Blasfêmia em São Paulo

Há coisa de 15 anos, fui debater na tevê com o chefão do movimento gay. Puseram-me num camarim com uma senhora do meio artístico, que se disse pasma com a eficiência da produção do programa. Segundo ela, haveria de ter sido dificílimo encontrar alguém que fosse contra o “casamento gay”, alguém que não achasse linda a luta dos ativistas, e por aí vai. Perguntei-lhe se ela já teria tido a curiosidade de perguntar ao porteiro do prédio dela o que ele achava daquilo tudo, ao que ela me respondeu que “não, mas seu Sebastião é muito boa gente, com certeza ele é a favor do casamento gay!”

Esse mundinho de fantasia e ignorância em que vivem algumas pessoas chocou-se brutalmente com a realidade dos fatos no final de semana passado, quando um sujeito deformado por aplicações de silicone no tórax para parecer uma mulher prendeu-se a uma cruz, em paródia da Crucifixão, na cada vez mais mirrada Parada Gay de São Paulo.

Não acredito que possa haver alguém nascido em um país cristão e criado em uma sociedade de base cristã que não perceba o quanto esta farsa sacrílega atenta contra as fundações da sociedade. Talvez uma dieta de fome intelectual, composta de horas e mais horas diárias de televisão acompanhadas duma escolarização péssima e ideológica, possa fazer com que ele simplesmente não se tenha dado conta do tamanho da besteira que fez. Mas continua espantoso.

Afinal, não interessa se os romanos mataram milhares de pessoas em cruzes. Não foi um método de execução que fundou a nossa sociedade, que fez com que houvesse a crença na dignidade humana que garante a vida até mesmo dos piores blasfemos. Foi, sim, uma única vez em que ele foi aplicado: aquela em que foi vitimado alguém que, para a fé da imensa maioria da população do Ocidente desde então, é o próprio Deus feito homem.

A Crucifixão, acredite-se ou não na divindade do Cristo, é o acontecimento que gerou o senso de justiça, o respeito à opinião alheia, o respeito à vida humana e todos os demais elementos de base de qualquer sistema moral de origem ocidental. Deus feito homem, entregando-se pelas culpas dos homens; a inocência mais perfeita punida como o pior dos criminosos; o poder absoluto e total entregue às mãos de burocratas assassinos.

Foi esta solidão absoluta do Crucificado, que bradou “Meu Pai, por que me abandonaste?”, que fez com que cada homem ou mulher passasse a ser percebido como tendo um altíssimo valor individual, pessoal e independente do quanto é produtivo na sociedade. Foi a meditação da Crucifixão que fez surgir uma justiça menos cruel que a Lei de Talião.

Da Crucifixão nasceu o Ocidente. Onde ela não está também não há respeito à vida humana, e o rapaz que se prestou a tão triste papel na Parada Gay já teria sido atirado do alto de um prédio.

Via site Gazeta

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