Recorramos ao auxílio de São José!

Recorramos a São José, olhemos seu exemplo de amor, fidelidade e entrega a Deus

“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mateus 1,20).

Hoje, a Igreja nos dá a graça de celebrarmos São José, o esposo de Maria, o pai adotivo de Jesus, homem eleito e escolhido com um papel fundamental nos desejos salvíficos de Deus.

Às vezes, olhamos para a figura de Maria e reconhecemos a importância que ela tem na história da salvação, que é única. Ao seu lado, Deus também colocou um companheiro, um homem santo, justo, virtuoso, sobretudo, um homem muito temente e íntimo de Deus.

O que me chama à atenção em São José, o que me leva a olhar para ele como este homem de Deus, é aprender como era fiel e temente, sobretudo como ele amava a Deus sobre todas as coisas. Para ter a grandeza de alma que teve, o amor que teve para com Maria e Jesus, é porque José tinha muito Deus no seu coração!

Num primeiro momento, ele não entendeu nem compreendeu aquilo que aconteceu com Maria. Por isso, no seu coração, não a queria difamar, porque ela ficou grávida quando era esposa dele e não tinha sido por ele. José desconfiava de Maria, mas não entendia os desígnios que Deus tinha para ela. Ele silenciou seu coração, colocou-se na presença de Deus. E quem se coloca na presença de Deus, é Ele mesmo quem vai conduzindo e iluminando.

Às vezes, quando não compreendemos uma coisa, a nossa primeira reação é nos chatearmos, aborrecermo-nos, ficarmos até revoltados. Precisamos aprender no silêncio de José a nos submeter, para não entendermos as coisas de uma forma humana, para não sermos precipitados, para não tomarmos decisões na carne e na humanidade apenas, mas para sermos conduzidos no Espírito, como José foi.

Deus usou de um meio para intervir, para se manifestar, para mostrar a José qual era a Sua vontade. José, por meio de um sonho, compreendeu que ele não podia, de forma nenhuma, ter medo de acolher Maria.

José teve medo de acolher Maria, medo de amá-la, de continuar cuidando dela, mas foi o próprio Deus quem lhe mostrou que ele era o homem escolhido para cuidar dos Seus tesouros mais preciosos: seu próprio filho Jesus, Nosso Senhor e Salvador, e a Mãe d’Ele, aquela que era a portadora da graça.

José é o grande guardião da Igreja, o grande guardião da família e protetor de todos nós! Deus o escolheu para uma posição fundamental: cuidar, guardar, vigiar aquilo que é d’Ele, para que Sua graça não se perca em nós, para que não desperdicemos aquilo que Deus nos deu. Recorramos a São José, olhemos Seu exemplo de amor, fidelidade e entrega a Deus, recorramos à Sua proteção!

Reze: “José, que guardastes e protegestes a Sagrada Família, que guardastes e protegestes os grandes tesouros de Deus, proteja, guarde, conduza com tuas mãos, com tua intercessão poderosa a mim, a minha casa, a minha família, o meu coração, a minha fé, as minhas intenções, os meus propósitos, aquilo que eu não compreendo, aquilo que dentro de mim parece cego e obscuro. Ó, José, grande amigo de Deus, homem das virtudes, ensina-me também o caminho do Céu!”.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

VIVA AS MULHERES! A ideologia de gênero e a desconstrução do feminino

Uma das estratégias do marxismo para destruir a família e, com ela, a sociedade foi interceptar os coletivos feministas para criar conflitos em nome da libertação: em primeiro lugar, libertar a mulher do homem; depois, libertar a mulher da família; e, por último, libertar a mulher da mulher, que é o escopo da ideologia de gênero.

A ideologia de gênero, portanto, alegando descoisificar o feminino que, segundo diz, está machistamente definido, para torná-lo incoisificável, inindentificável, acaba por pulverizar a noção mesma da identidade, tornando-a tão vazia que, por fim, produzirá um silenciamento tão universal e invencível que todas as reivindicações em nome das quais milita serão liquidadas, impossibilitadas, não farão mais o mínimo sentido.

Não há modo mais eficaz de tornar a sociedade passiva e manipulável. De fato, sem identidade, eu me torno o que? Nada mais senão uma… COISA!!! E, nessa posição, acontecerá exatamente o contrário do que afirma, por exemplo, Jules Falquet: a abordagem de gênero não libertará a sociedade do capitalismo, como ela espera, mas o fortalecerá e o tornará inexpugnável, pois todos serão coisificados a ponto de serem reduzidos apenas a mão-de-obra, sem família, sem filhos, sem ninguém, mas com muita escravidão tecnocrática.

É por isso que os maiores propagadores da ideologia de gênero são os marxistas e os capitalistas: aqueles financiados por estes.

Caso queiramos libertar as mulheres, a primeira coisa que precisamos fazer é mostrar que são mulheres, que podem ser amadas pelos homens, que podem ser felizes tendo filhos, que podem ser rainhas em casa ao invés de empregadas na empresa, e que podem ser santas, chegando à contemplação, pois o fim do homem não está nessa ideologia chamada dinheiro, mas na aquisição e prática da sabedoria, que se alcança pelo estudo e pela vida espiritual, únicos bens inalienáveis.

Em certo sentido Foucault tem razão, mas contra ele mesmo: o que precisamos fazer é parar de recitar essa dialética, como se ela existisse; parar de viver em função da técnica e da economia; sair desse recital! Precisamos desvestir a camisa-de-força confeccionada para nós por Foucault, Butler, Scott et caterva. É simples como isso. Basta começar a viver o Evangelho, a doutrina católica, e entregar-se à contemplação.

