Católico, protestante, ateu… CATÓLICO, de fato e de direito!

“Eu não me acostumei nas terras onde andei…”, diz a música do Padre Zezinho que serve de trilha para a leitura desse belo testemunho de conversão. Como a falta de uma sólida catequese foi decisiva para que este homem andasse “por mil caminhos”, no entanto, Deus o chamou de volta e agora, conhecendo a beleza da Igreja, pode dizer: “Aqui é o meu lugar”.

“Nasci em família tipicamente católica, tradicional, numerosa, que educava os seus membros na fé e na moral da Igreja. Vivendo sob esta perspectiva, também era eu católico, ia à Santa Missa aos domingos e rezava antes de dormir, onde sempre terminava a oração pedindo a “bença” à “Mamãe do Céu” e ao “Papai do Céu”. 

Havia um problema, porém, que infelizmente é comum nos nossos tempos: faltou-me a catequese adequada. Fruto desta deficiência, brotou em mim uma consciência protestante, ainda que eu não me desse conta. Comecei a buscar a fundamentação para as práticas da Igreja (que eu sequer conhecia direito) na Bíblia. Lia e interpretava a Bíblia sem o devido cuidado e preparação. O resultado não poderia ser outro: desacreditei da Igreja Católica, pois algumas coisas, pensava eu, não se adequavam com as Escrituras, como a veneração aos santos, o papel de Nossa Senhora para o catolicismo, o Sacramento da Confissão etc. Até a adoração ao Santíssimo Sacramento eu reputei como sendo idolatria! 

Foi com esta fé estremecida que entrei para a faculdade de direito. Neste ambiente, como o senhor sabe bem, fui influenciado pelo pensamento acadêmico, predominantemente de esquerda e contrário ao catolicismo. Estudei Nietzsche, Marx, Escola de Frankfurt, Foucault… O resultado, mais uma vez, era previsível: tornei-me ateu. Convicto. Inimigo da Igreja. Afinal, o ateísmo era “cool” e dava um ar de intelectualidade, que, para mim, era incompatível com a crença religiosa. 

Eis que certo dia, porém, um amigo me desafiou a ver o seu curso sobre marxismo cultural e revolução cultural. Aceitei, com o objetivo de refutar, é claro. Surpreendi-me. O senhor falava com propriedade. Não parecia um ignorante supersticioso. Não consegui refutar. 

Fui assistir seus vídeos sobre outros temas. Um sobre São Tomás de Aquino me marcou. Que gênio era São Tomás! Depois, ainda através do seu trabalho, conheci a obra de Joseph Ratzinger. Foi um tiro certeiro. A fé não era mais inimiga da razão, mas irmã. Ou, ainda, nos dizeres de Santo Agostinho: “intellige ut credas, crede ut intelligas”

Assisti mais e mais vídeos do senhor nas férias, ao ponto do meu velho pai indagar: ” Só fica vendo esse careca aí, rapaz, vá sair de casa” (risos). Tive a felicidade de conhecer sua relação de amizade com os saudosos Dom Eugênio e Dom Heitor de Araújo Sales, ambos potiguares e com imensos serviços prestados à Arquidiocese de Natal, da qual faço parte. Este último ainda vem à pequena São Paulo do Potengi todos os anos, rezar pela alma do Monsenhor Expedito Sobral, amigo íntimo tanto de um quanto de outro. 

Foi com este ânimo, e tendo o seu trabalho como porta de entrada, que comecei a estudar e pesquisar o que de fato era e no que de fato cria a Igreja Católica. Deparei-me, para utilizar suas próprias palavras, com “um colosso teológico, cultural e intelectual”. Senti-me em casa

Hoje sou católico “de fato e de direito”, sem nenhuma possibilidade de mudança. Tenho consciência de que não é a Bíblia que respalda a Igreja, mas a Igreja que respalda a Bíblia, que, por sua vez, deve ser lida segundo à Tradição Apostólica. Sei que é a Santa Igreja a guardiã do Depósito da Fé, ou, para usar as palavras de São Paulo, ela é a “coluna e sustentáculo da Verdade” (1 Tm 3,15). 

