Mulheres com dificuldades para engravidar recebem milagres na Terra Santa

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Escondida atrás da Praça da Manjedoura, próxima à basílica que marca, de acordo com a tradição cristã, o lugar onde Jesus nasceu, está a Gruta do Leite. Esse é o local onde, de acordo com outra tradição, Maria amamentou o Menino Jesus e onde algumas gotas de seu leite caíram sobre as pedras, transformando a cor marrom amarelada de seu calcário macio em branco cremoso. Inspirados por uma devoção multissecular, que remonta possivelmente aos primeiros cristãos, mulheres e casais com problemas de fertilidade têm vindo a essa gruta para rezar a Nossa Senhora, na esperança de que a sua intercessão os ajude a ganhar um bebê.

Atualmente, os peregrinos podem levar para casa pequenos pacotes de pó branco extraído da gruta. Juntos, os casais realizam uma “quaresma” que inclui beber pequenas quantidades do pó e recitar uma oração. Os pacotes são vendidos a um preço simbólico, mas só podem ser adquiridos na gruta, já que a demanda seria enorme para administrar.

O irmão franciscano Lawrence Bode, zelador do santuário, tem guardado os registros dos últimos 12 anos. Ele já recebeu cerca de 4.000 cartas de casais, atribuindo o nascimento de seus filhos ao milagroso “leite em pó” extraído da gruta. O frade estima que haja o dobro de crianças cujos pais não lhe escreveram. “Na semana passada, eu fui para a caixa de correios e havia cerca de 10 fotos de bebês”, ele conta. “As pessoas rezam pela cura, para que elas tenham um bebê e sejam mães. A cada dois dias, temos uma criança. É um lugar maravilhoso em que trabalhar, gerando bebês de todo o mundo. As cartas são o testemunho da evidência tangível dos milagres.

As correspondências e fotos que Lawrence guarda em fichários, e outras tantas que decoram as duas paredes do seu pequeno escritório, vêm de de todos os cantos do mundo, incluindo Brasil, Argentina, Índia, Filipinas, México, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Sri Lanka, Bermudas, Irlanda e Espanha. Mais recentemente, o frade diz ter recebido cartas até mesmo de Taiwan e da China.

Em cada testemunho enviado ao santuário, vão registradas as dificuldades que as famílias enfrentavam para conseguir um filho. Um casal da Índia lutava para engravidar já havia 20 anos. Depois que aderiram à devoção, o marido escreveu relatando a sua imensa alegria pelo nascimento de uma menina. Um líder da comunidade episcopal dos Estados Unidos escreveu há cerca de seis anos. Ele enviou uma foto sua, trazendo no peito, orgulhoso, o seu filho recém-nascido, em um canguru. Ele e a esposa também tinham problemas de fertilidade. Da Argentina, uma jovem escreveu contando o nascimento de sua filha depois de 10 meses tentando engravidar. Dois casais da região da Palestina, que também mandaram fotos ao santuário, foram abençoados de modo especial: um teve trigêmeos; o outro, quadrigêmeos.

O irmão Lawrence diz que geralmente brinca com os casais para tomarem cuidado com a quantidade de pó que eles tomam, porque pode fazer multiplicar o número de filhos. Ele também conta – desta vez, falando sério – que nunca pergunta aos casais se eles fazem tratamento médico ao mesmo tempo em que peregrinam à gruta. O religioso reconhece que, em algumas ocasiões, pode ser o caso de um simples sucesso médico, mas assegura que a fé e as orações das famílias também podem ajudar no decorrer do processo.

Outras cartas atribuem ao mesmo “leite em pó” milagres como a cura de um câncer, de uma cegueira ou de uma paralisia. Algumas famílias – conta o irmão Lawrence – voltam ao santuário com os seus filhos para agradecer. Foi o caso dos palestinos pais de quadrigêmeos e de um casal do norte da Galiléia que recebeu a cura de uma filha que estava em coma. “É uma sensação maravilhosa saber que há esperança para os casais, para os doentes e até para quem está perdendo a fé. Eu rezo pelas pessoas que têm essa devoção todos os dias da minha vida”, diz o frade. “Essa é a prova de que Deus existe. Estamos falando de milagres. Nos dias de hoje, você fala de milagres e as pessoas não acreditam.”

