Semana Santa: Entenda o significado de cada celebração

A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruze na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus,com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a Eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma – Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma),quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus,conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos – Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água.Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos – É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia,quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

Sexta-feira Santa

Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam,não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Sábado Santo

No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoaque eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora doEgito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos adas outras festas móveis. Domingo de Carnaval – 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas – 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos – 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo – 49 diasdepois.Corpus Christi – 60 dias depois.

Símbolos da Páscoa

Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altare a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava aCristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7).
João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29e 36). Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo comocordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).

Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho paradar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz: A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.

Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a trevado erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e“ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.

Por Comunidade Shalom (Ir. Ili Alves)

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Semana Santa: um guia para vivermos a última semana de Jesus dia por dia

No coração da nossa fé, pulsa o grande Mistério Pascal: a Paixão, a Morte, a Ressurreição e a Ascensão de Jesus Cristo. Toda a História da Salvação culmina nestes acontecimentos salvíficos – e se fundamenta neles. Esta é a semana em que o ministério público de Jesus chega ao ápice em seu sofrimento, morte e ressurreição.

Sugerimos que você imprima este texto e o leia todos os dias destaSemana Santa, caminhando ao lado de Jesus nos dias mais difíceis que Ele viveu nesta terra.

Alguns estudiosos negam que possamos reconstituir o dia-a-dia da última semana de Jesus devido às lacunas históricas e a episódios que não se encaixam numa cronologia perfeita. Além disso, São João propõe um cenário muito diferente (talvez como interpretação teológica) da Última Ceia e da relação entre ela e a Páscoa. A sequência de fatos que recapitulamos a seguir segue basicamente os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Se considerarmos as diferenças apenas no nível do detalhe e não como diferenças de fato, é um material que pode ser de grande ajuda espiritual para todos nós.

Convidamos você, portanto, a ler esta reconstituição como um cenário provável, mas não inquestionável, da última semana de Jesus. Participe das liturgias da Semana Santa em sua paróquia, celebrando-as na comunidade da Igreja e abrindo-se à experiência renovada da realidade central da nossa fé: nosso Senhor Ressuscitado está vivo no meio de nós!

DOMINGO DE RAMOS: a Semana Santa começa com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Essa manhã de domingo, que se torna presente hoje em nossa vida cristã, é narrada pelos quatro evangelistas. A procissão com os ramos em mãos nos transforma em parte daquela multidão que recebe Jesus como Rei. De acordo com Marcos, 11,11, Jesus voltou naquela mesma noite para Betânia, na periferia de Jerusalém. Talvez Ele tenha ficado com seus amigos Marta, Maria e Lázaro. É uma noite em que Jesus considera os dias difíceis que o esperam pela frente.

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA SANTA: De acordo com Mateus 21, Marcos 11 e Lucas 19, Jesus retorna a Jerusalém neste dia e, vendo as práticas vergonhosas realizadas na área do templo, reage com zelosa indignação. O evangelho de João registra ainda que Ele repreendeu a incredulidade das multidões. Marcos, em 11,19, escreve que Jesus voltou para Betânia também nesta noite. Oremos com Jesus, tão zeloso por nos purificar.

TERÇA-FEIRA DA SEMANA SANTA: Segundo Mateus, Marcos e Lucas, Jesus retorna novamente a Jerusalém, onde é confrontado pelos dirigentes do templo quanto à Sua atitude do dia anterior. Eles questionam a autoridade de Jesus, que responde e ensina usando parábolas como a da vinha (cf. Mt 21,33-46) e a do banquete de casamento (cf. Mt 22,1). Há também o ensinamento sobre o pagamento dos impostos (cf. Mt 22,15) e a repreensão aos saduceus, que negam a ressurreição (cf. Mt 22,23). Jesus faz ainda a terrível profecia sobre a destruição de Jerusalém caso os seus habitantes não creiam nele, afirmando que não restará pedra sobre pedra (cf. Mt 24). Continuemos a rezar com Jesus e a ouvir atentamente os seus ensinamentos finais, pouco antes da Paixão.

