Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo

Resultado de imagem para castidadeO Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma força libertadora. Jesus provoca uma revolução na vida daqueles que se deixam atingir por Seu amor. Quem tem um encontro pessoal com Deus muda seus conceitos, sua mentalidade, muda sua vivência, porque sente e experimenta como é ser amado e valorizado no coração do Altíssimo.

O ideal seria que todos nós conhecêssemos a grandiosidade do amor divino nos primeiros anos de nossa vida. Mas a maioria de nós só se deixará envolver pelo amor de Deus depois de adultos ou após a vida ter nos marcado negativamente em algum aspecto. Por isso, vemos muitas pessoas que, primeiramente, vivem a sexualidade do mundo e não como pede o Senhor. Mas quando se deparam com o amor de Deus, resolvem viver a castidade. Que bom que Deus os alcançou! No entanto, a virgindade, que caracteriza a não iniciação da pessoa na vida sexual, tanto no sentido do corpo quanto a sua experiência psíquica, já não existe mais.

Daí, muitos pensam: “Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo. Só que, agora, eu conheço o sexo e as carícias. Será que vou aguentar?” Ou: “Será que mereço isso?”. Até há aqueles que se perguntam: “Nesta minha condição, será que alguém vai querer namorar comigo?”.

Sim, você pode viver castamente! É possível namorar sem sexo, mesmo que isso tenha se tornado uma espécie de dependência para você. Mais ainda: você merece namorar santamente e encontrará quem o aceite como você é e com o que já viveu.

Você só precisa ter em mente que será um desafio; afinal, foi inserido no contexto sexual e o tem registrado em sua memória, de forma muito maior do que antes da perda da virgindade.

Cuidado! Fuja das oportunidades de pecado sempre que elas estiverem à espreita. Toda vez que um pequeno gesto começar a enfraquecer a sua decisão, não o deixe acontecer.

Apesar das marcas que você pode ter em si, saiba que para Deus o que importa é a pureza de coração. “O que o homem vê não é o que importa: o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha o coração” (I Sm 16,7).

Se, no seu coração, você deseja atingir essa pureza, tem tudo para conseguir. Ela é possível em qualquer estágio da vida. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a Boa Nova de Cristo restaura constantemente a vida por dentro (interior do coração), restaura as qualidades do espírito e os dotes da pessoa (cf. CIC art. nº2527). Ou seja, a luta pela castidade fará de você uma pessoa pura no corpo e na intenção.

Não importa o seu passado. Deus lhe perdoa sempre. Se você se arrependeu, mas se confessou, Ele o perdoou. “Vai e não tornes a pecar” (Jo 8, 11).

Se Deus o perdoa, quem são os homens para condená-lo? Não importa seu passado, porque você é portador de um dom, e “o dom e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). Isso significa que o Senhor não tira as dádivas e as qualidades que Ele mesmo imprimiu nas criaturas, mesmo que essas errem.

Você é uma bênção do Senhor, neste mundo, por tudo aquilo que o Altíssimo depositou em sua essência. Você merece alguém que valorize as belezas que existem em você. Assuma-se assim!

Talvez, seja difícil adquirir a pureza e libertar-se das marcas negativas de uma sexualidade mal vivida; portanto, tenha paciência com você mesmo. Se, por acaso, você tornar a errar, não desista, procure a confissão e recomece.

Se o ato sexual ou a masturbação tornaram-se um vício, procure ajuda com um profissional ou um diretor espiritual. Tenha sempre um confessor apenas, um sacerdote em que você encontre misericórdia. Conte a ele suas fraquezas para que ele entenda melhor seu processo e identifique, na queda, as possíveis circunstâncias. Assim, ele o orientará melhor. Não desista de você, nunca pare de lutar!

A castidade parte de uma decisão por corresponder ao amor de Deus. Jesus entregou não somente Seu corpo, mas se esgotou, esvaziou-se de tudo o que Ele é, até de ser Deus, por causa de você, para que você também ame da forma correta. Então, é olhando para Jesus, principalmente nas horas mais difíceis, que encontraremos forças para não cair no pecado.

Para Deus atuar em nós basta a nossa decisão de deixá-Lo entrar em nossa vida. Você quer ser casto? Então, tome com afinco essa decisão.

Sempre é possível recomeçar!

 

Por Sandro Arquejada

Vocalista da banda “Os Gonzagas” fala sobre a vida de consagrado no meio artístico

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Há quem diga que não é possível conciliar uma carreira de sucesso com as coisas de Deus: os compromissos de shows, entrevistas, assédios e a agenda cheia de compromissos parecem não combinar com uma rotina de oração da Palavra de Deus, terço, Eucaristia e vida consagrada. Se você pensa assim, está muito enganado! Quem testemunha que é possível sim ser todo de Deus em uma carreira de música secular é o vocalista da banda “Os Gonzagas”, Felipe Alcântara, que faz um caminho de consagração numa comunidade católica, buscando antes de qualquer sucesso primeiramente fazer a vontade de Deus.

A banda “Os Gonzagas” tocou no Arraiá da Paz da Comunidade Católica Shalom da missão de João Pessoa (no sábado dia 18) e Felipe nos concedeu uma entrevista para falar sobre os desafios de testemunhar Cristo em todos os lugares. “Independente do trabalho e da função que se exerça, buscar viver a vida em Deus não é simples, pois Cristo mesmo nos disse que neste mundo passaremos por provações e tribulações” contou Felipe que diz que com ele não é diferente, pois está exposto num mundo  que há tanta prostituição, drogas, bebidas e tantas outras coisas que podem nos afastar de Deus.

Como membro da Comunidade Católica Fraterno Amor, que o mesmo faz parte, ele tem toda uma vivência de oração,  formações,  compromissos na comunidade onde ele admite que  nem sempre consegue seguir fielmente da maneira que gostaria, mas toda  semana procura viver um momento de unidade com sua comunidade, frequentando as formações, os momentos de orações e adoração. “E é assim mesmo a vida em Deus é de muita oração, e nada justifica você se afastar de Deus seja qual for sua função ou trabalho” nos lembra o vocalista que viver em Deus, segui-lo é uma escolha diária, uma luta para todo dia escolher a vontade de Deus.

E é assim que o cantor define sua vida como uma “vida de decisão”, de decisão pela vontade de Deus, de fazer a sua vontade sempre entregando tudo a Deus “ao acordar todos os dias, mesmo que acordando mal as vezes, Deus vem derramando seu amor e fazendo com que mesmo em um momento de oração que parecia que não daria resultados, seja repleto de frutos” explica.

E a comunidade vem sendo um canal de graça na vida do cantor, onde a unidade com seus irmãos de comunidade dá muita força para continuar nesse caminho missionário “o que vivo hoje foi uma profecia onde Deus falava que haveria uma nova oportunidade na música que no caso foi a participação no Programa “SuperStar” lembra o cantor.
Felipe reconhece a ação de Deus em sua vida e entende que hoje é  no meio musical que ele poderá testemunhar o seu amor a Deus ” eis-me aqui para fazer a vontade de Deus e cantar até onde Ele quiser”, afirma Felipe.

