O QUE PRECISO FAZER NA QUARESMA?

Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação.” (2 Cor 6, 1-2). Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.

Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola (caridade), práticas que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.

Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.

Quaresma é um tempo de “rever a vida” e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca”.

Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.

Santo Agostinho dizia que “o pecador não suporta nem a si mesmo”, e que “os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria”. A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.

Para isso podemos fazer uma Confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.

Jesus quis que nos confessemos com o Sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do Confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.

Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.

Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua “lembrança”, mas a sua “presentificação”; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, “torna-se presente a nossa redenção”.

Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo assim ser melhor e viver melhor.

FONTE: http://cleofas.com.br/como-viver-bem-o-tempo-da-quaresma/

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Por que é tão importante fazer silêncio na missa?

Nem todo mundo acompanha a missa com atenção. Às vezes, o padre é obrigado a interromper a liturgia para reprovar as conversas entre os fiéis. Esta chamada de atenção não é acidental, porque o silêncio durante a missa tem uma importância acima de tudo teológica. Descubramos o porquê.

Silêncio sagrado

“O silêncio na igreja durante o culto sagrado – explica à Aleteia o liturgista Pe. Enrico Finotti – é uma questão primordial, porque dele depende, em boa medida, a eficácia espiritual da ação litúrgica.”

“No entanto, não considero oportuno intervir nas situações concretas, pois se supõe que cada sacerdote vai se comportar de maneira adequada em circunstâncias às vezes difíceis”, acrescenta.

À escuta de Deus

Em sentido geral, explica o sacerdote, podem ser indicadas algumas pautas. Primeiramente, “o clima de silêncio interior e exterior é próprio de cada celebração litúrgica. De fato, trata-se de preparar a alma para escutar Deus, que fala ao seu povo; de elevar-lhe louvores com alegria e receber da sua misericórdia as maravilhas da graça, que são os sacramentos”.

A majestade do Pai

Em segundo lugar, observa o Pe. Enrico, “Deus não pode jamais ser reduzido ao nosso nível. Ele permanece sempre permeado pelo fulgor da sua transcendência. Ainda que, com a Encarnação, o Filho unigênito tenha vindo habitar entre nós e tenha permanecido conosco como amigos, Ele não desviou o olhar da majestade divina do Pai, a quem demonstra uma absoluta obediência adoradora”.

Os 3 tipos de silêncio

Sobre esta base teológica, a Igreja prevê mais de um tipo de silêncio: “O silêncio preparatório para uma celebração (para os ministros na sacristia e para os fiéis na nave); o silêncio ritual para realizar juntos os gestos e pronunciar as orações estabelecidas, mas também para interiorizar os conteúdos da Palavra proclamada e dos sinais santos presentes nos mistérios sagrados; e o silêncio posterior à celebração, para não dispersar imediatamente a intensidade do recolhimento interior”.

A importância do templo

Para distinguir o ambiente de silêncio do da conversação e do encontro fraterno, “a arquitetura eclesiástica clássica outorga primeiro o vestíbulo da igreja e mais adentro o templo, que é o lugar de mediação e de passagem entre o culto do templo e o tumulto do mundo”.

“No templo, a devoção do coração e o encontro adorador com Deus se traduz nessa ‘sóbria exaltação do Espírito’ que invade os fiéis no êxodo da assembleia santa, onde recebem a Palavra que salva e o Pão da vida eterna: uma fraternidade regenerada, que do lugar santo se expande para o mundo.”

Educar os fiéis

Infelizmente, constata o Pe. Enrico, “no contexto atual, o silêncio não é valorizado e se torna difícil colocá-lo em prática, inclusive na igreja, e a educação para o silêncio litúrgico deve ser retomada com constância e determinação”.

“De fato, não existem alternativas: sem silêncio interior e exterior, qualquer tentativa de reflexão, de devoção e de contemplação se extingue ao nascer – adverte. De fato, não é possível considerar suficiente para o crescimento na fé uma celebração litúrgica só formal e exterior. Não podemos honrar Deus somente com palavras, sem uma adequada correspondência do coração.”

Fé e paciência

Para concluir, o liturgista convida a não se surpreender pelas “dificuldades que o silêncio pode encontrar inclusive em seu próprio lugar, a igreja, e na ação mais santa, a liturgia”.

