A ESTRELA APAGA: DO CATOLICISMO AO FEMINISMO

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Confesso já ter sido profundamente crente de que o engajamento por um mundo melhor liberta e emancipa o homem, enquanto a fé o aprisiona e aliena. Bombardeado por discursos ideológicos, distorções históricas e símbolos kantianos durante toda a adolescência, naturalmente, tornei-me um formidável monstrinho. Minha imaginação sofria de intoxicação, e até hoje lido com as sequelas. Então, quando possível, busco ajudar aqueles que manifestem sintomas de envenenamento mental. Tentei acudir uma conhecida minha, mas o veneno foi tão forte e inebriante que a exterminou completamente. O episódio se dera há coisa de dois, três anos atrás. Chama-la-ei de Leniza, em homenagem à personagem de Marques Rebelo.

A conheci na faculdade (ela, como cerca de 92% da população brasileira, cursava Direito). Era bonita, de uma beleza pouco comum. A pele branca, junto dos cabelos lisos, tão escuros quanto os olhos, lhe atribuía um ar de meiguice e recato que despertava atenção. Descobri que era católica quando a vi vendendo água no semáforo junto de outros jovens do EJC. Conversamos algumas vezes e, para minha surpresa, todas foram assombrosas. Era notável como seu catolicismo estava doente.

Depois, descobri a causa: Leniza não desgrudava do professor mais feminista do curso. Entre os dois, segundo me parecia, havia um intenso compartilhamento de vertigens. A fantasia de construir o império da “igualdade de gênero” tornara-os tão unidos quanto Dom Quixote e Sancho Pança. Tentei alertá-la acerca da incompatibilidade entre sua condição católica e seus novos fetiches políticos, mas o melhor que obtive foram as pechas de intolerante e machista. “Machista”. Quando tentamos ser caridosos com aqueles intoxicados pelo veneno revolucionário, e somos retribuídos com xingamentos típicos da retórica politicamente correta, é sinal de que o pretenso agente político já vergou a pessoa real. A alma de Leniza chegou ao coma.

Para minha sorte, naquela mesma época, o glorioso Pedro Augusto (também colunista deste distinto portal) estava ministrando um curso de formação católica. O mundo ainda não sabe, mas as aulas do Pedro são quase como milagres, pois é difícil não se encantar pela Igreja após ouvi-lo. Resolvi convidar Leniza, então, na esperança de que aquele encanto pudesse reanimar sua alma e atravancar as veleidades ideológicas. Disse-lhe: “Olha, um amigo meu está ministrando um curso assim, assim. Na primeira aula, ele tratou de alguns dogmas da Igreja, das Verdades de Fé, do Credo, etc. Não te chamei antes, pois havia me esquecido. Que tal?” A resposta demorou.

Não lembro exatamente as palavras de Leniza. No entanto, mais importa a carga simbólica desta mensagem: “Nossa, Caio. Muito obrigada pelo convite! Sério, acho super válidas essas discussões. Sempre me acrescentam bastante, e fazem com que eu me sinta uma pessoa melhor e mais aberta. Agora, olha… Essa coisa de dogmas. Acho que a gente não pode engessar a nossa visão do mundo. O certo é termos abertura para o diferente, sabe? De novo, agradeço muito. Vou ver se apareço!” Enfim, não havia mais dúvidas: a feminista matou a católica.

Leniza é apenas uma amostra da grande confusão mental de nosso tempo. Chesterton, salvo engano, uma vez disse que desejar uma religião sem dogmas é como pedir um pastel de queijo sem queijo. Pensar que viver os dogmas católicos significa uma vida aprisionada, enquanto o feminismo representa a verdadeira liberdade, só revela o completo desconhecimento tanto da doutrina quanto da experiência de ambas as coisas.

De forma sucinta, basta dizer que, aos olhos de Deus, a mulher é extremamente sagrada, pois dela brotam a vida e a alegria. Por isso, são dotadas de uma dignidade tão grande, que a postura diante do Criador não pode ser outra senão a de gratidão e resignação.

Contemplem a foto abaixo. Ocorreu durante a Santa Missa. Minha namorada ficou tão admirada da piedade dessa senhora que fotografou-a no momento da comunhão. Será mesmo possível dizer que trata-se de pura e cega submissão? De uma frágil personalidade que precisa projetar suas fraquezas n’um conjunto de dogmas para sentir-se segura?

Naquele domingo, essa senhora escolheu acordar cedo. Não era obrigada a ir para a Igreja, mas assim o fez. Optou por vestir o véu, pois sabia que significava esconder a formosura de seu rosto, de seus cabelos, para que sua beleza estivesse, ao menos durante a eucaristia, somente voltada Àquele que a ornou desses mesmos bens.

Tantas decisões antiquadas, certamente, não podem significar fraqueza ou alienação, uma vez que vão na contramão de todos os pressupostos da atual e garbosa idéia de emancipação feminina. Portanto, a grande verdade – por mais que o mundo moderno chore e ranja os dentes -, é a seguinte: essa senhora é livre; plenamente livre, e de uma liberdade profundamente misteriosa. A senhora da foto é livre porque ama, e ama porque é livre. E quem nesse mistério somente enxerga grilhões, é porque já está cego para o amor. Agora, voltemos a Leniza.

