MOVIMENTO TRADICIONAL CATÓLICO E TRADICIONALISMO SECTÁRIO:

Alguns critérios para distinguir um adepto da Tradição de um membro de seitas sectárias

1- Quem não aceita e não se submete ao Magistério da Igreja não é mais Católico, seja tradicionalista ou progressista, mas membro de uma seita, cujos adeptos deixaram a condição de filhos da Igreja para se arvorarem em juízes da mesma… exatamente o que fez Lutero, Leonardo Boff e Cia;


2- Há movimentos tradicionais que são totalmente católicos, pois respeitam e aceitam a autoridade do Magistério
, razão pela qual embora prefiram a missa Tridentina, não renegam a validade, nem a sacralidade da Missa Nova; embora tenham críticas ao Concílio ou à falta de precisão em algumas partes de seu texto, não dizem que em si seja algo mal, mas o reconhecem como 21° Concílio Ecumênico promulgado de modo válido pela autoridade da Igreja;


3- Reconhecer a validade ou bondade do Concílio Vaticano II, não significa aprovar ou concordar com as falsas interpretações e a revolucionária aplicação do mesmo que se seguiu no período pós conciliar o que muito contribuiu para mergulhar a Igreja nessa profunda apostasia que hoje presenciamos, mas significa tão somente reconhecer que o Concílio e seu texto PODE e DEVE ser interpretado dentro da contínua Tradição da Igreja,
 de modo que, qualquer interpretação que fuja disso, deixa de ser Católica;

O Concílio Vaticano II não é dogmático.

Embora possua Constituições Dogmáticas, o mesmo se declarou Pastoral, sendo assim passível de equívocos e portanto de críticas construtivas, conforme a palavra de Bento XVI.
O fato de ser criticável, especialmente em alguns pontos ambíguos de seu texto e em algumas análises que eram circunstânciais e sobretudo em sua posterior aplicação prática, não tira sua sacralidade e sua catolicidade, pois existe uma interpretação correta para o texto dentro da Tradição contínua da Igreja.

Há um modo correto e Católico de se ler o texto conciliar. Isso se chama “Hermenêutica da Continuidade”.

É desonesto tomar uma falsa interpretação do Concílio dada pelos modernistas adeptos da hermenêutica da descontinuidade e atribuí-la a Igreja acusando-a de promover o erro através do Concílio, quando na verdade aquela NÃO é a interpretação da Igreja, nem foi a intenção dos padres conciliares em sua grande maioria.

Foi contra essa falsa interpretação e contra a injusta crítica que Bento XVI tantas vezes falou.

Portanto quando a Igreja afirma que a rejeição da autoridade da Igreja te faz deixar de ser católico é a isso que se refere.

O que todos nós devemos aceitar do Concílio é o que o Igreja ensinou e não a caricatura que progressistas e/ou tradicionalistas sectários apresentam.

-Não é verdade que o Concílio defenda o Ecumenismo relativista, essa é a errônea interpretação dos progressistas e também dos tradicionalistas sectários;

O Concílio NÃO relativiza a verdade de que a Igreja Católica é a única fundada por Nosso Senhor… O eterno “Extra Eclésia nula Salus”, ao contrário reafirmam os detratores, está afirmado com todas as letras na Constituição Dogmática Lumen Gentium que ensina que os que sabendo que essa é a verdadeira Igreja de Cristo, nela não entrarem ou nela não perseverarem não poderão se salvar;

Os padres conciliares ao falarem da “liberdade religiosa” tinham em mente a Igreja que estava privada de se manifestar e estava sendo perseguida em Estados totalitários comunistas, não a aprovação da ideia de que o Estado tem que reconhecer todo e qualquer culto;

E assim vai…

Portanto uma coisa foi o que os padres conciliares quiseram dizer e a Igreja aprovou e outra foi a interpretação que foi dada posteriormente e que, infelizmente acabou prevalecendo na maioria dos lugares…

O único remédio para que isso não acontecesse seria a Hermenêutica da Continuidade, a interpretação do Concílio dentro da doutrina católica de sempre. Mas como se sabe essa corrente não prevaleceu..

É falso dizer que a disciplina atual e também a Missa Nova se basearam em uma “areia movediça”. O que a Igreja sempre acreditou continuou sendo a mesmíssima coisa, com mudanças apenas no que é acidental.

Mas não seria o Concílio passivo de ser rejeitado devido os vários pontos dúbios de seu texto?

Evidentemente que NÃO, pois como já foi dito, a falsa interpretação nunca foi a doutrina da Igreja, mas a de seus traidores ou detratores.

Se queremos ajudar deveríamos fazer ver que, após o Concílio, a interpretação que a maior parte dos padres e bispos deram ao texto do Concílio foi falsa, não correspondendo a intenção da Igreja e da maior parte dos padres conciliares.

Não se pode negar essa fraqueza do texto que é ambíguo em muitos pontos e não claro em outros, se prestando a confusões e falsas interpretações, razão pela qual é tão criticável. Mas por outro lado não podemos absorver a falsa interpretação e rejeitar o Concílio como um todo por conta disso, pois nesse caso, o que entra em questão, mais do que o texto em si, é a autoridade da Igreja que o aprovou, de modo que rejeita-la é deixar de ser católico.