Como essas ideias desconstrucionistas se estruturaram num sistema educacional, o nosso desafio é construir um novo sistema educacional que penetre o existente, desconstruindo a desconstrução. Isso requer estudo, mais que militância. E é aqui que começa nossa tarefa, se quisermos realmente trazer à realidade a verdadeira e necessária libertação.

Quando Simone de Beauvoir disse que o feminino é um “não masculino”, e que isso precisaria ser revolucionado, estava apenas invertendo uma ideia bíblica. Segundo as Escrituras, a mulher proveio do homem, que, quando a viu, disse “carne de minha carne e osso dos meus ossos; tu serás chamada de mulher porque foste tirada do homem” (cf. Gn 2,23). A missão do homem é, sim, reforçar a identidade feminina, amá-la, festejar com a mulher, carregá-la nos braços, elevá-la mais alto que antes…, “assim como Cristo amou a Igreja, e entregou-se a si mesmo, por ela” (Ef 5,25).

Criando uma dialética aí, Beauvoir não conseguiu elevar a mulher, mas apenas a indefiniu, abrindo espaço que que Butler depois a aniquilasse, vendendo sua “teoria” sob a impostura da afirmação.

Esqueçamos a ideologia de gênero e celebremos as mulheres, sem dialética nem contradição. O mundo, sem elas, seria um quartel. Precisamos da sua ternura, precisamos que continuem sendo quem sempre foram: mulheres! — Abaixo a ideologia de gênero! Viva as mulheres!!!

 

Pe. José Eduardo

Como se comportar na missa

1. Após o comentário inicial (tomara que não seja uma palestra), fique de pé, atento ao Mistério que será celebrado.

2. No Ato Penitencial, de pé, incline a cabeça e peça perdão pelos pecados veniais (porque os mortais só na confissão auricular).

3. Após o Glória (se houver), sente-se para ouvir as leituras. Faça um profundo silêncio e deixe o folheto em paz, porque o mandamento de Deus é “Ouve Israel” e não “Leia Israel”. Sem contar que o abre e fecha do folheto faz um ruído terrível. (Não precisa aplaudir as leituras).

4. No canto de aclamação ao Evangelho, fique de pé, na direção do ambão. Após a proclamação, torne a se sentar e ouça com atenção a homilia. Se o seu bebê chorar, saia com ele para dar uma volta ao redor da Igreja. Bebês são lindos, mas na hora da homilia o choro não convém. O padre pode não se incomodar, mas o irmão do banco de trás não vai ouvir a reflexão.

5. No credo, fique de pé e diga, em voz audível, o Credo. Depois das preces, volte a sentar e só levante quando o padre dizer: orai irmãos… (se tiver ofertas, coloque a sua discretamente no cestinho. Não precisa mostrar a todos que é 2,00 reais porque não é muita coisa).

6. Na hora do Santo, não é bom fazer coreografias. Neste momento os anjos descem do Céu para adorar Jesus na Hóstia Consagrada e você pode bater o braço na face de um deles.

7. Quando o padre disser: “Enviai sobre estas oferendas…”, fique de joelhos. É o momento sublime da consagração. Diante de Jesus todo joelho se dobra (Fl 2), a não ser que você tenha artrose. Nesse caso, incline a cabeça em gesto de profunda adoração. Faça silêncio, mesmo que um fiel ao lado grite “meu Senhor e meu Deus, eu creio…” Deixe ele gritar sozinho.

8. Levante-se quando o padre disser: “Eis o Mistério da Fé”.

9. Na Oração Eucarística, pense nos ministros ordenados, nas almas do Purgatório, em toda a Igreja e reze. Você está oferecendo todas estas pessoas ao Pai, por meio do Filho que se imola no altar.

10. No Pai Nosso, não faz parte do rito dar as mãos. Mas se o padre pedir ou se alguém segurar, não seja soberbo ao ponto de colocar as mãos no bolso. O gesto de segurar a mão do irmão não diminuirá tua catolicidade. Lembre que você está numa assembléia e não num curso de liturgia. Evite qualquer desconforto durante a celebração.

11. Se houver abraço da paz, não precisa correr a Igreja inteira para abraçar os fiéis. Basta saudar de forma discreta os que estão mais próximos. Lembre-se também que, ao andar pela rua, você precisa fazer o mesmo e não virar o rosto quando um irmão passar.

12. Quando você ouvir a frase “Cordeiro de Deus que tirais…”, pare imediatamente a saudação e volte seu olhar para o altar. O sacerdote irá erguer o Santíssimo Corpo do Senhor.

13. Na hora da comunhão, muita atenção. Faça um exame de consciência e veja se sua alma está limpa para receber tão grande hóspede. Se você não perdoou seu inimigo, fique sentado. Se cometeu pecado contra a castidade, fique sentado. Se é desonesto e gosta do dinheiro dos outros, fique sentado também. Se tua confissão foi a pouco tempo e ela foi sincera, Levante-se piedosamente e vá ao encontro de Jesus.

14. Não converse na fila, não procure saber qual é a fila do padre porque o ministro extraordinário também está com Jesus. Não mastigue chiclete ou bala (em nenhum momento da Missa). Vá rezando em silêncio, sem olhar a roupa dos outros. Ao chegar diante do sacerdote, você escolhe: ou estender as duas mãos em forma de concha e receber Jesus, ou ficar de joelhos discretamente e recebê-lo diretamente na boca. Eu indico a segunda opção, mas a Igreja deixa à sua escolha.

15. Comungou? Volte para o seu lugar em silêncio, com as duas mãos no coração, e faça a sua ação de graças. Adore o Senhor como o Anjo ensinou aos pastores de Fátima, ou diga outras orações de sua devoção (Alma de Cristo, Adoro-te devote, Ave Maria, etc). Evite fazer muitos pedidos. É hora de louvar e agradecer.