Em vários lugares da gruta, é possível perceber buracos no teto, da largura de um dedo, sinalizando o lugar onde as pessoas rasparam um pouco do pó para levar para casa. Hoje, quem zela pelo santuário vigia para que as pessoas não tentem mais fazer isso. A Gruta do Leite sofreu uma restauração dois anos atrás, durante a qual foram removidas fuligens antigas do teto e, para acomodar grupos maiores de peregrinos, foi adicionada uma capela superior maior em cima da capela antiga, construída sobre a gruta por volta do ano de 385. O irmão Lawrence observou que, em algum momento durante as recentes reformas, armazenou-se uma considerável quantidade do pó da gruta para ser oferecida aos fiéis que vêm ao santuário. O frade acredita que há o suficiente para “durar pelo menos 100 anos”.

Velho devoto da Virgem Maria desde antes de entrar na vida religiosa, Lawrence afirma que a sua devoção “triplicou” desde que ele se juntou aos franciscanos e passou a cuidar da Gruta do Leite. O religioso está convicto de que, quando as graças acontecem pela mediação de Maria e pelo uso do “leite em pó”, é sempre Deus quem opera por meio dessas realidades, assim como Ele sempre agiu na história, por meio dos Seus profetas e dos próprios objetos inanimados (cf. 2 Rs 2, 9-14). “Assim como nós pomos a nossa fé em Jesus, também pomos a fé em sua mãe”, explica o frade.

No primeiro dia do ano, uma Missa especial em honra a Maria é celebrada na Catedral de Santa Catarina, que fica ao lado da Basílica da Natividade. Centenas de fiéis cantam e rezam em procissão, carregando um ícone da Virgem Maria até a Gruta do Leite, onde eles recebem a bênção de um sacerdote. Com isso, os católicos cumprem a profecia evangélica que diz: “Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada” ( Lc 1, 48).

Enquanto os cristãos só comemoram o nascimento de Jesus durante o tempo do Natal, Lawrence diz celebrar a natividade todos os dias em que nasce um bebê graças à intercessão de Nossa Senhora do Leite. “Jesus nos diz que, se temos a fé de um grão de mostrada, podemos mover uma montanha”, ele afirma. “Os milagres vêm com a fé das pessoas. Não é mágica. Tem a ver com fé e a devoção de cada um.”

Por Judith Sudilovsky | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Novelas e a perda dos princípios cristãos

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Já fazem algumas décadas que iniciou-se o que viria a se tornar uns dos instrumentos mais eficazes nas mãos de satanás para a destruição da família e profunda anemização dos valores cristãos, que até então influíam decisivamente nos rumos da sociedade.

As primeiras novelas eram menos agressivas, mas já possuíam em si o germe da corrupção, apresentando novos valores em oposição aos valores cristãos e instigando a comportamentos incompatíveis com a fé ensinada pela Igreja. Com o tempo o mecanismo do mal foi se aperfeiçoando sempre mais e mais até atingir essa eficácia destruidora que hoje possui.

As novelas foram um dos principais meios pelos quais se efetivou uma verdadeira lavagem cerebral na população. Colaboraram eficazmente para a aceitação do divórcio, do homossexualismo, dos anticoncepcionais, do sexo livre, como se fossem “direitos”… O vício foi apresentado como algo bom e desejável, o pecado ganhou status de “bem”… Verdadeira mudança de mentalidade para pior. A perda dos valores e a degradação das famílias tiveram como conseqüência o aumento brutal da violência, do roubo, da corrupção, da pornografia, da prostituição, do aborto e outros crimes que subtraem a paz e a verdadeira felicidade das pessoas. A imposição por parte da mídia de determinados padrões de beleza e de consumo , bem como outros falsos valores, levou muitos à angústia e à depressão por não atingirem de maneira satisfatória “metas” impostas pelos meios de comunicação a uma sociedade que se tornou materialista, consumista e egoísta.