4- Reconhecer a validade e a sacralidade da Missa Nova, também não significa ignorar a infiltração maçônica ou a presença de protestantes na qualidade de observadores na Comissão de elaboração do Novus Ordo, mas significa não ignorar que também havia ali homens doutos e santos e que a Igreja ao aprovar e instituir o Novus Ordo não o fez convalidando qualquer intenção maligna ou herética de seus inimigos; significa enfim, o reconhecimento que a Igreja estabeleceu um rito, que é também, o oferecimento do verdadeiro Sacrifício do Calvário.
 O fato de se admitir, e mesmo lutar, para que este possa ser revisto afim de se modificar algumas partes para significar ou explicitar melhor a percepção do Sacrifício, em nada muda a verdade de que a Missa Nova é também o Santo Sacrifício do Altar;


5- Quem não aceita a autoridade da Igreja que promulgou o Concílio e estabeleceu o Novus Ordo, não é mais Católico.

Se negamos a sacralidade ou a validade de um rito instituído pela Igreja (seja o Antigo, o Novo ou qualquer outro), rejeitamos a autoridade que estabeleceu todos os ritos, caindo um exclusivismo sectário que não é Católico.

Evidente que aqui não nos referimos aos preferem ir a Missa Tridentina, ainda que apenas a essa, mas não desprezam o Novus Ordo, nem o têm em conta de inválido ou herético, mas o reconhece como um dos muitos ritos estabelecidos pela Santa Igreja.

O problema não são as críticas, das quais a Missa Nova (mas não apenas este Rito) é passível, mas na rejeição de sua validade ou sacralidade, assim como a não aceitação de que a Igreja tem autoridade para criar ou modificar ritos…

Se o Novus Ordo fosse ruim o Papa Bento XVI não o celebraria, assim como outros homens íntegros na fé como Cardeal Robert Sarah, Cardeal Burke, Cardeal Carlo Cafarra, Dom Atanasius Schneider e tantos outros… ou eles não celebram a Missa Nova?

Há cite a Bula “Quo Primum” de São Pio V para dizer que ali foi determinado que o Rito Tridentino era irretocável in eternum…

Ignoram esses que um Rito não é um dogma de fé e que o Papa tem poder não apenas de ligar, mas também de desligar, razão pela qual o próprio Concílio de Trento afirma que somente a Igreja tem autoridade para estabelecer um rito.

Antes de Paulo VI, o grande Papa São Pio X já havia modificado o Rito Tridentino, ainda que muito pouco, assim como João XXIII, pois a Igreja tem autoridade para tal… se isso foi o melhor ou não é outra discussão…


6- Os tradicionalistas sectários que só aceitam a missa Tridentina, não são católicos, pois caíram na “ritolatria”…
 adoram um rito e não a Jesus Cristo que em todos os ritos aprovados pela Igreja se faz presente;


7- A característica mais evidente das seitas, sejam elas quais forem, é o fechamento em si mesmas e o desprezo a todos os que são diferentes,
 ainda que legitimamente diferentes.
Desprezam a autoridade estabelecida e seguem determinados “gurus” que se tornam para os membros da dita seita mais infalíveis que o Sagrado Magistério…

Ora, a coisa mais absurda nas seitas tradicionalistas é o fato de desprezarem a autoridade da Igreja e mesmo a Lei de Deus, para seguirem seus próprios preceitos…

Esses indivíduos(as) têm convencido muitas pessoas, especialmente jovens mal formados na fé da Igreja, a deixarem de observar o preceito dominical a pretexto de que a Missa Nova não é válida ou é herética… Tenho visto muitas pessoas ficarem sem Confissão e sem a S.S. Eucaristia por causa da irresponsável orientação dos membros dessas seitas. Muitos desses têm vivido em pecado mortal porque não se confessam com “padres modernistas” (ou seja, qualquer um que celebre a missa Nova), permanecendo no perigo de assim morrerem e irem para o quinto dos infernos por conta dessa estupidez…

Outros têm se crismado de novo, alegando que a Crisma no Novus Ordo não é válida…

Quanta loucura!!!

Os líderes dessas seitas e todos quantos têm afastado as pessoas da graça de Deus e da unidade com a Santa Igreja, por conta dessas falsas ideias, terão que responder perante Deus pelos que arrastaram para a desgraça a pretexto de “guardar a pureza da ortodoxia”.


8- Os membros das seitas utilizam-se frequentemente de mentiras, falsificações, distorções e de muitas outras fraudes para arregimentar e convencer seus adeptos.

Nesse quesito são exatamente iguais ou piores do que muitos grupos protestantes: observam os muitos erros e abusos que acontecem e colocam tudo na conta da Igreja, como se a mesma concordasse ou promovesse os abusos e heresias vigentes…

Entre eles há sempre essa desonestidade intelectual.

Há também os idiotas úteis que repetem, como papagaios os mesmos erros, porém com boa vontade, uma vez que foram convencidos por algum membro da seita de que aquela falsa doutrina é a verdade;


9-
 Não é rejeitando a autoridade do Magistério da Igreja que iremos resolver a situação caótica na qual nos encontramos.