O artista teve sua experiência com Deus após a morte de seu pai, apesar de crescer em ambiente religioso o mesmo era muito racional e cético em relação a Deus.  E a partir da perda do pai o cantor abriu espaço para sentir um pouco mais do Amor de Deus, passando por uma série de experiências profundas com esse Amor, desde da oração em línguas até a própria profecia onde Deus em um momento de adoração o revelava toda essa nova oportunidade iria acontecer.

A música foi algo sempre presente na vida de Felipe, onde ele reconhece que foi Deus que o deu esse dom e sabe que nada é dele, que tudo é de Deus e a qualquer momento pode ser tirado dele e uma nova missão possa surgir para ele “ tudo que acontece na minha vida é por permissão de Deus, então só me resta escolher por Ele” nos falou o vocalista da banda “Os Gonzagas”.

Escolha diária de levar sempre que pode a palavra de Deus, como o que aconteceu na entrevista do dia da segunda-feira (13) no programa “Encontro”, onde ele pode falar um pouco de sua vida e de sua noiva que buscam ter um relacionamento casto, um namoro em Deus, segundo a sua vontade, e isso repercutiu muito nas redes sociais. Felipe diz ter ficado muito surpreso da maneira de como se deu a repercussão, pois ele não sabia o que falar e simplesmente pediu para que Deus falasse por ele, e foi o que aconteceu, o seu testemunho, evangelizou as pessoas que as escutaram e provocou questionamentos de se realmente era possível viver um namora daquele jeito.

Via: Com. Shalom

Conselhos aos Jovens que pensam em casar

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Acabamos de ouvir no Evangelho de hoje o milagre feito por Nosso Senhor Jesus Cristo a pedido de sua Mãe nas bodas de Caná. Nosso Senhor, com sua presença santificava, o casamento, Ele santificava a família. Mais tarde, Ele elevaria o casamento a sacramento. A união exclusiva de um homem e de uma mulher para toda a vida em vista da procriação e do auxílio mútuo é algo santo. Sem o matrimônio, sem a família assim constituída, a sociedade desmorona por completo. Mais de uma vez já falamos da importância da família, que é a base da sociedade. E não se pode insistir suficientemente sobre o assunto. Falamos da família e de sua importância capital para o Estado e para a Igreja. Está claro, falamos da família: pai, mãe e filhos. É preciso, para o bem da sociedade e da Igreja, que haja famílias profundamente católicas. Famílias com uma fé profunda, com uma grande generosidade para ter uma família numerosa, se assim Deus o permitir, com uma vida de oração familiar, com o cuidado da educação dos filhos. Os pais participam da obra da criação ao gerar os filhos e devem participar da obra da redenção, educando os filhos para Deus. E a redenção se faz com sofrimento. A educação dos filhos se faz a base de sofrimentos, de abnegação, de sacrifícios. Tudo isso junto com grandes alegrias, e a primeira dessas alegrias é a de poder formar Cristo em uma alma.

Todavia, a ordem normal das coisas é que um casamento santo, que uma família profundamente católica tenha se formado a partir de um bom namoro, de um namoro católico em todos os seus aspectos. Um bom casamento começa por um bom namoro. Um casamento que começa por um mal namoro, terminará mal ou terminará bem com muito sofrimento que poderia ter sido evitado com certa facilidade. Bastam ao casamento as cruzes que já lhe pertencem naturalmente. Não devem aqueles que vão casar acrescentar ainda outras cruzes ao matrimônio porque se deixaram levar, no tempo do namoro, pelos sentimentos e não pela razão iluminada pela fé. Os jovens devem ter todo o cuidado com o namoro para não prejudicarem a si mesmos, ao próximo e ao futuro matrimônio. Os já casados superem as cruzes do matrimônio com paciência, fé e caridade, e saibam instruir os filhos com relação a isso. É preciso conhecer o que ensina a sabedoria da Igreja a respeito desse tempo de preparação para o matrimônio. Um dos motivos pelos quais não temos famílias profundamente católicas é porque não temos bons namoros. Todavia, as famílias formadas a partir de um namoro inadequado, muitas vezes fruto da ignorância, não devem nem podem se desencorajar. Pela graça de Deus e com esforço, é plenamente possível remediar isso e formar uma família profundamente católicas.

A primeira coisa que o jovem deve fazer é tomar a decisão de seu estado de vida, considerando em que estado de vida pode, concretamente, servir melhor a Deus e salvar a sua alma: sacerdócio (para os homens), vida religiosa, matrimônio. Aqueles que decidirem pelo sacramento do matrimônio, via comum da vida cristã e de santificação, devem seguir a sabedoria da Igreja quanto à preparação para esse sacramento. O casamento se prepara pelo namoro. É dele e de algumas coisas conexas que iremos tratar aqui. Não poderemos abordar de forma completa todos os aspectos do namoro, mas daremos algumas indicações. Quando falamos aqui de namoro, falamos de todo o tempo e de todo e processo que antecedem o matrimônio, incluindo, portanto, namoro e noivado.

O namoro tem por objetivo o conhecimento mútuo entre o rapaz e a moça, para saber se é razoável que os dois se unam até a morte. Esse conhecimento mútuo no tempo do namoro não é do corpo, mas das qualidades e defeitos morais, do temperamento, da história do outro. O namoro deve durar tempo suficiente para que ocorra esse conhecimento mútuo, mas não pode se prolongar ao ponto de começar a criar familiaridades indevidas. O namoro deve durar, então, entre um e dois anos. Menos do que isso seria imprudente, pois seria casar com quem não se conhece. Seria apostar na loteria e, quase certamente, perder. Mais do que dois anos seria casar sem respeitar profundamente o outro, em virtude das familiaridades que surgem em namoros longos. Essa falta de respeito prejudica bastante o futuro matrimônio.

Assim, é lícito começar a namorar somente quando se prevê realmente ter condições de casar dentro de um ou dois anos. Não se trata de uma previsão meramente hipotética, como por exemplo: daqui a dois anos terei terminado a faculdade e terei talvez um emprego. Não, trata-se de uma previsão real. Daqui a dois anos terei, segundo tudo indica, possibilidade real de casar.