QUARTA-FEIRA DA SEMANA SANTA: É neste dia que Judas conspira para entregar Jesus, recebendo em troca trinta moedas de prata (cf. Mt 26,14). Jesus provavelmente passou o dia em Betânia. À noite, Maria de Betânia o unge com um caro óleo perfumado. Judas objeta contra esse “desperdício”, mas Jesus o repreende e diz que Maria o ungiu para o seu sepultamento (cf. Mt 26,6). Os ímpios conspiram contra Jesus. Reforcemos a nossa oração em união com Ele.

QUINTA-FEIRA SANTA: Começa o Tríduo Pascal, os três dias que culminarão na Ressurreição de Jesus! O Cristo instrui seus discípulos a se prepararem para a Última Ceia. Durante o dia, eles fazem os preparativos (cf. Mt 26,17). Na Missa da Ceia do Senhor que celebramos em nossas paróquias, recordamos e tornamos presente hoje a Última Ceia que Jesus compartilhou com seus apóstolos. Estamos no andar superior, com Jesus e os doze, e fazemos o que eles fizeram. Por meio do ritual de lavar os pés (Jo 13, 1) de doze paroquianos, todos nós nos unimos no serviço de uns aos outros. Por meio da celebração desta primeira Missa e da instituição da Sagrada Eucaristia (Mt 26,26), unimo-nos a Jesus e recebemos o Seu Corpo e o Seu Sangue como se fosse a primeira vez. Nesta Eucaristia, damos especiais graças a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial: foi nesta noite que Ele ordenou os seus doze apóstolos a “fazerem isto em memória de mim”. Após a Última Ceia, que foi a Primeira Missa, os apóstolos e Jesus se dirigem pelo Vale do Cedron até o Horto das Oliveiras, onde o Cristo lhes pede que orem e vigiem, enquanto Ele experimenta a sua agonia (cf. Mt 26,30). Nós também iremos em procissão, com Jesus vivo no Santíssimo Sacramento, até o altar de repouso, previamente preparado na paróquia, e que representa o Horto. A liturgia de hoje termina em silêncio. É antigo o costume de passar uma hora em adoração diante do Santíssimo Sacramento nesta noite. Permanecemos, assim, ao lado de Jesus no Horto das Oliveiras e oramos enquanto Ele enfrenta a sua terrível agonia. Perto da meia-noite, Jesus será traído por Judas. O Cristo será preso e levado para a casa do sumo sacerdote (cf. Mt 26,47).

 

Via Aleteia

De toda a Paixão, qual foi o momento em que Jesus mais sofreu?

De todo o relato da Paixão que os evangelhos nos fazem, poderíamos nos perguntar: qual foi o momento em que Jesus mais sofreu?

Esta pergunta também foi feita por uma jovem de 22 anos em 1943: Chiara Lubich. Foi durante a 2ª Guerra Mundial. Nos refúgios durante os bombardeios, liam o Evangelho; haviam descoberto que Deus-Amor é o único ideal que nenhuma bomba pode destruir. Depois saíam para buscar nos escombros os falecidos e atender os feridos.

Uma das jovens ficou gravemente doente devido às condições higiênicas dos feridos. Chamaram o padre e Chiara, antes de que ele desse a unção dos enfermos à jovem, aproximou-se dele e lhe perguntou: “Qual foi o momento em que Jesus mais sofreu em sua Paixão?”.

O sacerdote respondeu: “Eu acho que foi seu grito na cruz: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’”.

Então, Chiara reuniu suas companheiras ao redor da cama da jovem doente e lhes propôs que se unissem a “Jesus Abandonado”; que O escolhessem para amá-lo para sempre em todos os sofrimentos, nos próprios e nos de toda a humanidade.

São João Paulo II dizia que a experiência humana do abandono de Jesus na cruz, quando grita “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, responde a uma dor compartilhada pelas três pessoas da Santíssima Trindade: “sofrida por Deus Pai, que a permite por amor aos homens, e pelo Espírito, que cala para que Jesus possa culminar a obra redentora; e também por Jesus: é o rasgar-se de Deus por amor aos homens”.