Somente os santos colaboram para uma verdadeira restauração da Igreja… basta ver a história para comprová-lo… porém, JAMAIS HOUVE UM GRANDE HOMEM OU MULHER QUE TENHA SE SANTIFICADO FORA DA IGREJA.

Aconteça o que acontecer devemos estar na Igreja, nela sofrer e por ela lutar.

Quem não aceita a autoridade da Igreja, se coloca fora da mesma… não é possível ajudar a salvar a Igreja estando fora dela.

 

10- Membros de seitas tradicionalistas estão entrando nas redes sociais em grupos católicos, especialmente de consagrados a Nossa Senhora, para disseminarem essa ideias errôneas e conquistar novos adeptos; *assim fazem pelo fato de que, normalmente os consagrados são pessoas que amam a Tradição: O latim, o véu, a modéstia, a missa corretamente celebrada (seja Tridentina ou Nova), que aliás, é algo da Igreja e não propriedade de seitas tradicionalistas. Entretanto a grande maioria destes consagrados não têm suficiente formação para compreender a problemática atual na qual se encontra a Igreja, de modo que são facilmente envolvidos e confundidos pelos membros das seitas.

Toda essa situação tem sido bem aproveitada pelo diabo para prejudicar a tão necessária difusão da Total Consagração, uma vez que algumas pessoas consagradas, assumindo as falsas ideias de seitas tradicionalistas começam a atacar a Igreja, a rejeitar a Missa Nova e o Concílio Vaticano II, a faltarem a missa por e rejeitarem os demais sacramentos celebrados no Novus Ordo considerando-os como heréticos ou inválidos, fornecendo assim muita munição para os padres e bispos progressistas rejeitarem e atacarem (ainda que seja imoral e desonesto) coisas tão santas e agradáveis a Deus a pretexto de combaterem os “abusos”…

Por essa razão os membros dessas seitas devem ser identificados e expurgados de todos os grupos verdadeiramente católicos, pois não estão ali para aprender ou compartilhar a fé da Igreja como a Igreja o entende, mas para promover suas teses, ganharem adeptos e causarem confusão e divisão diabólicas;

11- Os membros de seitas tradicionalistas são hoje um dos principais obstáculos para um retorno mais forte à Tradição, pois põe abaixo o princípio da unidade, bem como do respeito a autoridade estabelecida.

E quando falo aqui sobre respeito, unidade e obediência, me refiro a forma como a Igreja o entende, ou seja, devemos seguir e obedecer as autoridades desde que estas estejam mandando conforme a Igreja; pois não se deve seguir ou obedecer uma autoridade naquilo que esta não esteja de acordo com a doutrina de sempre ensinada pelo Magistério da Igreja ou quando manda algo que não seja de sua competência… Mas, se a autoridade manda conforme a Igreja, então devemos obedecer.

Os membros das seitas não reconhecem, nem obedecem ao Magistério da Igreja.

12- Quem são os membros das seitas a que me refiro? Onde estão ou quais os nomes de seus grupos?

São todos aqueles que se enquadram no que acima foi descrito, independentemente de grupos ou movimentos.

Autor: Pe. Rodrigo Maria

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“Se eu não fosse Católico…”

Se eu não fosse Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na terra, vivendo na carne.

Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja, que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demônios.
Procure a Igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina,) os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo A VERDADE. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do seu Fundador.

E então você começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina .”

Arcebispo Fulton J. Sheen, Radio Replies, Vol. 1, p IX, Rumble & Carty, Tan Publishing

Não é vergonhoso ser católico na universidade

A vida acadêmica impõe sérios desafios aos jovens, mormente àqueles que desejam viver de acordo com os preceitos de sua fé. A estrutura universitária atual é montada para inibir a religião. Isso se mostra ainda mais flagrante quando se está a pensar no cristianismo. De fato, o posicionamento cristão — em especial o católico — dentro de uma universidade é quase como que um suicídio social. Os alunos religiosos são frequentemente intimidados — seja pelos colegas de classe, seja pelos professores — a esconderem suas opiniões, a fim de que possam sobreviver aos anos de estudo.

É suficiente pensar em dois casos particulares que aconteceram no Brasil há algumas semanas para se ter um panorama da situação: a arbitrária retirada de uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho da Faculdade de Direito do Recife e o aprisionamento das cartilhas “Chaves para bioética”, a mando do Ministério Público, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Embora a academia seja um campo onde deve existir o livre debate e o pluralismo de ideias, a militância dita “progressista” impõe a todo o corpo universitário uma agenda ideológica e sem nenhum compromisso com a verdade. Assim, enquanto as imorais cartilhas de “educação sexual” da Unicefcirculam livremente em escolas, colégios e faculdades, o Ministério Público acata o pedido de alguns professores contrários à castidade, recolhendo o material da Fundação Jérôme Lejeune, distribuído na UERJ. Reina, de fato, o que Bento XVI chamou de “ditadura do relativismo”. Não existe diálogo, não existe ciência séria. Ao contrário, no mais da vezes, os cursos são verdadeiros laboratórios de doutrinação.