16. Quando o padre disser: Oreeeeemos… Fique de pé e aguarde a bênção final. Se tiver parabéns e avisos (algo que tira um pouco a nossa paciência), aguarde. Não saia da Igreja como quem vai pegar o trem. Você está em casa, na casa do seu Pai. Pra que pressa?

Por fim, gostaria de dar breves conselhos:

– Pense na roupa que você vai usar. Isso não é moralismo. É questão de caridade para com os olhos do próximo. Nossa Senhora pede a modéstia no vestir. Obedeça a Mãe de Jesus e você será feliz. Isso vale para nós homens, também.

– Se for com o namorado (a), deixe as carícias para o lado de fora da Igreja, em respeito ao templo santo. Se for solteiro (a), vale fazer um discreto aceno para a candidata (o). O melhor lugar para buscar pretendentes é na Igreja, porque tudo está começando aos pés de Jesus. (Mas não vá a Missa com esse interesse).

Se estas orientações te servirem para rezar melhor, glória a Deus. Se não, eu mesmo peço que não as pratique. Deus te abençoe e Maria te guarde!

(Seminarista Gabriel Vila Verde)

Cristão, não comungue em pecado mortal

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O pecado mortal (ou grave) é uma desobediência grave à Deus e à sua Lei.

O pecado é mortal quando:
1- A matéria é grave( ou seja, quando se trata de algo importante)
2- Existe o conhecimento de causa( ou seja, quando a pessoa sabe o que está fazendo)
3- Há a vontade deliberada( ou seja, quando se faz por querer)

Se faltar um desses três itens o pecado é leve ou venial.

O pecado mortal é assim chamado porque nos faz perder a graça de Deus, ou seja, a comunhão com Deus, levando nossa alma a um estado de morte.
Quem comete um pecado mortal, rompe por própria escolha a amizade com Deus e coloca-se debaixo da julgo de satanás. É por isso que a Bíblia diz que todo aquele que peca é do diabo (IJo. 3,8).

O pecado mortal é o maior mal e a maior desgraça que um ser humano pode fazer nesta vida, justamente porque nos faz perder nosso maior bem que é Deus.
Quem comete um pecado mortal torna-se réu do inferno, ou seja, torna-se merecedor do inferno, de modo que se morrer nesse estado, sem arrependimento, irá direto para o inferno.

Os pecados mortais mais comuns hoje são:

– Faltar missa dominical por preguiça ou comodismo
– Viver junto sem ser casado (amasiados ou casados só no civil)
– Pratica sexual fora do casamento (adultério, fornicação, prática homossexual,etc)
– Pornografia (incluindo novelas com cenas imorais, BBBs, etc)
– Masturbação
– Namoro indecente
– Ter ódio das pessoas (quando se deseja o mal ao próximo)
– Frequentar falsas doutrinas (espiritismo, macumbaria, maçonaria, magia, etc.)
– Difamar e/ou caluniar pessoas
– Inscrever-se ou votar em associações ou partidos abortistas ou que defendem ideias gravemente contrárias à família (como PT, PC do B, PSOL, PV, PSTU, PDT, etc.)
– Praticar ou apoiar a prática do aborto, evitar filhos por métodos artificiais (pílulas, camisinhas, DIU, etc)
– Embriagar-se ou fazer uso de drogas
– Frequentar festas ou shows mundanos (carnaval, discotecas, boates, raves, bailes funks, etc.)
– Entre muitos outros…

A pessoa que está em estado de pecado mortal NÃO pode comungar, pois a SS Eucaristia é sacramento dos vivos, ou seja, só pode comungar quem está na graça de Deus, sem pecados mortais. Quem comunga estando em pecado mortal comete o gravíssimo pecado do sacrilégio, ou seja, da profanação do Santíssimo Corpo e Sangue de Deus.

A pessoa que se arrepende de seus pecados, por mais numerosos e graves que sejam, poderá recuperar a graça de Deus e portanto a amizade com Cristo, se arrependida confessar seus pecados com o sacerdote e receber a absolvição sacramental (Jo. 20,22-23).

A pessoa que morre em estado de pecado mortal se condena para sempre ao inferno (Mt. 25, 41). Por isso devemos nos esforçar para amar a Deus de verdade e fugir de todo pecado e de toda ocasião de pecado, pois só se salvam aqueles que no momento de sua morte estão na graça de Deus, ou seja, sem pecados mortais.

Mas se por fraqueza, ilusão ou orgulho cairmos em algum pecado mortal, não permaneçamos deste modo, fora da comunhão com Deus… busquemos um sacerdote e contritos confessemos nossos pecados. Deus não rejeita ninguém que arrependido lhe suplica seu perdão. Devemos nos confessar com frequência (quinzenalmente ou ao menos mensalmente) como ensina o Código de Direito Canônico.

O amor de Deus é maior do que todos os nossos pecados, portanto não há pecado que Deus não seja capaz de perdoar, desde que haja arrependimento e verdadeiro propósito para deixar o pecado e lutar para permanecer na comunhão com Deus.

Via: Pe. Rodrigo Maria

Os 10 Degraus do Amor segundo um grande místico

São João da Cruz, carmelita Doutor da Igreja, é um dos maiores nomes da espiritualidade católica de todos os séculos

Os 10 Degraus do Amor segundo um grande místico

O primeiro degrau faz a alma enfermar-se proveitosamente… porque nele a alma morre para o pecado e para todas as coisas que não são de Deus.

