Cruz de Cristo, cruz do mundo!

Está próxima a Páscoa. Jesus, o Filho de Deus humanizado, passando pelo vale da morte, saiu deste mundo e passou (fez a Passagem, a Páscoa) para o Pai. Este caminho do Senhor Jesus não é um fato particular entre tantos deste nosso mundo; é o fato, o caminho fundamental, que dá sentido à história e à vida do homem neste mundo. A morte e ressurreição de Jesus são a chave para compreender a realidade humana.

Sexta-Feira Santa. Um homem, o santo Filho de Deus macerado na cruz. Toda maldade humana, todo absurdo do mundo, toda falta de sentido caem sobre Ele. No Justo crucificado ante o silêncio de Deus, que nada faz para salvá-Lo, aparece todo drama do mundo. Por que tanta dor e injustiça? Por que o bem parece tão impotente? Por que Deus permite? Por que Se cala? Será que não vê? Será que não existe? Na cruz de Cristo está simbolizado todo o drama do mal do mundo… Mal sem explicação, que desmoraliza, nos faz sofrer…

Sábado Santo: o Justo morto entrou no estado de aniquilamento total: Jesus “desceu” à morte, àquela situação de nadificação, de nada, com tudo que ela tem de dramático, de amedrontador, de amargo: experimentou a nossa “morte de pecado”. Deus não O salvou e Ele desceu à morada dos mortos… Silêncio de Cristo, silêncio de Deus, silêncio triste do coração do homem, que se sente sozinho, incapaz, abandonado, diante do mal do mundo…

Domingo de Páscoa: Deus, o Pai, que Se calou na Sexta, que parecia ausente no Sábado, agora toma a palavra: derrama sobre Seu Filho entregue e abandonado toda a potência vivificante do Espírito Santo. O Filho é arrancado da morte, o “Filho-feito-homem” entra na glória e na plenitude do Pai, pleno do Espírito Santo! Aquele que parecia derrotado, abandonado por Deus, agora é Senhor e Cristo, Senhor do universo, Senhor da história, sentido e esperança de todas as coisas! O Pai julgou o pecado do mundo: ao ressuscitar o Filho Jesus, o Pai desmascara o pecado, o Pai deixa claro que não é conivente com a maldade: se Ele Se calou na Sexta e no Sábado, no Domingo revelou toda a Sua glória e toda a Sua justiça, ressuscitando Jesus e Dele fazendo cabeça da nova criação e início de uma humanidade ressuscitada, de um mundo novo!

Vamos celebrar a Páscoa; ela já se aproxima! Não se trata de uma simples recordação! Celebrando-a, entramos em contato com a própria vitória de Cristo e enchemos a nossa vida de esperança. A Páscoa não é teoria, não é crença morta! Ela é a experiência que dá sentido à história do mundo e à nossa história. No Crucificado que ressuscitou, sabemos que toda dor e tristeza humanas estão redimidas!

Dom Henrique Soares

Anúncios

Papa: é feio ver um cristão que segue Jesus e a mundanidade

Na celebração de ontem, 26, o Papa Francisco chamou a atenção dos fiéis presentes na celebração da Santa Missa na Casa Santa Marta. O Santo Padre destacou que não pode haver um cristianismo dividido, ou seja, não se pode ter o céu e a terra ao mesmo tempo. Pois ele mesmo afirma que “é feio ver um cristão que segue Jesus e a mundanidade”.

Na liturgia de ontem, Pedro pergunta a Jesus o que os discípulos ganhariam por segui-lo, indagação feita logo após o Senhor dizer ao jovem rico que vendesse todos os seus bens e os desse aos pobres. O Sumo Pontífice observa que a resposta de Jesus aos discípulos não segue direção que ele esperavam, mas promete o Reino dos céus como herança, mas “com a perseguição e com a cruz”.

“Por isso, quando um cristão é apegado aos bens, faz uma triste figura, como se quisesse as duas coisas; o céu e a terra. E o termo de comparação está naquilo que Jesus diz: a cruz, as perseguições. Isto quer dizer negar a si mesmo, sofrer todos os dias a cruz…”, ensina o Santo Padre.

O serviço e a humildade são características dos cristãos. Segundo o Papa Francisco, Jesus levou muito tempo para fazer entender isto aos seus discípulos. E é nesta intenção que também hoje devemos pedir ao Senhor que nos ensine este caminho de serviço e de humildade pois é feio ver um cristão que quer seguir Jesus e a mundanidade:

“É feio ver um cristão, seja leigo, consagrado, sacerdote, bispo, é feio quando se vê que quer as duas coisas: seguir Jesus e os bens, seguir Jesus e a mundanidade. E isso é um contra-testemunho e distancia as pessoas de Jesus.