Novelas, programas como Big Brother, Malhação (que deveria com muita propriedade se chamar “malha do cão”) e outros similares não são de Deus, mas instrumentos do maligno através dos quais se propaga e defende toda espécie de doutrinas, comportamentos e mentalidade contrários à lei de Deus. Enquanto a Lei de Deus nos ensina que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ter o céu como meta, esses programas ensinam o amor a si mesmo sobre todas as coisas, impõe metas puramente humanas como idéias supremas, cultivam o egoísmo, a idolatria do corpo, a busca da satisfação dos nossos instintos em oposição aos mandamentos do Senhor e aos ensinamentos da Santa Igreja. Enquanto a Lei de Deus exige a fidelidade, as novelas e programas afins ensinam o adultério, defendem o divórcio e a banalização da instituição familiar. Enquanto a lei de Deus ensina o valor da vida e o respeito à natureza humana, as novelas e muitos outros programas defendem o aborto, instigam a violência e defendem o homossexualismo.

Diante de tudo isso pode-se dizer que as novelas, os “Big Brothers”, “Malhação”, etc.; são programas inofensivos? Poderão se dizer fiéis a Cristo ou amigos de Deus aqueles que, pela sua audiência ajudam a propagar o mal? De fato, pecam diante de Deus aqueles que ligando seus televisores assistem essas programações lascivas, pois deste modo através de sua assistência dão “IBOPE” e financiam estes programas, que ensinam doutrinas e comportamentos contrários á lei de Deus. Quem assiste às novelas é cúmplice e financiador da difusão do mal, é um colaborador do maligno na propagação do pecado e dos falsos ideais.

Nós cristãos católicos e todos os que lutam pela dignidade humana devemos ser coerentes com nossa fé, sabendo desligar a televisão naquilo que ela não possui de bom, e se desejarmos assistir alguma coisa procuremos valorizar as várias TVs católicas, para nossa formação e benção do nosso lar.

Pe. Rodrigo Maria

O que somos sem Jesus?

Alguém me enviou por e-mail uma parábola interessante sobre o jumentinho que Jesus usou para entrar em Jerusalém. Dizia assim:

“Um jumentinho voltando para sua casa todo contente, falou para sua mãe:

– Fui a uma cidade e quando lá cheguei fui aplaudido, a multidão gritava alegre, estendia seus mantos pelo chão… Todos estavam contentes com minha presença.Sua mãe perguntou se ele estava só e o burrinho disse:

– Não, estava levando um homem com o nome de Jesus.

Então sua mãe falou:

– Filho, volte a essa cidade, mas agora sozinho.

Então o burrinho respondeu:

– Quando eu tiver uma oportunidade, voltarei lá…

Quando retornou a essa cidade sozinho, todos que passavam por ele fizeram o inverso, o maltratavam, o xingavam e até mesmo batiam nele.

Voltando para sua casa, disse para sua mãe:

– Estou triste, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem honra… Só apanhei, fui xingado e maltratado. Eles não me reconheceram, mamãe…

Indignado o burrinho disse a sua mãe:

– Porque isso aconteceu comigo?

Sua mãe respondeu:

– Meu filho querido, você sem JESUS é só um jumentinho… Lembre-se sempre disso”.

Nós sozinhos somos apenas um jumentinho; um ser humano sem a graça de Deus e sem a Sua força sobrenatural. Somos pobres, fracos, impotentes…

Jesus disse que Ele é a videira verdadeira e que nós somos os seus ramos; e que se o ramo se desprender Dele, vai secar e morrer. E acrescentou: “Sem Mim nada podeis fazer” (João 15, 5s).

É porque nos esquecemos dessa palavra de Jesus que tantas vezes fracassamos em nossas lutas, projetos, empreendimentos, evangelização, educação dos filhos, trabalho profissional e religioso, etc. Nos esquecemos que se Jesus não estiver conosco, pela fé e pela oração, seremos um pouco parecidos com o jumentinho de Jerusalém.