Naturalmente, nunca mais nos falamos. Ela, por ter aberto sua mente às mais diferentes visões de mundo, começou a cortar contato e excluir das redes sociais todos aqueles que tivessem opiniões diferentes das suas. Também, por não estar restrita a dogmas ou pensamentos fechados, começou a participar de passeatas feministas. Ainda lembro de tê-la visto na rua com um fabuloso e nada dogmático cartaz que dizia: “Cunha, meu útero não é banco suíço pra ser da sua conta! Meu corpo, minhas regras!“. Ah, também deixou os cabelos curtíssimos e parou de sorrir nas fotos. Frutos do bom e velho desejo de identificação grupal.

Vejam quão admirável foi a emancipação de Leniza. De moça católica e bonita, tornou-se mais uma revoltada no meio de uma horda de barangas. No seu cartaz, nas suas postagens, no seu corte de cabelo, nas suas fotos, não há nada de original. É só mais uma devota de cartilha política, e por isso mesmo deixou-se ser feita à imagem e semelhança do ideal que julga construir. Pergunto: por que raios trocar os dogmas de uma lindíssima tradição de dois mil anos, por cinco ou seis chavões de uma moda cultural tão grotesca quanto recente é um sinal de emancipação?

É necessário compreender que a piedade e a devoção da mulher católica estão edificadas n’um forte senso de transcendência. O feminismo é puro materialismo. Se os olhos da feminista miram o futuro, os da católica apontam para a eternidade; enquanto a primeira nutre ódio contra a “realidade opressora”, a segunda busca aceitar tudo amorosamente, pois é grata a Deus por tê-la considerado digna de ser fonte de vida para a Criação.

No fim das contas, nos deparamos com o problema da escolha. O homem ainda é livre para escolher, muito embora pareça ter perdido a noção de que nem todas as suas decisões lhe conservarão a liberdade. Parafraseando Roger Scruton, é necessário decidirmos se queremos viver para proteger o que amamos, ou destruir o que odiamos, com a consciência de que a escolha pelo ódio sempre será mais sedutora, e por isso mesmo nos transforma em cativos. Leniza e a senhora de véu fizeram suas escolhas. Quem permaneceu livre?

Fonte: Homem Eterno

Padrinhos, pais segundo Deus

O papel dos padrinhos na formação dos cristãos é mais antigo do que se imagina. A tradição remonta ao século quarto, quando a Igreja tinha de enfrentar as perseguições romanas e as heresias pagãs. A eles cabia o dever de instruir os catecúmenos na fé católica, preservando-os dos erros que pululavam na comunidade. E no caso das crianças, além de professarem a fé em nome delas, recebiam a responsabilidade de educá-las conforme a doutrina perene dos santos apóstolos.

O decreto Ad Gentes, do Concílio Vaticano II, procurou enfatizar esse significado do apadrinhamento, recordando que a iniciação cristã no catecumenato não é obra apenas dos sacerdotes ou dos catequistas; é “de toda a comunidade dos fiéis, especialmente dos padrinhos, de forma que desde o começo os catecúmenos sintam que pertencem ao Povo de Deus”01. Assim se expressava também o Pastor Angelicus na Encíclica Mystici Corporis. Segundo Pio XII, os padrinhos e madrinhas “ocupam um posto honorífico, embora muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade”02.

As palavras do venerável Papa são um verdadeiro alento, além de um sutil, porém necessário, puxão de orelha. Os padrinhos são chamados à santidade de vida. Não é da alçada deles a compra de presentes, mas a instrução na fé católica, porquanto “uma criança não é capaz de um ato livre de fé: ainda não a pode confessar sozinha e, por isso mesmo, é confessada pelos seus pais e pelos padrinhos em nome dela.”03 Numa época dominada pelas falsas filosofias de vida e pelos erros ideológicos, exaustivamente pregados nas escolas e na imprensa, reavivar o sentido do apadrinhamento na fé católica parece tarefa imprescindível.

O Código do Direito Canônico dispõe algumas normas para que se escolha o padrinho do batizando. Em primeiro lugar, obviamente, exige-se que “seja católico, confirmado e já tenha recebido a Santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar”.04 Depois, que “não esteja abrangido por nenhuma pena canônica legitimamente aplicada ou declarada”. Ora, ao contrário do que possa parecer, não são regras absurdas. Como dito anteriormente, aos padrinhos cabe a missão de “assistir na iniciação cristã” e “esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes”.

Os padrinhos são muito mais que uma posição social; são pais segundo Deus, pois no batismo morre o “homem velho” e nasce o “homem novo”. E como verdadeiros pais, têm o grave dever de transformar seus filhos em soldados de Cristo, educando-os na escola de santidade dos grandes santos da Igreja.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

Decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da IgrejaCarta encíclica Mystici Corporis do Sumo Pontífice Papa Pio XIICarta encíclica Lumen Fidei do Sumo Pontífice FranciscoCódigo de Direito Canônico>

A Fé Católica

Em sua primeira carta, São Pedro nos chama a atenção para “estarmos preparados a responder a todo aquele que nos pedir a razão da nossa esperança” (citação livre de I Pd 3,15). A nossa esperança é Jesus Cristo! O mesmo São Pedro, no discurso aos judeus, disse: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).

