Castidade, uma prova de amor

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Ter relações sexuais antes do casamento parece ser uma prática tão comum hoje em dia que as pessoas pouco se questionam sobre o assunto. Os jovens exigem isso um do outro como “‘prova de amor”‘, como um sinal de que a relação já está amadurecida; como o passo seguinte, natural, de um relacionamento onde já se experimentou de tudo, onde o enfoque não está no crescimento e conhecimento mútuos e muito menos na vontade de Deus, mas na satisfação dos seus próprios desejos e impulsos, de sua curiosidade pessoal, de sua insegurança de ser amado, do seu medo de perder o parceiro.

É espantoso ver como a maioria dos jovens, e mesmo alguns pais, encaram o ato sexual como uma etapa “natural” do relacionamento anterior ao matrimônio… desde que a moça não fique grávida.

A total facilidade de adquirir “pílulas anticoncepcionais” ou preservativos (distribuído gratuitamente em campanhas do governo e até em encartes de jornais) teve o poder de destruir aquele que parecia ser o único freio para as relações sexuais pré-matrimoniais: o medo da gravidez.

A “liberdade e absoluta segurança” prometidas e desenvolvidas pela técnica e ciência vêm de encontro à tendência hodierna de dar mais crédito ao científico que à fé. O resultado é que muitos jovens, mal preparados para discernir entre a verdade e a mentira acabam deixando-se levar pela ilusão de que tudo o que vem da ciência é “bom”, “seguro”, aconselhável.

Trata-se da inocência e da falta de preparo do jovem que acaba influenciado por uma mentalidade relativista. Ele passa também a não ter critérios objetivos para saber o que é “bem” e o que é “mal”. Como todos à sua volta, acredita ser um bem aquilo que lhe satisfaz, que lhe dá prazer, que proporciona uma “‘sensação” de bem-estar, que o faz ser aceito e acatado no meio dos outros jovens.

É fácil perceber que onde estes dois caminhos não levam Àquele que disse: “Seja o vosso ‘sim’, sim e o vosso ‘não’, não. Tudo o que passa disto vem do Maligno’. (Mat 5,37) As coisas acabam por ficar tão confusas e nebulosas para a maioria das pessoas que mesmo algumas, ligadas à Igreja, afirmam temerariamente que o sexo antes do casamento, assim como a masturbacão individual ou a dois não apresenta problemas. É o que Sto. Domingo chama de “moral de situação”, onde mesmo pessoas de fé esclarecida se deixam influenciar pela pressão social e psicológica dos argumentos que o mundo apresenta, esquecendo-se da dimensão da fé e da graça.

Em primeiro lugar, no matrimônio, não se utiliza o termo “relação sexual”, mas “ato conjugal”.

Isto se dá exatamente porque é aí que se expressa o “amor conjugal”, aquele tipo de amor humano que recebeu de Deus, através do sacramento do matrimônio uma graça especial que o elevou de tal modo que ele une em si o divino e o humano, como afirma a encíclica Gaudium et Spes, no n° .49.

As pessoas, hoje em dia, não entendem muito a dimensão e a importância da graça. O resultado é que ficam presos a um moralismo seco e estéril, que leva a uma lista vazia e sem sentido do que é “permitido” ou do que é “proibido”. O moralismo não leva a nada, é uma pregação infrutífera (e, infelizmente, muitas vezes, a mais comum) que leva o homem a contar apenas consigo mesmo.

Muito diferente é o caso da graça. Através do sacramento do matrimônio, Deus confere aos esposos uma graça especialíssima: seu amor humano é mergulhado no amor que une a própria Trindade. Toma-se, assim, um amor humano-divino, que expressará de maneira concreta e visível o amor da mesma Trindade para o mundo. Isto não é pouca coisa, de jeito nenhum!

E neste ambiente onde os esposos podem, sempre, contar com a “graça de estado” do matrimônio que o amor criador de Deus (existente no seio da Trindade com quem o Pai criou todas as coisas), que eles podem cumprir o seu papel de co-criadores, no sentido de gerar novas vidas para Deus. Exercem, assim, o direito e o dever de paternidade que Deus lhes delega pela graça do sacramento do matrimônio.

Assim, os filhos do casal não pertencem aos dois, mas a Deus. Não são educados segundo o que os dois pensam ou acham; são educados segundo o que Deus pensa, segundo a Sua vontade e para a alegria de Deus e dos irmãos. Os filhos, nesta dimensão, deixam de ser uma posse dos pais e passam a ser o que realmente serão por toda a eternidade: filhos de Deus.

Seu matrimônio, da mesma forma, não existe para o bem deles somente, mas principalmente para que através dele possam ambos, com os filhos, servir e amar melhor a Deus, finalidade última do matrimônio.

Quando a gente entende o sentido do matrimônio, a gente compreende o papel do ato conjugal dentro dele e pode discernir toda a dimensão empobrecedora e degradante das relações sexuais fora do matrimônio. As pessoas que se casam conscientes de que estão sendo feitas, pela graça, uma só carne e um só espírito, enxergam a amplitude do seu ato: não estão realizando um compromisso entre os dois, o que seria inteiramente humano e, neste caso, pecaminoso. Estão realizando um compromisso entre si e com Deus. É Deus quem sela e realiza este compromisso de unidade. É Ele quem o sustenta e faz crescer com a Sua graça e a participação generosa dos esposos.

Tem muita gente boa hoje em dia que pensa que o que une o homem a uma mulher, o que os faz ser um é o fato de terem um relacionamento sexual pleno. Isto não é verdade. O homem ou a mulher não têm o poder de se tornarem um. O poder de tornar duas pessoas uma só é uma prerrogativa divina, uma exclusividade do Espírito Santo, que faz una a Trindade, a Igreja, o casal que passou pelo sacramento do matrimônio.

