Santo Tomás de Aquino, professor e consultor da Ordem

Neste dia lembramos uma das maiores figuras da teologia católica: Santo Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: “Quem é Deus?”.

A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.

Diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro dominicano. No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno, ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.

Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.

Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.

Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

Via Canção Nova

As febres extraordinárias de São Pio de Pietrelcina

Das muitas histórias contadas em torno da figura do Padre Pio de Pietrelcina, aquelas relacionadas às suas febres ocupam páginas particularmente impressionantes. No período em que era forçado a abandonar o convento para cuidar de sua saúde em casa, o frade italiano experimentava febres altíssimas, sem registros em toda a história médica, de modo que, não fossem os relatos e as observações de profissionais, se pensaria que os testemunhos a este respeito tinham sido inventados.

O corpo de Pio chegava a temperaturas tão elevadas que os termômetros normais chegavam a arrebentar. Em carta enviada a uma de suas filhas espirituais, a 9 de Fevereiro de 1917, ele contava: “Sinto que melhorei. A febre tão alta, que não havia termômetro capaz de medi-la, deixou-me há já alguns dias”. Em outra de suas cartas, ele acrescentava: “O calor da febre era tão excessivo, que fazia rebentar o termômetro”.

O Padre Paolino de Casacalenda, guardião do convento de San Giovanni Rotondo, conta que, na primeira vez em que se encontrou com o Padre Pio, este estava de cama. Vendo-o “com o rosto afogueado e a respiração um pouco difícil”, decidiu tirar-lhe a febre: “Qual não foi o meu espanto quando, ao retirar o termômetro, me apercebi que o mercúrio, chegado aos 42 graus e meio, ou seja, ao ponto extremo dos termômetros vulgares, tinha feito pressão e, não podendo sair, tinha quebrado o reservatório onde estava encerrado”. Curioso para saber até onde ia a febre de Pio, Paolino pegou um termômetro de banho e ficou ainda mais assombrado quando viu “na coluna que o mercúrio tinha atingido os 52 graus”. Naquele momento, o frade ficou convencido de que se encontrava “frente a um indivíduo fora do vulgar”.

O Padre Raffaele de Sant’Elia de Pianisi, que viveu muitos anos com o Padre Pio, conta que, em 1934, quando Dom Bosco foi canonizado, o seu termômetro subiu a 53 graus de febre. “Vi-o com os meus próprios olhos. O Padre, na sua cama, parecia autêntico fogo, devido ao calor. Para lhe tirar a febre, tínhamos utilizado um termômetro de banho”. Algumas pessoas que assistiram à canonização de São João Bosco contam ter visto o Padre Pio em Roma, durante a cerimônia. “Eu sei muito bem que naquele dia o Padre Pio estava de cama, e não posso dizer até que ponto tais afirmações eram verdadeiras”, diz o Padre Raffaele. “De resto, tudo era possível ao Padre Pio, de quem se contavam tantos casos de bilocação”.

O doutor Giorgio Festa, que cuidou por muito tempo da saúde do frade de Pietrelcina, examinou regularmente a sua temperatura, duas vezes por dia, no decorrer de várias semanas. Para tanto, levou consigo “um termômetro especial, que serve para as experiências científicas e que é de uma precisão absoluta”. Os registros variavam de 36,2 graus a impressionantes 48,5 graus. “Quando era atingido por temperaturas tão elevadas,” escreveu o médico, “o Padre Pio parecia sofrer muito, sendo tomado por grande agitação na cama, mas sem delirar e sem as perturbações comuns que habitualmente acompanham alterações febris significativas. Ao fim de um ou dois dias, tudo regressava ao seu estado normal.”

Interessado pelo caso do Padre Pio, o doutor Festa correu atrás de investigações específicas e descobriu que, das temperaturas mais altas até então registradas pelos médicos, nenhuma passava dos 44 graus, tendo tais ocorrências recebido o nome de “agônicas” ou “pré-agônicas”, pois eram fatalmente seguidas de morte.