A fé católica e toda a sua vivência estão centradas em Jesus: “Ele é o Senhor” (citação livre de Fl 2,11). Contudo, o próprio Jesus instituiu Sua Igreja e quis que ela fosse o Seu próprio Corpo Místico (cf. I Cor 12,27)- sacramento universal da salvação de todos os homens. O próprio Senhor resgatou a Sua Igreja com o Seu Sangue; confiou-lhe o sagrado depósito da fé e deu a ela o Seu Espírito para conduzi-la a toda a verdade (cf. Jo 16,13). O Espírito Santo é a alma e a garantia da infalibilidade da Igreja, no que concerne à doutrina católica. Nos dois mil anos de caminhada, o Espírito conduziu a Igreja do senhor e ensinou-lhe todas as coisas, recordando-lhe tudo o que Jesus ensinou (cf. Jo 14,26).

No Credo – símbolo dos apóstolos – encerra-se conteúdo dogmático básico da fé católica. Já no início do cristianismo, “perseveravam eles [os fiéis] na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão (Eucaristia) e nas orações” (At 2,42). Essa doutrina dos apóstolos está encerrada no Credo, nossa profissão de fé.

Além dos dogmas iniciais, sob a luz do Espírito, a Igreja estruturou todo o arcabouço da fé, sob o comando de Pedro, a quem o próprio Senhor garantiu a infalibilidade, reconhecida de modo definitivo no Concílio Vaticano I (1870). Na pessoa do Papa, a Igreja entendeu que é vontade do Senhor ter o Seu vigário na terra como pedra fundamental da unidade da Sua Igreja. Por isso, a obediência e a submissão ao Papa são características essenciais do catolicismo. Sem o Papa não existe a Igreja. Os antigos padres afirmavam: “Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja, está Cristo.”

Outra característica da fé católica é a devoção aos santos, principalmente à Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Jesus no-la deu aos pés da cruz, dizendo a João: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27b). Essa foi uma doação de Jesus à Sua Igreja e a cada um de nós. Maria é nossa Mãe! Nós, católicos, não a adoramos, pois ela não é uma deusa; nós a veneramos como Mãe muito querida e preocupada com o bem de cada um de seus filhos salvos por Jesus. Sem Maria, Virgem, Imaculada, Mãe de Deus, levada ao céu de corpo e alma, não há catolicismo.

Outro sinal de autenticidade da fé católica são os sete sacramentos, de modo especial a confissão (penitência) auricular e a Eucaristia (comunhão). Através da confissão, Jesus limpa e purifica a Sua Igreja com o Seu próprio Sangue redentor. Através da Eucaristia, nutre os Seus com a Sua própria Carne, Sangue, Alma e Divindade.

A fé católica está baseada na Bíblia, é lógico! Contudo, apoia-se também na tradição e nos magistério dirigido de modo infalível pela cátedra de Pedro. A tradição consiste em tudo o que a Igreja viveu e aprendeu sob a luz do Espírito Santo nesses dois mil anos de vida. O sagrado magistério é todo imprescindível ensinamento acumulado durante os séculos e oficializado pelo Papa. A tradição e o magistério da Igreja garantem a interpretação autêntica da revelação bíblica e constituem a fonte da riquíssima vida litúrgica da Igreja, através da qual prestamos ao Senhor toda a honra, glória e louvor.

A liturgia é também uma das fontes  características da fé católica. O calendário religioso é enriquecido pela vivência litúrgica de suas festas: Advento, Quaresma, Páscoa, Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpus Christi, Tempo Comum, etc. É toda a vivência religiosa acumulada pela tradição e ensinada pelo magistério da Igreja.

Além disso, a fé católica é também preservada pela hierarquia sagrada. Sagrada sim, pois foi da vontade de Jesus que ela existisse. Ele quis fundar a Sua Igreja sobre a rocha de Pedro (Kefas) e dos apóstolos, que são os bispos. Por isso, não há Igreja sem o Papa e sem os bispos. Bem sabia o Senhor que, sendo também humana, Sua Igreja não sobreviveria sem a hierarquia. O desrespeito à hierarquia é um desrespeito àquele que a instituiu e uma ameaça à unidade da Igreja.

Esses são os principais sinais da fé católica, queridos por Jesus e preservados pela Sua Igreja. Quem não guarda essas características não pode se dizer católico.

Prof. Felipe Aquino

Retirado do livro: Em busca da Perfeição

Católico, protestante, ateu… CATÓLICO, de fato e de direito!

“Eu não me acostumei nas terras onde andei…”, diz a música do Padre Zezinho que serve de trilha para a leitura desse belo testemunho de conversão. Como a falta de uma sólida catequese foi decisiva para que este homem andasse “por mil caminhos”, no entanto, Deus o chamou de volta e agora, conhecendo a beleza da Igreja, pode dizer: “Aqui é o meu lugar”.

“Nasci em família tipicamente católica, tradicional, numerosa, que educava os seus membros na fé e na moral da Igreja. Vivendo sob esta perspectiva, também era eu católico, ia à Santa Missa aos domingos e rezava antes de dormir, onde sempre terminava a oração pedindo a “bença” à “Mamãe do Céu” e ao “Papai do Céu”. 

Havia um problema, porém, que infelizmente é comum nos nossos tempos: faltou-me a catequese adequada. Fruto desta deficiência, brotou em mim uma consciência protestante, ainda que eu não me desse conta. Comecei a buscar a fundamentação para as práticas da Igreja (que eu sequer conhecia direito) na Bíblia. Lia e interpretava a Bíblia sem o devido cuidado e preparação. O resultado não poderia ser outro: desacreditei da Igreja Católica, pois algumas coisas, pensava eu, não se adequavam com as Escrituras, como a veneração aos santos, o papel de Nossa Senhora para o catolicismo, o Sacramento da Confissão etc. Até a adoração ao Santíssimo Sacramento eu reputei como sendo idolatria! 