O segundo degrau faz a alma buscar a Deus sem cessar.

O terceiro degrau da escala amorosa é o que faz a alma agir e lhe dá calor e ardor para não pecar. Diz o salmista: “Feliz quem teme o Senhor e se entusiasma com seus mandamentos” (Salmo 11,1)… Considera pequenas as grandes obras que fazes pelo Amado; as que são muitas, considera poucas.

O quarto degrau é o constante sofrimento sem desânimo.

O quinto degrau do amor impele a alma a desejar a Deus impacientemente.

O sexto degrau faz a alma correr com leveza para Deus e tocá-lo muitas vezes e, sem desfalecer, correr pela esperança. O amor a faz tão forte que a leva a voar suave. Diz Isaías: “Os que esperam no Senhor renovam suas forças, abrem as asas como as águias, correm sem cansar-se, caminham sem desfalecer” (Isaías 40, 31).

O sétimo degrau desta escada torna a alma atrevida e veemente. É o que diz o Apóstolo: “A caridade tudo crê, tudo espera e tudo pode” (1Cor 13, 7). Os que alcançaram este grau conseguem de Deus o que lhe pedem com gosto: “Será o Senhor a tua delícia e te dará o que pede o teu coração”.

O oitavo degrau do amor leva a alma a segurar-se no Amado sem soltar-se dele, como diz a esposa: “Encontrei o amor da minha alma; agarrei-o e não mais o soltarei” (Ct, 3, 4).

O nono degrau
faz a alma arder suavemente. Este é o degrau dos perfeitos, que ardem suavemente, porque o Espírito Santo produz neles este ardor suave e deleitoso, consequência da união que têm com Deus.

O décimo degrau já não é desta vida. O décimo e último degrau desta escada secreta do amor torna a alma totalmente semelhante a Deus pela clara visão de Deus que a alma possui imediatamente, pois, havendo chegado nesta vida ao nono grau, ela sai do corpo. Estes poucos que o alcançam não entram no purgatório, pois já estão mais do que purificados pelo amor.

 

Via Aleteia

O Pai Nosso

A Igreja sempre considerou a Oração do Senhor (Pai Nosso) como a oração Cristã por excelência. Na antiga Igreja da África, por exemplo, os rudimentos da fé (em que cremos) foram transmitidos a partir dela; no seu catecumenato quando imersos no conhecimento da oração (o que oramos).Depois de terem uma explanação sobre o Credo (tradição) eles tinham que recitá-la publicamente de memória (redição); a passagem entre esta ‘tradição’ e ‘redição’ era a Oração do Senhor. Tertuliano não era o único a considerar a Oração do Senhor como sendo o compêndio e a síntese do Antigo e do Novo Testamento.

“Em suas poucas palavras, estão resumidas as falas dos profetas, os evangelhos, os Apóstolos; os discursos, as parábolas, os exemplos e dos ensinamentos do Senhor e, ao mesmo tempo, muitas de nossas necessidades são preenchidas. Na invocação do Pai, nos honramos a Deus; no Nome está o testemunho da fé; em Sua vontade está a oferta da obediência; no Reino está a recordação da esperança; no Pão coloca-se a questão da vida; no pedido de perdão está a confissão dos pecados; no pedido de proteção está o medo da tentação. Por que medo? Somente Deus poderia ensinar-nos como Ele queria que orássemos” (De Oratione 9,1-3).

Apesar de Lucas 11,2-4, eu examinarei apenas o texto de Mateus 6,9-13. Ele aparece inserido justamente após a segunda de três virtudes: caridade (6,1-3), oração (6,4-15) e jejum (6,16-18), todas como formas superiores à justiça dos Judeus.

Mateus 6,9-13 esta estruturado em três partes. Começa com uma invocação, continua com três pedidos com referência a Deus, e encerra com três pedidos relativo ao povo messiânico. A oração tinha uma clara orientação escatológica e presume uma sinergia Deus-homem.

“PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU”
a) ‘Pai Nosso’

Em todos os tempos, a humanidade tem se voltado para a divindade a quem chama ‘Pai’. Com isto, a humanidade pretende reconhecer Sua autoridade e suplicar o Seu amor.

O Antigo Testamento

Não surpreende que entre os livros inspirados do Antigo Testamento, vinte e dois textos Hebreus, Aramáicos ou Gregos atribuam ao Senhor Iahweh o nome ‘Pai’. Deus é o primeiro de todos os pais do povo de Israel. Esta paternidade divina singular é relacionada a eventos históricos envolvendo o povo de Israel. Deus é o pai de Israel porque Deus estabeleceu por meio de eleição e pacto, uma existência para Israel que o transformou no filho primogênito de Deus, um povo propriedade de Deus (Ex 4,22-23; Dt 32,6-8). Há dois componente na paternidade divina: autoridade e amor. Deus é Pai de Israel. Desta forma Ele merece a soberania, o prestígio, o poder e a legítima autoridade de pai de família, daqueles filhos que dependem d’Ele e que Lhe são subordinadas, para lhe mostrar respeito e obediência (Is 64,4; 1,2; 30,9; Ml 1,6).

Deus é o pai de Israel. Cuidadoso e carinhoso com Seus filhos, Ele os cerca de amor gratuito, sempre misericordioso e fiel. (Is 49,15; 66,15; Sl 131,2; Os 11,1-4.8).

Deus é também o pai das pessoas que se relacionam intimamente com Israel. Isto envolve pessoas notáveis como o rei ou o Messias. (Sl 89,27; 2Sm 7,14; Sl 2,7).

