A vocação do leigo na Igreja

No mês das vocações, destacamos a vocação dos cristãos leigos e leigas. São todos os membros da Igreja que vivem sua fé e sua consagração batismal nas condições ordinárias da vida: na família, nas profissões, no mundo da cultura ou exercendo responsabilidades sociais. É esse imenso povo de Deus presente em todo o tecido social, permeando-o com o sal e fermento do Evangelho e irradiando sobre as realidades deste mundo a luz de Cristo, que ilumina sua própria vida.

Com frequência, somos levados a considerar como “cristãos leigos” apenas aqueles que realizam atividades pastorais no ambiente eclesial propriamente dito. Certamente, a sua participação na vida da Igreja, naquilo que lhe compete, é de suma importância e a Igreja agradece a sua colaboração generosa nas diversas responsabilidades das comunidades eclesiais, como a catequese, a animação litúrgica ou as muitas formas de ação pastoral e administrativa. No entanto, nem todos os fiéis leigos poderiam estar empenhados em alguma pastoral.

De fato, porém, a vocação primordial dos fiéis leigos é testemunhar a novidade do Reino de Deus no “mundo secular” (cf LG 31), lá onde a Igreja não está presente de forma institucional. Trata-se de um vastíssimo e desafiador campo para a ação missionária da Igreja, a ser atingido sobretudo através dos leigos. A vida na comunidade eclesial, as celebrações litúrgicas e as organizações eclesiais são momentos e espaços necessários para o cultivo e a alimentação da fé, para o suporte e o preparo para a ação no mundo; toda a vida do cristão leva à Eucaristia e, dela, tira sua força toda a fecundidade para a vivência apostólica diária.

O mesmo poderia ser dito da Palavra de Deus: dela parte todo impulso para a missão e, ao mesmo tempo, toda ação cristã no mundo requer constante retorno à Palavra de Deus para iluminar, discernir, encorajar e sustentar a vivência da fé. Mas a vida cristã não se restringe a esses momentos e espaços.

Na solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu, apareceu mais de uma vez a menção do simbolismo bonito da “arca de Deus”, introduzida na cidade santa (1Cr 15; Sl 131/132). A arca continha as tábuas da Lei de Deus e lembrava sempre a Aliança de Deus com seu povo no sopé do Sinai: “se guardardes as minhas palavras, minhas leis e mandamentos (…), eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”.

Depois de edificar a cidadela de Sião (Jerusalém), Davi introduziu nela a arca para simbolizar a permanente presença salvadora de Deus com seu povo (cf 1Cr 15). E a observância da suprema Lei era sinal de fidelidade do povo ao seu compromisso para com Deus: “Faremos tudo o que o Senhor nos ordenar”. Ao mesmo tempo, esta fidelidade a Deus ordenava o convívio social e assegurava a paz.

 A imagem da arca é aplicada a Maria, que nos trouxe o Salvador e supremo revelador davontade de Deus. Bonito é o Evangelho da visita de Maria à sua prima Isabel (cf Lc 1,39-56); ela é a arca da Aliança introduzida na casa de Zacarias e Isabel; a casa fica cheia de Deus! Elevada ao céu, Maria é a arca de Deus introduzida solenemente na “cidade santa”, a Jerusalém celeste e definitiva, anúncio e sinal da plenitude da redenção,quando também a morte será vencida (cf Ap 11,19; 12,10).

A imagem da arca também se aplica à Igreja que, à imagem de Maria, e tem a missão de ser o sinal da perene presença e ação salvadora de Deus no meio dos homens. A comunidade cristã, Igreja viva, e cada um de seus membros, deve irradiar o reino de Deus no mundo; pela ação missionária da Igreja, a cidade dos homens, edifica-se em cidade de Deus, até que chegue o grande “dia do Senhor”. Esta missão cabe, de maneira especial, aos cristãos leigos e leigas, que estão em contato direto com as “realidades terrestres” e atuam no “mundo secular”.