“Não podemos desanimar. Trabalhemos com confiança, sustentados pela fé, para que, com paciência e gradualmente, o povo cristão alcance novamente essa maturidade religiosa de tempos melhores. Isso não será fruto de imposições formais, mas exigência de uma oração convencida e de uma fé viva.”

 

Via Aleteia

* Estado Islâmico: “Conquistaremos a sua Roma, destruiremos as suas cruzes e escravizaremos as suas mulheres”.

isis3Estado Islâmico fez um apelo aos seus milicianos e seguidores para que matem “de qualquer forma” os cidadãos norte-americanos, europeus e dos países que apoiam a coalizão militar contra eles no Iraque e na Síria, e advertiram a estas nações que pagarão um “preço alto” por atacar-lhe.

“Ataquem os soldados, patrões e tropas dos tawaghit (aqueles que excedem os limites fixados por Alá). Ataquem os seus policiais, agentes de segurança e de Inteligência, assim como os seus agentes traidores. Destruam as suas camas. Amarguem as suas vidas e ocupem-se deles”, indicou Abú Muhamad al Adnani, o porta-voz do Estado Islâmico, em um comunicado publicado na Internet e difundido pelo jornal digital ‘The Long War Journal’.

“Se podem matar um infiel norte-americano ou europeu, especialmente os franceses sujos e vingativos, ou um australiano, um canadense ou qualquer infiel que promova a guerra infiel, incluindo aqueles cidadãos que aderiram à coalizão contra o Estado Islâmico, confiem mais uma vez em Alá e os matem de qualquer forma que se possa fazer”, destacou. “Conquistaremos a sua Roma, destruiremos as suas cruzes, escravizaremos as suas mulheres com a permissão de Alá, o elevado”, assegurou.

No seu comunicado, intitulado “Em verdade, o vosso senhor está sempre vigilante”, o porta-voz do Estado Islâmico ameaça aos Estados Unidos e a “todos” os seus “aliados”, definindo-os como “cruzados”. “Saibam que o tema é mais perigoso do que imaginaram e maior do que previram”, assegurou. “Advertimos-lhes que hoje estamos em uma nova era, onde o Estado, seus soldados e seus filhos não são escravos. São pessoas que não conhecem a derrota faz tempo”, explicou.

Não há “cura” contra o Estado Islâmico

“Cruzados, notaram a ameaça do Estado Islâmico, mas não conhecem a cura e não a descobrirão porque não há cura. Se lutarem contra nós, isso nos faz mais fortes e duros. Se nos deixarem sozinhos, crescemos e nos expandimos”, avisou.

Al Adnani fez insistência em que a operação dos Estados Unidos e seus aliados contra o Estado Islâmico no Iraque e Síria será a sua “campanha final”. “Terminará mal e em derrota, como as campanhas prévias que foram derrotadas, embora nesta ocasião vamos persegui-los depois e vocês não nos perseguirão. Conquistaremos a sua Roma, destruiremos as suas cruzes e escravizaremos as suas mulheres, com a permissão de Alá, o elevado”, afirmou.

Al Adnani advertiu ao presidente norte-americano, Barack Obama, que terminará “decepcionado” por não conseguir os seus objetivos militares, mas deixou claro que tanto os norte-americanos como os europeus devem temer ao Estado Islâmico.

“O Estado Islâmico não começou a guerra”

“Aos norte-americanos e aos europeus: o Estado Islâmico não iniciou a guerra, como os seus governos e meios de comunicação querem fazer acreditar. Foram vocês que começaram a agressão contra nós e, portanto, são os culpados e pagarão um grande preço. Pagarão o preço quando as suas economias se paralisem. Pagarão o preço quando os seus filhos enviados à guerra contra nós voltem deficientes, mutilados, dentro de caixões ou mentalmente doentes”, assegurou.

O porta-voz do Estado Islâmico fez um apelo aos milicianos do grupo para que o defendam. “Levantem-se e defendam o nosso estado do lugar onde estejam”, destacou.