Sim, Jesus, pelo menos por um instante, sentiu o abandono do Pai. E não poderia ter sido de outra maneira, porque, como explica São Irineu, Jesus não remiu o que não assumiu. Se salvou todos os homens de todas as dores, das injustiças, dos tormentos, dos desprezos, e do próprio sentimento de abandono de Deus, é porque Ele na cruz, tornou-as suas, sofreu-as em sua própria carne e em sua própria alma.

Por isso, a esse Jesus crucificado e abandonado, não podemos vê-lo somente refletido nas imagens que criamos dele. Precisamos vê-lo, acima de tudo, em nós mesmos, quando nos sentimos abandonados; e nos outros, quando se sentem abandonados.

Podemos e devemos reconhecê-lo e dizer-lhe: “És Tu”. O rejeitado, marginalizado, esquecido, solitário. O caluniado, maltratado, enganado, zombado. O desprezado, entristecido, angustiado, anulado. E abraçá-lo, dizendo: “Eu te amo assim”. E então dar o salto quantitativo, amando-o, fazendo sua vontade, pedindo-lhe: “Age em mim”.

E podemos inclusive, com nossa vida, dar testemunho de que Jesus crucificado e abandonado acompanhou toda solidão, iluminou toda escuridão, preencheu todo vazio, anulou toda dor, apagou todo pecado.

 Via Aleteia

Herodes e Pilatos ficaram amigos!

Assim como, há dois mil anos, Herodes e Pilatos se uniram para crucificar Cristo, hoje, dois inimigos tidos como ferrenhos – a saber, os marxistas e certas organizações metacapitalistas – têm se unido com um propósito comum: a destruição da família. Grandes fundações – como Rockefeller, MacArthur, Ford e Bill & Melinda Gates – têm financiado pesadamente ONGs com ideologia de esquerda, unindo dois universos até então inconciliáveis.

Para compreender como se cruzam esses dois mundos aparentemente tão hostis, é importante a figura-chave do sociólogo americano Kingsley Davis. Em um renomado estudo sobre a sociedade humana [1], ele explica que ela é regulada por usos, costumes e leis: os usos solidificados tornam-se costumes; estes, por sua vez, consolidados, viram leis; e todo esse mecanismo cria um sistema de recompensas e punições, que se condensa em instituições. Para mudar a sociedade, diz Davis, é preciso desmontar essas instituições.

Davis também esteve à frente de estudos sobre o controle populacional e, junto com outros professores, aperfeiçoou a “teoria da transição demográfica”. Essa teoria, proposta por Warren Thompson em 1915, em sua obra Population: A Study in Malthusianism [“População: Um Estudo sobre o Malthusianismo”], dizia que o êxodo do campo para a cidade contribuía para a diminuição da população. Davis também vislumbrava o controle de natalidade como uma ferramenta para manter a paz no planeta, já que, com a agricultura se desenvolvendo nos países desenvolvidos e o superpovoamento dos países subdesenvolvidos, no futuro uma guerra por alimentos seria inevitável.

Todas essas ideias engendraram, em 1952, o Conselho Populacional, fundado por John Rockefeller III, juntamente com vários especialistas em demografia. Já de início, começou a investir-se na promoção de centros mundiais de estudos demográficos, além da implantação do DIU (dispositivo intrauterino) e de outros métodos contraceptivos ao redor do mundo, mormente em países periféricos, como Coréia, Hong Kong, Taiwan, Índia e Paquistão.