O Concílio indica que é lá que os leigos são chamados por Deus “para que, exercendo seu próprio ofício guiados pelo espírito evangélico, como o fermento na massa, de dentro contribuam para santificar o mundo. E assim manifestem Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho de sua vida resplandecente de fé, esperança e caridade” (LG 31). Vocação bonita e missão grandiosa, para cuja realização podem contar com a fidelidade de Cristo Salvador, que os envia: “eu estarei sempre convosco, até o fim dos tempos” (Mt28,20).

Via ALETEIA

Católico, protestante, ateu… CATÓLICO, de fato e de direito!

“Eu não me acostumei nas terras onde andei…”, diz a música do Padre Zezinho que serve de trilha para a leitura desse belo testemunho de conversão. Como a falta de uma sólida catequese foi decisiva para que este homem andasse “por mil caminhos”, no entanto, Deus o chamou de volta e agora, conhecendo a beleza da Igreja, pode dizer: “Aqui é o meu lugar”.

“Nasci em família tipicamente católica, tradicional, numerosa, que educava os seus membros na fé e na moral da Igreja. Vivendo sob esta perspectiva, também era eu católico, ia à Santa Missa aos domingos e rezava antes de dormir, onde sempre terminava a oração pedindo a “bença” à “Mamãe do Céu” e ao “Papai do Céu”. 

Havia um problema, porém, que infelizmente é comum nos nossos tempos: faltou-me a catequese adequada. Fruto desta deficiência, brotou em mim uma consciência protestante, ainda que eu não me desse conta. Comecei a buscar a fundamentação para as práticas da Igreja (que eu sequer conhecia direito) na Bíblia. Lia e interpretava a Bíblia sem o devido cuidado e preparação. O resultado não poderia ser outro: desacreditei da Igreja Católica, pois algumas coisas, pensava eu, não se adequavam com as Escrituras, como a veneração aos santos, o papel de Nossa Senhora para o catolicismo, o Sacramento da Confissão etc. Até a adoração ao Santíssimo Sacramento eu reputei como sendo idolatria! 

Foi com esta fé estremecida que entrei para a faculdade de direito. Neste ambiente, como o senhor sabe bem, fui influenciado pelo pensamento acadêmico, predominantemente de esquerda e contrário ao catolicismo. Estudei Nietzsche, Marx, Escola de Frankfurt, Foucault… O resultado, mais uma vez, era previsível: tornei-me ateu. Convicto. Inimigo da Igreja. Afinal, o ateísmo era “cool” e dava um ar de intelectualidade, que, para mim, era incompatível com a crença religiosa. 

Eis que certo dia, porém, um amigo me desafiou a ver o seu curso sobre marxismo cultural e revolução cultural. Aceitei, com o objetivo de refutar, é claro. Surpreendi-me. O senhor falava com propriedade. Não parecia um ignorante supersticioso. Não consegui refutar. 

Fui assistir seus vídeos sobre outros temas. Um sobre São Tomás de Aquino me marcou. Que gênio era São Tomás! Depois, ainda através do seu trabalho, conheci a obra de Joseph Ratzinger. Foi um tiro certeiro. A fé não era mais inimiga da razão, mas irmã. Ou, ainda, nos dizeres de Santo Agostinho: “intellige ut credas, crede ut intelligas”

Assisti mais e mais vídeos do senhor nas férias, ao ponto do meu velho pai indagar: ” Só fica vendo esse careca aí, rapaz, vá sair de casa” (risos). Tive a felicidade de conhecer sua relação de amizade com os saudosos Dom Eugênio e Dom Heitor de Araújo Sales, ambos potiguares e com imensos serviços prestados à Arquidiocese de Natal, da qual faço parte. Este último ainda vem à pequena São Paulo do Potengi todos os anos, rezar pela alma do Monsenhor Expedito Sobral, amigo íntimo tanto de um quanto de outro. 

