marketing[1].

Como visto, tanto o fascismo como o marxismo cultural faziam basicamente as mesmas coisas com a simples diferença de usar uma propaganda diferente para alcançar os mesmos objetivos. A mentalidade revolucionária funciona assim, “metamorfoseando” seu marketing de acordo com a época. Por exemplo, Stálin pretendia implantar o socialismo através de uma sociedade ateia, marcada pela perseguição à Igreja; os novos marxistas perceberam que perseguir a Igreja é algo sempre danoso ao ideal revolucionário, pois quanto mais cristãos são mortos, mais mártires são criados e mais forte fica o cristianismo. Com o passar do tempo perceberam que o caminho mais seguro para mudar a mentalidade do mundo é o de entrar na Igreja e mudá-la, desde dentro[2].

Os marxistas sabem que a Igreja é sustentada por uma lógica burguesa, que tem “apego” ao certo e ao errado, ao moral e ao imoral e usarão isso contra ela. Eles não têm uma opinião clara sobre qualquer tema: quando algo ajuda a revolução, são favoráveis; quando atrapalha, abominam[3].

Exatamente por isso, o marxismo tem um sistema racional versátil, revolucionário e dialético. Gramsci já alertava para a não existência do bem ou do mal, tendo como um de seus inspiradores a figura de Maquiavel, ao dizer que tudo aquilo que Maquiavel fez a favor do Príncipe, precisava ser feito a favor do partido comunista. Existe aquilo que é oportuno, aquilo que ajuda ou não a revolução. Tudo o que existe de realidade racional é fruto de uma criação humana. Não existe verdade, que determine um agir.

Isso é bastante coerente da parte dos marxistas, pois só haveria uma ordem a ser seguida no agir se houvesse um intelecto criador. Como são ateus, defendem que o intelecto criador não existe e, portanto, não há ordem a ser seguida ou verdade que determine o agir humano.

Só para esclarecer esta ideia, dizer que a ordem que existe no mundo não é obra de um Criador não foi mérito dos marxistas. Por incrível que pareça, a visão tradicional de que a ordem que existe no mundo é criacional, racional foi combatida por obra de um cristão piedoso chamado Immanuel Kant.

Para Kant, o mundo em si, os objetos, o númeno[4], o que está fora da mente humana é irracional, caótico. O que realmente existe é desconhecido, pois o homem só tem acesso a um fenômeno, que é compreensível ao intelecto graças às categorias mentais que condicionam (e possibilitam) o pensamento. Na Crítica da Razão Pura, por exemplo, Kant mostra que a ordem da física newtoniana não está no númeno, na coisa em si e também não foi colocada nas coisas pelo Criador. Na verdade, a ordem foi imposta à realidade pelo intelecto. A física de Newton funciona não porque o mundo é assim, mas porque a mente humana a fez assim. Kant, assim, é um grande exemplo de paralaxe cognitiva[5].Resumindo, para Kant a realidade é absolutamente caótica e irracional. Quem cria a racionalidade é o intelecto humano.

O marxista também pensa dessa forma, não por concordar com o pensamento kantiano, mas por afirmar que a ordem imposta ao mundo irracional é a que traduz o interesse de uma classe, especificamente, o da classe burguesa. Segundo o marxismo, existe uma superestrutura (baseada na religião judaico-cristã, na filosofia grega e no direito romano) que justifica o status quo, a situação opressora na qual a sociedade se encontra. Esta superestrutura cria uma cultura que busca defender seus interesses de classe. As pessoas, inoculadas por esta cultura, passam também a defender os interesses da classe burguesa.

Concluindo, é necessário entender que os agentes da luta cultural possuem visões de mundo diferentes. Assim, para que a revolução cultural aconteça é necessário incutir na cabeça dos cristãos a ideia de que o cristão não odeia nada, de que ele deve defender a paz custe o que custar.A Igreja, à medida que vai assimilando as ideias revolucionárias, passa a ser uma sociedade igualitária e que, por engenharia social, quer implantar, neste mundo, uma terra sem males[6]. Os marxistas sabem que sem transformação da religião numa força socialista, a revolução não irá acontecer.