Só que o desenvolvimento de anticoncepcionais não era a forma ideal de reduzir a população mundial. Quem o percebeu foi justamente Kingsley Davis, que, em um almoço com o então presidente do Conselho Populacional, Frank Notestein, no dia 17 de maio de 1963, manifestou sua insatisfação com a forma como eles estavam lidando com o controle demográfico. O descontentamento de Davis deu origem, em 1967, a um estudo que mudaria os rumos da história da demografia. No artigo, de título Population Policy: Will Current Programs Succeed? [“Política Populacional: os Programas Atuais Terão Sucesso?”], publicado na revista Science, Davis mostra, à luz de seu pensamento sociológico, que não é possível reduzir a população simplesmente implantando DIUs nas mulheres. Para controlar efetivamente a demografia, é preciso mudar a sociedade e modificar os seus usos, costumes e leis. Mais do que distribuir meios de contracepção para as mulheres, é preciso alterar o tecido social e a família, a fim de que elas não queiram mais ter filhos.

À época, as ideias de Davis não foram bem aceitas. No entanto, ele continuou ensinando tudo isso aos seus alunos. Alguns anos mais tarde, o seu magistério deu frutos em uma aluna chamada Adrienne Germain. Essa mulher, presidente emérita da International Women’s Health Coalition[“Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres”], em uma entrevista concedida à Universidade de Harvard, em 2012, contou como um período de experiência com as mulheres do Peru, em sua juventude, marcou profundamente a sua carreira profissional. Ela percebeu, a partir de seu contato com Davis e Judith Blake, que aquelas mulheres “tinham razões muito boas para ter muitos filhos. E até que – ou a menos que – as suas vidas fossem mudadas, elas provavelmente continuariam tendo filhos” [2].

Contratada pela fundação Ford, Germain conseguiu convencer John Rockefeller III daquilo que Davis, com seu trabalho, não tinha conseguido. Agora, para controlar o crescimento populacional, as grandes fundações começariam a agir a partir da perspectiva feminina, procurando tirar das mulheres a motivação que tinham para a maternidade. Para tanto, seria necessário um verdadeiro projeto de engenharia social, no qual não haveria nem lei natural nem verdade alguma a ser respeitada, mas tão somente a vontade iluminada da cúpula antinatalista.

É neste ponto que os anseios dos grupos metacapitalistas se cruzam com o projeto marxista de poder. No livro “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, em que Engels reúne as anotações da última fase da obra filosófica de Marx, é possível ler que “o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino” [3]. Para o marxismo, portanto, a família é o primeiro de todos os antagonismos e de todas as opressões de classes. Nessa mesma linha, procuraram construir uma antifilosofia para destruir a instituição da família tanto a Escola de Frankfurt – sobre a qual se falou amplamente na última aula ao vivo [4] – quanto várias pensadoras feministas, dentre as quais se destacam, progressivamente, Margaret Sanger, Kate Millett e Shulamith Firestone.

Então, sejam marxistas radicais, sejam filantropos capitalistas, ambos querem transformar a sociedade e, para tanto, eles se unem a fim de destruir a família. É dessa união maligna que nasce, por exemplo, a ideologia de gênero, para a qual prestou uma grande contribuição Judith Butler, autora do famoso livro Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity [“Problemas de Gênero: Feminismo e a Subversão da Identidade”], de 1990.

Todos esses agentes de destruição de que falamos investiram em uma coisa: conhecimento. Se queremos vencer a batalha contra eles e defender a família, precisamos também nós investir em conhecimento e formação intelectual. Estudando esses autores, entendemos que, se tantos têm atacado a família – com o “divórcio relâmpago”, com o sexo sem compromisso, com a abolição das festas dos pais nas escolas etc. –, não é porque a sociedade enlouqueceu espontaneamente, mas porque há arquitetos sociais muito bem preparados por trás de todas essas coisas.

Ao mesmo tempo, permanece o dever de estudarmos com compromisso o caminho da Igreja e a vontade de Deus para a família. Esta não é nem a fonte de todas as opressões, como queriam Marx e Engels, nem uma “massinha de modelar”, como queria o sociólogo Kingsley Davis. Trata-se de uma realidade natural, fundada pelo próprio Deus e constituída no íntimo da humanidade. Por isso, destruir a família é destruir o próprio ser humano.