Quando nós falamos as palavras de Jesus, atraímos as pessoas; quando “carregamos’ Jesus as pessoas nos ouvem; mas, quando estamos só, vazios, sem “carregar” Jesus, o povo olha para nós e vê a nossa feiura e impotência. E pode nos desprezar.

Não podemos fazer nada nesta vida sem “carregar” Jesus.

Mas carregar Jesus é estar ciente de que os aplausos são para Ele e não para nós.

É estar cientes de que Ele não precisa de nós, mas quer nos usar para nos dar dignidade e grandeza.

Carregar Jesus é estar ciente de que depois que o ajudamos a cumpriu a Sua missão salvífica, voltamos a ser apenas um “jumentinho”,  muito feliz e honrado, mas  como os outros. São Paulo diz que somos “vasos de barro” para que a gente esteja ciente de que todo poder que se manifesta em nós vem Dele e não de nós (cf. 2Cor 4,7 ).

Não faça nada sem “carregar” Jesus. Não comece  o dia sem Jesus. Não corrija seu filho, sua esposa, seu empregado ou seu patrão,  sem pedir a luz a Jesus; senão as suas palavras poderão ser inconvenientes e ineficazes.

Não comece um empreendimento sem colocá-lo nas mãos de Jesus e pedir sua graça, sua proteção, sua luz.

Não eduque sua família sem a luz de Jesus, senão ela caminhará nas trevas do mundo.

Não faça o seu trabalho pastoral acreditando apenas em você, nos “seus” planos bem traçados; pode ser que você se decepcione e desanime de tudo como muitos.

Não se esqueça, sem Jesus, o jumentinho de Jerusalém é apenas um jumentinho.

Jesus mandou pedir, pedir e pedir. “Pedi, e dar-se-vos-á; buscais e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede recebe; aquele que procura acha; ao que bater se lhe abrirá” (Lucas 11,9-11).

Acreditamos nisso, ou desistimos de pedir? Santo  Agostinho se converteu  e foi um dos santos mais importantes da Igreja; porque sua mãe derramou sua lágrimas diante do Santíssimo, sem desistir e sem desanimar, durante vinte anos. E nós?

 

(Via Felipe Aquino)

O que significa “Christo nihil praeponere”?

O site padrepauloricardo.org traz a seguinte epígrafe: “Christo nihil praeponere – a nada dar mais valor que a Cristo” e muitos perguntam o que ela, de fato, significa e de onde foi extraída. A expressão foi encontrada pela primeira vez nos escritos de São Cipriano de Cartago (texto abaixo). Um século depois ela foi retomada por Santo Agostinho no seu “Comentário aos Salmos” e, finalmente, por São Bento que a cita duas vezes em sua “Regra”. Por causa disso, ganhou notoriedade e ficou conhecida como um moto beneditino, apesar de ser bem mais antiga.

A expressão tem como sentido profundo um chamado à vida de santidade. Ela foi colocada no frontispício do site exatamente para incutir a necessidade de se atender a esse chamado. “A segunda decolagem”, “Esforçai-vos para entrar pela porta estreita” são alguns dos vídeos do site que possuem a mesma dinâmica: não basta seguir os mandamentos da lei de Deus e viver como cristãos de “salário-mínimo”, necessário mesmo é o Amor. Nada colocar antes do amor que se deve ter a Cristo. Esta é a prioridade.

Da mesma maneira que na época de São Cipriano, ainda hoje a Igreja sofre perseguições. Naquela época, comum era a perseguição cruenta. Atualmente, esse tipo de ataque ainda existe em vários países, mas o que se vê aqui no Brasil é uma perseguição ideológica que, embora produza injustiças e sofrimentos ela é, geralmente, incruenta. Contudo, da mesma forma que na época de São Cripriano, todos são chamados ao martírio. Urge tomar uma posição.

Orígenes, já no século III, dizia que “diante de uma tentação, um cristão sai mártir ou idólatra”. Todos os dias os homens são confrontados pela tentação demoníaca que oferece um caminho mais fácil, mais prazeroso. E todos os dias eles se dobram e adoram a criatura no lugar do Criador, procurando a felicidade onde ela não se encontra: no dinheiro, na bebida, no sexo, na fama e em tantas outras coisas. Rejeitar essas criaturas que se arrogam no direito de tomar o lugar de Deus implica numa espécie de morte, num martírio.