Foi com esta fé estremecida que entrei para a faculdade de direito. Neste ambiente, como o senhor sabe bem, fui influenciado pelo pensamento acadêmico, predominantemente de esquerda e contrário ao catolicismo. Estudei Nietzsche, Marx, Escola de Frankfurt, Foucault… O resultado, mais uma vez, era previsível: tornei-me ateu. Convicto. Inimigo da Igreja. Afinal, o ateísmo era “cool” e dava um ar de intelectualidade, que, para mim, era incompatível com a crença religiosa. 

Eis que certo dia, porém, um amigo me desafiou a ver o seu curso sobre marxismo cultural e revolução cultural. Aceitei, com o objetivo de refutar, é claro. Surpreendi-me. O senhor falava com propriedade. Não parecia um ignorante supersticioso. Não consegui refutar. 

Fui assistir seus vídeos sobre outros temas. Um sobre São Tomás de Aquino me marcou. Que gênio era São Tomás! Depois, ainda através do seu trabalho, conheci a obra de Joseph Ratzinger. Foi um tiro certeiro. A fé não era mais inimiga da razão, mas irmã. Ou, ainda, nos dizeres de Santo Agostinho: “intellige ut credas, crede ut intelligas”

Assisti mais e mais vídeos do senhor nas férias, ao ponto do meu velho pai indagar: ” Só fica vendo esse careca aí, rapaz, vá sair de casa” (risos). Tive a felicidade de conhecer sua relação de amizade com os saudosos Dom Eugênio e Dom Heitor de Araújo Sales, ambos potiguares e com imensos serviços prestados à Arquidiocese de Natal, da qual faço parte. Este último ainda vem à pequena São Paulo do Potengi todos os anos, rezar pela alma do Monsenhor Expedito Sobral, amigo íntimo tanto de um quanto de outro. 

Foi com este ânimo, e tendo o seu trabalho como porta de entrada, que comecei a estudar e pesquisar o que de fato era e no que de fato cria a Igreja Católica. Deparei-me, para utilizar suas próprias palavras, com “um colosso teológico, cultural e intelectual”. Senti-me em casa

Hoje sou católico “de fato e de direito”, sem nenhuma possibilidade de mudança. Tenho consciência de que não é a Bíblia que respalda a Igreja, mas a Igreja que respalda a Bíblia, que, por sua vez, deve ser lida segundo à Tradição Apostólica. Sei que é a Santa Igreja a guardiã do Depósito da Fé, ou, para usar as palavras de São Paulo, ela é a “coluna e sustentáculo da Verdade” (1 Tm 3,15). 

Vivo uma conversão diária, por vezes árdua, mas sempre peço a Deus que fortaleça minha fé e me conceda a graça de carregar a minha cruz com amor. Nas provações, recorro à Santíssima Mãe e inspiro-me na persistência de São Padre Pio e na obediência de São Miguel Arcanjo (cujas histórias, também, conheci por meio deste sítio), para que, ainda que caia, possa me levantar, por amor a Cristo. 

Escrevo isto para que o senhor saiba da sua importância nesta minha volta para casa. Hoje estou preparado para responder, com temor e mansidão, àqueles que pedirem às razões da minha esperança (1 Pd 3,15). 

Assim sigo convicto, como Santo Agostinho, de que Deus nos fez para Ele, e inquieto está nosso coração enquanto n’Ele não repousar. Nas palavras do padre Zezinho:Andei por mil caminhos / e, como as andorinhas, /eu vim fazer meu ninho / em tua casa e repousar. /Embora eu me afastasse /e andasse desligado, /meu coração cansado, / resolveu voltar. 

Que Deus abençoe ao senhor, Padre Paulo Ricardo, e à sua equipe por este trabalho de catequese fiel, algo raro nestes tempos de predominância do relativismo moral e religioso. 

Christo Nihil Praeponere! 
Silvério Alves da Silva Filho

Crescimento do catolicismo tradicional surpreende até revista econômica inglesa

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No período posterior ao Concílio Vaticano II, inaugurado em 11 de outubro de 1962, a Igreja Católica na Grã-Bretanha procurou se modernizar até na liturgia.

Mas o resultado, segundo a conceituada revista econômica “The Economist”, é que os fiéis desertaram das igrejas.

A assistência à Missa na Inglaterra e em Gales caiu pela metade do 1,8 milhão que compareciam aos domingos em 1960. Também a média de idade dos frequentadores aumentou de modo preocupante: de uma média de 37 anos no ano 1980, subiu para 52 anos hoje.

Nos Estados Unidos, a assistência à Missa caiu mais de um terço desde 1960. Menos de 5% dos católicos franceses assistem regularmente à Missa, e só 15% fazem o mesmo na Itália.

Em sentido contrário, as Missas não modernizadas, em latim e de costas ao povo, conhecem um boom de participação.

A Sociedade pela Missa em Latim de Inglaterra e Gales (Latin Mass Society of England and Wales), que nasceu em 1965, tem agora mais de 5.000 membros. O número de Missas semanais em latim passou de 26 em 2007 a 157 em 2012: um crescimento de mais de 600%.

Nos EUA, passou de 60 em 1991 a 420 em 2012: um aumento de 700%.

No Oratório de Brompton, fundado pelo Cardeal John H. Newman e ponto de referência do tradicionalismo de Londres, 440 pessoas assistem à Missa em latim aos domingos.