Foi com este ânimo, e tendo o seu trabalho como porta de entrada, que comecei a estudar e pesquisar o que de fato era e no que de fato cria a Igreja Católica. Deparei-me, para utilizar suas próprias palavras, com “um colosso teológico, cultural e intelectual”. Senti-me em casa

Hoje sou católico “de fato e de direito”, sem nenhuma possibilidade de mudança. Tenho consciência de que não é a Bíblia que respalda a Igreja, mas a Igreja que respalda a Bíblia, que, por sua vez, deve ser lida segundo à Tradição Apostólica. Sei que é a Santa Igreja a guardiã do Depósito da Fé, ou, para usar as palavras de São Paulo, ela é a “coluna e sustentáculo da Verdade” (1 Tm 3,15). 

Vivo uma conversão diária, por vezes árdua, mas sempre peço a Deus que fortaleça minha fé e me conceda a graça de carregar a minha cruz com amor. Nas provações, recorro à Santíssima Mãe e inspiro-me na persistência de São Padre Pio e na obediência de São Miguel Arcanjo (cujas histórias, também, conheci por meio deste sítio), para que, ainda que caia, possa me levantar, por amor a Cristo. 

Escrevo isto para que o senhor saiba da sua importância nesta minha volta para casa. Hoje estou preparado para responder, com temor e mansidão, àqueles que pedirem às razões da minha esperança (1 Pd 3,15). 

Assim sigo convicto, como Santo Agostinho, de que Deus nos fez para Ele, e inquieto está nosso coração enquanto n’Ele não repousar. Nas palavras do padre Zezinho:Andei por mil caminhos / e, como as andorinhas, /eu vim fazer meu ninho / em tua casa e repousar. /Embora eu me afastasse /e andasse desligado, /meu coração cansado, / resolveu voltar. 

Que Deus abençoe ao senhor, Padre Paulo Ricardo, e à sua equipe por este trabalho de catequese fiel, algo raro nestes tempos de predominância do relativismo moral e religioso. 

Christo Nihil Praeponere! 
Silvério Alves da Silva Filho

Vaticano esclarece: Bênção do Papa à escritora lésbica não foi aval ao matrimônio gay

O subdiretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe. Ciro Benedittini, esclareceu que a bênção que o Papa Francisco concedeu a uma escritora lésbica não significa de maneira alguma o aval às uniões homossexuais, como interpretaram alguns meios de comunicação.

Francesca Pardi fundou, junto com sua parceira Maria Silvia Fiengo, uma editoria de livros para crianças chamada ‘Lo Stampatello’ e é autora de livros como ‘Piccola storia di una famiglia: perchè hai due mamme? (Pequena história de uma família. Por que você tem duas mães?”) e Piccolo Uovo (Pequeno ovo).

Há algumas semanas Pardi – que têm quatro filhos com sua parceira lésbica – mandou uma carta ao Papa e lhe enviou alguns livros escritos por ela, assinalando que neles não menciona a ideologia de gênero, mas o “amor ao próximo”. Alguns desses textos foram retirados das escolas de Veneza a pedido do prefeito Luigi Brugnaro.

Hoje, Pardi publicou no seu perfil do Face book uma foto do envelope no qual chegou a resposta da Secretaria de Estado Vaticano, confirmado a recepção do presente. Embora a autora não tenha publicado o texto da carta recebida, intitulou assim sua publicação: “O Papa me respondeu!”.

Pardi admite que a carta não está assinada pelo Papa, mas por Dom Peter Brian Wells, funcionário da Secretaria de Estado Vaticano. Entretanto, atribui ao Pontífice palavras exortativas a respeito do seu trabalho de literatura gay e uma bênção dirigida a ela e a sua parceira.

Esta comunicação de cortesia foi difundida por vários meios italianos e agências internacionais como uma bênção ou aprovação do Santo Padre as uniões homossexuais.

Por isso, o Pe. Ciro Benedittini divulgou um comunicado no qual explica que “em resposta a uma carta de Francesca Pardi ao Santo Padre, em tom educado e respeitoso, a Secretaria de Estado confirmou o recebimento da mesma com um estilo simples e pastoral, precisando em seguida que se tratava de uma resposta privada e por isso não destinada à sua publicação (coisa que aconteceu)”.

“De maneira alguma a carta da Secretaria de Estado pretende aprovar comportamentos e ensinamentos que não estão em consonância com o Evangelho, embora apoie ‘sempre uma atividade mais saudável à serviço das jovens gerações e da difusão dos autênticos valores humanos e cristãos’”, ressalta.