Preferir Deus no lugar de outras coisas é que o mártir faz. Um mártir se vê com uma arma apontada para a cabeça e alguém lhe ordena: negue a Jesus, pise na hóstia consagrada, cuspa no crucifixo. Ele pensa então em sua família, seus filhos, seus parentes, seus bens, seu emprego, sua vida, toda a sua existência aqui na Terra e o quanto ama tudo isso, e diz: “Não! Eu prefiro Cristo. Não vou negar aquele que morreu por mim. Não vou maltratar aquele que me amou tanto.” E morre. Um mártir é aquele que preferiu a Cristo.

Interessante notar que nos escritos de São Cipriano a justificativa para isso tudo é justamente o fato de que Cristo preferiu os homens primeiro. “Pois Ele, por nossa causa, preferiu os males no lugar dos bens, a pobreza no lugar da riqueza, a escravidão no lugar so senhorio, a morte no lugar da imortalidade. De nossa parte, em meio às nossas tribulações, prefiramos as riquezas e as delícias do paraíso à pobreza humana, o senhorio do reino eterno à escravidão temporal, a imortalidade à morte.” O santo mostra com toda clareza que quando Cristo é preferido, na verdade, trata-se de um investimento.

Na expressão Christo nihil praeponere encontra-se o mesmo que nas parábolas do Reino, no Evangelho de São Mateus, capítulo 13, ou seja, que o Reino dos céus é como um tesouro escondido, você vai e vende tudo para adquirir aquele tesouro. Por que, então, existe uma enorme dificuldade em se preferir a Cristo? Por que a dificuldade em abraçar tudo e abraçar o tesouro? É porque ele está escondido.

Para enxergar o tesouro escondido é preciso fé. Se Deus se revelasse com toda clareza, o homem não teria o que escolher. Seria como ter que escolher entre uma montanha de ouro e um cesto de esterco. Pois bem, Deus é a montanha de ouro e as criaturas, comparadas a Ele, são os cestos. O que então preferir? Cristo, Deus, colocá-Lo em seu lugar. Trata-se de um exercício de fé: espelhar-se na fé dos mártires.

Por fim, um detalhe quanto à pronúncia da expressão Christo nihil praeponere. O Papa São Pio X decretou que Roma é a sede do rito latino, por isso, a pronúncia do latim deve ser a mesma de Roma. Sendo assim, na palavra “Christo”, deve se pronunciar o “o” e não substituí-lo por um “u”, como se faz em português. A palavra “nihil” deve ser pronunciada como se o “h” não existisse, ou seja, “niil”. Finalmente, em “praeponere” lembrar que “ae” pronuncia-se “e”, ou seja, “preponere”.

Christo nihil praeponere. A nada dar mais valor que a Cristo. A nada dar mais valor que ao seu amor, exatamente porque Cristo a nada deu mais valor que a nós.

Santo Estêvão, o Primeiro Mártir

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 17-22)

Naquele tempo, Jesus disse aos Apóstolos: “Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.”

Começamos hoje a Oitava de Natal. Após termos celebrado o nascimento do Filho de Deus, lembramo-nos neste sábado do primeiro daqueles que, por amor ao santo nome de Jesus, derramariam o próprio sangue: o protomártir Santo Estêvão. De fato, Cristo veio ao mundo para trazer-nos a verdadeira paz; mas, ao dar-no-la, Ele nos pôs ao mesmo tempo em pé de guerra com o mundo. A paz do Senhor é, pois, um espada que separa esposo de esposa, irmãos de irmãs, os que desejam amar a Deus dos que preferem rejeitá-lO. Com efeito, diz Nosso Senhor aos Seus discípulos, se “o mundo vos odeia, sabei que Me odiou a Mim antes que a vós” (Jo 15, 18), porque o “servo não é maior do que o seu senhor” (Jo 15, 20). Eis aqui a “tragédia” da Encarnação: a Paz e o Amor fizeram-se carne, e nós os crucificamos; a Luz veio para o que era Seu, mas os Seus não a receberam (cf. Jo 1, 11); o Verbo, que fez mundo, veio ao mundo, e o mundo, odiando-O, pregou-O a uma cruz, entre dois ladrões.