Isto é o dobro do normal da assistência nas principais igrejas modernizadas. Em Brompton, as mulheres usam véu e os homens, o tradicional paletó ou terno de tweed.

Mas os números é o menos importante, observa “The Economist”. As comunidades tradicionalistas se destacam pela juventude e por sua expansão internacional. O Catolicismo tradicional está atraindo pessoas que não tinham nascido quando o Vaticano II pretendia “rejuvenescer” a Igreja.

Além de se expandirem por países da Commonwealth até à África e à China, os jovens grupos tradicionalistas britânicos publicam blogs, administram websites e são muito ativos nas redes sociais.

Eles difundem suas posições até nas dioceses mais progressistas. E não deixam de ser invectivados pelos velhos progressistas que, na falta de argumentos mais religiosos, os qualificam de anacrônicos ou afetados.

Um grande desequilíbrio de crescimento vem acontecendo desde 2007, quando S.S. Bento XVI aprovou formalmente o antigo rito da Missa em Latim. Até aquele momento, o padre que celebrasse a Missa antiga podia ver cortada sua carreira eclesiástica.

Oratório de Brompton, Londres

Na Inglaterra, o rápido aumento dos adeptos da Missa tradicional viu-se ainda reforçado com a criação, pelo Vaticano, do Ordinariato para acolher grupos de ex-anglicanos que abandonaram a dita ‘Igreja de Inglaterra’, a qual está levando sua modernização a ponto de “ordenar” e “sagrar” lésbicas e homossexuais.

Sacerdotes ex-anglicanos “atravessaram o Tibre” às dúzias para se somarem aos católicos romanos tradicionalistas, conta “The Economist”.

Este retorno ao antigo rito com força está deixando consternados os católicos “modernistas”, que o baniram no passado.

Para o Pe. Timothy Radcliffe OP, ex-prior dos dominicanos da Grã-Bretanha, o renascimento tradicionalista é uma reação contra o “liberalismo de moda” em sua geração.

Para ele, não é mais do que um movimento do pêndulo, que ora vai num sentido, ora no oposto, de modo inevitável.

Mas esse argumento não convenceu o jornalista de “The Economist”. Este concluiu a reportagem perguntando se todos os escândalos morais no seio da “Igreja progressista”, a decadência desta, e, em sentido contrário, o crescimento dos tradicionalistas, não são outros tantos sinais de que há 50 anos o Concilio Vaticano II virou para o lado errado.
 

Fonte: http://ipco.org.br/ipco/noticias/crescimento-do-catolicismo-tradicional-surpreende-ate-revista-economica-inglesa

Via Fide Press

Homossexualidade e cristianismo

Vai de vento em popa na nossa sociedade a canonização da prática homossexual…

A este respeito, gostaria de propor algumas reflexões – e peço que você, meu caro Amigo, procure ponderar bem o que estou dizendo. Não pretendo aqui levantar bandeiras ou promover cruzadas…

Leia com calma o que escrevo, procurando compreender e contextualizar minhas palavras no todo do que entendo afirmar.

Quero deixar claro que falo para cristãos, para aqueles que desejam orientar sua vida e seu pensar segundo o Evangelho tal qual recebemos da Tradição Apostólica e nos é ensinado pela Santa Igreja de Cristo. Meu objetivo aqui é somente ajudar os católicos a pensar esta complexo tema da homossexualidade à luz do Cristo Jesus. Só isto!

Eis os tópicos que gostaria de apresentar:

  1. É necessário que as pessoas homossexuais sejam respeitadas e não sejam estigmatizadas por suas tendências sexuais. A violência contra homossexuais – sejam elas físicas ou morais – é um crime e, diante de Deus, um pecado.

Cada pessoa deve ser respeitada com suas características e sua história, suas escolhas e seu modo de viver, desde que isto não prejudique os demais.

  1. Também é correto desejar que cada pessoa tenha o direito de viver sua vida de acordo com seus valores e sua  própria consciência, desde que respeitando o bem comum e as normas da boa convivência social.

No entanto, não é aceitável que minorias homossexuais organizadas queiram impor a toda a sociedade seus valores e seu modo de pensar, destruindo o sentido genuíno do que seja família e do que seja casamento, valores que alicerçam nossa cultura e nossa sociedade. Não é admissível que uma ideologia de minoria destrua valores sagrados e consagrados de uma imensa maioria!

Por exemplo: Se duas pessoas do mesmo sexo desejam viver juntas “maritalmente”, é um direito de escolha delas. Também é um direito delas que a legislação preveja os direitos e deveres oriundos dessa convivência. Mas, não é um direito querer impor a toda a sociedade chamar esta situação de “matrimônio”, pois aqui se muda o conceito de matrimônio da totalidade da sociedade! Uma coisa é respeitar o direito de uma minoria, outra, bem diferente, é uma minoria impor a toda uma maioria a mudança de valores fundamentais como a família e o matrimônio como relação estável e aberta à vida entre um homem e uma mulher. O direito de uns não deveria solapar o direito de outros!

  1. O sincero respeito que se deve ter pelos homossexuais não deve e não pode significar que todos tenham a obrigação de fazer uma avaliação positiva da homossexualidade e, menos ainda, da prática homossexual.

Respeitar a pessoa, suas tendências, suas opções, sim.