No discurso que proferiria à Universidade de Roma La Sapienza, em 2008, Bento XVI faz a seguinte consideração: “Diante duma razão não histórica que procura autoconstruir-se somente numa racionalidade não histórica, a sabedoria da humanidade como tal – a sabedoria das grandes tradições religiosas – deve ser valorizada como realidade que não se pode impunemente lançar para o cesto da história das ideias”. Ora, não foi exatamente isso que fizeram o Ministério Público, recolhendo as cartilhas, a Faculdade de Direito do Recife, expurgando uma imagem histórica do prédio da instituição, e meia dúzia de professores e alunos intolerantes, ao impedir a participação do Santo Padre na abertura do ano letivo da Universidade de Roma? Jogaram na lata de lixo da história dois mil anos de sabedoria e progresso, cujo legado abarca inclusive a La Sapienza, fundada ainda no século XIII, pelo Papa Bonifácio VIII.

Os chamados padres da Igreja identificaram na filosofia em vigor à época — não nas religiões pagãs e míticas — as sementes do Evangelho, as quais o cristianismo teria a missão de desenvolver posteriormente. Ao início do pensamento cristão, a fé católica aparece como a continuação e o acabamento do pensamento filosófico, não como extensão da religiosidade popular. A famosa conversão de São Justino deve-se justamente a essa importância da razão dentro do cristianismo. No seu Diálogo com Trifão, ele narra como sua peregrinação em busca da verdade levou-o a Deus e à “verdadeira filosofia” [1]. Foi também o itinerário percorrido por muitos outros santos, mas sobretudo por Santo Agostinho. No cristianismo, o santo bispo de Hipona pôde perscrutar as raízes da verdade: “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava… Estavas comigo e eu não estava contigo” [2].

Essa sede de verdade impulsionada pela Igreja e seus pensadores ao longo dos séculos teve papel imprescindível para o surgimento das universidades. O historiador Thomas E. Woods, em seu famoso livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, desmitifica a ideia de que a Idade Média foi um período de ignorância e superstição. À Igreja, diferentemente do que se costuma ensinar nos cursos de história, coube o papel de salvaguardar e desenvolver o conhecimento da humanidade. Woods comenta [3]:

A Universidade foi um fenômeno completamente novo na história da Europa. Nada de parecido existiria na Grécia ou na Roma antigas. A instituição que conhecemos atualmente, com as suas Faculdades, cursos, exames e títulos, assim como a distinção entre estudos secundários e superiores, chegaram-nos diretamente do mundo medieval. A Igreja desenvolveu o sistema universitário porque, com as palavras do historiador Lowrie Daly, era “a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber”.

Com efeito, o rótulo de persona non grata imposto ao jovem católico dentro da academia — principalmente quando se manifesta contrário às opiniões dominantes no círculo universitário —, resume-se tão somente a um preconceito tacanho da parte daqueles que desejam colocar a religião entre parêntesis. A contribuição da Igreja Católica à ciência, em que pese as acusações contra a Inquisição e erros pontuais na avaliação de novas descobertas, supera a de qualquer outra instituição. Dão testemunho disso os 48 prêmios Nobel da Pontifícia Academia das Ciências. Entre os nomes notáveis que figuram nessa lista estão o brasileiro Miguel Nicolelis e o inglês Stephen Hawking. Sim, dois ateus. A Igreja, ao contrário dos dogmáticos militantes anticlericais, é capaz de reconhecer os progressos da humanidade, ainda que seus idealizadores não sejam crentes.

Bento XVI, ao encontrar-se com os jovens em Madrid, durante a 26ª Jornada Mundial da Juventude, não deixou de animá-los a perseguir o caminho de Cristo, mesmo diante dos desafios:

Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.

Dentro da universidade, o católico é chamado a dar testemunho da verdade, infundindo, por meio do apostolado pessoal e fecundo, as Palavras do Evangelho entre os demais. É chamado, sobretudo, a contribuir para o progresso e exercício da autêntica ciência: “a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé” [4]. Não há por que se envergonhar de Cristo. Estar ao lado de Deus é estar ao lado da verdadeira razão.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 21 de março de 2007
  2. Santo Agostinho, Confissões, X, 27
  3. WOODS, Thomas E..Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, p. 46
  4. Catecismo da Igreja Católica, 159

Não é vergonhoso ser católico na universidade

A vida acadêmica impõe sérios desafios aos jovens, mormente àqueles que desejam viver de acordo com os preceitos de sua fé. A estrutura universitária atual é montada para inibir a religião. Isso se mostra ainda mais flagrante quando se está a pensar no cristianismo. De fato, o posicionamento cristão — em especial o católico — dentro de uma universidade é quase como que um suicídio social. Os alunos religiosos são frequentemente intimidados — seja pelos colegas de classe, seja pelos professores — a esconderem suas opiniões, a fim de que possam sobreviver aos anos de estudo.

É suficiente pensar em dois casos particulares que aconteceram no Brasil há algumas semanas para se ter um panorama da situação: a arbitrária retirada de uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho da Faculdade de Direito do Recife e o aprisionamento das cartilhas “Chaves para bioética”, a mando do Ministério Público, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Embora a academia seja um campo onde deve existir o livre debate e o pluralismo de ideias, a militância dita “progressista” impõe a todo o corpo universitário uma agenda ideológica e sem nenhum compromisso com a verdade. Assim, enquanto as imorais cartilhas de “educação sexual” da Unicefcirculam livremente em escolas, colégios e faculdades, o Ministério Público acata o pedido de alguns professores contrários à castidade, recolhendo o material da Fundação Jérôme Lejeune, distribuído na UERJ. Reina, de fato, o que Bento XVI chamou de “ditadura do relativismo”. Não existe diálogo, não existe ciência séria. Ao contrário, no mais da vezes, os cursos são verdadeiros laboratórios de doutrinação.