Para começar a namorar, é preciso ter maturidade. Maturidade para poder educar os filhos que serão gerados e para que prestem o devido auxílio mútuo. Maturidade, no homem, para ser um chefe de família e cuidar do bem espiritual da esposa e dos filhos. Maturidade, na mulher, para ser o coração do lar e sacrificar-se nas pequenas coisas. É preciso, então, que, antes de começar a namorar, o jovem e a jovem se perguntem: Assumo as minhas responsabilidades? Tenho as condições para ser pai? Sou um homem ou um meninão? Tenho um emprego para sustentar a minha futura família? Ou ainda não? Tenho condições para ser mãe? Rapaz e moça devem, ainda, se perguntar: Vou saber como educar meus filhos? Vendo aproximar-se a hora de começar um namoro, tenho procurado me instruir sobre o que é o matrimônio, seus direitos e deveres? Estou bem consciente da fidelidade e da indissolubilidade do matrimônio e que, uma vez casado, continuarei casado até a morte, aconteça o que acontecer? Tenho procurado me instruir em como educar bem os filhos? Li sobre as cruzes do matrimônio e como evitá-las ou resolvê-las? Tenho uma vida espiritual sólida? Vivo, em geral, seriamente, buscando o céu e praticando as virtudes? Além disso, qual é a minha condição material? Tenho o mínimo para começar uma família mais ou menos em acordo com minha condição social? Estou pronto para os sacrifícios que serão necessários na vida comum? Essas são algumas das perguntas que se devem fazer antes de começar a pensar em namorar… E não estamos falando de um ideal inatingível, mas do mínimo necessário. Se o jovem ou a jovem pensam que o amor sentimental irá superar todos os obstáculos, é o sinal mais claro de que não estão preparados para namorar.

O namoro entre um rapaz e uma moça deve começar quando se tem esperança fundada de que possa dar certo. Não se começa a namorar uma pessoa desconhecida, simplesmente porque nasceu um sentimento de uma hora para outra. O namoro deve começar porque já existe um certo conhecimento entre o rapaz e a moça e porque já existe uma certa estima e simpatia mútuas. O normal é que já se conheçam de um ambiente saudável e não de ambientes mundanos. Essa estima para se começar o namoro deve ser baseada nas virtudes que o outro tem e não em simples sentimentos e essa simpatia deve ser a alegria de estar na presença do outro, mas alegria que decorre da estima, das virtudes do outro. O sentimento pode estar presente, sim, e não é ruim, mas não pode ser o fundamento do relacionamento. Não basta, então, os dois serem católicos para começar a namorar. É preciso que haja compatibilidade dos temperamentos, e é preciso que haja já esse início de estima e de simpatia.

Está claro, assim, que não se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando não se tem estima pelo outro ou quando se tem antipatia pelo outro. Nem se deve começar nem continuar um namoro já começado, quando o outro tem um defeito moral grave. Muito comum a pessoa começar o namoro esperando que o outro se corrija desse defeito. Ou casar esperando que, depois do casamento, a pessoa se corrija desse defeito grave. É uma grande ilusão e imprudência, causa de grandes sofrimentos. Não se deve tampouco continuar um namoro em que a confiança mútua não é profunda. Ainda menos se deve começar um namoro com pessoa de outra religião. A Igreja nunca favoreceu o matrimônio de uma parte católica com outra não católica. A Igreja apenas tolera esse casamento, pois ele representa um grande perigo para a fé do católico e para a educação católica dos futuros filhos. Além disso, como esperar que sejam felizes um homem e uma mulher que no principal da vida – a religião – têm concepções completamente distintas? Haverá paz nesse casamento? E as diversas questões morais no matrimônio? A parte não católica as aceitará? Por exemplo, evitar os contraceptivos, os procedimentos esterilizantes, aceitar todos os filhos que Deus enviar? É prudente unir-se profundamente com alguém que tem uma visão distinta no principal da vida? É claro que não…

No namoro que é lícito, quer dizer, em que já existe a maturidade e em que se prevê seriamente a possibilidade de casamento em dois anos no máximo, e em que vai se desenvolvendo a estima e simpatia mútuas bem como a confiança e o acordo quanto ao sentido católico da vida e do matrimônio, nesse namoro plenamente lícito, será preciso guardar também a castidade, para que ele seja perfeito. A castidade no namoro (e antes do casamento como um todo) se guarda porque Deus nos deu a faculdade reprodutiva para ser usada para a geração e educação dos filhos e essa educação se faz devidamente dentro do matrimônio, com pai e mãe unidos por um laço indissolúvel. A castidade se guarda no namoro também para que as paixões não prejudiquem o julgamento que se deve fazer do outro, sobre suas qualidades e defeitos, para saber se é possível viver o resto da vida com aquela pessoa. Os pecados contra a pureza levam os namorados a pensar que a paixão vai superar todos os obstáculos e todos os defeitos do outro. A paixão logo será superada, os problemas permanecerão. E o sofrimento será grande. A família não estará solidamente fundada e o respeito mútuo ficará bem prejudicado.

Para guardar a castidade, é preciso muita vigilância e oração. A vigilância consiste em que os namorados guardem entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso não somente no contato físico, mas também nos olhares, nas palavras, nos gestos. No contato físico, não passar de dar a mão e com moderação. Precisam estabelecer limites claros, com franqueza um para com o outro. Os namorados em nenhuma hipótese podem se isolar das outras pessoas. Estejam sempre em companhia de outras pessoas de boa consciência. Podem, claro, conversar sem ser ouvidos por outros, mas jamais sozinhos, isolados. Não andem, por exemplo, sozinhos no carro. Se o fizerem, a queda virá, mais cedo ou mais tarde. E cada vez mais grave. Estejam sempre com outra pessoa no carro. Jamais devem viajar juntos ou ficar sozinhos em um aposento. É um suicídio espiritual. Devem ser extremamente cuidadosos nas despedidas, sempre também na presença de outras pessoas com boa consciência. A despedida é um momento crítico muitas vezes. Estejam sempre em ambientes saudáveis para a alma, evitando, então, os divertimentos que provocam em demasia os sentidos: cinema, festas mundanas, etc. O local de encontro entre os namorados deveria ser o meio familiar, até mesmo porque é vendo como o outro se comporta com a família dele que se pode conhecê-lo melhor e como ele se comportará com a família que formará. É também em ambiente no meio de famílias católicas que os jovens deveriam conversar e ir se conhecendo melhor quando vai se aproximando a idade de começar um namoro legítimo. Aqui são alguns poucos exemplos do que é necessário para manter a castidade, mas que já dão um norte. E não se iludam os jovens achando que o amor que nutrem pelo outro é tão puro que jamais cairão em pecados contra a pureza. É o primeiro passo para cair. O amor puro vigia, evita as ocasiões de pecado para salvaguardar a honra do próximo e a própria.

