Feminicídio e revolução sexual: uma relação que o laicismo finge que não existe

Em meio à discussão atual contra a corrupção brasileira e seus efeitos devastadores no bolso e na paciência dos cidadãos, foi sancionada este mês, quase como notícia secundária, a lei que torna o feminicídio um crime hediondo no Brasil. É um avanço. No entanto, numa cultura que finge que não há consequência alguma em reduzir as pessoas a objetos sexuais, é um avanço frágil e paliativo, que passa longe de tratar das causas do problema.

Há pouco mais de dois anos, a revista norte-americana Violence and Victims publicou uma pesquisa feita pela Universidade da Geórgia, também dos Estados Unidos, sobre a relação entre a indústria da pornografia e a violência contra as mulheres. A pesquisa, como seria de esperar, foi amplamente ignorada pela mídia.

Mas o estudo norte-americano não passou despercebido para o médico e sexólogo Vincenzo Puppo, do Centro Italiano de Sexologia. Em entrevista ao jornal La Stampa, ele explicou por que a pornografia causa dependência e quais são os efeitos da sua transformação em vício:

“A visualização contínua e repetida dos órgãos genitais masculinos e femininos vai diminuindo progressivamente a capacidade de excitação mental. Quando um estímulo sensorial é repetido continuamente, ele vai deixando de ser excitante com o passar do tempo. Assim, o cérebro passa a exigir estímulos sexuais mais fortes. Da pornografia ‘normal’, a pessoa passa, por exemplo, a consumir imagens de estupros, de outras violências sexuais, de sadomasoquismo, de sexo com animais, com crianças…”.

E não para por aí. A repetição contínua da visualização dessas novas imagens leva o cérebro a ir se viciando nelas também. Da dependência doentia de mais e mais cenas degradantes, associadas a excitação e prazer pessoal, tende-se ao impulso não menos doentio de passar aos atos. Assim, quando o ambiente da “mera” visualização de pornografia pesada deixa de ser suficiente para “desafogar” o vício, o dependente pode acabar explodindo em atos de violência não apenas contra mulheres, mas também, não raro, contra homens e, o que é mais terrível ainda, contra meninas e meninos.

Os alertas de especialistas em questões como esta não costumam fazer sucesso na cultura laica do “liberou geral”, por motivos óbvios: não se quer admitir que todo excesso tem consequências. É mais ou menos a mesma visão permissiva e leniente que se tem quanto ao álcool, transferindo-se a responsabilidade pela epidemia de consumo de bebida entre adolescentes e jovens para contextos externos à consciência e à vontade deles. No tocante à hipersexualização da cultura laica, as mesmas pessoas que apontam o dedo com fúria contra o “modelo machista repressivo” fecham os olhos, conivente e hipocritamente, para a relação avassaladora entre a “revolução sexual” e a transformação ainda mais acelerada de seres humanos em objeto de prazer doentio.

 Via Aleteia
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