Fonte: ACI

O cônjuge como um caminho para Deus

Padre Nicolás Schwizer – Movimento apostólico Shoenstatt

O encontro de duas pessoas em Deus – por intermédio da oração ou da vivência religiosa compartilhada – é uma das formas mais ricas e profundas de elas se encontrarem com o melhor que cada um possui, já que estão diante do Senhor. Diante d’Ele, elas se desprendem de tudo o que normalmente dificulta o encontro e vão assumindo, com mais objetividade, a atitude compreensiva, benigna e compassiva do amor de Deus.

A união de duas pessoas pelo sacramento do matrimônio abre-lhes uma nova possibilidade de amor sobrenatural: o cônjuge como um caminho para Deus, um lugar de encontro com o Senhor. No momento solene das bodas, Cristo diz a cada um: “Eu, desde agora, vou amá-los especialmente por meio do cônjuge, vou convertê-lo em santuário do meu encontro contigo”.

Com isso, o Senhor nos deixa o grande desafio de O buscarmos no coração do outro, onde, desde agora, Ele está nos esperando. O desafio de descobrir o rosto de Cristo no rosto do cônjuge, de acolher Seu amor como transparente e reflexo do amor divino. Em contrapartida, eu devo ser Cristo para o outro, dar a Ele o amor, a luz e a força que necessita para crescer e chegar até Deus. Assim, cada um se aceita e se doa ao outro como lugar privilegiado de encontro com o Senhor.

Por isso, em todo matrimônio cristão está sempre Deus como terceiro, como quem se faz de ponte e laço de união entre os cônjuges. Mas quando o Senhor não ocupa esse lugar dentro do matrimônio, há sempre lugar para outro terceiro, que destrói a aliança matrimonial.

O casamento é uma comunidade de salvação unida por um vínculo sobrenatural. O amor de Cristo e de Maria selam nosso amor. Estamos unidos como a videira e os brotos. Nossa salvação está unida ao outro e vem por meio dele. Nossa santidade repercute no outro, nosso pecado também.

Tão profunda é essa aliança [matrimonial] e esse conhecimento mútuo, que os esposos deveriam chegar a ser diretores espirituais um do outro. Tanto se conhecem que podem ajudar o outro em seu caminho de santidade. Essa aliança de amor se dá entre os esposos e deles com Deus. Por isso é comunidade de salvação, de amor, vida e tarefas com Cristo e Maria.

Compartilhamos Sua missão e junto com Ele caminhamos para Deus Pai. Em caso de os contraentes humanos entrem em crise, o Terceiro os ampara. Cristo carrega com eles o matrimônio.

Depois de nossa consagração, a Virgem também começa a ser uma aliada nossa e nos ajuda no caminho. Ela também nos ampara. O que dissemos sobre o matrimônio vale para todos os membros da família: pais, filhos, irmãos… Cada um é Cristo para os demais, reflexo do Senhor. Cada um é e há de ser, para o outro, um caminho para o Senhor, caminho privilegiado de amor a Ele.

Nisso encontramos o sentido da aliança matrimonial e o sentido da aliança familiar: todos juntos, unidos e aliados com a Virgem Maria, caminhamos para Deus. Todos juntos, amando-nos mutuamente como ao Senhor, nos consagramos a Maria e, mediante a ela, nos entregamos para sempre a Deus.

Queridos irmãos, se nos deixarmos educar e guiar pela Virgem Maria, então a aliança com ela será como uma grande escola de amor. Nela aprendemos a amar para percorrer os caminhos do amor divino e chegar ao coração do Pai. E é assim que se tornará realidade em nossa vida a aliança com Deus.
Fonte:http://formacao.cancaonova.com/…/o-conjuge-como-um-caminho…/

Antes de condenar alguém, ame-o e o acolha

“Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes” (Lucas 5, 31).

Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo, os fariseus reclamam e murmuram contra Jesus porque Ele come e bebe com os cobradores de impostos e com pessoas tidas como pecadoras.

Os fariseus afirmam que se Jesus fosse tão puro, tão santo, não se misturaria com esse tipo de pessoa. Mas deixe-me dizer uma coisa a você: é para os pecadores como eu, você e todos os pecadores deste mundo que Jesus veio. Ele veio para restaurar o mundo em que vivemos das consequências do pecado.

Para Jesus não há preconceito nem discriminação, Ele não faz acepção de pessoas. Ele não acha ninguém melhor do que ninguém. Ele se mistura com os pecadores e não com seus pecados. O Senhor combate os erros e os pecados, mas não combate os pecadores.