Tantos episódios, respaldados não só pelos relatos de quem convivia com São Pio de Pietrelcina, como pela própria ciência médica, são verdadeiramente milagres. Aliás, é impossível compreender a vida deste santo sacerdote sem recorrer ao auxílio sobrenatural. Toda a sua existência nesta terra foi inteiramente devotada a uma contínua e cada vez mais profunda manifestação de Deus, pela qual o santo assumiu para si as palavras do Apóstolo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

De fato, a vida dos santos está repleta de histórias como essas, cheias de fatos extraordinários e comoventes, capazes de mexer com o coração até do cético mais obstinado. A caridade cristã realmente supera todas as medidas humanas e, à semelhança de Cristo, que declarou ter vindo lançar fogo sobre a terra (cf. Lc 12, 49), também os santos vieram incendiar a humanidade com a chama do divino amor.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  1. Renzo Allegri. Padre Pio – um santo entre nós. Paulinas, Lisboa, 1999. p. 94-97

Francisco autoriza e Igreja terá 23 novos beatos

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa autorizou, nesta sexta-feira (23/01), a publicação de 11 decretos que reconhecem um milagre, 21 martírios e 7 virtudes heroicas de religiosos, religiosas, leigos e leigas que deram testemunho de Cristo na África do Sul, Bolívia, Cazaquistão, Espanha, Estados Unidos, Itália, Filipinas e Ucrânia. Assim, a Igreja Católica terá em breve 23 novos Beatos e 7 novos Veneráveis Servos de Deus.

Milagre

A Congregação para Causa dos Santos reconheceu o milagre atribuído à intercessão da agora então futura beata Maria Teresa Casini, Fundadora da Congregação das Irmãs Oblatas do Sagrado Coração de Jesus, que nasceu e faleceu na Itália.

Martírios

A Igreja terá ainda 22 novos futuros beatos que serão elevados à glória dos altares sem a necessidade de um milagre pois tiveram reconhecidos o testemunho de fé através do martírio. Destes, 21 são religiosos e religiosas assassinados por ódio à Fé durante a Guerra Civil espanhola:Iirmã Fidelia e duas companheiras religiosas do Instituto das Irmãs de São José de Girona e Padre Pio Heredia e 17 companheiros e companheiras das Ordens dos Cistercienses da Estreita Observância (Trapistas) e de São Bernardo. Também foi reconhecido o martírio do leigo Tshimangadzo Samuele Benedetto Daswa, morto por ódio à Fé na África do Sul em 1990.

Virtudes Heroicas

Serão declarados em breve Veneráveis Servos de Deus outros 4 religiosos e religiosas e 3 leigos. São eles: o sacerdote diocesano nascido na Ucrânia e morto no Cazaquistão, Padre Ladislao Bukowiński e Padre Luigi Schwartz, sacerdote diocesano, fundador das Congregações das Irmãs de Maria e dos Irmãos de Cristo, nascido em Washington, Estados Unidos e morto em Manila, nas Filipinas, em 1992.

Na lista ainda estão a monja espanhola da Sociedade de Maria Nossa Senhora, a leiga italiana Teresa Gardi, da Ordem Terceira de São Francisco, do leigo espanhol e fundador da Adoração Noturna na Espanha, Luigi Trelles y Noguerol, da leiga japonesa Elisabetta Maria Satoko Kitahara e da leiga boliviana Virginia Blanco Tardío. (RB)

3 motivos que levam os católicos a abandonar a Igreja

O que acontece quando somos vacinados contra a mensagem autêntica de Jesus Cristo?

“Então, cara…”, comecei, um pouco nervoso. Esta foi a nossa primeira conversa de verdade sobre a fé. “Tem algum livro específico da Bíblia sobre o qual você gostaria de saber mais?”.