No discurso que proferiria à Universidade de Roma La Sapienza, em 2008, Bento XVI faz a seguinte consideração: “Diante duma razão não histórica que procura autoconstruir-se somente numa racionalidade não histórica, a sabedoria da humanidade como tal – a sabedoria das grandes tradições religiosas – deve ser valorizada como realidade que não se pode impunemente lançar para o cesto da história das ideias”. Ora, não foi exatamente isso que fizeram o Ministério Público, recolhendo as cartilhas, a Faculdade de Direito do Recife, expurgando uma imagem histórica do prédio da instituição, e meia dúzia de professores e alunos intolerantes, ao impedir a participação do Santo Padre na abertura do ano letivo da Universidade de Roma? Jogaram na lata de lixo da história dois mil anos de sabedoria e progresso, cujo legado abarca inclusive a La Sapienza, fundada ainda no século XIII, pelo Papa Bonifácio VIII.

Os chamados padres da Igreja identificaram na filosofia em vigor à época — não nas religiões pagãs e míticas — as sementes do Evangelho, as quais o cristianismo teria a missão de desenvolver posteriormente. Ao início do pensamento cristão, a fé católica aparece como a continuação e o acabamento do pensamento filosófico, não como extensão da religiosidade popular. A famosa conversão de São Justino deve-se justamente a essa importância da razão dentro do cristianismo. No seu Diálogo com Trifão, ele narra como sua peregrinação em busca da verdade levou-o a Deus e à “verdadeira filosofia” [1]. Foi também o itinerário percorrido por muitos outros santos, mas sobretudo por Santo Agostinho. No cristianismo, o santo bispo de Hipona pôde perscrutar as raízes da verdade: “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava… Estavas comigo e eu não estava contigo” [2].

Essa sede de verdade impulsionada pela Igreja e seus pensadores ao longo dos séculos teve papel imprescindível para o surgimento das universidades. O historiador Thomas E. Woods, em seu famoso livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, desmitifica a ideia de que a Idade Média foi um período de ignorância e superstição. À Igreja, diferentemente do que se costuma ensinar nos cursos de história, coube o papel de salvaguardar e desenvolver o conhecimento da humanidade. Woods comenta [3]:

A Universidade foi um fenômeno completamente novo na história da Europa. Nada de parecido existiria na Grécia ou na Roma antigas. A instituição que conhecemos atualmente, com as suas Faculdades, cursos, exames e títulos, assim como a distinção entre estudos secundários e superiores, chegaram-nos diretamente do mundo medieval. A Igreja desenvolveu o sistema universitário porque, com as palavras do historiador Lowrie Daly, era “a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber”.

Com efeito, o rótulo de persona non grata imposto ao jovem católico dentro da academia — principalmente quando se manifesta contrário às opiniões dominantes no círculo universitário —, resume-se tão somente a um preconceito tacanho da parte daqueles que desejam colocar a religião entre parêntesis. A contribuição da Igreja Católica à ciência, em que pese as acusações contra a Inquisição e erros pontuais na avaliação de novas descobertas, supera a de qualquer outra instituição. Dão testemunho disso os 48 prêmios Nobel da Pontifícia Academia das Ciências. Entre os nomes notáveis que figuram nessa lista estão o brasileiro Miguel Nicolelis e o inglês Stephen Hawking. Sim, dois ateus. A Igreja, ao contrário dos dogmáticos militantes anticlericais, é capaz de reconhecer os progressos da humanidade, ainda que seus idealizadores não sejam crentes.

Bento XVI, ao encontrar-se com os jovens em Madrid, durante a 26ª Jornada Mundial da Juventude, não deixou de animá-los a perseguir o caminho de Cristo, mesmo diante dos desafios:

Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.

Dentro da universidade, o católico é chamado a dar testemunho da verdade, infundindo, por meio do apostolado pessoal e fecundo, as Palavras do Evangelho entre os demais. É chamado, sobretudo, a contribuir para o progresso e exercício da autêntica ciência: “a busca metódica, em todos os domínios do saber, se for conduzida de modo verdadeiramente científico e segundo as normas da moral, jamais estará em oposição à fé” [4]. Não há por que se envergonhar de Cristo. Estar ao lado de Deus é estar ao lado da verdadeira razão.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Papa Bento XVI, Audiência Geral, 21 de março de 2007
  2. Santo Agostinho, Confissões, X, 27
  3. WOODS, Thomas E..Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, p. 46
  4. Catecismo da Igreja Católica, 159

Como é ser um jovem católico?

Entende-se por católico, aquela pessoa que aderiu à religião Católica para o seguimento a Jesus Cristo. Ser católico não é só dizer que é, mas seguir com amor o que Ela – A Igreja – nos apresenta e nos propõe para um seguimento fiel a Jesus Cristo. Deve-se escutar sempre a Palavra de Deus e praticá-la, observar os mandamentos de Deus e da Igreja, servir e amar os irmãos, participar das pastorais e movimentos, celebrar os Sacramentos, especialmente a Eucaristia, Ápice da Vida da Igreja.