Em relação à paternidade de Deus para as pessoas, os autores dos últimos livros do Antigo Testamento trabalham voltados para um mudança de perspectivas, isto é, em direção a um grande universalismo. Cada ser humano pode se tornar um filho de Deus, sem dúvida isto será realidade se ele/ela for santo e fiel a Deus. (Eclo 23,1-4; 51,10; Sb 2,13.16.18;5,5;14,3). De qualquer modo, esta é uma negação da ideia do Deus “solitário” do Islamismo (Alcorão 112,4.171; 5,116-117).

O Novo Testamento

Com Jesus, a revelação bíblica da paternidade divina entra numa nova fase. Deus é o pai de Jesus Cristo e o pai dos Cristãos. Não é raro encontrar nas Epístolas Paulinas a expressão ‘o pai de Nosso Senhor Jesus Cristo’ (Rm 15,6; 2Cor 1,3; 11,31; Ef 1,13; Cl 1,3). Por outro lado, Jesus nunca diz ‘Pai Nosso”, mas ‘Meu Pai e vosso Pai’ (Jo 20,17) distinguindo entre ‘meu Pai’ (Mt 7,21) e ‘vosso Pai” (Mt 5,16).

O autoconhecimento da filiação de Jesus é muito claro no Evangelho (Lc 2,49; Mc 13,32). Ele freqüentemente declara-se o enviado do Pai (Jo 3,17.34; 5,23.36.37; 6,44,57 etc…), em Hb 3,1 é chamado “o apóstolo”, isto é, “o enviado”. Jesus também afirma que sua pregação são palavras do Pai (Jo 3,34; 12,49-50; 14,10) e dão testemunhos do Pai (Jo 5,19.36;9,4).

Os Evangelhos contém muitas orações de Jesus. Mas apenas em Mc 15,34 invoca “Deus”: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Mas este grito do Crucificado é uma citação do Sl 22,2. Todas as outras preces começam com “Pai”; para louvar (Mt 11,25-26), na invocação durante a agonia no Getsêmani (Mt 26,39.42), na súplica na Cruz (Lc 23,34.36).

O Segundo Evangelho mostra-nos como Jesus se dirige a Deus com a expressão “Abba” (Mc 14,16). É uma palavra aramaica usada como forma de tratamento íntimo com uma pessoa mais velha, e muitas vezes adotada na linguagem usada pelas crianças na família, mesmo quando adultos se dirigem ao pai. Ao chamara Deus de “Abba”, Jesus demonstrou o singular relacionamento entre Ele e Deus, e ao mesmo tempo mostrou a familiaridade, a fidelidade, o respeito, a disposição que ele possui. Na oração, o judaísmo antigo, litúrgica ou particularmente, nunca ousou dirigir-se a Deus como “Abba”.

Além de ser o Pai de Jesus Cristo, Deus é também o Pai dos Cristãos em todos os sentidos. Isto não é um fenômeno puramente natural? todos são filhos de Deus?, mas um dom escatológico em Cristo. Este conceito tem origem em Deus, que criou-nos à imagem de Seu Filho, tanto que ele tornou-se o primogênito de todos os irmãos e irmãs (Rm 8,29), e colocou em nossos corações o Espírito de Seu Filho que clama: Abba, Pai (Gl 4,6). Deus nos escolheu para sermos Seus filhos adotivos através de Jesus Cristo (Ef 1,6). O Espírito Santo testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8,16) e nós que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando que a adoção como filhos seja completa e definitiva (Rm 8,23).

Entretanto, é através da fé que nós efetivamos nossa filiação divina. “Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3,26). “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome” (Jo 1,12).

Amor (Mt 5,44) e misericórdia (Lc 6,36), perdão (Mt 6,14-15) e paz (Mt 5,9): esses são algumas das manifestações concretas dos Cristãos como filhos de Deus. Como filhos de Deus, os Cristãos tornam-se irmãos e irmãs em Cristo, através de quem podem dirigir-se a Deus como Pai “nosso”.

Jesus, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8,29), chamou seus Apóstolos (Mt 28,10. Jo 20,17), aqueles que fazem a vontade de Deus (Mc 3,31-35) e os mais marginalizados (Mt 25,40.45) como seus “irmãos”. Ele exortou para o amor aos inimigos (Mt 5,43-47) assim ampliou o sentido de “irmãos”. Ele convida ao amor ao próximo (Lc 10,29034) que pode ser um amigo ou inimigo, aquele que ajuda e que precisa de nossa ajuda. Os dois mandamentos do Antigo Testamento são unificados (Dt 6,5 e Lv 19,18; Lc 10,25-28). Ele aponta o amor para com os seus como fonte e fundamento de nosso amor para com os outros (Jo 15,12-13).

b) “Que estais no céu”

No Evangelho, Jesus fala várias vezes do “Pai … no céu” (Mt 5,16.45) e do “Pai celeste” (Mt 5,48). O que é “céu” para Jesus e para os escritores do Novo Testamento? É o trono de Deus (Mt 5,34) de onde Sua voz é ouvida (Mc 1,11). O Espírito Santo desce do céu (Mc 1,10; At 1,12). Jesus é do céu, veio do céu (Jo 6,38), e é do céu que um dia Ele descerá novamente (1Ts 4,16). Os anjos sempre vêm do céu (Lc 2,13-15). A recompensa do Cristão está no céu: a terra natal, o lar (2Cor 5,1), bênção (Ef 1,3) e recompensa (Mt 5,12), esperança (Cl. 1,5) e herança (1Pe 1,4). Céu é portanto uma realidade divina e frequentemente substitui o nome de Deus (Mt 3,2; 16,1 etc…).

c) “Pai nosso que estais no céu”

Intimamente unidos a Jesus o Filho Único, todos os seus discípulos constituem uma única família de filhos adotivos de Deus. Eles podem dirigir-se a Deus como “Pai” de toda a humanidade que Ele ama, e em Seu amor onipotente Ele inclina-se para conceder a humanidade Sua transcendência que humanamente é impossível atingir.