Quanto à avaliação de suas ações e modo de viver, depende dos critérios que alguém tome como norte e sentido da existência humana… E este também é um direito sagrado: direito a ter um sistema de valores, com noção clara do que é correto e do que é errado…

Deste modo, para um ateu, o critério é ele próprio e seu modo de pensar; ele mesmo é sua medida – e nisto deve ser respeitado!

Para um crente, o critério do certo e do errado é o próprio Deus: ao que Deus chama errado, o crente somente poderá chamar de errado também! Assim sendo, para um cristão, o critério de tudo – também das questões ligadas à sexualidade – é o Cristo tal qual crido e anunciado pela Igreja dentro da Tradição Apostólica. O cristão não se funda nas modas, não fundamenta seus critérios na voz da maioria, mas em Cristo Jesus, como Verdade última para a humanidade.

O cristão deve respeitar a opinião dos demais, mas a sua opinião funda-se em Cristo Jesus!

  1. Pensemos agora num cristão homossexual.

Para um mundo pagão como o nosso, para pessoas que não têm como critério o Evangelho, ser homossexual e viver a homossexualidade não são problema algum; como não o é a infidelidade conjugal, como não o são as relações pré-matrimoniais e outras realidades mais…

E por que isto? Porque não se crendo em Cristo, não é Ele o critério! E qual é o critério? Em geral – e digo-o com todo o respeito! – o critério dos não-crentes são eles próprios, seu modo de pensar, sentir e viver… É um direito deles: pensarem e viverem como desejarem!

Mas, para alguém que creia em Cristo e deseje viver segundo a fé cristã, o ser homossexual traz sim dificuldades, conflitos e dores. E isto porque o critério da vida de um cristão não é a moda, não é a mentalidade dominante, não é nem mesmo a própria pessoa; o critério é a norma do Evangelho, expressa na fé da Igreja.

Portanto, isto exige – para todo aquele que crê – deixar-se sempre a si mesmo para abraçar, na própria vida e com a própria vida, a norma de vida de um Outro – Daquele que disse: “Quem quiser ser Meu discípulo, renuncie-se a si mesmo e siga-Me!” – não é e não será nunca uma tarefa fácil!

Crer é sair de si à procura de um Outro, é deixar-se para encontrar-se no Outro, é tomar o Outro como critério, norma e caminho da própria vida! E isto em todos os aspectos da existência, também na questão da sexualidade e da homossexualidade!

Assim, uma coisa é um homossexual ateu ou não-cristão – sua norma é seu próprio pensamento e medida; outra coisa é um homossexual cristão – sua norma é o preceito de Cristo!

  1. Um homossexual cristão deve sim procurar corajosamente aceitar sua realidade homossexual, mas não para viver do seu jeito e sim do jeito de Cristo! Portanto, para um cristão, aceitar a própria homossexualidade não significa vivê-la de qualquer jeito, mas colocá-la debaixo do senhorio de Cristo!

E qual é o jeito de Cristo? Qual a Sua norma para a sexualidade humana?

Certamente que essa norma é aquela da vida sexual como expressão do amor e da entrega a outra pessoa, numa tal comunhão que, selada pelo sacramento do matrimônio, seja até à morte e aberta de modo fecundo aos filhos que Deus der.

Para Deus, tal qual nos foi revelado na perene Tradição apostólica – sejamos claros – a norma é a heterossexualidade e não a homossexualidade! Para um cristão homossexual certamente isto provoca uma séria crise!
Mas, atenção a qui: todos nós temos nossas crises… também no campo afetivo e sexual… Crer nos colocará sempre em crise, pois nos revela o que somos e nos convida a partir em direção do que deveríamos ser aos olhos do Senhor! É verdade, no entanto, que a crise no tocante à sexualidade é muito mais séria e estrutural!

E é preciso que se diga: para um cristão com tendência homoafetiva, a homossexualidade tem a marca da cruz – é sim uma cruz! Mas, o nosso Salvador Jesus disse: “Toma a tua cruz e segue-Me!” Em outras palavras: “Segue-Me com tua homossexualidade! Segue-Me com as crises e dificuldades nas quais ela te coloca! Eu estarei contigo no teu pranto, na tua solidão, no teu medo! Eu continuarei a ti amar, a ti esperar, a acreditar na tua capacidade de superação! Eu nunca me cansarei de te amar! Toma a tua cruz, deixa-te, vem Comigo; cresce à Minha medida, medida da humanidade livre, transfigurada, redimida, como o Meu Pai do Céu sonhou!”

Um homossexual que deseje viver seriamente sua fé cristã deve saber que é amado pelo Senhor, que não é rejeitado pela Igreja, mas que deve – como também os heterossexuais – colocar sua sexualidade debaixo do senhorio de Cristo:

deve lutar para ser casto, para ser reto, para fugir de toda leviandade e imoralidade;

deve claramente reconhecer que os atos homossexuais, aos olhos do Senhor Deus, não são moralmente corretos como a relação heterossexual no casamento…

Por isso é muito importante que um homossexual cristão procure a ajuda de um sacerdote ou de um cristão maduro, ponderado, fiel a Cristo e à Igreja que possa ajudá-lo no seu caminho. Quem não precisa da ajuda dos outros no caminho de Cristo? Não é isto a Igreja? Não é isto que nos manda a fé cristã: ter uma orientação espiritual com alguém que saiba curar as próprias feridas e as dos outros?

Atenção que isto não vale só para os homossexuais… Pense num jovem que deseje levar a sério sua castidade, num esposo que de verdade procure ser fiel, num político que sinceramente deseje ser honesto… Crise e luta para sair do seu critério e abraçar o critério do Senhor são uma herança de todo cristão – e Jesus no-lo preveniu!