Ele hesitou brevemente e, com olhar pensativo, respondeu: “Bom, eu queria que você me contasse tudo sobre o cristianismo. Como é que ele começou? O que ele significa hoje em dia?”.

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Nunca tinham me feito perguntas desse tipo. Ficamos uma hora repassando a história da salvação, de Adão e Eva aos Atos dos Apóstolos e terminando com um intenso debate sobre a missa. Foi impressionante. Mesmo!

Eu tinha conhecido Ling, um estudante de Pequim, durante um evento do Newman Center, algumas semanas antes. Novo nos Estados Unidos e com vários amigos cristãos, Ling tinha muitas perguntas sobre essa estranha pessoa chamada Jesus, de quem ele só tinha ouvido rumores até então.

Por que eu estou contando essa história? Porque havia algo de diferente em Ling. Ele era receptivo. Ele fazia perguntas sinceras, humildes, curiosas. Ele queria saber mais. Depois de conversar com ele durante vários meses, um súbito lampejo me chamou a atenção: Ling tinha sido poupado de um fenômeno que, em nossa juventude, atingiu quase todos nós que crescemos na sociedade pós-cristã: ele não tinha sido vacinado contra o cristianismo.

Você sabe como funciona a inoculação: uma versão enfraquecida de uma doença é injetada no seu sangue. O seu sistema imunológico, percebendo o intruso, dispara o alarme e começa a produzir anticorpos que atacam os invasores, destruindo-os.

Depois disso, toda vez que a versão real da doença tentar entrar no seu corpo, o seu sistema imunológico vai reagir e matá-la. A inoculação é uma ótima forma de treinar o seu corpo no reconhecimento e no combate às doenças que ele já viu antes. Bom, eu não sou microbiologista, mas acho que você entendeu a ideia.

É claro que tomar uma vacina para prevenir doenças como varicela e hepatite B é muito bom. Mas o que acontece quando nos vacinamos contra uma visão de mundo? Contra um sistema de crenças? O que acontece quando, numa época repleta de destroços de uma cultura cristã que já foi robusta e abrangente, nós ficamos imunes e incapazes de receber a verdadeira, autêntica e salvadora mensagem de Jesus Cristo?

O que acontece quando o cristianismo se reduz a “uma doença que já vimos antes”?

Uma vacina contra a Verdade
Fulton Sheen estava certo sobre uma série de coisas, incluindo a seguinte:

“Não há nem sequer cem pessoas nos Estados Unidos que odeiam a Igreja Católica. Mas há milhões que odeiam o que erroneamente acham que a Igreja Católica é”.

Sheen entendeu a tragédia da nossa inoculação. Muita gente odeia ou abandona a Igreja porque foi levada a acreditar em um falso evangelho.

Vou destacar três das mais insidiosas “falsificações” do cristianismo; três mentiras que, mascaradas de verdade, levam as pessoas a rejeitar o cristianismo por inteiro. Precisamos acabar com elas.

3 motivos que levam os católicos a abandonar a Igreja

1. “Eu imaginava Deus como um velho de longas barbas brancas, sentado numa nuvem do céu. Agora eu já enxergo o quanto isso é ridículo. O cristianismo é simplesmente uma fantasia”.

Eu não sei dizer quantas vezes já ouvi ex-católicos fazendo comentários desse tipo. Imagens de desenho animado de um Deus barbudo ou de anjos com asas foram incorporadas ao nosso subconsciente. Até Michelangelo pintou Deus desse jeito na sua famosa “Criação”.

Mas nós temos que lembrar que as imagens de seres imateriais nunca foram feitas para ser interpretadas literalmente. Elas são apenas símbolos que pretendem ilustrar verdades metafísicas abstratas que a imaginação sozinha não consegue entender. A representação de Deus feita por Michelangelo era muito menos uma descrição literal do que um “comentário visual” sobre a sabedoria, a atemporalidade e a eternidade de Deus.