O bom namoro não deve ser um namorico, muito pegajoso ou grudento, como se vê muito comumente entre jovens sem consciência nos anos escolares. Devem, então, evitar essas atitudes de namorico, mas devem mostrar, pelo comportamento, a seriedade do namoro, o que não impede uma justa delicadeza e atenção, que são devidas. Como dissemos, os namorados devem guardar entre eles, sempre e onde quer que estejam, uma certa reserva, uma certa modéstia, um verdadeiro pudor. Isso vale também para fotos. É muito comum, atualmente, as pessoas publicarem fotos de tudo o que ocorre em suas vidas, expondo-se, exibindo-se, muitas vezes por orgulho ou vanglória. E os namorados vão publicando fotos e mais fotos juntos e mesmo em situações inconvenientes: muito juntos, muito colados um no outro, etc. É preciso ter muito cuidado com esse excesso de fotos, que pode mostrar um apego muito sentimental e infantil. E não basta evitar as fotos em situações inconvenientes. É preciso evitar as situações inconvenientes. O mesmo vale para fotos em que a pessoa está sozinha. Muito comum a pessoa ir colocando fotos e começar a querer chamar a atenção, a querer ser elogiada, fazer poses e coisas do gênero. É preciso ter muita vigilância nessas questões, uma enorme moderação.

É preciso que os namorados moderem bem a frequência e duração dos encontros. Se as tentações vão crescendo, é preciso diminuir a frequência e a duração deles. Quanto mais próximo o casamento, maiores serão as tentações e menos frequentes, portanto, devem ser os encontros. As conversas por telefone ou outros meios devem ser bem breves. Aos namorados não cabe fazer tudo juntos sempre. Muitas vezes, devem fazer as coisas realmente separados.

Se os namorados percebem ao longo do namoro que um futuro casamento não é possível porque falta a estima mútua, a simpatia, a confiança ou o acordo sobre a visão católica do mundo e do matrimônio, ou porque as personalidades simplesmente não dão certo, é preciso terminar o namoro. E nada mais natural do que isso. O que não pode ocorrer é engatar um namoro atrás do outro, ainda mais quando é no mesmo ambiente, destruindo amizades. Quando a pessoa engata um namoro atrás do outro, isso demonstra a falta de seriedade e de critério para começar a namorar. Esses namoros em sequência prejudicam o respeito mútuo e prejudicarão o amor conjugal quando a pessoa vier a se casar. Quando se termina um namoro, deve-se dar um tempo razoável para a reflexão, para a oração e para evitar os mesmos erros no futuro. É preciso também acabar um namoro quando se percebe que o namoro vai durar muito mais tempo que o previsto. Nesse caso, podem terminar o namoro para reatá-lo, eventualmente, no tempo oportuno.

É preciso que os jovens se preparem para o casamento antes mesmo de começar a namorar. Como dissemos, aproximando-se a idade de começar um namoro legítimo, podendo casar em um ou dois anos, devem os jovens começar a se instruir sobre o matrimônio, sobre seus deveres e direitos, sobre a educação dos filhos. Devem também instruir-se sobre como deve ser um bom namoro. Além disso, é preciso que se preparem mantendo também relações adequadas com as pessoas do sexo oposto, mantendo sobretudo o devido respeito. Muito comum hoje ver os rapazes e moças que já não se respeitam mutuamente, fazendo brincadeiras desrespeitosas, provocando uns aos outros à ira, fazendo piadas indevidas uns com os outros, conversando sobre o que não devem. Quando digo brincadeiras, piadas ou conversas indevidas não me refiro simplesmente a coisas contra a pureza, mas a coisas que levam a perder o respeito pelo rapaz ou pela moça ou que demonstram falta de estima. Muito comum entre jovens provocar o outro fazendo brincadeiras sem graça para chamar a atenção. Fazer provocações assim como suposto sinal de afeto leva à falta de respeito e não é digno de alguém sério. E esse respeito fará muita falta em um namoro e, principalmente, em um casamento. Esse respeito é a base sólida para a estima, simpatia e confiança mútuas entre namorados e, sobretudo, entre casados. É muito difícil manter esse respeito quando os jovens de sexo oposto se encontram completamente sozinhos entre eles sem adultos de boa consciência por perto.

Antes de começar o namoro é preciso que rapazes e moças evitem também alguns erros. Um erro comum é a pessoa começar a se desesperar porque não encontra uma boa namorada ou um bom namorado. E com o desespero ela começa a se expor cada vez mais, querendo chamar para si a atenção. Esse desespero leva muitas vezes a pessoa a casar com qualquer um. Essa ansiedade para casar logo é mais comum nas moças, mas pode também acontecer com os rapazes. É preciso ter muito claro que mais vale ficar sozinho ou sozinha do que casar com qualquer um e ter um casamento extremamente infeliz e conturbado. Vale mais ficar só do que ter um casamento com cruzes que poderiam ter sido evitadas com certa facilidade. Não se precipitar, portanto. O tempo do namoro é o tempo de ser muito exigente, de escolher bem. Depois do casamento, será o tempo da paciência. É claro que não se deve esperar o homem perfeito nem a mulher perfeita (que não existem), mas é preciso ter o mínimo de condições para um bom casamento: maturidade de ambas as partes, estima baseada nas virtudes, simpatia, confiança mútua, acordo profundo quanto à visão de mundo católica. Os jovens, sobretudo as moças, não devem, então, se precipitar. Mas os jovens devem também evitar o erro oposto, sobretudo os rapazes devem evitar o erro oposto. O erro oposto ao da precipitação é o de não amadurecer. Muitos já atingiram a idade de começar a namorar fisicamente, mas não amadureceram psicologicamente, socialmente e espiritualmente. É preciso buscar o amadurecimento, assumir responsabilidades, se instruir, levar a salvação realmente a sério. A imaturidade, mais ou menos voluntária, é uma desordem mais própria dos rapazes e muitas vezes perdura mesmo no matrimônio.

Tivemos, caros católicos, que descer a alguns detalhes práticos porque já não basta apontar somente os princípios gerais. Em outros tempos, talvez bastasse dar os princípios e cada um tiraria as conclusões. Atualmente, em nossa sociedade moderna, lenta na reflexão e formada pela televisão e redes sociais, é preciso mostrar também as conclusões mais práticas. Vocês, jovens, têm a oportunidade de ouvir essas coisas que muitos aqui não ouviram e que desejariam, talvez, ter ouvido no momento oportuno. Vocês têm a graça de poder fazer as coisas bem feitas. Vocês têm a graça de poder fazer uma boa preparação para o matrimônio. Coloquem a mão na consciência. Não desconsiderem o que diz a sabedoria da Igreja e um pai. É para o bem de vocês. Não se deixem levar pela superficialidade ou pela pressão do que todos fazem em nossa sociedade e ao nosso redor. Façam o que é certo. Não se deixem levar pelo sentimento. Sejam conduzidos pela razão e pela fé. E sejam alegres e generosos, como é próprio dos jovens, mas com uma generosidade ordenada pela caridade e com uma alegria não pueril ou infantil, mas católica.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Pe. Daniel Pinheiro

Castidade, uma prova de amor

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Ter relações sexuais antes do casamento parece ser uma prática tão comum hoje em dia que as pessoas pouco se questionam sobre o assunto. Os jovens exigem isso um do outro como “‘prova de amor”‘, como um sinal de que a relação já está amadurecida; como o passo seguinte, natural, de um relacionamento onde já se experimentou de tudo, onde o enfoque não está no crescimento e conhecimento mútuos e muito menos na vontade de Deus, mas na satisfação dos seus próprios desejos e impulsos, de sua curiosidade pessoal, de sua insegurança de ser amado, do seu medo de perder o parceiro.