E se houver quedas no caminho desse irmão homossexual? E se as amizades descambarem para atos homossexuais?

É não desanimar: como qualquer cristão, trata-se de olhar para o Cristo, pedir perdão no sacramento da Penitência e recomeçar o caminho, procurando vencer o pecado!

E se um homossexual cristão, mesmo reconhecendo que os atos homossexuais não são moralmente agradáveis a Deus, não conseguir ser casto, e procurar viver com outra pessoa do mesmo sexo, inclusive tendo uma vida sexualmente ativa?

Nem assim deve pensar que já não é cristão! Deve reconhecer claramente que sua situação não é o ideal diante de Deus; objetivamente falando,  é de pecado! No entanto, deve viver uma vida o quanto possível digna diante do Senhor e dos homens. Não deve deixar a oração nem a frequência à Santa Missa e deve dizer sempre – todos nós devemos dizer sempre com o coração, o afeto, a alma e também com as lágrimas: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador! Não condigo subir a Ti; desce à minha miséria, toca a minha situação! Nada é impossível para Ti!”

Certamente que aquele que se decida por uma vida de prática de atos homossexuais não deve se confessar sacramentalmente nem receber a comunhão eucarística; mas pode sim procurar sempre o conselho e a ajuda de um sacerdote ou de um cristão que o auxilie no caminho de seu seguimento a Cristo.

É muito importante compreender que não há miséria e drama humanos que não possam ser atingidos pela cruz do Senhor!

Não se trata de chamar certo ao que é errado ou de avaliar como virtude ao que é fraqueza aos olhos do Senhor; trata-se, sim, de ter misericórdia, de acolher, de ter compaixão do outro! Eis: a verdade na caridade e a caridade verdadeira!

Triste daquele que vir o irmão levando pesado fardo e ainda aumentar-lhe o peso com o desprezo e a rejeição!

O pecado deve ser chamado sempre pecado, mas o pecador deve ser sempre acolhido com misericórdia e respeito e tratado como um irmão. Quem de nós não é pecador? Quem de nós não é ferido? Quem de nós não tem suas doenças espirituais? “Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra!” – assim nos corrige o Senhor, o único sem pecado!

  1. Não sabemos por que algumas pessoas nascem homossexuais.! Nem mesmo as ciências sabem ao  certo… Sabemos que elas não escolheram a tendência que possuem; sabemos também que não são moralmente doentes – há tantos homossexuais tão dignos e generosos!

Mas, sabemos que elas podem seguir o Senhor e devem fazer o melhor de si para serem santos, para serem cristãos de verdade!

O resto, coloquemos nas mãos do Senhor, com os olhos fitos em Cristo, que morreu por todos de modo tão atroz, exatamente porque grande é a profundidade de nossas misérias e contradições!

Diante de mistérios assim, diante dos enigmas da existência, diante da dor e da cruz dos irmãos, devemos olhar para o céu e pronunciar, comovidos e humildes, aquela sábia bênção judaica, que cabe muito bem nos lábios de um cristão: “Bendito sejas Tu, Senhor nosso Deus, que guardas os segredos!” Isto mesmo: Ele sabe os mistérios! Ele conhece o motivo; Ele sabe o porquê. Nós não sabemos nada!

  1. Esta é a diferença entre o pensar cristão e a perspectiva do mundo atual, pós-cristão e até anti-cristão: para esse mundo, a vida é sem Deus mesmo: cada um é a sua verdade, a sua medida e o seu próprio critério; cada um faz o que bem entende com a existência! Um cristão respeita esse modo de ver e viver; mas de modo algum pode concordar com ele…

Para o cristão, a vida é dom, é mistério a ser vivido diante de um Outro que nos ama e a quem deveremos prestar contas.

Num mundo sempre mais pagão e menos cristão, vai ficando difícil compreender estas coisas…

Aos pais cristãos que tenham filhos homossexuais, eu digo: acolham-nos com amor e respeito, ajudem-os a definir os valores de sua vida segundo os critérios de Cristo, não os abandonem nunca nem os tratem com desprezo, mostrem-lhes sempre Jesus como ideal e caminho de felicidade e realização e, no fim de tudo, rezem muito por eles e os respeitem no rumo que derem à vida, desde que digno e responsável, sem leviandades ou desrespeito ao sagrado recinto do lar! Atenção que respeitar os homossexuais não é pensar que eles também não devam respeitar limites e regras!

  1. Quanto aos jovens “felizes e realizados” com sua “opção” sexual, tais como o mundo os deseja e propaga, paciência: é o modo de pensar e viver dos que já não conhecem a Deus e Seu Cristo Jesus!

Que Nosso Senhor também a esses – como a nós todos! – mostre a luz bendita do Seu Rosto para que vejam o verdadeiro sentido da vida e encontrem a verdadeira paz e realização!

Não podemos impor aos não-crentes nossos valores; por eles podemos rezar, amá-los e anunciar-lhes Jesus Cristo integralmente, sem máscaras nem descontos, Ele que é Caminho, Verdade e Vida da humanidade e de cada pessoa!