Contudo, Jesus trata de forma mais severa aqueles que só veem os pecados do outro, mas não são capazes de enxergar os próprios pecados. Jesus é o médico divino, Ele veio cuidar da raiz do pecado em nossa vida.

Desculpe-me, mas se você tem vergonha e receio de se aproximar de alguém porque ele é um grande pecador, Jesus não o tem e se você faz acepção de pessoas, Jesus não a faz. Se você se considera melhor do que os outros, pode ser que você seja o último e o outro fique em primeiro lugar no coração de Deus.

Quem se abre para a misericórdia de Deus se deixa ser banhado por esse bálsamo divino que lava, purifica, renova e refaz as estruturas. Quando somos tomados pela misericórdia de Deus, nós não julgamos os outros. Primeiramente, olhamos para nós mesmos e reconhecemos nossas próprias fraquezas e pecados e, depois, oferecemos aquilo que fazemos por aqueles que estão no pecado ou longe do caminho de Deus.

O coração de Jesus não julga nem condena ninguém, Ele primeiro acolhe, ama e cuida. A Igreja, como o coração de Jesus, é o lugar em que os pecadores e cada um de nós devemos estar, nós que precisamos desse bálsamo para restaurar o amor de Deus em nós.

Deus abençoe você!

 

Pe. Rger Araújo

Kayla morreu. Mas antes escreveu uma carta comovente à família

Estava refém do Estado Islâmico, a sua morte foi agora confirmada. Há três meses tinha escrito uma carta que ainda chegou à família. São as últimas palavras conhecidas, e comoventes, de Kayla Mueller.

“Cada um de vós é uma dádiva e não poderia ser a pessoa que sou se vocês não fizessem parte da minha vida, se não fossem a minha família, o meu apoio.”

A notícia chegou na terça-feira, 10 de fevereiro. Kayla Mueller, a jovem de 26 anos que estava detida pelo Estado Islâmico tinha morrido. Estava há 18 meses em cativeiro, desde agosto de 2013, e foi de lá que enviou uma carta à família. Escrita há já alguns meses – a carta menciona a data de 4 de novembro de 2014 – é um documento comovente pelo qual se percebo por que é que Barak Obama, quando confirmou a sua morte, disse que ela representava “o melhor da América” e que o seu legado inspirava “todos aqueles que lutam pelo que é justo e bom”.

Não se conhecem as circunstâncias exatas da morte de Kayla Mueller – o Estado Islâmico diz que ela morreu na sequência de um ataque da aviação jordana, mas não apresentou provas –, mas sabe-se como acabou numa prisão dos terroristas do Estado Islâmico. Jovem, comunicativa, recém-licenciada, muito religiosa, queria antes de tudo o mais ajudar os outros. Foi por isso que se mudou para a Turquia em 2012, onde trabalhava numa organização humanitária na fronteira com a Síria. O seu objetivo era ajudar as vítimas da violência da guerra civil neste país, acabou por ser raptada quando integrava uma equipa dos Médicos sem Fronteiras em Allepo.

Mais do que tudo, vale agora a pena ler a sua carta, divulgada pelo Guardian. Dela fizemos a tradução possível, mas reproduzimos também o original, em inglês.

Facsimile da carta enviada à família

A todos,

Se estão a ler esta carta é porque continuo detida mas os meus companheiros de cativo (a partir de 2 de novembro de 2014) já foram libertados. Pedi-lhes que vos contactassem e que vos entregassem esta carta.

É difícil saber o que dizer. Digo-vos que estou num local seguro, não fui maltratada e estou bem de saúde (na verdade, ganhei algum peso). Tenho sido tratada com grande respeito e gentileza.

Queria escrever-vos uma carta bem composta (mas não sabia se os meus colegas iriam ser libertados nos próximos dias ou nos próximos meses, o que limitou o meu tempo) pelo que apenas pude escrever a carta um parágrafo de cada vez. Só de pensar em vós causa-me um ataque de lágrimas.

Se se pudesse dizer que sofri, por pouco que seja, ao longo desta experiência, seria por ter noção do sofrimento que vos estou a causar a todos. Nunca irei pedir-vos que me perdoem, já que não mereço perdão.