Outra idéia errônea é pensar-se que o que faz com que duas pessoas sejam uma é o amor. Como vimos, o sacramento do matrimônio eleva o amor humano de duas pessoas a uma dimensão divina, coisa que só Deus pode fazer; coisa de que nenhum amor humano é capaz. Seria, então, uma ilusão pensar-se que é o amor que transforma duas pessoas em uma só. O amor é o veículo da vontade humana que, unido ao amor e à vontade divina, diz o seu “sim” para toda a eternidade. Só o Espírito Santo tem o poder de .tornar duas pessoas uma só carne e um só espírito.

E este é o único problema de ter relações sexuais antes do casamento?

O ato conjugal (relações sexuais no matrimônio) é o único tipo de relacionamento sexual pleno abençoado e reconhecido por Deus. Somente ele expressa a unidade da Trindade, somente ele conta com a graça e a bênção de Deus. As relações sexuais fora do matrimônio não contam nem com a graça nem com a bênção de Deus, por mais excitantes, românticas e emocionantes que possam ser. Não são as emoções que medem o valor de um ato para Deus, mas a obediência à Sua vontade, a abertura à Sua graça. As relações fora do casamento não apresentam estas características.

Pelo contrário, este tipo de relacionamento é eminentemente egoísta, fechado em si mesmo, escravo da auto¬satisfação, escravizador e escravizante. É uma busca de prazer pelo prazer, sem responsabilidade nenhuma, por mais que os dois prometam amar o outro para sempre e nunca deixá-lo. É esta situação contrária à vontade de Deus que deixa um grande vazio e sentimento de solidão e escravidão à situação e ao outro envolvido nela.

O amor, pelo contrário, é aberto para a vontade de Deus, promotor do bem do outro, de sua felicidade e satisfação. O amor é, essencialmente, libertador. Busca a vontade de Deus e, porque é maduro, é também responsável diante de Deus, diante do outro e diante da sociedade. Não se fecha ridiculamente em um mundinho a dois, mas abre-se para o serviço e amor a Deus e a todos os homens.

Mas, com o casamento o amor acaba?

É absolutamente inacreditável que hoje se seja forçado a responder a uma pergunta destas. No entanto, infelizmente, é esta a ideia que nós, bobinhos, “engolimos” através dos meios de comunicação, que afirmam “retratar” uma realidade quando, no entanto, são muito mais agentes e promotores irresponsáveis de uma mentalidade pagã. Com isso, destroem não somente a fé, mas vão além: destroem a dignidade da pessoa humana e o fim para o qual ela foi criada. Pagarão suas contas diante de Deus pelos milhões de almas que vêm iludindo e levando a uma mentalidade indigna da condição humana.

É relevante que nos países europeus se tenham feito grandes campanhas para tirar do ar novelas brasileiras por considerá-las nocivas à moral e aos costumes do povo. Nós, ao contrário, aplaudimos como bobos toda a porcaria que vem envolvida na atraente roupagem da mídia. E, se a mídia diz que o casamento acaba o amor, nós acreditamos como inocentes úteis que contribuem para aumentar sua renda.

Não temos discernimento nem critério firme de valores e, mesmo que com nossas palavras afirmemos que não cremos em uma coisa destas, nossas atitudes são de quem quer aproveitar de tudo o que o “amor” pode dar “antes que a gente se case e os filhos e a vida venham atrapalhar o nosso amor” .

Se você pensa assim, pelo amor de Deus, não se case. Você não sabe o que é o amor. Você não aprendeu ainda a beleza do matrimônio. Não é ainda digno dele. Se a Igreja visse o sexo como um mal estaria irremediavelmente separada de Deus e de Jesus. O homem foi criado por’ Deus como um ser sexuado e sua sexualidade permeia todo o seu ser físico, psíquico e, conseqüentemente, espiritual.

É a sua sexualidade que o faz co-criador no sentido da paternidade e também no sentido da cultura. É ela quem o prepara para o amor santo e puro, tanto por alguém do mesmo ou de outro sexo, no caso da amizade, como por alguém do sexo complementar (Não “oposto”! Os sexos não se opõem, complementam-se!).

O prazer que resulta e estimula uma amizade entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos complementares, assim como o prazer que resulta e estimula o relacionamento e o ato conjugal, é uma linguagem pela qual se expressa estima, apreciação, amor, amizade, partilha, complementação, crescimento, libertação.

A Igreja, como o Evangelho e o próprio Jesus, abençoam o prazer como uma linguagem, pois ele promove o homem. Repudiam, porém, o prazer pelo prazer, ou seja, o prazer como um fim, porque este degrada o homem.

É importante frizar que isto não se dá somente com relação ao ato conjugal, mas igualmente com relação a toda interação humana sadia. Também em uma amizade pode-se buscar o prazer pelo prazer: o prazer de estarem juntos em todo momento e circunstância, a busca de satisfazer o desejo de estarem juntos como uma alimentação do próprio desejo e não visando o bem do outro é uma busca egoísta do prazer, que acaba em apegos e fechamento.

Infelizmente temos visto inúmeros jovens, solteiros e casados, que sofrem por toda a sua vida as conseqüências de uma sexualidade mal vivida. É preciso não ter medo de ser puro; não ter medo de preservar-se para o amor de dimensões divino-humanas do matrimônio ou de qualquer outra vocação que se abrace por amor  a Deus e para melhor servi-Lo.

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