Nós somos humanos e amamos imagens. Mas até as imagens sacras podem nos vacinar contra a verdade se não formos cuidadosos com elas. Não podemos deixar uma imagem física substituir uma realidade espiritual ou permitir que a imaginação derrote a inteligência na tarefa de discernir o que é a verdade.

“Não há nada a ser feito com o intelecto até que a imaginação seja posta com firmeza em seu lugar” (Frank Sheed).

2. “O ponto central do cristianismo é fazer o bem e ser uma boa pessoa. Eu posso fazer isso sem religião”.

Quando eu pergunto às pessoas qual elas acham que é a mensagem central do cristianismo, a resposta mais comum é esta: “ser uma boa pessoa”.

Se esta fosse a verdadeira mensagem do cristianismo, eu não culparia as pessoas por abandoná-lo. Quem é que iria querer seguir todas essas regras, manter todas essas posições políticas impopulares e passar todas essas horas sentado, ajoelhado e em pé quando poderia muito bem abandonar todos esses aspectos da religião e ainda assim ser “uma boa pessoa”?

Jesus Cristo não foi apenas uma boa pessoa. Ele é o Filho de Deus feito homem e morreu para que pudéssemos viver em eterna relação de amor com Deus. Cabe a nós responder a este convite comprometendo a nossa vida com Ele.

“Deixe a religião ser menos teoria e mais um caso de amor” (G.K. Chesterton).

3. “Muitos indivíduos da Igreja cometeram uma enormidade de erros e de decisões erradas. Esta Igreja está cheia de pecadores e eu não quero fazer parte disso”.

Temos que ter sempre muita sensibilidade para com quem foi machucado por indivíduos que fazem parte da Igreja. Eles têm razão: a Igreja está cheia de pecadores e sempre esteve, desde as traições de Pedro e de Judas.

Mas, ao mesmo tempo em que a Igreja está cheia de pecadores, ela também é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica fundada por Jesus Cristo e guiada pelo Espírito Santo. Abandonar a Igreja porque ela está cheia de pessoas pecadoras é como desistir da academia porque ela está cheia de pessoas fora de forma. Temos que promover a reforma da nossa Igreja, mas de dentro dela!

“A Igreja não é um museu de santos, mas um hospital de pecadores” (Abigail Van Buren).

O remédio: redescobrir o mistério

Citei três das maiores mentiras sobre o cristianismo; mentiras que, incutidas em nosso subconsciente, podem nos impedir de chegar algum dia a compreender de verdade a mensagem autêntica do Evangelho.

Felizmente, há maneiras de combater a síndrome do “eu já vi isso antes”. Se alguém que você conhece caiu nessa armadilha, tente algumas destas técnicas de “desvacinação”:

1. Derrube os mitos. Ajude as pessoas a enxergarem que a nossa cultura as vacinou com falsos evangelhos.

2. Proponha as Escrituras. Não deixe a fé ficar velha. Ensine as pessoas a experimentar os milagres da Encarnação e da Ressurreição de novo, através dos olhos dos primeiros cristãos.

3. Seja como Ling. Desafie as pessoas a se aproximarem de nosso Senhor com honestidade, humildade e de coração aberto. Se nós fizermos isso, o Deus que torna novas todas as coisas vai nos transformar de uma forma que nunca imaginamos que fosse possível!

Eu mencionei apenas alguns dos falsos evangelhos que vejo por aí. E você, também percebe outras formas “moles” da fé cristã que impedem as pessoas de receber a verdadeira mensagem vivificante de Jesus Cristo?

Via Catholicus

Compreendendo as origens do ódio religioso

Christian persecution _No início da minha carreira, o meu foco de atenção era o nascimento da história britânica moderna, com ênfase especial nos conflitos religiosos e na violência. Ao repassar esses estudos, eu percebo cada vez mais a existência de paralelos entre aquele tempo e as manifestações de ódio religioso e de intolerância que tanto perturbam o nosso mundo contemporâneo. Embora aqueles eventos históricos do início da modernidade britânica já estejam distantes no tempo, eles ainda têm muito a nos dizer hoje em dia.