Obras recomendadas

Referências bibliográficas

O olhar de Jesus leva o ator que interpretou Barrabás à conversão

Pedro-Sarubbi

Pedro Sarubbi é um homem apaixonado e não tinha medo dos desafios da atuação. Quando ainda adolescente, fugiu de casa e se juntou a uma companhia circense. Assim, seguiu em turnê pelo mundo, acreditando – diz ele – que “em algum lugar poderia preencher aquele vazio espiritual” que o afligia.

Ele tentou, ao entrar no mosteiro de Shaolin na província de Henan (China) para treinar as artes marciais. Mas não estava lá o que procurava. Em seguida, foi para o Tibete, agarrando-se a um voto auto-imposto de silêncio, por seis meses, para alcançar o anelo budista da iluminação. Porém, apesar dos esforços, sua angústia existencial continuava inabalável.

Praticou meditação na Índia e, quase à beira da exaustão, mais tarde permaneceu na Amazônia brasileira, onde aprendeu a falar Português. Em paralelo, entre viagens, ele continuou sua carreira de ator.

Ele tinha 18 anos quando começou a trabalhar no teatro, comerciais e cinema italiano independente. Especializou-se em comédia, mas sempre sentia uma ligeira sensação de fracasso, porque o seu desejo era de dirigir. “Eu me sentia um tigre de Bengala em uma jaula de circo preparado para o show”, diz ele. Hollywood lhe pareceu sorrir quando o chamou para um papel coadjuvante no filme “O Capitão Corelli” (2001), mas o seu momento de glória não apareceu e nem o vazio existencial o deixou.

Identificando-se com Barrabás

Meses depois desse filme, o ator conta que “um dia o telefone tocou com a oferta de colaborar em um filme de Mel Gibson. Nos filmes anteriores sempre tinha desempenhado papeis mais obscuros, então pensei que este seria um outro filme de ação”. Mas o filme narraria a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Ficou surpreso. “Nunca imaginei que poderia atuar em um filme sobre a Paixão de Cristo, mesmo porque estava muito longe da Igreja”, lembra ele.

Ele queria encarnar o apóstolo Pedro e não escondeu sua decepção quando Mel Gibson disse que o procurava para interpretar Barrabás. “Na verdade queria atuar como o apóstolo Pedro, não por uma razão espiritual, mas porque pagavam melhor por dia trabalhado e Barrabás aparecia pouco tempo. Então argumentei que eu era uma pessoa famosa e eles não podiam me dar um papel pequeno.” Mas ao final terminou como Barrabás e algo mais aconteceria durante as filmagens, breve, mas crucial para o resto de sua vida.

Poucos dias antes de sua atuação, o ator destaca que teve uma conversa com Mel Gibson, que queria lhe dar mais detalhes sobre o personagem: que Barrabás não era simplesmente um bandido, que pertencia à casta dos “Zelotes”. E acrescentou um detalhe que penetrou profundamente Sarubbi: Barrabás esteve preso por anos, foi torturado e levado ao limite “começou a tornar-se uma besta, que não tem mais palavras. Ele expressa com seus olhos. Por isso eu escolhi você… depois de investigar, você parece encarnar bem esse animal selvagem e, ao mesmo tempo, refugiar no fundo do coração o olhar de um homem bom”, disse Gibson.

O Olhar de Jesus

Poucos dias depois, Sarubbi estava no set, e durante alguns minutos, permaneceu absorvido ao ver o seu colega Jim Caviezel, que interpretou Jesus. Dentre uns poucos minutos iriam gravar a cena em que o povo perdoou a Barrabás e condenou o Messias… e, de repente, Pedro Sarubbi e Barrabás, na alma do ator, eram apenas um. A cena avançava e ele já não mais atuava: vivia, vibrava os acontecimentos em todo seu ser. Por fim, os gritos da multidão tinham alcançado o seu desejo, ele, Barrabás, estava livre! Ele desceu os degraus e seus olhos se encontraram com a ternura infinita dos olhos de Jesus… “Foi um grande impacto. Senti como se corresse uma corrente elétrica entre nós. Eu vi o próprio Jesus“.

