“A pior coisa que fiz na vida foi trabalhar em uma clínica de abortos”

Marianne Anderson trabalhou, de 2010 a 2012, no Centro de Abortos do Planned Parenthood de Indianápolis, o maior provedor de abortos de Indiana (EUA). Hoje, ela afirma que foi a pior coisa que fez na vida.

Quando começou a trabalhar lá, ela estava “em cima do muro” quanto ao aborto, ou seja, talvez o justificasse ao ver, em seu antigo hospital, meninas que haviam tentado praticar um aborto por conta própria, e isso a levou a desejar um lugar seguro para este procedimento.

Entretanto, na clínica, “várias vezes houve dificuldades com osabortos enquanto eu trabalhava lá; já tiveram de telefonar para o hospital, para socorrer uma cliente; outra quase morreu de hemorragia”, recordou.

Sua dramática experiência a leva a afirmar hoje que essa clínica deabortos é “uma fábrica de dinheiro, um lugar muito triste para trabalhar”. Marianne era a encarregada de aplicar a sedação intravenosa nas pacientes.

“Os chefes gritavam conosco quando não atendíamos o telefone no terceiro toque. Diziam que seríamos demitidos, pois precisavam dodinheiro“, contou.

“Na reunião semanal, eles nos recordavam que deveríamos dizer às clientes que evitassem os conselheiros (pessoas que advertem sobre os perigos do aborto), porque precisávamos do dinheiro.”

Marianne passou mal depois de ver a “Sala POC” (POC = “produtos da concepção”). “O médico colocava os POC em uma espécie de escorredor, para depois jogá-los no vaso sanitário”.

“Um médico chegou a conversar com um bebê abortado enquanto procurava todas as partes do seu corpo; ‘Vamos, bracinho, sei que você está aí, não se esconda de mim’. Isso me fez passar mal”, contou a enfermeira.

“O som que a máquina de sucção fazia quando era ligada ainda me persegue.”

Um dia, ela viu uma propaganda do livro “Unplanned”, escrito por Abby Johnson, ex-diretora do Planned Parenthood do Texas que abandonou o emprego em 2009 para se tornar ativista pró-vida. A enfermeira leu o livro, entrou em contato com a autora e esta a apresentou a Eileen Hartman, defensora local pró-vida que dirige nos Grandes Lagos o “Projeto Gabriel”, uma rede de voluntários da Igreja que ajuda as mulheres que enfrentam uma gravidez difícil ou não desejada.

Por meio de Eileen, a enfermeira conheceu toda a rede pró-vida. Muitas pessoas começaram a rezar por ela.

Marianne começou a ser um “problema” na clínica de abortos, pois “conversava demais com as meninas que ia abortar, perguntando-lhes se elas tinham certeza de querer fazer isso”. Em julho de 2012, ela foi despedida, mas no momento exato da demissão, ela recebeu um telefonema do Community North Hospital de Indianápolis, oferecendo-lhe uma vaga de emprego.

Ela aceitou e trabalha lá até hoje: “Agora, eu amo o meu trabalho; convivo com pessoas cristãs maravilhosas”, conta.

Marianne narrou sua experiência em um jantar do “Projeto Gabriel”, no último dia 6 de fevereiro: “Foi uma longa caminhada para mim. Falar sobre tudo isso é doloroso, mas ao mesmo tempo curativo”.

Recentemente, a enfermeira participou de um retiro dedicado à cura espiritual de pessoas que trabalharam em clínicas de aborto. Nele, pediram aos participantes que, cada dia, oferecessem o nome de um bebê abortado, dos abortos dos quais haviam participado. Ela não lembra o número de abortos dos quais participou, mas imagina que “precisarei de vários anos para chegar à lista completa”.

No entanto, em meio à sua dor, hoje ela se declara feliz.

(Com informações do National Catholic Register. Artigo publicado originalmente por Gaudium Press

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