Recordo-me da mãe a dizer-me, constantemente, que no final de tudo a única coisa com que podemos contar é Deus. Vim para este sítio, para ter esta experiência, e em todos os sentidos me entreguei ao nosso criador porque, literalmente, não havia mais ninguém. E, graças a Deus, graças às nossas orações, dei por mim a sentir-me em queda livre, porém gentilmente protegida.

Aprendi que na escuridão e na luz, até mesmo na prisão é possível ser-se livre. Sinto-me grata. Vim para aqui para descobrir que existe Bem em todas as situações, só temos, por vezes, de procurá-lo.

Rezo todos os dias e peço que também vocês tenham sentido uma certa aproximação e entrega a Deus. E que tenham formado um laço de amor e apoio entre vocês. Sinto a vossa falta como se já tivesse passado uma década de separação forçada.

Tenho tido muitas longas horas para pensar, para pensar em todas as coisas que vou fazer com o Lex, a primeira viagem da nossa família para acampar, o nosso primeiro encontro no aeroporto. Tenho tido muitas horas para pensar que só na vossa ausência, com 25 anos de idade, me apercebi qual é o vosso lugar na minha vida.

Cada um de vós é uma dádiva e não poderia ser a pessoa que sou se vocês não fizessem parte da minha vida, se não fossem a minha família, o meu apoio.

EU NÃO QUERO que as negociações para a minha libertação sejam uma responsabilidade vossa. Se houver qualquer outra opção, escolham-na, mesmo que leve mais tempo. Isto nunca se deveria ter tornado um fardo para vós.

Pedi a estas senhoras que vos ajudem [trecho rasurado]; por favor, procurem junto delas o seu aconselhamento, se já não o fizeram. Falem, também, com [trecho rasurado], já que poderá ter alguma experiência em lidar com estas pessoas.

Nenhum de nós poderia prever que isto iria durar tanto tempo mas saibam que, deste lado, também estou a lutar da forma que posso. E tenho ainda, dentro de mim, muita força para lutar.

Não estou a ir-me abaixo. E não irei desistir, dure isto quanto durar. Escrevi uma canção há alguns meses que dizia “A parte de mim que mais dói também é a parte de mim que me faz levantar da cama, sem a vossa esperança não restaria nada...”

Por outras palavras, pensar na vossa dor é a fonte da minha própria dor. E, ao mesmo tempo, a esperança de que um dia vos verei é a fonte da minha força.

Por favor, sejam pacientes, entreguem a vossa dor a Deus. Sei que vós iriam querer que eu mantivesse a força e é exatamente isso que estou a fazer. Não temam por mim, continuem a rezar, tal como eu continuarei a rezar para que, queira Deus, estaremos novamente juntos em breve.

Com todo o meu tudo, Kayla

 

Original em inglês:

Everyone, If you are receiving this letter it means I am still detained but my cell mates (starting from 11/2/2014) have been released.

I have asked them to contact you + send you this letter. It’s hard to know what to say. Please know that I am in a safe location, completely unharmed + healthy (put on weight in fact); I have been treated w/ the utmost respect + kindness.

I wanted to write you all a well thought out letter (but I didn’t know if my cell mates would be leaving in the coming days or the coming months restricting my time but primarily) I could only but write the letter a paragraph at a time, just the thought of you all sends me into a fit of tears.

If you could say I have “suffered” at all throughout this whole experience it is only in knowing how much suffering I have put you all through; I will never ask you to forgive me as I do not deserve forgiveness.

I remember mom always telling me that all in all in the end the only one you really have is God. I have come to a place in experience where, in every sense of the word, I have surrendered myself to our creator b/c literally there was no else … + by God + by your prayers I have felt tenderly cradled in freefall.

I have been shown in darkness, light + have learned that even in prison, one can be free. I am grateful. I have come to see that there is good in every situation, sometimes we just have to look for it.

I pray each each day that if nothing else, you have felt a certain closeness + surrender to God as well + have formed a bond of love + support amongst one another … I miss you all as if it has been a decade of forced separation.

I have had many a long hour to think, to think of all the things I will do w/ Lex, our first family camping trip, the first meeting @ the airport. I have had many hours to think how only in your absence have I finally @ 25 years old come to realize your place in my life.