Ser católico não é fácil, menos ainda nos tempos modiernos. As críticas à Igreja e à Doutrina Católica são bastante, o protestantismo aumenta a cada dia, os fieis cada vez mais dispersados no mundo. Se para os mais experientes é difícil, quanto mais para um jovem, que sempre está em mudança, com sua garra e disposição, agitado, sempre em discernimento. Como ser um jovem católico ativo na Igreja?

Muitos têm uma pequena concepção que “a Igreja é pra gente velho”, mas não ver que hoje a maioria dos padres são jovens e que têm muitos jovens ativos na comunidade e são felizes por isso. A Igreja é rica em movimentos e pastorais, ou seja, em ministérios e  vem investindo muito em como evangelizar a juventude. Hoje existe a PJ (pastoral da juventude), o EJC (Encontro de Jovens com Cristo), vários encontros para jovens, como, por exemplo o DNJ (Dia Nacional da Juventude),  a Catequese, especialmente da Crisma, que são jovens os catequistas. A Igreja está aberta para a novas comunidades de vida e aliança e aos novos carismas.Hoje muitos jovens são participantes da Renovação Carismática Católica, que vem sendo uma grande ajuda na evangelização da juventude.

O jovem tem muitas opções para ser um católico fiel e ativo, basta ser incentivado, querer e ter responsabilidade. Ser um jovem católico nos proporciona novas conquistas, amizades, um bom relacionamento com o próximo e um grande amigo: DEUS. O jovem é bem querido na Igreja e é o futuro desta mesma Igreja. Por isso vamos aderir com amor a proposta da Igreja em seus ministérios diversos e servir a Deus na observância da Palavra, Eucaristia, Caridade e anunciar o Cristo, que é Caminho, Verdade e Vida.

 

Via: http://jovemdefe.wordpress.com/2009/04/21/como-e-ser-um-jovem-catolico/

Como o catolicismo de Tolkien influenciou sua obra?

Tolkien – um homem de piedosa e forte fé e educação católica – impregnou sua obra literária com a transcendência de sua fé cristã. Desconhecendo os mecanismos alegóricos (ainda que alguns especialistas em seu trabalho declarem o contrário), representou as verdades eternas que sustentam uma boa compreensão do catolicismo (beleza, virtudes, ordem moral, a eterna batalha entre o bem e o mal) em sua obra, de forma que a universalidade destas verdades é mais do que evidente. No caso de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”, mundos fantásticos e criaturas proporcionam um contexto no qual os elementos da ontologia cristã podem ser desenvolvidos fora do marco usual, o que reflete sua transcendência, bem como chegar a um público que de outra maneira não encontraria tais verdades.

Mas muitos fãs de Tolkien ficaram de queixo caído ao saber que o autor de "O Senhor dos Anéis", um professor de Oxford e amante de cachimbo, era um devoto e fiel católico. Como isso influenciou a sua obra?

 

O romance “O Hobbit” – e sua continuação “O Senhor dos Anéis” – são obras que já passaram para a história da literatura fantástica com nome próprio. Mas poucos dos seus fanáticos leitores sabem que o autor, John Ronald Reuel Tolkien, era um católico convicto.

Hoje internacionalmente famoso como um dos autores mais populares de todos os tempos, J. R. R. Tolkien imaginou, em um primeiro momento, os hobbits – criaturas rurais e pitorescas que habitam buracos subterrâneos muito confortáveis – enquanto corrigia provas dos seus alunos durante o verão em sua escura sala do campus. Ele considerava que o entediante trabalho acadêmico era um horror e pegou esse emprego somente porque precisava de dinheiro para manter sua família. Sua visão repentina de um hobbit que ele desenhou na margem de uma prova se tornou um conto de aventuras que foi publicado como “O Hobbit”.