“A bênção que o Papa Francisco concedeu no final da carta foi para a pessoa e não para eventuais ensinamentos que não estão de acordo com a doutrina da Igreja sobre a ideologia de gênero, que não mudou absolutamente em nada, como muitas vezes assinalou o próprio Santo Padre”, precisa o comunicado.

Então, conclui o texto divulgado hoje: “É totalmente descabida uma instrumentalização do conteúdo da carta”.

A ideologia de gênero pretende afirmar que no mundo moderno a diferença entre homem e mulher é um fator social (uma construção) antes de ser algo biológico. Dessa forma a orientação sexual – e com isso a identidade de gênero e o papel do gênero – contaria mais que o sexo biológico.

Em diversas ocasiões o Papa Francisco explicou que a ideologia de gênero contradiz o plano de Deus e não obedece à ordem natural da criação.

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Papa Francisco: a Ideologia de gênero é contrária ao plano de Deus

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Ideologia de gênero é um erro da mente humana, assinala o Papa

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Somos homossexuais católicos e queremos dar o nosso testemunho

“Lembrem-se que o amor não tem sexo, nem idade, nem procedência geográfica”, gritava Alessi Marcuzzi do palco da Coca-Cola Summer Festival de Roma. Quantos slogans sobre o amor! “Amor é amor”, “o amor vence”, “os direitos do amor”…
 
Mas o que sabemos sobre o amor? Que cultura temos do amor? Nós crescemos com histórias sobre paixão, enamoramento, fábulas com final feliz.
 
Mas o amor é isso?
 
Sempre me lembro da frase do Evangelho de João: “Ninguém tem amor maior que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. Jesus diz precisamente: amigos. O Deus dos cristãos, o Deus do amor, diz que a amizade é o amor com A maiúsculo.
 
Quando compartilho este pensamento, tenho a impressão de que as pessoas consideram a amizade como um afeto da “série B”, mais fraco que o amor de um casal. De fato, dizem “Somos só amigos” indicando que entre duas pessoas não há nada sério; ou “Vamos manter a amizade” quando terminam um relacionamento – como se ser amigos fosse dar um passo atrás no que diz respeito à relação anterior.
 
Por que digo isso? Porque a amizade é um sentimento casto, um vínculo que não exige nenhum direito, que não é possessivo nem exclusivo.
 
E acho que esta é a solução para estes tempos tão confusos.
 
Os casais mais experientes nos contam que, com o passar do tempo, a paixão erótica se esfuma, deixando em seu lugar outro sentimento, forjado pela cotidianidade, pela paciência e pela aceitação dos defeitos do outro – talvez por isso mais trabalhoso e menos espetacular, porém mais verdadeiro e tranquilizador. E a amizade não é isso?
 
Quantos casais se separam porque a paixão acaba? “Eu já não a amo mais”, dizem. No fundo, percebem que não se conhecem e que não compartilham nada. Nunca foram amigos. Eu já cheguei a ouvir: “Nunca poderei ser amiga do meu marido”.
 
A Igreja pede aos homossexuais que vivam a continência, ou seja, que não tenhamos relações sexuais. Mas isso não nos impede de ter amigos e, portanto, não nos proíbe de amar da forma mais elevada. Muito pelo contrário. Isso é o que o Catecismo diz:
 
“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.”
 
Este parágrafo, vivido à luz da reflexão sobre a amizade, me enche de esperança.
 
A amizade aqui é desinteressada, é um apoio rumo à perfeição cristã; não é uma amizade qualquer: é uma amizade para a santidade.
 
Nós, os homossexuais católicos, somos chamados a viver a dimensão da amizade de uma forma profunda e autêntica, a ser profetas para toda a humanidade – também para estes casais de homens e mulheres que estão feridos no amor próprio como nós.
 
Nisso consiste o nosso testemunho:
 
1. Devolver ao amor seu significado real
 
O amor romântico não é o amor verdadeiro, e a paixão (entendida como desejo pelo outro) é um componente importante do casal, que precisa ser renovado constantemente, mas que deve levar a um nível relacional mais profundo. A verdadeira paixão nos conduz a dar a vida.
 