The gift that is each one of you + the person I could + could not be if you were not a part of my life, my family, my support.

I DO NOT want the negotiations for my release to be your duty, if there is any other option take it, even if it takes more time. This should never have become your burden.

I have asked these women to support you; please seek their advice. If you have not done so already, [REDACTED] can contact [REDACTED] who may have a certain level of experience with these people.

None of us could have known it would be this long but know I am also fighting from my side in the ways I am able + I have a lot of fight left inside of me.

I am not breaking down + I will not give in no matter how long it takes. I wrote a song some months ago that says, “The part of me that pains the most also gets me out of bed, w/out your hope there would be nothing left …”

aka-The thought of your pain is the source of my own, simultaneously the hope of our reunion is the source of my strength.

Please be patient, give your pain to God. I know you would want me to remain strong. That is exactly what I am doing. Do not fear for me, continue to pray as will I + by God’s will we will be together soon.

 

 

All my everything, Kayla

 

Via: Oservador

Papa: feliz é o homem que confia em Deus

Em cada circunstância da vida, o cristão deve escolher Deus: foi o que disse o Papa ao comentar as leituras do dia durante a Missa matutina celebrada na Casa Santa Marta.

No centro da liturgia e da reflexão de Francisco, está um trecho da Bíblia em que Deus diz a Moisés: “Eis que hoje estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade. Ouves os mandamentos de Javé, teu Deus, que hoje te ordeno, de andar em seus caminhos”.

Servidores dos deuses que não contam

A escolha de Moisés, afirmou Francisco, é aquela que o cristão deve fazer todos os dias. E é uma escolha difícil. “É mais fácil – reconheceu – viver deixando-se levar pela inércia da vida, pelas situações, pelos hábitos.” No fundo, é mais fácil se tornar o servidor de “outros deuses”:

“Escolher entre Deus e os outros deuses, que não têm o poder de nos dar nada, somente pequenas coisas que passam. E não é fácil escolher, nós temos sempre este hábito de ir onde as pessoas vão, como todos fazem. Como todos. Todos e ninguém. E hoje a Igreja nos diz: ‘Mas, pare! Pare e escolha. É um bom conselho. E hoje nos fará bem parar e, durante o dia, pensar um pouco: como é o meu estilo de vida? Por quais caminhos eu ando?”.

E com esta pergunta, prosseguiu Francisco, escavar mais profundamente e perguntar-se também qual é a minha relação com Deus, com Jesus. A relação com os pais, os irmãos, a mulher e o marido, os filhos. E aqui o Papa comenta o Evangelho do dia, quando Jesus explica aos discípulos que um homem “que ganha o mundo inteiro, mas se perde e arruína a si mesmo” não obtém qualquer “vantagem”:

Monumento aos fracassados

“Um caminho errado é o de procurar sempre o próprio sucesso, os próprios bens, sem pensar no Senhor e sem pensar na família. Estas duas questões: como é a minha relação com Deus, e como é a minha relação com a família. Uma pessoa pode ganhar tudo, mas no final, se tornar um fracassado. Fracassar. Aquela vida é uma falência. ‘Fizeram-lhe um monumento, pintaram um quadro para ele…’. Mas fracassou, não soube escolher direito entre a vida e a morte”.

Não escolhemos sozinhos

Vamos nos perguntar, insiste Papa Francisco, qual é a ‘velocidade da minha vida’, se ‘reflito sobre as coisas que faço’; e peçamos a graça de ter ‘a pequena coragem’ necessária para escolher, cada vez. Pode nos ajudar o ‘conselho tão bonito’ do Salmo 1:

“Feliz é o homem que confia no Senhor”. Quando o Senhor nos dá este conselho ‘Pára decide, decide’, Ele não nos deixa sozinhos. Está conosco e quer nos ajudar. Temos somente que confiar, ter confiança Nele. ‘Feliz o homem que confia no Senhor’. Hoje, quando nós paramos para pensar nestas coisas e tomar decisões, escolher, sabemos que o Senhor está conosco, ao nosso lado para nos ajudar. Nunca nos deixa ir sozinhos, jamais. Está sempre conosco, inclusive no momento das decisões”.

Fonte: Rádio Vaticano

Via Com. Shalom