O romance conta a viagem de Bilbo Bolseiro que, com reticência, abandona sua cômoda vida doméstica para unir-se a um mago chamado Gandalf e a um grupo de anões em busca da Montanha Solitária – eles lutam para recuperá-la das garras do terrível dragão Smaug. Durante o romance, Bilbo vai crescendo, não de forma física, mas espiritualmente. Muitas vezes desajeitado, mas sempre com bom coração, Bilbo briga com trolls, trasgos e aranhas gigantes. Em um momento crucial, nos profundos túneis abaixo das Montanhas Nubladas, Bilbo se envolve numa luta contra Gollum, uma batalha de enigmas, da qual não somente sobrevive, mas também encontra o anel de ouro que depois tem um papel central em sua famosa sequela. Assim, antes de voltar para a sua casa da Comarca, Bilbo se torna um herói com um forte propósito moral, com um histórico de conquistas virtuosas, um tesouro e o agradecimento das pessoas que vivem nas terras que ele ajuda a salvar.
A publicação da história de Bilbo encantou uma geração de leitores e inspirou Tolkien a começar sua mais ambiciosa obra, cuja elaboração durou muitos anos e produziu um mito colossal: “O Senhor dos Anéis”. O romance, publicado originalmente em três partes, deu-lhe um nome em seu mundo tranquilo da filologia e, como aconteceu com Bilbo, isso lhe trouxe riqueza e renome no final dos seus dias. O aplauso do público surpreendeu e gratificou Tolkien. A recepção apaixonada de “O Hobbit” e de “O Senhor dos Anéis” elevou seu trabalho, que ele sempre considerou um hobby um tanto extravagante, a um nível ao qual poucos romances fantásticos puderam chegar.
Estes fatos relacionados a Tolkien são mundialmente conhecidos. O que não se sabe é que esta ficção, de grande atrativo, está impregnada da fé católica do autor. A surpresa vem de que a palavra “católico” não aparece nas receitas da Terra Média, onde uma religião institucional não existe. No entanto, como testemunhas da visão de mundo do autor, estes romances expressam a imaginação católica de Tolkien. O espírito dos romances, primeiro de forma implícita e depois sob a sua direção artística sutil, está baseado em sua identidade e em sua maneira de entender as verdades metafísicas.
Tolkien não era católico por convenção ou simplesmente por cultura: a conversão da sua mãe supôs uma ruptura familiar em uma época da Inglaterra em que o catolicismo era frequentemente sinônimo de marginalização social.
A mãe de Tolkien, Mabel, se converteu ao catolicismo e, por isso, sua família cortou relações com ela. Seu marido, o pai de Tolkien, havia morrido de febre reumática na África do Sul, onde o escritor nasceu, antes de ter podido se reunir com ela e com seus dois filhos que estavam na Inglaterra visitando a família. Mabel e seus filhos se viram reduzidos à pobreza pelo fato de sua família protestante ter cortado relações com eles, mas ela suportou todos os desafios da sua maternidade com santa dedicação.
Sobrecarregada de trabalho e isolada devido à sua fé católica, ela morreu pouco depois da Primeira Comunhão de Tolkien, mas não antes de confiar a tutela dos seus filhos a um sacerdote amigo do Oratório de Birmingham, o Pe. Francis Morgan, que deu continuidade à instrução das crianças na fé (participavam da Missa com ele diariamente antes de ir ao colégio, por exemplo). Tolkien escreveu mais tarde sobre sua mãe: “Minha própria mãe foi, sem dúvida, uma mártir. Nem todos recebem de Deus o dom de ter uma mãe que sacrificou a si mesma trabalhando para que Hilary e eu mantivéssemos a fé”.
Já adolescente, enamorou-se de Edith, uma mulher protestante mais velha que ele, mas, a pedido do Pe. Morgan, a quem era muito leal, prometeu não ter nenhum contato com ela até cumprir 21 anos. No dia do seu aniversário, escreveu a Edith, pedindo-a em casamento. Algum tempo antes de receber esta carta, Edith ficou noiva de outro homem, mas seu amor a Tolkien se reavivou e ela rompeu o noivado para estar com o pretendente que a havia conquistado inicialmente. Em pouco tempo, Tolkien se casou com ela (que se converteu o catolicismo para se casar com ele), tiveram 4 filhos e estiveram unidos até o final dos seus dias. Seu romance está refletido na história de Beren e Lúthien, dois grandes personagens da Terra Média cujos nomes aparecem gravados em suas lápides em Wolvercote, Oxford.
Depois do seu casamento, sendo ainda jovem, Tolkien lutou e sofreu as penúrias das trincheiras do Somme, experimentando em primeira pessoa o pesadelo existencial que transformou profundamente a fé vitoriana na civilização ocidental. Sobreviveu a “todos, menos a um” dos seus amigos mais próximos, que serviram com ele – incluindo seus colegas do clube “TCBS”, abreviatura do “Clube de Chá e Sociedade Barroviana”, que, de alguma maneira, prefigurou o famoso círculo literário conhecido como Inklings, e a guerra o comoveu profundamente. Foi sua fé católica que o sustentou nesse tempo de angústia física e emocional. Ferido durante a carnificina sem sentido das trincheiras, voltou à Inglaterra, onde Edith o esperava, e retomou sua brilhante carreira universitária, centrada no estudo da língua e da mitologia – seus temas por excelência, a partir dos quais surgiu a lenda. Foi durante esta época que Tolkien, que ia à Missa diariamente, escreveu grande parte da sua ficção, incluindo “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”.
Ainda que Tolkien nunca tenha tido a intenção de fazer de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” uma alegoria da sua fé (como fizeram outros – por exemplo, seu amigo C. S. Lewis), inevitavelmente sua fé e suas crenças se refletem no emaranhado moral do seu universo fantástico.