A Grã-Bretanha, no século XVII, era oficialmente uma nação protestante anglicana, que penalizava as práticas católicas de maneira implacável. Mesmo assim, minorias dissidentes, ou seja, os católicos da resistência, sobreviviam em certas regiões, principalmente a norte e oeste do país. Em períodos normais, eles eram mais ou menos deixados em paz, mas, de vez em quando, eram submetidos a surtos ferozes de violência e de perseguição. A pior dessas crises de violência aconteceu entre os anos de 1678 e 1682, quando muitos católicos, tanto clérigos quanto líderes leigos, foram presos e dezenas deles foram executados, em resposta a um surto de histeria paranoica que se tornou conhecido como “Complô Papista”. De longe, a maior dessas selvagerias ocorreu numa área de fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales, nos condados de Monmouth e Hereford.

Cinco sacerdotes daquela região morreram no cadafalso e vários outros na prisão. Três deles foram caçados até a morte, “sendo martirizados pela miséria e pelos sofrimentos dos seus esconderijos nas montanhas, nos bosques, nas tocas e nas cavernas”. Muitos leigos católicos também sofreram. Alguns magnatas locais, convertidos ao protestantismo anglicano, se tornaram caçadores de sacerdotes católicos em tempo integral, dedicando-se a extirpar qualquer tipo de manifestação do catolicismo. E conseguiram grandes sucessos nessa empreitada. Naquela mesma área de fronteira, por exemplo, uma missão jesuíta que estava prosperando com força acabou sendo completamente eliminada.

Mas por que esse fanatismo todo, que, em termos contemporâneos, equivale ao “antipapado”, foi tão extremo e assassino assim? A resposta, surpreendente, ficou mais clara para mim quando eu observei com atenção as origens dos piores desses fanáticos.

Em praticamente todos os casos, os extremistas protestantes tinham origens católicas. Mais do que isso: em anos anteriores, eles próprios tinham ajudado e abrigado sacerdotes católicos. No geral, tratava-se de homens de famílias divididas entre o protestantismo e o catolicismo; famílias que, inclusive, tinham membros que eram padres da Igreja católica. Os casamentos mistos, entre protestantes e católicos, se tornaram bastante comuns naquela região.

Os sacerdotes que eles perseguiam não eram apenas vizinhos, mas, em boa parte dos casos, eram também parentes próximos. Os extremistas protestantes eram desertores recentes da antiga fé católica, duplamente zelosos, talvez, para justificar a sua nova visão espiritual de mundo e para extirpar aqueles que agora eram seus “inimigos”.

Um exemplo clássico desta situação foi o de um escudeiro chamado Charles Price, fanático protestante que liderou um ataque armado contra a sede local dos jesuítas e que caçou até a morte um dos sacerdotes. Mesmo depois que o padre estava morto, Charles Price insistiu em exumar o seu corpo para confirmar que ele tinha mesmo sido assassinado. O sacerdote vítima desse ódio patológico foi Walter Price: seu próprio primo. Outros sacerdotes tinham comentado, muito recentemente, sobre o grande amigo e apoiador que Charles Price tinha sido sempre. De repente, porém, Charles Price se voltara com fúria contra a sua fé anterior e passara a usar a crise política como contexto para destruir os seus antigos amigos.

 

PHILIP JENKINS

Via Aleteia

Por que a família natural é melhor para os indivíduos e para a sociedade

É comum ouvir dizer: “muitos jovens, infelizmente, sucumbiram aos ídolos mundanos do prazer, do dinheiro e do poder”; “eles estão muito apaixonados por si mesmos e não sabem se envolver com outras pessoas. Eles não querem se casar; ou, quando casam, não querem ter filhos”.