É espantoso ver como a maioria dos jovens, e mesmo alguns pais, encaram o ato sexual como uma etapa “natural” do relacionamento anterior ao matrimônio… desde que a moça não fique grávida.

A total facilidade de adquirir “pílulas anticoncepcionais” ou preservativos (distribuído gratuitamente em campanhas do governo e até em encartes de jornais) teve o poder de destruir aquele que parecia ser o único freio para as relações sexuais pré-matrimoniais: o medo da gravidez.

A “liberdade e absoluta segurança” prometidas e desenvolvidas pela técnica e ciência vêm de encontro à tendência hodierna de dar mais crédito ao científico que à fé. O resultado é que muitos jovens, mal preparados para discernir entre a verdade e a mentira acabam deixando-se levar pela ilusão de que tudo o que vem da ciência é “bom”, “seguro”, aconselhável.

Trata-se da inocência e da falta de preparo do jovem que acaba influenciado por uma mentalidade relativista. Ele passa também a não ter critérios objetivos para saber o que é “bem” e o que é “mal”. Como todos à sua volta, acredita ser um bem aquilo que lhe satisfaz, que lhe dá prazer, que proporciona uma “‘sensação” de bem-estar, que o faz ser aceito e acatado no meio dos outros jovens.

É fácil perceber que onde estes dois caminhos não levam Àquele que disse: “Seja o vosso ‘sim’, sim e o vosso ‘não’, não. Tudo o que passa disto vem do Maligno’. (Mat 5,37) As coisas acabam por ficar tão confusas e nebulosas para a maioria das pessoas que mesmo algumas, ligadas à Igreja, afirmam temerariamente que o sexo antes do casamento, assim como a masturbacão individual ou a dois não apresenta problemas. É o que Sto. Domingo chama de “moral de situação”, onde mesmo pessoas de fé esclarecida se deixam influenciar pela pressão social e psicológica dos argumentos que o mundo apresenta, esquecendo-se da dimensão da fé e da graça.

Em primeiro lugar, no matrimônio, não se utiliza o termo “relação sexual”, mas “ato conjugal”.

Isto se dá exatamente porque é aí que se expressa o “amor conjugal”, aquele tipo de amor humano que recebeu de Deus, através do sacramento do matrimônio uma graça especial que o elevou de tal modo que ele une em si o divino e o humano, como afirma a encíclica Gaudium et Spes, no n° .49.

As pessoas, hoje em dia, não entendem muito a dimensão e a importância da graça. O resultado é que ficam presos a um moralismo seco e estéril, que leva a uma lista vazia e sem sentido do que é “permitido” ou do que é “proibido”. O moralismo não leva a nada, é uma pregação infrutífera (e, infelizmente, muitas vezes, a mais comum) que leva o homem a contar apenas consigo mesmo.

Muito diferente é o caso da graça. Através do sacramento do matrimônio, Deus confere aos esposos uma graça especialíssima: seu amor humano é mergulhado no amor que une a própria Trindade. Toma-se, assim, um amor humano-divino, que expressará de maneira concreta e visível o amor da mesma Trindade para o mundo. Isto não é pouca coisa, de jeito nenhum!

E neste ambiente onde os esposos podem, sempre, contar com a “graça de estado” do matrimônio que o amor criador de Deus (existente no seio da Trindade com quem o Pai criou todas as coisas), que eles podem cumprir o seu papel de co-criadores, no sentido de gerar novas vidas para Deus. Exercem, assim, o direito e o dever de paternidade que Deus lhes delega pela graça do sacramento do matrimônio.

Assim, os filhos do casal não pertencem aos dois, mas a Deus. Não são educados segundo o que os dois pensam ou acham; são educados segundo o que Deus pensa, segundo a Sua vontade e para a alegria de Deus e dos irmãos. Os filhos, nesta dimensão, deixam de ser uma posse dos pais e passam a ser o que realmente serão por toda a eternidade: filhos de Deus.

Seu matrimônio, da mesma forma, não existe para o bem deles somente, mas principalmente para que através dele possam ambos, com os filhos, servir e amar melhor a Deus, finalidade última do matrimônio.

Quando a gente entende o sentido do matrimônio, a gente compreende o papel do ato conjugal dentro dele e pode discernir toda a dimensão empobrecedora e degradante das relações sexuais fora do matrimônio. As pessoas que se casam conscientes de que estão sendo feitas, pela graça, uma só carne e um só espírito, enxergam a amplitude do seu ato: não estão realizando um compromisso entre os dois, o que seria inteiramente humano e, neste caso, pecaminoso. Estão realizando um compromisso entre si e com Deus. É Deus quem sela e realiza este compromisso de unidade. É Ele quem o sustenta e faz crescer com a Sua graça e a participação generosa dos esposos.

Tem muita gente boa hoje em dia que pensa que o que une o homem a uma mulher, o que os faz ser um é o fato de terem um relacionamento sexual pleno. Isto não é verdade. O homem ou a mulher não têm o poder de se tornarem um. O poder de tornar duas pessoas uma só é uma prerrogativa divina, uma exclusividade do Espírito Santo, que faz una a Trindade, a Igreja, o casal que passou pelo sacramento do matrimônio.

Outra idéia errônea é pensar-se que o que faz com que duas pessoas sejam uma é o amor. Como vimos, o sacramento do matrimônio eleva o amor humano de duas pessoas a uma dimensão divina, coisa que só Deus pode fazer; coisa de que nenhum amor humano é capaz. Seria, então, uma ilusão pensar-se que é o amor que transforma duas pessoas em uma só. O amor é o veículo da vontade humana que, unido ao amor e à vontade divina, diz o seu “sim” para toda a eternidade. Só o Espírito Santo tem o poder de .tornar duas pessoas uma só carne e um só espírito.

E este é o único problema de ter relações sexuais antes do casamento?

O ato conjugal (relações sexuais no matrimônio) é o único tipo de relacionamento sexual pleno abençoado e reconhecido por Deus. Somente ele expressa a unidade da Trindade, somente ele conta com a graça e a bênção de Deus. As relações sexuais fora do matrimônio não contam nem com a graça nem com a bênção de Deus, por mais excitantes, românticas e emocionantes que possam ser. Não são as emoções que medem o valor de um ato para Deus, mas a obediência à Sua vontade, a abertura à Sua graça. As relações fora do casamento não apresentam estas características.