Por isso, se o mundo odiou Aquele que, por amor, o criou, com maior razão haveria de odiar aqueles que dariam testemunho desse mesmo amor. Se, por um lado, os que são do mundo desprezam Aquele a Quem pertencem, os que não são do mundo chegam ao heroísmo de entregar a própria vida por Aquele cujas palavras se comprometem a guardar (cf. Jo 15, 20). Essa parresía, essa coragem típica dos corações mártires está belamente plasmada no exemplo de Santo Estêvão. Sem preparar nenhum discurso, antes se deixando guiar pelo Espírito Santo, conforme o mandamento do Senhor, Estêvão transcendeu a prudência e lógica humanas: o seu discurso diante dos sumos sacerdotes, se sob uma perspectiva meramente terrena se assemelha a um suicídio, sob a perspectiva de Deus, ao contrário, é um verdadeiro nascimento. Nascimento de Estêvão para a vida eterna; nascimento de inúmeros cristãos, cuja esperança é regada pelo sangue de mártires como ele.

Que o seu exemplo nos inspire a abraçar este Amor que Se esquece de Si e vem aos homens para abrir-lhes as portas do Céus. Que este Amor nos dê as forças necessárias para O professarmos diante do mundo e, se for preciso, pagarmos com a vida o preço deste amor, desta fé, desta entrega.

Via christo nihil praeponere

Solenidade da Sagrada Família – O que é uma família?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo são Lucas 
(Lc 2, 22-40)

Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2); e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:

“Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”.

Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. Simão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada traspassará a tua alma”.

Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. 

Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

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Os ideólogos de gênero acusam os cristãos de “engessarem” a família. Eles questionam por que, afinal, deveria haver uma única configuração familiar – formada por homem, mulher e filhos –, quando começam a surgir tantos “novos modelos” de família. Na crítica à atuação dos católicos e da “bancada evangélica” no Congresso Nacional, eles chegam a insinuar que “até Jesus ficaria de fora” do conceito tradicional de família: o fato de Ele ser filho adotivo de São José faria a Sagrada Família fugir do padrão familiar “convencionado” pelos cristãos.

A verdade, porém, é que a família não deve ser matéria de convenções – como se a posição de um grupo ou de movimento pudesse mudar a essência dessa instituição –, mas de uma observação atenta e honesta da realidade.

Quem quer que se detenha a examinar a natureza, por exemplo, é capaz de enxergar, em todo o reino animal, a existência de uma complementaridade dos sexos: da união entre um macho e uma fêmea, entre um homem e uma mulher, as espécies se reproduzem e geram descendência. A isso vem a acrescentar-se um cuidado natural pela própria prole, o qual pode manifestar-se seja nos desvelos com que uma cadela cria os seus filhotes, seja numa relação duradoura entre um casal de aves [1].

Essa base biológica está presente também na espécie humana e, embora não seja tudo, é um dado particularmente importante da família. O que a ideologia de gênero faz é justamente subverter esse componente natural, como se o próprio ser humano não passasse de uma “massinha de modelar”. “O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade” [2].

Por outro lado, há quem, cegado por uma antropologia naturalista, só seja capaz de enxergar o componente sexual da família, sendo incapaz de perceber a alma imortal que só o ser humano possui. É essa realidade espiritual o que torna a família um fenômeno exclusivamente humano: nela, mais do que meramente procriar, existe a nobre missão de educar. Não se deve confundir essa educação, responsável por formar o espírito, com aquele cuidado natural dos animais pela vida física de seus filhotes. Só entre os seres humanos existe a transmissão de valores e o cultivo das virtudes. Os animais, não tendo alma, são incapazes de fazer a mesma coisa.