Vivo uma conversão diária, por vezes árdua, mas sempre peço a Deus que fortaleça minha fé e me conceda a graça de carregar a minha cruz com amor. Nas provações, recorro à Santíssima Mãe e inspiro-me na persistência de São Padre Pio e na obediência de São Miguel Arcanjo (cujas histórias, também, conheci por meio deste sítio), para que, ainda que caia, possa me levantar, por amor a Cristo. 

Escrevo isto para que o senhor saiba da sua importância nesta minha volta para casa. Hoje estou preparado para responder, com temor e mansidão, àqueles que pedirem às razões da minha esperança (1 Pd 3,15). 

Assim sigo convicto, como Santo Agostinho, de que Deus nos fez para Ele, e inquieto está nosso coração enquanto n’Ele não repousar. Nas palavras do padre Zezinho:Andei por mil caminhos / e, como as andorinhas, /eu vim fazer meu ninho / em tua casa e repousar. /Embora eu me afastasse /e andasse desligado, /meu coração cansado, / resolveu voltar. 

Que Deus abençoe ao senhor, Padre Paulo Ricardo, e à sua equipe por este trabalho de catequese fiel, algo raro nestes tempos de predominância do relativismo moral e religioso. 

Christo Nihil Praeponere! 
Silvério Alves da Silva Filho

Anúncios

Lituânia: a Colina das Cruzes que desafiou e derrotou a tirania do ateísmo obrigatório

Colina das Cruzes na LituâniaA Lituânia é um dos muitos países que permaneceram durante cinco décadas debaixo dos punhos de ferro da União Soviética. E um local concreto da norte da Lituânia sofreu com especial intensidade a força dos punhos de ferro da ideologia soviética, marcada pelo absolutismo antirreligioso.

Trata-se de uma simples colina, situada nos arredores da cidade deSiauliai. No século XIX, ainda sob o Império Russo, a população lituana se revoltou contra o czar porque ele impedia que as famílias da região prestassem tributo aos seus entes queridos já falecidos. O povo então plantou cruzes na colina em memória dos seus mortos.

Na década de 1960, a KGB decretou o fim dessa prática. Em abril de 1961, o número de cruzes na colina já era muito grande: além da memória dos familiares falecidos, os lituanos honravam, através delas, seus concidadãos deportados para a Sibéria por ordem deStálin. Os soviéticos queimaram as cruzes de madeira e destruíram as de metal e as de pedra. Não sobrou nenhuma cruz intacta.

No dia seguinte, porém, a colina estava novamente cheia de cruzes: à noite, os cristãos as repunham. A União Soviética destruiu o lugar várias vezes, mas os católicos da Lituânia não renunciavam a demonstrar a sua fé nem sequer com a presença do exército vermelho.

O governo bloqueou os acessos à colina e chegou até a lançar falsos alertas de epidemias na região. Os lituanos não se entregaram: toda vez que as cruzes eram destruídas ou retiradas, eles voltavam a erguê-las.

Em 1979, um sacerdote corajoso convocou uma procissão da sua paróquia até a colina. A KGB não pôde fazer nada para impedir, porque percebeu que seria pior. Quando a União Soviética finalmente ruiu, a Colina das Cruzes já tinha mais de 100 mil crucifixos e ícones sacros.

Nos anos 1990, foi erguido ali um santuário que passou a atrair peregrinos do mundo inteiro. Um deles foi ninguém menos que o papa João Paulo II, que, em 1993, declarou:

“Depois dessa visita, parecia mais clara para todos nós a verdade expressada pelo Concílio Vaticano II: o homem não pode compreender profundamente a si mesmo sem Cristo e sem a sua cruz. A Colina das Cruzes é um testemunho eloquente disto e também uma advertência. A eloquência daquele santuário é universal: é uma palavra escrita na história da Europa do século XX”.
A Colina das Cruzes, que resistiu aos poderes tirânicos deste mundo, ainda está de pé.

* Com informações do site Christo Nihil Praeponere, do pe. Paulo Ricardo.
Via Aleteia