Referências

  1. Existe uma coisa muito importante que é sempre preciso ter diante dos olhos: para se compreender bem o pensamento marxista, é necessário ter a certeza de que a verdade não existe. Enquanto houver fixação na verdade, na lógica, não será possível compreender ou ser um bom marxista. O marxista vê o mundo a partir da irracionalidade. E isso é uma demonstração de certa coerência, pois, já que, segundo a sua filosofia, Deus não existe, tudo o que existe é irracional.
  2. A Igreja Católica tradicional é uma instituição hierárquica, com uma economia (ação) sacramental que tem por finalidade última levar o homem para o céu. Para destruí-la, é necessário transformá-la numa sociedade igualitária, sem uma economia sacramental, transformando tudo numa engenharia social, buscando imanentizar a escatologia. O céu foi trazido para este mundo pelos marxistas.
  3. Por exemplo, os homossexuais: na Rússia são abominados, pois atrapalham na implantação da mentalidade do homo sovieticus, homem forte, que possibilita a revolução; no Ocidente, são essenciais, pois são usados como meio para destruir a ética judaico-cristã.
  4. Segundo o dicionário Michaelis: substantivo masculino (do grego νοούμενoν, noûmenon) Filos 1 A coisa em si, por oposição ao fenômeno ou às coisas tais como aparecem e são conhecidas.2 Fato concebido pela consciência, mas não confirmado pela experiência. 3 Objeto cuja existência é abstrata e problemática.
  5. A paralaxe (do grego παράλλαξις, alteração) cognitiva é o deslocamento, na obra de um pensador, entre o eixo da especulação teórica e o da experiência concreta que ele tem da realidade. Tal conceito é apresentado pelo filósofo Olavo de Carvalho, tanto em seus escritos (cf. http://www.olavodecarvalho.org/semana/040710globo.htm) como em seu programa Trueoutspeak (cf. trecho do programa do dia 19 de fevereiro de 2007 postado no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=EjaTyPbVxog). Exatamente por isso, o pensamento kantiano é inconciliável com a mensagem cristã.
  6. Quando o papa João Paulo II se encontrou com o padre Ernesto Cardenal, ministro de um governo comunista, repreendeu veementemente o padre diante das câmeras de todo o mundo. O padre defendia a existência de duas igrejas: uma popular e outra romana, da hierarquia. A romana propaga a ideologia do magistério, com uma superestrutura imperialista e opressora. A outra igreja, do padre Ernesto Cardenal, seria uma igreja popular, que, na verdade não existe, mas é simplesmente instrumento de implantação da ideologia partidária.

 

 

Via Christo Nihil Praeponere

Por que o marxismo odeia o Cristianismo

O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.

E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?

As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas.

Marxismo na verdade é uma crença, uma visão de mundo, uma fé. O socialismo nada mais é do que a aplicação dessa fé por um governo totalitário. O comunismo, por sua vez, é apenas a escatologia marxista, o suposto mundo paradisíaco que brotaria de suas profecias.

E esta fé não apresenta o caráter relativista de um hinduísmo ou de um budismo. Tendo nascido dos pressupostos cristãos, o marxismo roubou seus absolutos e se apresenta como a verdade absoluta, como o único caminho para redenção da humanidade. E ainda que tenha se apossado dos pressupostos cristãos, inverteu tais pressupostos tornando-se uma heresia anticristã.

No lugar do teísmo o ateísmo, no lugar da Providência Divina o materialismo dialético. Ao invés de um ser criado à imagem e semelhança de Deus, um primata evoluído cuja essência é o trabalho, o homo economicus. O pecado é a propriedade privada, o efeito do pecado, simplesmente a opressão social. O instrumento coletivo para aplicar a redenção não é a Igreja, mas o proletariado, que através da ditadura de um Estado “redentor” conduziria o mundo a uma sociedade sem classes. E o resultado seria não os novos céus e a nova terra criados por Deus, mas o mundo comunista futuro, onde o Estado desaparecerá, as injustiças desaparecerão e todo conflito se transformará em harmonia. Está é  a fé marxista, um evangelho que não admite rival, pois assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, duas  crenças igualmente salvadoras não podem ocupar o mesmo mundo, segundo o marxismo real.

Sim, o comunismo de Marx era um evangelho, a salvação para todos os conflitos da existência, fosse o conflito entre homem e homem, homem e natureza, nações e nações. Assim lemos em seus Manuscritos de Paris:

“O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada e por conseguinte da auto-alienação humana e, portanto, a reapropriação real da essência humana pelo e para o homem… É a solução genuína do antagonismo entre homem e natureza e entre homem e homem. Ele é a solução verdadeira da luta entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie. É a solução do enigma da história e sabe que há de ser esta solução”.