A SANTIFICAÇÃO DO NOME DE DEUS
Esta é a abertura de uma série de três súplicas relacionadas a Deus. O pronome possessivo na segunda pessoa do plural é utilizado nos pedidos: “vosso” nome, “vosso” reino, “vossa” vontade. A voz passiva teológica pode ser observadas no primeiro e no terceiro pedido: “santificado seja”, “seja feita”, significando “para vós”. Os três pedidos portanto podem ser interpretados como “santificai vosso nome” , “vinde e reinai”, “fazei vossa vontade”.

a) O Nome

O nome é entre os semitas aquilo que constitui um indivíduo, pelo menos o desejo que impõe e define as suas qualidades. Mas se na humanidade há aqueles que não honram seus nomes, Deus torna plenamente efetivo o significado de Seu Nome. Entre os nomes divinos há também “o Santo”. E Deus é realmente Santo, visto que Ele transcende as realidades terrestres; Ele está afastado da ineficácia e maldade do mundo, pois é absolutamente poderoso e bom . Isto recorda também que os Judeus falavam com respeito do “Nome de Deus” de forma a evitar a referência direta a “Deus” mesmo.

b) A Santificação do Nome

De acordo com a Bíblia o Nome de Deus podia ser santificado ou profanado pelo homem ou por Deus. A humanidade santifica o Nome pela observância de Seus Mandamentos. Ela profana Seu Nome quando transgride-os. Lv 22,31-32 estabelece: “Guardareis os meus mandamento e os praticareis. Eu sou Iahweh. Não profanareis o meu Santo Nome, a fim de que Eu seja Santificado no meio dos filhos de Israel”.

Observe-se as duas formas paralelas: uma condicional “guardareis” e “a fim de que Eu seja Santificado”; e outra imperativa “guardareis” e “não profanareis”. Para Deus, santificar (não profanar) Seu Nome é manifestado pela punição dos Israelitas culpados de idolatria no Egito e a sua libertação. Deste modo os Egípcios não podem acusá-Lo de ter sido impotente no auxílio do Seu povo perseguido e oprimido pelo Faraó (Ez 20,5-12). Deus também santifica Seu Nome (não profana) intervindo para punir os pecadores pagãos. Deste modo os idólatras vêem o Seu poder. (Ez 39, 1-7).

Finalmente, Deus santificará Seu Nome definitiva e completamente quando Ele purificar os Israelitas de seus pecados, dando-lhes um novo coração e um novo espírito, para que possam observar os Seus estatutos (Ez 36,22-28). Os Cristãos sabem que Deus tem presente o início da era escatológica.

Pela intervenção salvífica, Ele revela-se a Si mesmo como Santo (revela a Santidade de Seu Nome) no Filho, e dá-nos Seu Espírito Santo. Na adesão a Deus que revelou-se como Santo, e esperando para vê-Lo em toda Sua glória e poder, os Cristãos procuram revelar Deus como Santo, para santificá-Lo pela observância de Seus Mandamentos e assim interpretar Sua glória.

A VINDA DO REINO DE DEUS
a) O Reino

O Reino de Deus, sua instituição, comunicação e realização, constitui o ensinamento central que Jesus anuncia para as multidões e para seus discípulos numa linguagem muito clara ou através da forma velada das parábolas.Para indicar o cumprimento do tempo da salvação, Jesus escolheu a expressão “Reino de Deus” para lembrar a autoridade de Deus, o território ou o sujeito de Sua autoridade. Isto fica bem nítido na Epístola aos Hebreu. Esta expressão sugere um domínio, um império, embora sobrenatural. Ou designa um estado de existência, semelhante a uma comunidade, uma realidade atual ou escatológica, uma realidade terrestre ou celeste.

b) A Vinda do Reino

Várias vezes Jesus fala que o Reino de Deus “está próximo” (Mt 4,17;10,7), outras vezes que “já chegou a vós” (12,28). No pensamento de Jesus, o Reino é tanto futuro como iminente, presente, todavia misteriosamente oculto nas próprias pessoas e atitudes.

No “Pai Nosso”, o verbo aoristo “vir” indica que o Reino veio, mas não está inteiramente realizado. Para estes Cristãos não se pergunta por uma lenta e progressiva vinda do Reino de Deus à terra; mas uma única e definitiva erupção no final dos tempos, quando Deus virá pessoalmente para governar.

Este evento escatológico coincidirá com a vinda gloriosa de Jesus que os Cristãos invocam com o “Maran atha” (1Cor 16,22), “Vinde Senhor Jesus” (Ap. 22,20). No final dos tempos, Jesus subjugará todos os inimigos, incluindo a morte, assim Deus será “tudo em todos” (1Cor 15,28).

A REALIZAÇÃO DA VONTADE DE DEUS
a) A Vontade de Deus

Exceto por Ap 4,11 que fala da vontade criadora de Deus, o “problema” de Deus em todo o Novo Testamento é dar a conhecer Sua gratuita vontade universal para salvação, revelada e promulgada em sua plenitude somente na escatológica inaugurada por Cristo. A vontade de Deus de salvar toda a humanidade esta expressa em um momento sob a forma de promessa, e em outro em forma de preceito. A terceira súplica do “Pai Nosso” inclui ambos os aspectos da vontade de Deus.Os Cristãos pedem a Deus que conclua o Seu plano de salvação que acontecerá no final dos tempos. Eles também pedem que a humanidade não obstrua com seus pecados a realização do projeto divino de salvação. Outrossim, em termos positivos, os Cristãos pedem que a humanidade coopere com a vontade de Deus pela observação de Suas exigências éticas.