Bem, nós, católicos, podemos dizer a eles algumas coisas para que entendam que as famílias formadas de acordo com o plano de Deus vão lhes dar toda a felicidade que eles estão procurando.

Estamos totalmente comprometidos em promover o matrimônio sacramental e uma sólida vida de família. E, como antropólogos, nós já vimos em várias ocasiões que a verdade dos ensinamentos católicos pode ser demonstrada por estudos científicos. Nenhuma sociedade na história humana sobreviveu sem casamentos sólidos e sem uma sólida e natural vida de família. Nenhuma.

É claro que chegar até os jovens com esta mensagem é um tremendo desafio. É um desafio porque vivemos numa época em que muitas vozes na sociedade afirmam que o casamento e a família são meras convenções, construções sociais que podem ser reformuladas e reconstruídas da forma que bem quisermos. Essas vozes proclamam que a única coisa que importa é que duas pessoas se amem, não vindo ao caso se elas assinam ou deixam de assinar uma certidão de casamento nem se elas são ou não são pessoas de sexos diferentes.

Outras vozes afirmam que a família natural é obsoleta, uma coisa do passado que deve ser relegada às lixeiras da história. Outros ainda dizem que existem novas estruturas familiares que são tão boas quanto ou talvez até melhores do que a família natural. Muitos falam das vantagens de ser pais solteiros, de apenas morar junto com a namorada ou namorado, de se divorciar e voltar a casar tantas vezes quantas der vontade. Muitos elogiam os lares em que somente um dos pais biológicos está presente, acompanhado pela nova parceira ou parceiro; ou os lares em que nenhum dos pais biológicos está presente; ou até mesmo as “famílias” constituídas por uma única pessoa.

Uma família composta por um pai e uma mãe unidos em compromisso matrimonial para toda a vida e que criam os seusfilhos naturais e adotados em conjunto é algo que alguns enxergam como apenas uma das muitas opções familiares, e, talvez, nem sequer a melhor ou a mais comum de todas as alternativas. A Igreja, como bem sabemos, nos diz que toda criança merece ter o seu pai e a sua mãe juntos, em uma união sacramental que dure a vida inteira.

E as ciências sociais? O que elas têm a nos dizer sobre este assunto que é, sem dúvida, o cerne dos debates culturais do século 21?

O sociólogo mexicano Fernando Pliego resolveu examinar uma série de estudos técnicos para tentar entender se as atuais estruturas múltiplas de família produzem o mesmo nível de bem-estar para os seus membros e para a sociedade. Ele reuniu abrangentes e confiáveis estudos sobre a composição familiar realizados em 13 países democráticos espalhados pelos cinco continentes. Pliego encontrou ao todo 351 estudos, todos alicerçados em censos, pesquisas nacionais e estudos científicos de no mínimo 800 casos familiares para comparar as diferentes estruturas de família. O material examinado por ele continha 3.318 análises estatísticas de dados sobre a saúde, a educação, a pobreza, o acesso a serviços básicos, a violência familiar, a violência sexual, os índices de suicídio e de dependência química, entre outros indicadores que comparavam a realidade encontrada nas várias estruturas familiares em questão.

Esses estudos, realizados em 13 países diferentes, de cinco continentes diferentes, apresentaram resultados que são surpreendentemente semelhantes e coerentes entre si. Quase todos os estudos demonstram que, quando o pai e a mãe vivem juntos com seus filhos naturais e/ou adotados, os benefícios para a família são notavelmente superiores. Os membros dessas famílias tradicionais gozam de melhor saúde física, sofrem menos doenças mentais, têm maior renda e conseguem empregos mais estáveis. Esses pais e seus filhos têm melhores condições de moradia, desfrutam de relacionamentos mais amorosos e mais cooperativos e protagonizam menos casos de violência física ou sexual. Além disso, quando os laços entre os pais e os filhos são mais positivos, a incidência do uso de drogas, álcool e tabaco é menor, as crianças são mais sociáveis e mais cooperativas, cometem menos delitos e apresentam um desempenho melhor na escola.