Surge a pergunta: de que maneira o catolicismo de Tolkien influenciou sua obra? Alguns céticos poderiam questionar a premissa de que está por trás da pergunta. Depois de tudo, diriam, a fé de Tolkien (muito importante em sua vida pessoal) não teve um impacto direto em sua famosa obra. “Desagrada-me cordialmente a alegoria em todas as suas afirmações – escreveu ele na introdução à 2ª edição de ‘O Senhor dos Anéis’ – e sempre foi assim, desde que me tornei velho e precavido como para detectar sua presença”.
Admitindo uma reconvenção imediata, os céticos deveriam admitir que sua fé não requer uma representação alegórica no romance. Os incrédulos poderiam argumentar que o seu catolicismo é, quando muito, incidental na Terra Média, um contexto pré-cristão predominantemente influenciado pelo mito nórdico e outras fontes pagãs. Tolkien responde a estes céticos com suas próprias palavras. Antes que “O Senhor dos Anéis” fosse publicado, escreveu uma carta ao seu amigo, o sacerdote Robert Murray, na qual lhe dizia: “’O Senhor dos Anéis’ é, certamente, uma obra fundamentalmente religiosa e católica, no começo inconscientemente, mas muito conscientemente em sua revisão. Esta é a razão pela qual não coloquei ou tirei praticamente todas as referências ao que pudesse parecer ‘religião’, cultos e práticas nesse mundo imaginário – para que o elemento religioso fosse absorvido na história e no simbolismo”.
Destacados católicos que ainda vivem escreveram sobre a religiosidade de Tolkien em sua obra, incluindo Stratford Caldecott, Joseph Pearce, Bradley Birzer, Peter Kreeft, Carol Abromaitis, David Mills e Richard Purtill. Sem dúvida, como afirmaram numerosos especialistas, Tolkien participou do renascimento católico na literatura inglesa, unindo-se a G.K. Chesterton, Hilaire Belloc, Evelyn Waugh, Graham Greene, Gerard Manley Hopkins, W.H. Auden e outras luzes da fé. Às vezes separados por décadas e quilômetros, em uma continuidade espiritual consciente ou inconsciente, eles utilizaram as palavras para fazer uma defesa polivalente do que consideravam ser a beleza, a bondade e a verdade, contra uma crescente cultura desumana e desarraigada.
No entanto, Tolkien não foi um pregador. Ao contrário do seu grande amigo C. S. Lewis – que se converteu ao cristianismo em parte porque Tolkien o convenceu de que a Bíblia era o único e verdadeiro mito –, ele desprezou a alegoria. Dizia que esta não aparecia em nenhum lugar de “O Senhor dos Anéis”.
Liderando os antes mencionados Inklings, Tolkien e Lewis compartilhavam o amor pela mitologia. Ao longo da sua amizade, muitas vezes enquanto bebiam em um pub de Oxford chamado “The Eagle and Child” (então conhecido como “The Bird and Baby”), os dois professores conversavam sobre as obras que estavam escrevendo – livros que depois transformariam o mundo. Mas sua amizade não evitava que Tolkien criticasse o que ele chamava de “casa das feras mitológicas” das “Crônicas de Nárnia”, a famosa série de romances cristãos alegóricos (Lewis dizia que eram meramente análogos, mas isso era considerado irrelevante, segundo a opinião de Tolkien, baseada nos seus padrões literários).
Os críticos tentaram interpretar a experiência de Tolkien nas duas Guerras Mundiais em suas obras, especialmente em “O Senhor dos Anéis”. Por exemplo (e para consternação do próprio Tolkien), muitos leitores consideravam que o Anel Único de Sauron (o artefato maléfico que Bilbo toma de Gollum em “O Hobbit” e que entrega ao seu sobrinho Frodo Bolseiro, confiando-lhe a sua destruição no Monte do Destino, cravado nas profundezas escuras de Mordor – o mesmo lugar em que o próprio Anel foi forjado) representava as armas de destruição massiva, como a bomba atômica.
Sem dúvida, Tolkien estava descrente com relação às noções modernas de progresso, não gostava das mudanças que se dirigiam à violência mecanizada, aos terrenos baldios criados pela industrialização, que havia destruído sua ordem natural. Sua declarada política filosófica de anarco-monarquismo e sua disposição ao que ele chamava de “distribuição agrária” são alternativas radicais para a modernidade de hoje em dia. Ainda assim, ele rejeitou qualquer interpretação alegórica de seu romance.
“Folha de Niggle”, uma interpretação fascinante do purgatório, é a obra mais alegórica de toda a sua ficção. No entanto, é incontestável que as convicções espirituais de Tolkien estão presentes em seus livros. Os leitores, incluindo os católicos estudantes, vinculam aspectos concretos dos seus romances ao catolicismo. Entre os sinais mais evidentes, se não referências alegóricas, mencionados frequentemente como símbolos da sua fé em “O Senhor dos Anéis”, destacam-se:
– O Anel único como a Cruz e Frodo como representação de Cristo;
– A ressurreição em Gandalf o Branco e em Aragorn, que volta como rei;
– Também a Eucaristia, nas lembas curativas ou pão dos elfos.
Em sua carta ao Pe. Murray, Tolkien diz do seu romance: “Penso saber exatamente o que quer dizer como a ordem da Graça e, certamente, nas referências a Nossa Senhora, na qual se baseia minha pequena e própria percepção da beleza unida à majestade e à simplicidade”.
Ele também afirmou muitas vezes que seu romance era mítico, e não um credo. Isso não quer dizer que “O Senhor dos Anéis” não seja certo ou que a fé do seu autor não chegue a nós por meio de suas páginas. Muito pelo contrário, como disse Tolkien certa vez: “Ao criar um mito, praticando a ‘mythopoeia’, e enchendo o mundo de elfos, dragões e trasgos… um narrador de histórias está cumprindo a vontade de Deus e refletindo um fragmento da luz verdadeira”.
Drew Bowling via Aleteia