Essa face espiritual da família é nota característica da Igreja Católica. Verdadeiramente, ela dá vidaaos seus filhos. Trata-se da vida divina, superior à vida biológica, infundida por Deus nas almas pelo sacramento do Batismo e pelo absolvição dos pecados na Penitência. Além disso, pela Eucaristia e pela pregação, a mesma Igreja alimenta e educa os seus filhos, fazendo-os crescer na graça de Deus. Nosso Senhor, quando fundou a Santa Igreja, quis que ela fosse realmente uma família. Assim Ele começou com os Seus discípulos, assumindo a paternidade espiritual deles; assim fizeram os santos, sendo pai espiritual de outros tantos, até os dias de hoje. Em grande medida, é por não serem como uma família que muitas paróquias e comunidades “fracassam” em sua missão de anunciar o Evangelho.

Quando as pessoas deixam de “ser família”, de fato, elas descuidam dos espírito e as suas preocupações descem todas ao nível material: se um é contrariado, já procura o divórcio; se o outro é sepultado, os filhos já brigam por causa de dinheiro. É o “raciocínio de empresa” que substitui os vínculos espirituais que sempre mantiveram de pé as famílias.

Hoje, assim como em tempos antigos, o resgate da família humana passa pela Sagrada Família – por São José, que foi verdadeiramente chefe, guardião e guia de Jesus e Maria; por Nossa Senhora, que adornou o lar de Nazaré com as suas virtudes; e pelo menino Jesus, que em tudo era submisso aos Seus pais (cf. Lc 2, 51). Ponhamos no centro de nossas vidas e de nossas casas a pessoa do Verbo encarnado, para que sejamos pouco a pouco transformados n’Ele, por Ele próprio. Se só Deus pode salvar o homem, também só Ele pode dar um jeito à família.

Referências

Cf. Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 2.Papa Bento XVI, Discurso de Natal à Cúria Romana (21 de dezembro de 2012).

Via christo nihil praeponere

Programa Zorra Total da Rede Globo, ridiculariza aparições de Nossa Senhora de Fátima.

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Mais uma vez um programa de TV ridiculariza um personagem sagrado para milhões de brasileiros. O humorístico Zorra Total, Rede Globo, exibiu uma série de três esquetes onde faz chacota das aparições de Nossa Senhora de Fátima, neste sábado, dia 19.

A Arquidiocese de São Paulo se pronunciou através de uma nota. “Maria, a mãe de Jesus, não é um mito nem uma lenda. Ela é pessoa real e histórica, a santa mãe de Jesus Cristo, a quem os cristãos reconhecem como seu Salvador; e reconhecem a ela como Mãe querida dos cristãos”,diz o trecho do texto que ainda afirma: “Ela é uma pessoa sagrada e não fica bem “fazer zorra” da mãe dos outros, nem das pessoas e coisas sagradas”.

A nota é encerrada com um taxativo versículo bíblico: “Se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria amarrar-lhe uma pedra de moinho ao pescoço e jogar ao mar”. Mateus 18, 6

Os católicos estão reagindo através de duas formas. A primeira é promovendo boicotes públicos ou privados à emissora. O pároco da Paróquia de São Pedro e São Pedro, no Bairro do Quintino Cunha, em Fortaleza, reforçou nas três missas dominicais que os fiéis evitassem assistir a Globo.

Outra reação tem sido a de registrar as ofensas dirigidas à Nossa Senhora na Central de Atendimento da emissora. “Vamos ligar para a Globo mostrando nossa indignação com o desrespeito a Nossa Senhora de Fátima”,conclamou padre Antonio Furtado, sacerdote que congraça uma multidão de fiéis toda semana e comanda uma rádio das mais ouvidas em Fortaleza.  O telefone da Globo é 400 22 884, possui custo de ligação local e funciona de segunda a sexta-feira,das 7h às 23h e aos sábados e domingos das 10h às 22h.

Há menos de dois meses, atores da Rede Globo protagonizaram um vídeo pró-aborto onde desdenham da maternidade virginal de Nossa Senhora. Na peça, os atores globais afirmaram que a Virgindade de Maria não passava de um “erro de tradução”. A reação dos católicos foi épica, conseguiram tornar o vídeo o segundo mais negativado do Youtube.

Via ICatólica