 

Via Aleteia

Papa lamenta interpretações equivocadas sobre a família

Cidade do Vaticano (RV) – O substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, Dom Angelo Becciu, em entrevista ao jornal italiano Avvenire, revela que o Papa sentiu-se surpreso e triste diante das repercussões de sua declaração sobre a paternidade responsável durante a coletiva de imprensa no voo de volta a Roma, após a visita às Filipinas.

O Arcebispo Becciu, um dos mais próximos colaboradores do Papa – e que estava presente no encontro com os jornalistas – disse que Francisco sentiu-se surpreso ao ler os jornais do dia seguinte nos quais “as suas palavras, voluntariamente expressas com a linguagem de todos os dias, não tivessem sido plenamente contextualizadas”, disse Becciu. Francisco teria ainda expresso sua tristeza “pela desorientação” causada especialmente às famílias numerosas.

“Ao ler as manchetes dos jornais, o Papa, com quem eu falei ontem, sorriu e ficou um pouco surpreso com o fato de que suas palavras – propositalmente simples – não tivessem sido completamente contextualizadas de acordo com um trecho claríssimo da Encíclica Humanae Vitae sobre a paternidade responsável”, afirmou Becciu diante da interpretação dos jornais para as palavras do Papa que dominou as manchetes: “para ser bons católicos não é necessário fazer filhos como coelhos”.

Pensamento claro

Uma vez que o raciocínio do Papa era claro, mas a leitura fornecida pelos jornais, isolando uma só frase, nem tão clara assim, Dom Becciu esclarece: “A frase do Papa deve ser interpretada no sentido de que o ato de procriação no homem não pode seguir a lógica do instinto animal, mas deve ser fruto de um ato responsável com raízes no amor e na doação recíproca de si mesmo. Infelizmente, com muita frequência, a cultura contemporânea tende a diminuir a autêntica beleza e o valor do amor conjugal, com todas as consequências negativas que disso derivam”.

Portanto, Dom Becciu oferece uma interpretação correta sobre a paternidade responsável à luz da Humanae Vitae: “aquela que nasce do ensinamento do Beato Paulo VI e da tradição milenar da Igreja reiterada na Casti Connubii (encíclica publicada por Pio XI, em 1930). Ou seja: que, sem jamais dividir o caráter unitivo e procriativo do ato sexual, este deve se inserir sempre na lógica do amor na medida que a pessoa como um todo (física, moral e espiritual) abre-se ao mistério da doação de si mesma no vínculo do matrimônio.

Número ideal

Dom Becciu ressalta ainda que não existe um número “ideal” de filhos por casal, negando que o Papa teria expresso um conceito taxativo de “três filhos por casal”.  “O número três refere-se unicamente à quantidade mínima indicada pela sociologia e demografia para assegurar a estabilidade da população. De nenhuma maneira o Papa quis indicar que representasse o número ‘justo’ de filhos para cada matrimônio. Cada casal cristão, à luz da graça, é chamado a discernir de acordo com uma série de parâmetros humanos e divinos aquele que seria o número de filhos que deve ter”, arrematou o arcebispo.

Desorientação

Diante da desorientação provocada nas famílias numerosas à frente das versões fornecidas pelos jornais, Dom Becciu disse que o Papa ficou “realmente triste” com a inexatidão. “Francisco não queria absolutamente renegar a beleza e o valor das famílias numerosas”, declarou o substituto da Secretaria de Estado, lembrando que na Audiência Geral após o retorno da Viagem Apostólica, Francisco disse que “a vida é sempre um bem e que ter tantos filhos é um dom de Deus para o qual devemos agradecer”. (RB)

 

Via Radio Vaticano