2. Redescobrir e mostrar a primazia da amizade
 
A amizade é a forma mais sublime de amor, como Jesus nos ensina: “Ninguém tem amor maior que aquele que dá a vida pelos amigos”. Não existe amor maior!
 
3. Conhecer e ensinar a linguagem da amizade
 
Esta linguagem feita de simpatia, ternura, mas também de responsabilidade, como nos ensina o Pequeno Príncipe, pois somos responsáveis por aqueles a quem cativamos.
 
4. Dar a justa importância e significado à sexualidade

O sexo é certamente um dos maiores prazeres da vida, mas está ligado em primeiro lugar à procriação. O sexo é um tabu que é preciso desmistificar, tanto por quem o demoniza quanto por quem o diviniza.
 
5. Indicar o caminho do amor cumprido (a amizade que se dá completamente) a todos os homens e mulheres, sem distinção.
 
Aqui não se trata de ser homossexual ou heterossexual. Se consigo demonstrar que posso viver uma vida plena e realizada porque sou capaz de ser amigo até dar a minha vida, então serei mestre no amor.
 
Estou convencido disso e o afirmo: este é o segredo de tudo. A amizade salvará o mundo. Os eternos debates sobre família, casamento, adoção etc., giram em torno do sexo e da capacidade de procriar. O sexo acaba sendo a causa dos problemas quando se fala de homossexuais. Não lhe demos tanta importância assim.
 
O centro da questão é este: a sexualidade entre pessoas do mesmo sexo não é procriativa. Isso é verdade, mas não se chega a realizar uma proposta mais alta e mais satisfatória, que vá além da renúncia. Neste ponto brigam os puritanos e os transgressores, porque é o ponto equivocado para falar de amor.
 
O amor é algo maior que o próprio amor: é amizade.

Via ALETEIA

Não troco a minha fé por outra fé

Bruno Salles de Oliveira 

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Sempre, em minha caminhada de Igreja, ouvi questionamentos sobre certas práticas da Igreja Católica, tanto de católicos em dúvidas quanto de alguns evangélicos mal informados ou talvez mal formados (e que buscam comunidades pentecostais onde qualquer formação é deixada de lado). Para ser breve, apresento algumas dessas questões:

– “Por que os católicos têm imagens se a Bíblia as proíbe?” 
– “Por que a Igreja Católica usa incenso? Isso não é coisa de bruxaria?” 
– “Por que acreditar na ação dos santos?” 
– “Por que dizer que Maria é virgem se a Bíblia fala dos irmãos de Jesus?”

Há mais perguntas, mas vamos a estas que já preenchem matéria para mais de uma página.

Sobre as imagens é interessante que há passagens que proíbem a fabricação de ídolos, mas, depois, na construção do templo que Davi desejou construir (e que seu filho Salomão teve o privilégio de concretizar), há orientações bem claras sobre imagens de querubins sobre a arca e estátuas de bois para servir de apoio à bacia usada nos ritos de purificação. Havia imagens no templo, mas ninguém as adorava só por estarem ali. Nenhum judeu cometeu idolatria só porque entrou num templo com imagens de ouro e bronze. Além disso, temos outros episódios emblemáticos, como o da serpente de bronze incrustada em um poste (Números 21,8). Deixo a seguir várias citações bíblicas para que cada um verifique e as guarde para dar respostas a muitos que as desconhecem: proibição das imagens – Êxodo 20, 4; Deuteronômio 5, 8-10; aprovação das imagens – 1Reis 6, 23-29; Êxodo 26, 31-33; Êxodo 25, 18-22; 1Samuel 4, 4; 2Samuel 6, 2; Salmo 98, 1; Êxodo 25, 40.

Sobre o incenso, não vou dar uma passagem, mas um livro inteiro! Leiam o livro do Apocalipse e vejam quantas vezes São João Evangelista fala de turíbulos de ouro e incenso queimando dentro desses turíbulos. E tudo isso acontecendo no Céu, diante de Deus! Com certeza, Deus não é bruxo! Por isso é tão ridículo que algumas crenças questionem o uso do incenso na liturgia católica.