A partir desse momento, o ator italiano diz que tudo em sua vida mudou. Que a paz que, durante anos tinha procurado em dezenas de viagens, havia visitado sua alma. “Ao olhar para mim, seus olhos não tinham ódio nem ressentimento contra mim, apenas misericórdia e amor.”

Esta conversão explosiva de Pedro Sarubbi, que conta em seu livro “Da Barabba para Gesù – Convertito dá um sguardo” (De Barrabás a Jesus – Convertido por um olhar), deu início a uma fase da vida em que o dom da fé toca todo o âmbito de sua vida. No final, com uma exegese pessoal da história bíblica, mostra sua gratidão ao personagem Barrabás que, inicialmente, resistiu em encenar: “É o homem que Jesus salvou de ser crucificado. É ele que representa toda a humanidade”.

Trad. Adapt.: Tathiane Locatelli

Fonte: Catholic.net

Via Com. Shalom

O que é o Domingo de Ramos?

No Domingo de Ramos, celebra-se a entrada solene de Jesus em Jerusalém, que marca o começo da Semana Santa e prepara os cristãos para reviver a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Os ramos, abençoados nesse dia, são o sinal da vitória da vida sobre a morte e o pecado. Desde 1984, por iniciativa de João Paulo II, no Domingo de Ramos se comemora também a festa dos jovens, em todas as dioceses do mundo.
O Domingo de Ramos é, simbolicamente, a “porta de entrada” da Semana Santa e, portanto, para chegar à Páscoa. Ainda hoje, como na época de Jesus, a bênção dos ramos atrai as multidões.

Todos os anos, a passagem evangélica da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém dá todo o sentido à bênção dos ramos. Revivem-se os momentos em que a multidão acolhe Jesus na cidade de Davi, “cidade símbolo da humanidade” (João Paulo II), como um rei, como o Messias esperado há séculos. Aclamam Jesus, dizendo: “Bendito é aquele que vem em nome do Senhor” e “Hosana” (em hebraico, este termo significa “Salvai-nos!” e se tornou uma exclamação de triunfo, alegria e confiança).

Jesus é um Rei de paz, humildade e amor. Ele se apresenta à multidão montado em um jumentinho. Zacarias havia anunciado: “Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta” (9, 9).

As pessoas estendiam seus mantos no caminho ou o cobriam com ramos de árvores, como relata Mateus, em seu evangelho (Mt 21, 8).

Ainda hoje, a bênção dos ramos atrai multidões, com um público pouco habitual, seduzido pelos ramos, que podem ser conservados em casa até o ano seguinte.

Símbolo de vida e de ressurreição, os ramos são portadores de bem, mais que de sorte. São colocados nas casas, enfeitam os crucifixos: fazem Jesus ressuscitado entrar nos lares.

Os ramos, segurados para aclamar a cruz de Cristo, são colocados também, às vezes, sobre os túmulos, adquirindo assim mais um significado espiritual. Não se trata somente de honrar a memória de um ente querido, mas também de manifestar a própria esperança, de renovar e fazer florescer a própria fé na ressurreição de Jesus Cristo e, por conseguinte, na ressurreição dos que já partiram.

Normalmente, as paróquias organizam uma procissão após a bênção dos ramos, antes da Missa. Nas grandes cidades, a assembleia pode reunir milhares de pessoas, como em Notre-Dame de Paris, onde o rito da abertura das portas da catedral sempre é impactante. Depois, os fiéis entram na igreja, atrás do sacerdote, manifestando com isso que acompanham Cristo Rei em sua Paixão.

Diversos testemunhos revelam que Jerusalém já celebrava, no século IV, a entrada triunfal de Jesus na cidade. Uma peregrina chamada Egéria, que percorreu a Terra Santa em 380, dá testemunho disso em um manuscrito encontrado em 1884. De Jerusalém, a procissão se estende ao mundo inteiro.