Se é verdade, como Santo Agostinho ensinou, que “Deus não quer a sua salvação sem a sua cooperação”, então Deus executará seu plano de salvação de tal modo que a humanidade, com o auxílio do Espírito Santo, receberá a graça para acompanhar os preceitos divinos.

Esta terceira súplica não é por um povo desanimado e abatido que aceita passivamente e com resignação, a vontade de Deus. Ao contrário, é por pessoas que esperam e apressam (2Pe 3,12) dinamicamente a definitiva completa execução da vontade divina para executar suas obrigações éticas.

b) “Na terra como no céu”

A frase não se refere apenas a esta terceira súplica, mas a todas as três. Assim como Deus sempre santifica Seu Nome no céu onde Ele reina e executa Sua vontade, assim Deus também santifique Seu Nome na terra, reinando e executando Sua vontade. Ou colocando de outro modo, Deus santifica Seu Nome, governe e execute Sua vontade em todo o Universo, que inclui o céu e a terra.

O PÃO DA VIDA
Esta é a primeira de três súplicas que dizem respeito ao povo messiânico. Os pronomes pessoas estão na segunda pessoal do plural e os pronomes possessivos na primeira pessoal do plural: “nos dai”, “perdoai as nossas ofensas”, “não nos deixeis cair”, “a quem nos tem ofendido”, “o pão nosso de cada dia”, “nossas ofensas”.

a) O Pão

Um alimento fundamental, como o óleo e o vinho, na bacia mediterrânea, o pão indicado que serve para sustentar o corpo, e conforme a interpretação de muitos Padres da Igreja, para sustentar a alma.

O Cristão pede a Deus que conceda o alimento que é o pão, o alimento espiritual da Palavra de Deus e a Eucaristia, para a salvação eterna.

b) Epiousios (”de cada dia”)

Um termo que fez-se obscuro desde o tempo do Gênesis. De acordo com diversas etimologias, ele pode significar o pão “de cada dia”. E qual é esse dia? Hoje. A expressão grega pode ter sido usada para evitar “semeron”/”hoje”. Em lugar de “o pão nosso de hoje nos dai hoje”, agora se diz “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Os Cristãos recordam-se as palavras de Jesus “… o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade (comida e roupa). Buscai , em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,32-33).

Confiança na generosidade do Pai celeste é a condição necessária. Ele proverá o sustento necessário de toda a comunidade.

“De cada dia” é “de amanhã”, isto é, da escatologia. Jesus pôs seus discípulos a salvo de preocupações futuras e da acumulação de bens para si; à frente de suas preocupação sobre as coisas do mundo: “Não vos preocupei, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34).

Os Cristãos pedem pão do amanhã escatológico, do banquete do Reino do céu (Lc 14,15). Eles pedem-no para hoje porque toda realidade terrestre vive o “agora” da era escatológica que aguarda o seu pleno desenvolvimento.

A REMISSÃO DOS PECADOS
a) As transgressões

Não se trata de dívidas de gratidão obtidas por nós da generosidade paternal de Deus quando Ele nos concede suas dádivas. “Dividas” de acordo como entendimento dos Judeus são os nossos pecados. As dívidas não são consideradas como ações perversas em si mesmas, mas antes em relação a Deus cujas regras nós transgredimos e a quem nós devemos fazer uma reparação adequada.Ainda que nós devamos executar isto, nós nunca o faremos, devido a imensidão dessas dívidas. Nós mesmos nos encontramos na condição do servo implacável cujo débito chega a 10.000 talentos, e que não tem como pagar, foi vendido juntamente com todos os seus familiares e com seus bens (Mt 18,23-25). A confissão desta impossibilidade de compensar a dívida leva-nos a voltar com humildade em direção ao misericordioso amor de Deus que sobrepõe-se a tudo; então Ele perdoa nossos pecados, que nós mesmos jamais poderíamos expiar.

b) “Como nós perdoamos quem …”

A generosidade de Deus, para qual nós apelamos, coloca um única condição para que recebamos a remissão dos pecados: que nós perdoemos também quem nos ofendeu, que nós perdoe-mos aquele que tenha nos ofendido. E nos podemos mostrar misericórdia para com nossos irmãos e irmãs, exatamente porque nos podemos passar o grande tesouro de misericórdia que Deus primeiro mostrou a nós. Isto é tão claro que ao contrário também é verdade: que nossa oração não será atendida se como o servo implacável (Mt 18,23.15; cf. 6,14-15) nós deixarmos de perdoar nossos irmãos e irmãs.

O quinto pedido, como o sexto, resulta da situação que o pecado adia a definitiva vindo do Cristo glorioso e do Reino do Pai. 2Pe 3,9 diz que o Senhor não tarda a cumprir a sua promessa, como pensam alguns; mas o que ele está é usando de paciência com convosco, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se.

A PRESERVAÇÃO DAS TENTAÇÕES E A LIBERTAÇÃO DO MAL
a) A Tentação

Tentar significa testar, experimentar; portando tentação significa teste ou experiência. Algumas vezes é a humanidade que testa Deus, como os Israelitas no deserto (Dt 8,2). Isto significa desafiar Deus, negando-se a demonstrar-Lhe dedicação e obediência, em oposição ao Seu plano de salvação.Outras vezes é Deus quem testa a humanidade, como quando Ele testou Abraão no sacrifício de seu único filho (Gn 22,1f). Isto significa dizer que Deus, querendo realizar seu plano para salvação, antes deu à humanidade a decisão de acreditar ou não nEle, para obedecê-Lo ou não.