E como o marxismo nega qualquer transcendência, qualquer realidade além desta realidade, seu “paraíso” deve se realizar neste mundo por  meio do controle total. Não apenas o controle político e econômico, mas o controle social, ideológico, religioso. Não pode haver rivais. Não pode haver cristãos dizendo que há um Deus nos céus a quem pertencem todas as coisas e que realizou a salvação através da morte e ressurreição de Cristo. Não pode haver outra visão de mundo que não a marxista, não pode haver outra redenção senão aquela que será trazida pelo comunismo. O choque é inevitável.

Está é a raiz do ódio marxista ao cristianismo. Seu absolutismo não permite concorrência.

David  H. Adeney foi alguém que viveu dentro da revolução maoísta (comunista) na  China. Ele  era um missionário britânico e pode ver bem de perto o choque entre marxismo e cristianismo no meio universitário, onde trabalhou. Chung Chi Pang, que prefaciou sua obra escreveu:

                “(…) a fé cristã e  o comunismo são ideologicamente incompatíveis. Assim, quando  alguém chega a uma crise vital de decisão entre os  dois, é inevitavelmente uma questão  de um ou outro (…) [o autor] tem experimentado  pessoalmente o que é viver sob  um sistema político com uma filosofia básica diametralmente oposta à fé  cristã”

Os marxistas convictos sabem da incompatibilidade entre sua crença e a fé cristã. Os cristãos ainda se iludem com uma possível amizade entre ambos. “… para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que há”. (Mclellan, op. Cit., p.54). E Lenin, que transformou a teoria marxista em política real, apenas seguiu seu guru:

            “A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo de luta pelo robustecimento da  ditadura proletária”  

Assim foi na China, na Rússia, na Coreia  do Norte e onde quer que a fé marxista  tenha chegado. Ela não tolerará o cristianismo, senão o suficiente para conquistar a hegemonia. Depois que a pena marxista apossar-se da espada, então essa espada se voltará contra qualquer pena que não reze conforme sua cartilha.

Os ataques aos valores cristãos em nosso país não são fruto de um acidente de percurso. É apenas o velho ódio marxista ao cristianismo, manifestando-se no terreno das ideias e das discussões, e avançando no terreno da legislação e do discurso. O próximo passo pode ser a violência física simples e pura. Os métodos podem ter mudado, mas sua natureza é a mesma e, portanto, as conseqüências serão as mesmas.

Se nós, cristãos, não fizermos nada, a história se repetirá, pois como alguém já disse, quem não conhece a história tende a repeti-la. E parece que mesmo quem a conhece tende a repeti-la quando foi sendo anestesiado pouco a pouco pelo monóxido de carbono marxista.

Será que confirmaremos a máxima de Hegel, que afirmou que a “história ensina que não se aprende nada com ela”?

Fonte: www.juliosevero.com

O Jesus do mundo

Jesus não é um hippie “paz e amor, bicho”, nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

 


Uma grande revista de circulação nacional estampava em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: “Deus é pop”. A reportagem tratava da espiritualidade juvenil e da maneira particular com que cada um se relacionava com o divino. A revista ainda fazia questão de enfatizar as peculiaridades desses novos movimentos, sobretudo as novidades, como altar em forma de prancha, uso de rock n’roll durante os cultos, grandes baladas “cristãs”, etc.

 

O que a matéria reflete não é uma novidade na história. Pelo contrário, ao longo dos séculos o que mais se viu foi a tentativa de desmontar Jesus Cristo, tomando apenas partes de seu Evangelho em detrimento de outras, somente para saciar ou atender às próprias veleidades. Esses que querem esquartejar Jesus (como se não bastasse a Crucifixão), dizem aceitar o Amor, mas se esquecem que esse Amor não compactua com nenhuma forma de mal nem com o pecado.

 

Esquecem-se que o Amor também significa compromisso consigo mesmo e com o próximo. Que a misericórdia também significa justiça. Enfim, escolhem as partes de Jesus que mais lhes convém, como se Ele estivesse exposto numa prateleira de mercado. Essa tendência de se tomar a parte pelo todo, segundo o Papa Emérito Bento XVI no livro Jesus de Nazaré, ficou mais evidente a partir da década de 1950.

 

Ela se reflete nas adaptações de Cristo às várias modalidades de culto facilmente encontradas hoje em dia e que acabam por revelar um dramático empobrecimento da fé cristã, devido a uma recusa à personalidade “exigente” e “comprometedora” do Jesus original. Qual o motivo dessa recusa? A resposta pode ser encontrada nas palavras de São Paulo à comunidade dos Romanos: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos” (Cf. Rm 1, 25). Colocaram-se acima do Criador e fizeram-se senhores do “bem” e do “mal”.