Egéria (ou Etéria) descreve a procissão que, do Monte das Oliveiras ao Santo Sepulcro, celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém: “E, na hora undécima (17h), lê-se aquela passagem do Evangelho, quando as crianças com ramos e folhas de palmeira saíram ao encontro do Senhor, dizendo: ‘Bendito é aquele que vem em nome do Senhor’. Em seguida, o bispo e todo o povo se levantam e vão, a pé, saindo do alto do Monte das Oliveiras, caminhando com hinos e antífonas, respondendo sempre: ‘Bendito é aquele que vem em nome do Senhor’.”

Em seu testemunho, Egéria insiste na grande participação de crianças na procissão: “Todas as crianças que estão naqueles lugares, inclusive as que não sabem andar ainda dada a sua curta idade, participam sobre os ombros dos seus pais, carregando ramos, algumas com folhas de palmeiras e outras com ramos de oliveiras”.

 

Via Aleteia

A entrada de Jesus em Jerusalém

No domingo de ramos a Igreja no mundo Todo, celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Essa celebração é a porta, por onde os fiéis são introduzidos no espirito da semana Santa. Nesse dia também, por iniciativa do grande São João Paulo II, desde 1984, se comemora também a festa dos jovens, em todas as dioceses.

Essa festa, já era celebrada em Jerusalém, no século IV. Um dos mais importantes testemunhos a esse respeito é de uma peregrina chamada Egéria (Ou Etéria), que percorreu a Terra Santa em 380, seus manuscritos encontrados em 1884 relata os detalhes dessa festa.

“E na hora undécima (17h), lê-se aquela passagem do Evangelho, quando as crianças com ramos e folhas de palmeira saíram ao encontro do Senhor, dizendo: ‘Bendito é aquele que vem em nome do Senhor’. Em seguida, o bispo e todo o povo se levantam e vão, a pé, saindo do alto do Monte das Oliveiras, caminhando com hinos e antífonas, respondendo sempre: ‘Bendito é aquele que vem em nome do Senhor’.”

Egéria, ainda nos seus relatos da bastante ênfase a participação de famílias com suas crianças: “Todas as crianças que estão naqueles lugares, inclusive as que não sabem andar ainda dada a sua curta idade, participam sobre os ombros dos seus pais, carregando ramos, algumas com folhas de palmeiras e outras com ramos de oliveiras”.

De Jerusalém, essa festa se estende a todo o Oriente. No começo do século VII, chega à Hispânia e provavelmente à Gália até o século IX; e depois se populariza amplamente em todo impérios Carolíngios. Em Roma por exemplo até meados do século V se lia apenas a narrativa da paixão, só no século XII após um período de decadência na liturgia, que a procissão de ramos começa a ser mencionada nos livros sagrados da Igreja romana, trazida pelos Germânicos.

A celebração na forma como encontramos hoje, remete a vários textos do antigo e novo testamento, no sentido de ajudar cada fiel a penetrar no mistério pascal do Senhor. Por exemplo: Isaías 50, 6-7, com o Servo sofredor. Depois Filipenses 2, 6-11, Cristo que se despoja e assume a posição de escravo. O Salmo 22, “meu Deus por que me abandonastes” e por fim toda a narrativa da paixão do Senhor tirada de um dos Evangelhos.

O espirito dessa celebração, revela o coração do homem em todo seu realismo. O homem aqui é apresentado como um ser de conflito, um espaço de contradição. O homem que recebe o Filho de Deus, com louvas e louvaninhas é o mesmo que depois o humilha, e o crucifica.

Ao mesmo tempo, esse ser paradoxal chamado homem, evidencia a missão desse estranho Rei, libertar o coração do gênero humano das amarras que o prende ao ódio, ao desamor, ao pecado. Jesus Rei, se entregou nu, nas mãos do homem. Despojou-se de suas vestes de gloria, abriu mão da proteção atenta de batedores celestes e terrenos. Veio na carne, vestido de pobreza e fraqueza, sem nenhuma defesa. A natureza sempre pura e virginal, cobre o rosto e foge dessa imagem terrível. Um Deus desarmado entregue nas mãos belicosas da humanidade. Salve Rei dos Judeus! bendito o que vem em nome do Senhor! Feliz Culpa, que nos mereceu tão grande Redentor.

 

Via Comunidade Shalom