Pelo contrário, este tipo de relacionamento é eminentemente egoísta, fechado em si mesmo, escravo da auto¬satisfação, escravizador e escravizante. É uma busca de prazer pelo prazer, sem responsabilidade nenhuma, por mais que os dois prometam amar o outro para sempre e nunca deixá-lo. É esta situação contrária à vontade de Deus que deixa um grande vazio e sentimento de solidão e escravidão à situação e ao outro envolvido nela.

O amor, pelo contrário, é aberto para a vontade de Deus, promotor do bem do outro, de sua felicidade e satisfação. O amor é, essencialmente, libertador. Busca a vontade de Deus e, porque é maduro, é também responsável diante de Deus, diante do outro e diante da sociedade. Não se fecha ridiculamente em um mundinho a dois, mas abre-se para o serviço e amor a Deus e a todos os homens.

Mas, com o casamento o amor acaba?

É absolutamente inacreditável que hoje se seja forçado a responder a uma pergunta destas. No entanto, infelizmente, é esta a ideia que nós, bobinhos, “engolimos” através dos meios de comunicação, que afirmam “retratar” uma realidade quando, no entanto, são muito mais agentes e promotores irresponsáveis de uma mentalidade pagã. Com isso, destroem não somente a fé, mas vão além: destroem a dignidade da pessoa humana e o fim para o qual ela foi criada. Pagarão suas contas diante de Deus pelos milhões de almas que vêm iludindo e levando a uma mentalidade indigna da condição humana.

É relevante que nos países europeus se tenham feito grandes campanhas para tirar do ar novelas brasileiras por considerá-las nocivas à moral e aos costumes do povo. Nós, ao contrário, aplaudimos como bobos toda a porcaria que vem envolvida na atraente roupagem da mídia. E, se a mídia diz que o casamento acaba o amor, nós acreditamos como inocentes úteis que contribuem para aumentar sua renda.

Não temos discernimento nem critério firme de valores e, mesmo que com nossas palavras afirmemos que não cremos em uma coisa destas, nossas atitudes são de quem quer aproveitar de tudo o que o “amor” pode dar “antes que a gente se case e os filhos e a vida venham atrapalhar o nosso amor” .

Se você pensa assim, pelo amor de Deus, não se case. Você não sabe o que é o amor. Você não aprendeu ainda a beleza do matrimônio. Não é ainda digno dele. Se a Igreja visse o sexo como um mal estaria irremediavelmente separada de Deus e de Jesus. O homem foi criado por’ Deus como um ser sexuado e sua sexualidade permeia todo o seu ser físico, psíquico e, conseqüentemente, espiritual.

É a sua sexualidade que o faz co-criador no sentido da paternidade e também no sentido da cultura. É ela quem o prepara para o amor santo e puro, tanto por alguém do mesmo ou de outro sexo, no caso da amizade, como por alguém do sexo complementar (Não “oposto”! Os sexos não se opõem, complementam-se!).

O prazer que resulta e estimula uma amizade entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos complementares, assim como o prazer que resulta e estimula o relacionamento e o ato conjugal, é uma linguagem pela qual se expressa estima, apreciação, amor, amizade, partilha, complementação, crescimento, libertação.

A Igreja, como o Evangelho e o próprio Jesus, abençoam o prazer como uma linguagem, pois ele promove o homem. Repudiam, porém, o prazer pelo prazer, ou seja, o prazer como um fim, porque este degrada o homem.

É importante frizar que isto não se dá somente com relação ao ato conjugal, mas igualmente com relação a toda interação humana sadia. Também em uma amizade pode-se buscar o prazer pelo prazer: o prazer de estarem juntos em todo momento e circunstância, a busca de satisfazer o desejo de estarem juntos como uma alimentação do próprio desejo e não visando o bem do outro é uma busca egoísta do prazer, que acaba em apegos e fechamento.

Infelizmente temos visto inúmeros jovens, solteiros e casados, que sofrem por toda a sua vida as conseqüências de uma sexualidade mal vivida. É preciso não ter medo de ser puro; não ter medo de preservar-se para o amor de dimensões divino-humanas do matrimônio ou de qualquer outra vocação que se abrace por amor  a Deus e para melhor servi-Lo.

A conversão de São Bernardo de Claraval

Tendo recebido desde cedo uma sólida formação religiosa, Bernardo foi aluno notável em sua mocidade. Quando recebia alguma lição que contrariasse os mistérios da fé e a doutrina cristã, “recorria à oração e à meditação das Sagradas Escrituras para neutralizar o veneno inalado nas aulas” [1]. (Nenhum conselho pode ser tão útil para os nossos dias.) Mais tarde, o mesmo Bernardo será visto debatendo e debelando os erros dos professores de sua antiga escola.

Depois da morte de sua piedosa mãe, no entanto, o jovem rapaz foi atingido por uma tristeza acabrunhante. O luto se tinha apoderado totalmente de sua alma e ele não achava consolação em nada do que fazia, nem mesmo na oração, à qual já estava tão habituado, apesar da breve idade. Era final de agosto de 1110 e Bernardo contava cerca de 20 anos.

Instado por sua irmã Umbelina a distrair-se e passar tempo com os jovens que frequentavam o castelo, Bernardo começou a acercar-se de más companhias e brincar à beira do precipício dos maus costumes (cf. 1 Cor 15, 33). Como mais tarde escreveu ele ao Papa Eugênio III:

“No princípio, algumas coisas podem parecer insuportáveis, mas com o passar do tempo, se te acostumas a elas, não as julgarás tão pesadas; pouco depois, já te serão suportáveis; em seguida, não as notarás e, no fim, terminarão deleitáveis.Assim, paulatinamente, se chega à dureza do coração e, dela, à aversão.” [2]

Para acordar Bernardo e impedir que a sua alma se perdesse, Deus permitiu que lhe sobreviessem fortes tentações, das quais a última, relativa ao pecado da impureza, fê-lo mudar totalmente de vida:

“Esquecido de sua vigilância habitual, permitiu que os seus olhos pousassem por um momento em um objetivo perigoso. Pela primeira vez, experimentou a rebelião da carne. Alarmado, então, perante o espectro do mal e pleno de remorsos pela sua falta, implorou imediatamente o auxílio do céu e, afastando-se do local, foi mergulhar em um pequeno lago e ali se manteve, meio morto de frio, até que a perturbação interna desapareceu totalmente. Das palavras de seus primeiros biógrafos conclui-se que decidiu naquele momento permanecer perpetuamente casto.” [3]

Esse episódio da vida de São Bernardo deve servir de inspiração a todos os cristãos na luta pela castidade, principalmente no mundo de hoje, tão avesso a essa virtude.

O fato de que o santo se tenha lançado em um lago gelado para não pecar contra a castidade mostra a natureza da batalha que aqui se trava. Como diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 19, 12), “existem eunucos que nasceram assim do ventre materno” e “outros foram feitos eunucos por mão humana”, isto é, alguns foram privados do sexo por natureza e outros por necessidade. Há, porém – e só assim se pode falar propriamente de “virtude” –, aqueles que se tornaram “eunucos por causa do Reino dos céus”. Embora aqui Cristo esteja se referindo especificamente ao celibato, a sua consideração é válida para todos os cristãos, chamados que são a viver a santa pureza: porque o “ser eunuco” só é louvável e recompensado por Deus na medida em que é escolhido livremente pelo homem [4].