Outras vezes, ainda, é o demônio, Satanás, que testa a humanidade para tentar obstruir o plano divino de salvação, buscando empurrar a humanidade em direção à descrença e a desobediência (Mt 4,1-11).

Tentação neste sentido não vem de Deus, mas do demônio. Mas é atribuída a Deus na concepção semítica, Deus é a causa fundamental e todas as coisas (cf. Prólogo do Livro de Jó). Assim se fala da tentação de todos os dias da vida, símbolo e antecipação da tentação do último dia, “da tentação que virá sobre o mundo inteiro” (Ap 3,10). Esta “grande tribulação” (Mt 24,21) é o final e decisivo ataque que Satanás lançará contra os fiéis, atacando com tanta violência que, como disse Jesus, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma vida se salvaria. Mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados” (Mt 24,22) assim haverá fé sobre a terra (cf. Lc 18,18).

Os Cristãos rezam para o Pai celeste, para que Ele apenas os guarde da tentação, mas também que não os deixe cair em tentação. De acordo com esta ideia é o ensinamento encontrando em 1Cor 10,13: “Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; mas, com a tentação, ele vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar”.

Isto é valido para as tentação da vida diária, mas além de tudo para a grade tentação dos últimos dias.

b) A Libertação do Mal

A segunda parte do sexto pedido repete mais ou menos o que foi dito na primeira, porém no modo positivo (diferente do modo negativo da primeira parte). Os Cristãos pedem a Deus que preserve-os do mal. Porém a personificação do “ponerou” (forma masculina de “poneros” para indicar Satanás) é preferida, o que não exclui o significado de “mal”.
Sob a luz do Antigo Testamento e do Judaísmo, o “Pai Nosso” não apresenta nenhuma idéia nova.Em “Anicia Proba Faltonia” (pouco depois de 411 d.C.), Santo Agostinho, nascido de uma família nobre, que buscou proteção no Godo Alarico, observa os paralelos no Antigo Testamento de cada pedido da Oração do Senhor.Ele concluiu “Se todas as palavras da sagrada invocação constante da Escritura fossem revisadas, você não encontraria nenhuma, isto me parece, que não está contida ou resumida no “Pai Nosso” (Epístola 130,12.22-13).

Aqui está uma sinopse dos paralelos citados por Santo Agostinho:

Santificado seja o vosso nome: “Como, diante delas, te mostrastes santo em nós, assim, diante de nós, mostra levas a tua grandeza” (Eclo 36,3)

Venha a nós o vosso Reino: “Deus dos Exército, faze-nos voltar! Faze tua face brilhar, e seremos salvos” (Sl 80,8).

Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu: “Firma meus passos com a tua promessa e não deixes mal nenhum me dominar” (Sl 119,133).

O pão nosso de cada dia nos daí hoje: “… não me dês nem riqueza e nem pobreza, concede-me o pedaço de pão” (Pv 30,8).

Perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido: “Iahweh, lembra-te de Davi, de suas fadigas todas…” (Sl 132,1). “Iahweh, meu Deus, se eu fiz algo … se em minhas mãos há injustiça, se paguei com mal ao meu benfeitor … (Sl 7,4-6).

Livrai-nos do mal: “Deus meu, livra-me dos meus inimigos, protege-me dos meus agressores! (Sl 58,2).

O mesmo pode ser observado na literatura judaica; passagens de orações litúrgicas e outros textos antigos mostram-se paralelos à Oração do Senhor, um exemplo é “Literatura Rabínica e Ensino do Evangelho”, de G.G. Montefiore, Londres, 1930, p. 125-135.

Abaixo esta uma breve síntese:

Pai nosso que estais no céu: “Nosso Pai do céu, vós vos agradais em estabelece um Casa de nossa vida e para colocar Vossa Presença no centro de nossos dias ….” (Liturgia para Manhã de Sábado de acordo com o costume romano).

Santificado seja Vosso Nome: “Possa Vosso grande Nome ser elevado e santificado” (Qaddish).

Venha a nós o Vosso Reino: “Possa Vosso Reino ser realizado em vossa vida, e em vossos dias e na vida de toda Casa de Israel agora e para sempre” (Qaddish).

O pão nosso de cada dia nos dai hoje: Rabbi Eliezer, o Grande, disse: “quem tiver um pedaço de pão numa cesta e disser: que comerei amanhã? é uma pessoal de pouca fé” (B. Soda 48b).

Perdoai os nossos pecados: “Perdoai-nos, Ó Pai Nosso, porque nos temos pecado, Absolve-nos, Ó Nosso Rei, porque nos cometemos transgressões” (Amida).

Como nós perdoamos a quem nos tem ofendido: Samuel, o Pequeno, disse: “se o vosso inimigo cair, não vos rejubileis, se ele se perder, não deixai vosso coração se alegrar, para que Deus não veja e volte os Seus olhos e afaste dele Sua fúria” (Aboth 4,24).

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal: “Seja um escudo para nós, e afaste nossos inimigos, doenças, a espada, fome, angústia. Afaste o Adversário da frente e de trás de nós” (oração de Mar Bar Rabna, 5ª centúria, na Liturgia Noturna).

Não obstante isto, a Oração do Senhor é ainda a mais original das orações; é a oração por excelência. Tudo o que diz e contém (e o que não é dito) é a referência essencial do relacionamento entre a humanidade e Deus.

Colocada acima das contingência de tempo e espaço, tem um caráter universal em que a humanidade encontra a si mesmo, através de muitas épocas e civilizações.

 

 

Comunidade Shalom