Sobre os santos, há várias passagens bíblicas que falam deles sob o altar de Deus, rogando pelos justos. Algumas delas no Apocalipse: 5,8; 6,9-10, 8,3-4. Não tenham dúvida: só há um intercessor no sentido de conceder-nos a Salvação: Jesus Cristo. Mas cada santo da Corte Celeste pode e roga a Nosso Senhor Jesus por nós. Eles não fazem milagres; Nossa Senhora não faz milagres; mas, por intercessão dela e dos santos diante de Deus, recebemos inúmeros benefícios vindos de Nosso Senhor. Sabemos que Jesus canonizou o primeiro santo da Igreja Católica, o bom ladrão, conhecido como São Dimas. Jesus garantiu a ele a Graça do Céu ainda na cruz (Lucas 23,39-43). Ninguém morre e fica dormindo à espera do Juízo Final: cada qual tem seu juízo particular na hora da morte (Hebreus 9,27); quem está no Céu, como o bom ladrão, já está contemplando o Senhor e rogando por nós.

Por fim, quanto aos irmãos de Jesus e a virgindade de Maria: muitos, muitos mesmo, ficam presos ao versículo da Bíblia que fala dos “irmãos de Jesus” (Mateus 12,46). Então quer dizer que todos aqueles a quem São Paulo, em suas cartas, trata por irmãos, e olha que era muita gente, eram literalmente irmãos dele? Claro que não! São João Evangelista, em suas cartas, chama aos cristãos de filhinhos; mas nem por isso todos os que liam as suas cartas eram seus filhos. Os estudos e tradições, aliás, chegaram à conclusão de que João nem mesmo se casou, quanto mais ter gerado filhos. E Nossa Senhora não foi uma mulher comum da Palestina. Setecentos anos antes de seu nascimento, o Espírito Santo, já anunciava, pela boca do profeta Isaías (Isaías 7,14), a vinda do Messias no ventre de uma jovem (em hebraico almah, que quer dizer virgem). O arcanjo Gabriel, na Anunciação, a reconheceu cheia de graça (Lucas 1,28). Além disso, à época de Nosso Senhor Jesus, era comum que parentes próximos, como primos primeiros, se tratassem por irmãos. Ou ainda, São José poderia ser viúvo, conforme afirmam alguns estudiosos da Bíblia, e ter filhos do primeiro casamento, que seriam, portanto, chamados de irmãos de Jesus.

Levando todas estas informações em consideração, fica mais clara a importância de estudar e conhecer a nossa Santa Religião e saber dar razões da nossa fé.

Espero que cada um possa afirmar como na música do Padre Zezinho: “Não troco a minha fé por outra fé”.

O Jesus do Mundo

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Uma grande revista de circulação nacional estampava em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: “Deus é pop”. A reportagem tratava da espiritualidade juvenil e da maneira particular com que cada um se relacionava com o divino. A revista ainda fazia questão de enfatizar as peculiaridades desses novos movimentos, sobretudo as novidades, como altar em forma de prancha, uso de rock n’roll durante os cultos, grandes baladas “cristãs”, etc.

O que a matéria reflete não é uma novidade na história. Pelo contrário, ao longo dos séculos o que mais se viu foi a tentativa de desmontar Jesus Cristo, tomando apenas partes de seu Evangelho em detrimento de outras, somente para saciar ou atender às próprias veleidades.Esses que querem esquartejar Jesus (como se não bastasse a Crucifixão), dizem aceitar o Amor, mas se esquecem que esse Amor não compactua com nenhuma forma de mal nem com o pecado. Esquecem-se que o Amor também significa compromisso consigo mesmo e com o próximo. Que a misericórdia também significa justiça. Enfim, escolhem as partes de Jesus que mais lhes convém, como se Ele estivesse exposto numa prateleira de mercado.