Os santos não eram “eunucos físicos”, sem sensibilidade e sem paixões humanas, mas “homens de carne e osso”, como quaisquer outros. A sua diferença é que, auxiliados pela graça divina, eles se fizeram “eunucos espirituais”. Mas, isso (atenção!) por causa do Reino dos céus – e só por causa desse Reino (presente em suas almas pela graça santificante), eles estavam dispostos a tudo: a revolver-se na neve, como fez São Francisco de Assis; a jogar-se em um arbusto de espinhos, como fez São Bento; a mergulhar em um lago gelado, como São Bernardo [5]; ou mesmo a morrer, como fizeram tantos mártires ao longo da história da Igreja.

Pela vida dos santos, é possível concluir que a castidade não é um mero jogo de cálculos humanos: fosse assim, todas essas mortificações – recomendadas pelo próprio Evangelho (cf. Mt 5, 29-30) – não teriam sentido algum. Por que privar-se de algo prazeroso e, ao mesmo tempo, fazer arder o corpo no frio ou mesmo perder a própria vida? Por que tanto “radicalismo” com essa história de “castidade”? Porque, ontem, assim como hoje, os seguidores de Cristo não se fizeram eunucos “por mãos humanas”: eles viveram (e vivem) a pureza por causa do Céu – e só a vida eterna pode explicar a sua abnegação e os seus sacrifícios, em que pese todo o desprezo do mundo.

Depois do episódio acima referido, como se sabe, Bernardo consagrou-se por inteiro a Deus e entrou na vida religiosa como monge cisterciense. Em 20 de agosto de 1153, partiu deste mundo, deixando na terra a sua notável fama de santidade, além de obras de incalculável valor espiritual.

No dia em que a Igreja celebra a memória deste grande doutor da Igreja, peçamos a sua intercessão. Que ele nos ajude a viver inteiramente para Deus, independentemente do estado de vida em que o Senhor nos colocou: na vida leiga ou consagrada, na vida sacerdotal ou matrimonial, todos são convocados à castidade, à entrega total do próprio ser e à santidade – porque, afinal, todos são chamados para amar.

São Bernardo de Claraval,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Ser católico implica correr o risco de perder amigos

 Não faz muito tempo, eu recebi um e-mail que me pedia o seguinte:
“Como mãe, educadora, católica e mulher no mundo atual, eu gostaria de saber um pouco mais sobre a sua conversão. Você perdeu amigos? Você não se sente esquisita de vez em quando? Eu tenho 43 anos e sou a única pessoa que eu conheço que vai à missa mais que uma vez por semana. O que eu posso fazer para não me desanimar?”.

A minha resposta curta para esse tipo de situação é que nós temos que descobrir o que faz o nosso coração arder e, então, correr atrás desse algo com determinação obstinada. Para mim, por exemplo, o que funciona é escrever.

Já a minha resposta longa é que o catolicismo é uma busca radical pela verdade. Nós não nos lembramos o suficiente do quanto a graça custa. Não ouvimos falar o suficiente do quanto é medíocre seguir a Cristo mais ou menos. A não nos chama a viver na miséria, mas nos chama, claramente, a não possuir muito mais do que realmente precisamos. A fé nos convida à pobreza, à castidade e à obediência. E o que eu descobri é que estes três estados de vida são incrivelmente empolgantes e desafiadores! Eles nos dão um tipo de liberdade e de “consciência de ser” que é completamente inexistente no meio da nossa cultura entorpecente.

Eu resisto resolutamente a ser uma pessoa “ocupada demais”. Acho que o tipo de ocupação que a nossa cultura valoriza e almeja não é obra de Deus. Certos tipos de mídia católica dizem que nós somos quase obrigados a assistir a filmes estúpidos e a programas de TV de má qualidade para podermos enxergar as pessoas “do jeito que elas são”, mas eu não penso assim. Só a ideia de perder 10 minutos vendo um programa de TV estúpido para poder jogar conversa fora com algum “não crente” me deixa arrepiada.

Se Cristo andava com as prostitutas e com os publicanos, não era porque Ele quisesse nos incentivar a contar piadas infames e a fazer fuxicos grosseiros. Ele não descia de nível, mesmo quando se encontrava com as pessoas nos níveis em que elas viviam. Ele ia até lá para chamá-las a subir de nível. Nós amamos de fato as pessoas quando vemos a sua fome e sede terrível, mas as convidamos a contribuir, mostrando a elas que elas também têm uma missão integral e de importância vital.

Eu perdi o meu casamento, em parte, porque me converti. Eu abandonei o meu trabalho como advogada porque me converti. Não sei se perdi amigos, mas posso ter perdido certa proximidade com certos amigos. Que o catolicismo seja constantemente mal interpretado, incompreendido, caluniado, desprezado, eu posso aceitar. O que me incomoda é que as pessoas vejam o catolicismo como uma excentricidade sem sentido.

Logo depois que Obama foi eleito, uma amiga minha, que se derretia toda por ele, me perguntou: “Você também adora o Obama, não adora?”. Eu respondi: “Bom, ele parece uma pessoa legal, mas eu não morro de amores pelo fato de ele apoiar pesquisas com células estaminais embrionárias. E aposto com você que não vai melhorar nada para os pobres, aposto que ele vai começar uma ou duas guerras e aposto que, daqui a um ano, muita gente vai começar a odiá-lo”. Ela retrucou: “Poxa, isso é só coisa do seu catolicismo”. Eu quase pulei da cadeira. “Coisa do meu catolicismo?! O meu catolicismo é a minha vida! O meu catolicismo é o ar que eu respiro!”.

Foi por causa do meu catolicismo que eu não votei em Obama nem em Romney. Domingo passado, no Los Angeles Times, eu li que, desde 1995, o Pentágono distribuiu 5,1 bilhões de dólares em equipamentos militares excedentes para os departamentos de polícia dos Estados Unidos: fuzis, veículos blindados resistentes a minas, helicópteros. Li sobre Mohamedou Ould Slahi, preso em Guantánamo, que, embora nunca tenha sido acusado de crime algum, está sob custódia dos Estados Unidos desde 2001. Ele escreveu um livro de memórias que fala, entre outras coisas, da tortura que sofreu em nossas mãos. Li também, recentemente, a resenha de um livro chamado “The Invisible Soldiers: How America Outsourced Our Security” [“Os soldados invisíveis: como os EUA terceirizaram a sua segurança”], de Ann Hagedorn, e soube que “metade dos 16 mil funcionários que trabalham para a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá desde a retirada das tropas norte-americanas são contratados”, que gastamos bilhões de dólares com mercenários e que, de acordo com um executivo da Blackwater, o ex-SEAL Erik Prince, “o exército dos EUA não é grande o suficiente para fazer frente a todas as exigências de uma missão ampla, cara e complexa como a guerra do Iraque”.