 

E é por isso que se faz necessário aos missionários do mundo corromper a verdadeira imagem do Salvador num garotão patético que aceita tudo pela “paz” e o “amor”. A presença da Igreja no mundo é como a presença de uma mãe no quarto de um filho que aprontou. Ele sempre tentará convencê-la, seja por desculpas, seja por birras, a abonar suas traquinagens. Mas uma mãe que ama jamais o fará, quanto mais a Igreja! Outra motivação para esta recusa pode ser encontrada nas teologias modernas que, na ânsia de “salvarem” Jesus das indagações científicas, concebem-No irreconhecível. Este mais representa um retrato ideológico que o próprio Verbo Encarnado.

 

O patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, compara essa atitude a dos Discípulos de Emaús, pois são os teólogos que querem dizer para Cristo quem de fato Ele é: “Vemos a imagem de uma certa teologia, mais desejosa do que iluminada, totalmente dedicada à árdua e improvável tentativa de salvar, através de suas próprias categorias, Jesus Cristo e a Sua Palavra. Mas, nesta imagem, somos representados nós mesmos, cada vez, com nossa programação pastoral, com nossos projetos e debates, à parte de uma verdadeira fé, pretendemos explicar a Jesus Cristo quem Ele é.” (Dom Francesco Moraglia)

 

Ora, não é o ser humano que diz a Jesus quem Ele é, mas é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que diz quem é o ser humano. Adaptar Cristo a um estilo de vida não condizente à reta vivência cristã reflete um apego aos prazeres do mundo, no qual se faz mais importante o vício que o Cristo crucificado. Não, Jesus não é um hippie “paz e amor, bicho”, nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

 

 

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Hoje é dia de engrandecermos o nome do Senhor

Hoje é a noite feliz e abençoada de engrandecermos o nome do Senhor! Não tem sentido celebrar o Natal sem ter na boca a unção do Espírito de Deus para cantar os louvores do Senhor.

Zacarias, o pai de João, repleto do Espírito Santo, profetizou, dizendo: ‘Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo’” (Lucas 1, 67- 68).

A boca de Zacarias é ungida pela unção do Espírito Santo de Deus. E a boca que é ungida pela unção do Espírito louva, canta, enaltece, engrandece e bendiz o nome do Senhor Nosso Deus. A boca de Zacarias é ungida, santa e cheia da graça divina, por isso ele reconhece as grandezas de Deus em sua vida.

Vale mais uma vez recordar que Zacarias ficou por um bom tempo mudo, sem poder falar, sem poder dizer nada. E ali recolhido no seu silêncio foi para dentro do seu interior, do seu coração e pôde reconhecer quão grande é o Senhor Nosso Deus, que o Seu nome seja bendito, seja exaltado e glorificado entre nós.

Hoje é dia de cantarmos para Deus! Hoje é a noite feliz e abençoada de engrandecermos o nome do Senhor! Não tem sentido celebrar o Natal, vivê-lo, sem ter na boca a unção do Espírito de Deus para cantar os louvores do Senhor.

Que nesta noite você não se embriague do vinho, da bebida. Que nesta noite você, simplesmente, não coma todas as coisas que você e todos de sua casa prepararam sem primeiro cantar os louvores do Senhor. O sentido desta noite é o reconhecimento, é a ação de graças, é o louvor, porque Deus tem sido muito bom para conosco!

Para isso não importa como estejamos vivendo ou esteja hoje a nossa vida, ainda que tenhamos ou estejamos passando por essas ou por aquelas dificuldades. Foi em meio às dificuldades de uma noite fria, de uma noite sem acolhimento, que Maria trouxe e nos deu o maior dos presentes: Jesus, o Filho eterno de Deus. Deus quer estar presente e ser o maior presente da nossa vida quando nós abrimos o nosso coração para reconhecê-Lo!

Hoje peço realmente a Deus a unção para os nossos corações, para a nossa casa, para a nossa família. Peço, realmente, que o Espírito de Deus, Aquele mesmo que entrou no ventre de Maria e fez de lá o lugar da morada de Deus, esteja hoje na sua casa, na sua família, no seu lar! Que Ele esteja com você onde quer que você esteja, para que, assim como Zacarias, você possa deixar irromper um hino de louvor, de ação de graças e de reconhecimento de seu interior porque Deus tem sido muito bom para conosco!

Uma noite feliz e abençoada para você, sua casa e sua família!

Deus abençoe você!

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.https://www.facebook.com/rogeraraujo.cn