Via Visão Cristã

Ser católico implica correr o risco de perder amigos

 Não faz muito tempo, eu recebi um e-mail que me pedia o seguinte:
“Como mãe, educadora, católica e mulher no mundo atual, eu gostaria de saber um pouco mais sobre a sua conversão. Você perdeu amigos? Você não se sente esquisita de vez em quando? Eu tenho 43 anos e sou a única pessoa que eu conheço que vai à missa mais que uma vez por semana. O que eu posso fazer para não me desanimar?”.

A minha resposta curta para esse tipo de situação é que nós temos que descobrir o que faz o nosso coração arder e, então, correr atrás desse algo com determinação obstinada. Para mim, por exemplo, o que funciona é escrever.

Já a minha resposta longa é que o catolicismo é uma busca radical pela verdade. Nós não nos lembramos o suficiente do quanto a graça custa. Não ouvimos falar o suficiente do quanto é medíocre seguir a Cristo mais ou menos. A não nos chama a viver na miséria, mas nos chama, claramente, a não possuir muito mais do que realmente precisamos. A fé nos convida à pobreza, à castidade e à obediência. E o que eu descobri é que estes três estados de vida são incrivelmente empolgantes e desafiadores! Eles nos dão um tipo de liberdade e de “consciência de ser” que é completamente inexistente no meio da nossa cultura entorpecente.

Eu resisto resolutamente a ser uma pessoa “ocupada demais”. Acho que o tipo de ocupação que a nossa cultura valoriza e almeja não é obra de Deus. Certos tipos de mídia católica dizem que nós somos quase obrigados a assistir a filmes estúpidos e a programas de TV de má qualidade para podermos enxergar as pessoas “do jeito que elas são”, mas eu não penso assim. Só a ideia de perder 10 minutos vendo um programa de TV estúpido para poder jogar conversa fora com algum “não crente” me deixa arrepiada.

Se Cristo andava com as prostitutas e com os publicanos, não era porque Ele quisesse nos incentivar a contar piadas infames e a fazer fuxicos grosseiros. Ele não descia de nível, mesmo quando se encontrava com as pessoas nos níveis em que elas viviam. Ele ia até lá para chamá-las a subir de nível. Nós amamos de fato as pessoas quando vemos a sua fome e sede terrível, mas as convidamos a contribuir, mostrando a elas que elas também têm uma missão integral e de importância vital.

Eu perdi o meu casamento, em parte, porque me converti. Eu abandonei o meu trabalho como advogada porque me converti. Não sei se perdi amigos, mas posso ter perdido certa proximidade com certos amigos. Que o catolicismo seja constantemente mal interpretado, incompreendido, caluniado, desprezado, eu posso aceitar. O que me incomoda é que as pessoas vejam o catolicismo como uma excentricidade sem sentido.

Logo depois que Obama foi eleito, uma amiga minha, que se derretia toda por ele, me perguntou: “Você também adora o Obama, não adora?”. Eu respondi: “Bom, ele parece uma pessoa legal, mas eu não morro de amores pelo fato de ele apoiar pesquisas com células estaminais embrionárias. E aposto com você que não vai melhorar nada para os pobres, aposto que ele vai começar uma ou duas guerras e aposto que, daqui a um ano, muita gente vai começar a odiá-lo”. Ela retrucou: “Poxa, isso é só coisa do seu catolicismo”. Eu quase pulei da cadeira. “Coisa do meu catolicismo?! O meu catolicismo é a minha vida! O meu catolicismo é o ar que eu respiro!”.

Foi por causa do meu catolicismo que eu não votei em Obama nem em Romney. Domingo passado, no Los Angeles Times, eu li que, desde 1995, o Pentágono distribuiu 5,1 bilhões de dólares em equipamentos militares excedentes para os departamentos de polícia dos Estados Unidos: fuzis, veículos blindados resistentes a minas, helicópteros. Li sobre Mohamedou Ould Slahi, preso em Guantánamo, que, embora nunca tenha sido acusado de crime algum, está sob custódia dos Estados Unidos desde 2001. Ele escreveu um livro de memórias que fala, entre outras coisas, da tortura que sofreu em nossas mãos. Li também, recentemente, a resenha de um livro chamado “The Invisible Soldiers: How America Outsourced Our Security” [“Os soldados invisíveis: como os EUA terceirizaram a sua segurança”], de Ann Hagedorn, e soube que “metade dos 16 mil funcionários que trabalham para a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá desde a retirada das tropas norte-americanas são contratados”, que gastamos bilhões de dólares com mercenários e que, de acordo com um executivo da Blackwater, o ex-SEAL Erik Prince, “o exército dos EUA não é grande o suficiente para fazer frente a todas as exigências de uma missão ampla, cara e complexa como a guerra do Iraque”.

Então, por que criticar justamente o catolicismo?

O sistema inteiro sob o qual vivemos é muito, muito afastado de Cristo. Pode não haver respostas, mas nós temos que fazer pelo menos as perguntas. A nossa inteligência, como católicos, não pode deixar de notar a violência satânica e cheia de segredos terríveis que é perpetrada pelo nosso governo! Não podemos esperar, por exemplo, que um país que gasta mais dinheiro com exército e armas do que todas as outras nações do mundo juntas vá se preocupar seriamente com as crianças que ainda não nasceram.

Eu, particularmente, não quero ficar alienada. Como seguidora de Cristo, eu quero lutar pelo bem das pessoas. O que me preocupa é que o simples fato de expressar opiniões como esta me faça perder amigos católicos.

Diante de tudo isso, não podemos esquecer que a ressurreição não é apenas um final feliz. A ressurreição é um final surpreendente.

Via Aleteia