Essa tendência de se tomar a parte pelo todo, segundo o Papa Emérito Bento XVI no livro Jesus de Nazaré, ficou mais evidente a partir da década de 1950. Ela se reflete nas adaptações de Cristo às várias modalidades de culto facilmente encontradas hoje em dia e que acabam por revelar um dramático empobrecimento da fé cristã, devido a uma recusa à personalidade “exigente” e “comprometedora” do Jesus original.

Qual o motivo dessa recusa? A resposta pode ser encontrada nas palavras de São Paulo à comunidade dos Romanos: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos” (Cf. Rm 1, 25). Colocaram-se acima do Criador e fizeram-se senhores do “bem” e do “mal”. E é por isso que se faz necessário aosmissionários do mundo corromper a verdadeira imagem do Salvador num garotão patético que aceita tudo pela “paz” e o “amor”. A presença da Igreja no mundo é como a presença de uma mãe no quarto de um filho que aprontou. Ele sempre tentará convencê-la, seja por desculpas, seja por birras, a abonar suas traquinagens. Mas uma mãe que ama jamais o fará, quanto mais a Igreja!

Outra motivação para esta recusa pode ser encontrada nas teologias modernas que, na ânsia de “salvarem” Jesus das indagações científicas, concebem-No irreconhecível. Este mais representa um retrato ideológico que o próprio Verbo Encarnado. O patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, compara essa atitude a dos Discípulos de Emaús, pois são os teólogos que querem dizer para Cristo quem de fato Ele é:

“Vemos a imagem de uma certa teologia, mais desejosa do que iluminada, totalmente dedicada à árdua e improvável tentativa de salvar, através de suas próprias categorias, Jesus Cristo e a Sua Palavra. Mas, nesta imagem, somos representados nós mesmos, cada vez, com nossa programação pastoral, com nossos projetos e debates, à parte de uma verdadeira fé, pretendemos explicar a Jesus Cristo quem Ele é.” (Dom Francesco Moraglia)

Ora, não é o ser humano que diz a Jesus quem Ele é, mas é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que diz quem é o ser humano. Adaptar Cristo a um estilo de vida não condizente à reta vivência cristã reflete um apego aos prazeres do mundo, no qual se faz mais importante o vício que o Cristo crucificado. Não, Jesus não é um hippie “paz e amor, bicho”, nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

apa denuncia perseguição aos cristãos e pede atitudes

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Papa Francisco denunciou a perseguição aos cristãos e pediu que a comunidade internacional que faça algo em favor dos perseguidos

O Papa denunciou, neste domingo, 30, as perseguições contra cristãos em várias partes do mundo, exigindo o fim da violência e o respeito pela liberdade religiosa de todos.

“Há mais mártires [hoje] do que nos primeiros séculos [do Cristianismo]”, alertou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação da oração do Angelus.

Francisco desafiou a comunidade internacional a fazer alguma coisa para que se ponha fim à violência e aos abusos. “Também hoje, no Médio Oriente e em outras partes do mundo, os cristãos são perseguidos”, lamentou.

Os episódios de violência ou discriminação contra as comunidades cristãs têm-se verificado em particular na Síria, Iraque, Paquistão, Nigéria ou China, com destaque para a ação de grupos fundamentalistas como o autoproclamado ‘Estado Islâmico’ ou o ‘Boko Haram’.

O Papa falava a respeito da beatificação do bispo sírio-católico Flaviano Michele Melki (1858-1915), martirizado durante o chamado ‘genocídio assírio’, que teve lugar este sábado em Harissa, Líbano.

“No contexto de uma tremenda perseguição contra os cristãos, ele foi defensor incansável dos direitos do seu povo, exortando todos a permanecer firmes na fé”, referiu.

Francisco deixou votos de que a beatificação deste bispo mártir seja para os fiéis da região um sinal de “consolação, coragem e esperança”. “Que seja também estímulo para os legisladores e os governos, para que a liberdade religiosa seja assegurada em todos os lugares”, acrescentou.

O Beato Flaviano Michele Melki foi morto ‘por ódio à fé’ no dia 29 de agosto de 1915 em Djézireh, atual Turquia, durante um massacre perpetrado contra armênios e membros de outras comunidades cristãs.

Via Canção Nova