Então, por que criticar justamente o catolicismo?

O sistema inteiro sob o qual vivemos é muito, muito afastado de Cristo. Pode não haver respostas, mas nós temos que fazer pelo menos as perguntas. A nossa inteligência, como católicos, não pode deixar de notar a violência satânica e cheia de segredos terríveis que é perpetrada pelo nosso governo! Não podemos esperar, por exemplo, que um país que gasta mais dinheiro com exército e armas do que todas as outras nações do mundo juntas vá se preocupar seriamente com as crianças que ainda não nasceram.

Eu, particularmente, não quero ficar alienada. Como seguidora de Cristo, eu quero lutar pelo bem das pessoas. O que me preocupa é que o simples fato de expressar opiniões como esta me faça perder amigos católicos.

Diante de tudo isso, não podemos esquecer que a ressurreição não é apenas um final feliz. A ressurreição é um final surpreendente.

Via Aleteia

A farsa do sexo livre

O homem não foi feito para o sexo livre. Muito antes de o movimento de contracultura fazer sucesso nos anos 1960 – com a invenção da pílula anticoncepcional, a legalização do divórcio e a aceitação do chamado “amor livre” –, Santo Tomás de Aquino, ainda no século XIII, demonstrou, de modo bem simples, porque toda a conversa dos hippies e revolucionários não passava de uma grande e verdadeira bobagem:

“A simples fornicação importa uma desordem, que redunda em dano da vida do que nascerá dessa união sexual. Vemos, pois, que todos os animais que precisam dos cuidados do macho e da fêmea para criarem os filhos, não praticam o sexo livre, mas o de um macho com uma determinada fêmea, uma ou várias, como se vê em todas as aves. Ao contrário, os animais em que as fêmeas por si só são capazes de criar os filhos, praticam o sexo livre, como se vê nos cães e em outros animais. Ora, é manifesto que, para a criação dos filhos na espécie humana, não bastam apenas os cuidados da mãe, que os amamenta, mas muito mais os cuidados do pai, que deve educá-los, defendê-los e dotá-los de bens tanto internos como externos. Por isso, é contra a natureza do ser humano praticar o sexo livre, sendo necessária a união de um homem a uma determinada mulher, com a qual ele permaneça não por pouco tempo, mas diuturnamente e mesmo por toda a vida. E daí vem para a natureza humana a solicitude natural do homem pela certeza de sua prole, porque cabe a ele educá-la. Ora, essa certeza desapareceria com o sexo livre.” [1]

Se você acaba de ler estas linhas e está revoltado com o que encontrou, feche os olhos e respire. Se não é católico, deixe de lado por um momento os termos religiosos empregados por Santo Tomás – ou simplesmente Tomás, se preferir – e tente raciocinar um pouco.

Embora o trecho acima tenha sido retirado de sua Suma de Teologia e use expressões consagradas pela religião católica, o argumento tomista não tem nada de religioso. É puramente racional. Não é preciso ser católico para admitir que “a fornicação simples redunda em dano da vida do que nascerá dessa união sexual”. A multidão de filhos abandonados por homens irresponsáveis (e criados tão somente por suas mães), além de outra incontável multidão de bebês mortos ainda no ventre materno, testemunham que, de fato, a vida deve acontecer dentro da comunidade familiar, da aliança firmada por um homem e uma mulher, “não por pouco tempo, mas diuturnamente e mesmo por toda a vida”. Além da questão espiritual, é com vista ao bem dos filhos que o sexo fora do casamento é condenado pela Igreja – e era, até há algumas décadas, evitado pela sociedade.

Diante de tudo isso, alguém pode objetar que o argumento de Tomás já é obsoleto, pois já foram inventadas a pílula, a camisinha e toda sorte de métodos anticoncepcionais. “Se o problema são os filhos – diz-se –, não é preciso mais evitar a fornicação. Compre camisinhas e seja feliz”. Not so fast. Esse lema de propagandas de Carnaval, longe de ser uma solução para os dramas afetivos e sexuais das pessoas, só torna ainda mais fundo o abismo em que elas se acham.

É o que lembrou o Papa São João Paulo II – ou simplesmente João Paulo, se preferir –, quando falou, em suas catequeses, sobre a “linguagem do corpo”. Ao se relacionarem sexualmente, homem e mulher entregam-se totalmente um ao outro. Os seus corpos “falam” que eles se tornaram “uma só carne” ( Gn 2, 24). Ora, como é possível que, logo depois que se doa deste modo, o casal se levante de seu leito, cada um pegue as suas coisas e volte para sua própria casa – como se aquele ato sexual não fosse ou não significasse nada? Não é evidente a farsa de um relacionamento – ou vários – que deseja o sexo, mas rejeita um compromisso sério? Que quer prazer, mas não se compromete com o outro?

Para os promotores e simpatizantes da Revolução Sexual, no entanto, tudo isso a que o homem assiste estupefato e boquiaberto – desde a destruição da família até ao desprezo da própria vida humana – foi perfeitamente querido e planejado. Não foi o próprio Herbert Marcuse quem pediu a “erotização da personalidade total”, a fim de desintegrar “as instituições em que foram organizadas as relações privadas interpessoais, particularmente a família monogâmica e patriarcal”? Não foi justamente o autor da Escola de Frankfurt quem incentivou sair “da sexualidade a serviço da reprodução para a sexualidade na função de ‘obter prazer através de zonas do corpo'” [2]? Eis que hoje os seus augúrios estão em pleno funcionamento – e a todo vapor!

Mas, o que a modernidade ganhou depois de todos esses “avanços”? Não muita coisa. Filhos sem pais. Pais sem esposas. Esposas que não são mães. E, como se não bastasse, mães que matam os próprios filhos. Este é o “admirável mundo novo” construído pelos arautos da Revolução Sexual – e, acredite se quiser, é apenas o início, o começo de um despenhadeiro, sem fundo, cujo nome é “inferno”.

É claro que ainda há remédio para a humanidade. Se Marcuse, em 1955, sugeria que, para tornar o homem livre, “o ‘pecado original’ deveria ser cometido de novo” [3], a Igreja recorda ao ser humano a sua vocação à eternidade e à união com Deus, a única que pode verdadeiramente libertá-lo. Que ninguém se engane: o sexo dito “livre” não faz outra coisa senão aprisionar o homem. É na entrega fiel e amorosa no Matrimônio – e da própria vida, a Deus – que se encontra a verdadeira libertação. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32), diz Nosso Senhor.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 2
  2. Herbert Marcuse. Eros e Civilização. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975. p. 176
  3. Ibidem, p. 174