 

Via Padres e Irmãos Paulinos

Carta Escrita no Ano 2070

   outubro_mes_missionarioEstamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA AGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a agua jamais se podia terminar. 

      Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de agua indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.
As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A industria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de agua são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigénio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por habitante e adulto.
A gente que não pode pagar é retirada das “zonas ventiladas”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exercito, a agua tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.

      Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da industria contaminante do século XX.
Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a agua que quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua? Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomámos em conta tantos avisos.
Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta terra!”

Documento extraído da revista biográfica “Crónicas de los Tiempos” de Abril de 2002.

O Jesus do mundo

jesus-do-mundo-blogUma grande revista de circulação nacional estampava em sua capa, anos atrás, o rosto de Jesus rodeado por símbolos hippies, com a seguinte manchete: “Deus é pop”. A reportagem tratava da espiritualidade juvenil e da maneira particular com que cada um se relacionava com o divino. A revista ainda fazia questão de enfatizar as peculiaridades desses novos movimentos, sobretudo as novidades, como altar em forma de prancha, uso de rock n’roll durante os cultos, grandes baladas “cristãs”, etc.

O que a matéria reflete não é uma novidade na história. Pelo contrário, ao longo dos séculos o que mais se viu foi a tentativa de desmontar Jesus Cristo, tomando apenas partes de seu Evangelho em detrimento de outras, somente para saciar ou atender às próprias veleidades. Esses que querem esquartejar Jesus (como se não bastasse a Crucifixão), dizem aceitar o Amor, mas se esquecem que esse Amor não compactua com nenhuma forma de mal nem com o pecado. Esquecem-se que o Amor também significa compromisso consigo mesmo e com o próximo. Que a misericórdia também significa justiça. Enfim, escolhem as partes de Jesus que mais lhes convém, como se Ele estivesse exposto numa prateleira de mercado.

Essa tendência de se tomar a parte pelo todo, segundo o Papa Emérito Bento XVI no livro Jesus de Nazaré, ficou mais evidente a partir da década de 1950. Ela se reflete nas adaptações de Cristo às várias modalidades de culto facilmente encontradas hoje em dia e que acabam por revelar um dramático empobrecimento da fé cristã, devido a uma recusa à personalidade “exigente” e “comprometedora” do Jesus original.

Qual o motivo dessa recusa? A resposta pode ser encontrada nas palavras de São Paulo à comunidade dos Romanos: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos” (Cf. Rm 1, 25). Colocaram-se acima do Criador e fizeram-se senhores do “bem” e do “mal”. E é por isso que se faz necessário aos missionários do mundo corromper a verdadeira imagem do Salvador num garotão patético que aceita tudo pela “paz” e o “amor”. A presença da Igreja no mundo é como a presença de uma mãe no quarto de um filho que aprontou. Ele sempre tentará convencê-la, seja por desculpas, seja por birras, a abonar suas traquinagens. Mas uma mãe que ama jamais o fará, quanto mais a Igreja!

Outra motivação para esta recusa pode ser encontrada nas teologias modernas que, na ânsia de “salvarem” Jesus das indagações científicas, concebem-No irreconhecível. Este mais representa um retrato ideológico que o próprio Verbo Encarnado. O patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, compara essa atitude a dos Discípulos de Emaús, pois são os teólogos que querem dizer para Cristo quem de fato Ele é:

“Vemos a imagem de uma certa teologia, mais desejosa do que iluminada, totalmente dedicada à árdua e improvável tentativa de salvar, através de suas próprias categorias, Jesus Cristo e a Sua Palavra. Mas, nesta imagem, somos representados nós mesmos, cada vez, com nossa programação pastoral, com nossos projetos e debates, à parte de uma verdadeira fé, pretendemos explicar a Jesus Cristo quem Ele é.” (Dom Francesco Moraglia)

Ora, não é o ser humano que diz a Jesus quem Ele é, mas é Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que diz quem é o ser humano. Adaptar Cristo a um estilo de vida não condizente à reta vivência cristã reflete um apego aos prazeres do mundo, no qual se faz mais importante o vício que o Cristo crucificado. Não, Jesus não é um hippie “paz e amor, bicho”, nem um revolucionário politiqueiro. Isso são ídolos. Jesus é Deus, portanto, que o homem seja apenas aquilo que ele deve ser: um adorador!

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro?

– http://bit.ly/1dW5V1B

Uma das grandes preocupações dos papas do último século foi com a construção, na sociedade, de uma necessária “hierarquia dos valores”, a fim de lembrar o homem de sua vocação para a eternidade e de sua grande nobreza enquanto imago Dei – “imagem de Deus” (Gn 1, 27).

Era o progresso técnico e científico que inquietava sobremaneira o espírito dos Sumos Pontífices. E não porque a Igreja Católica fosse contrária ao desenvolvimento dos povos ou à descoberta de novas ferramentas para integrar os homens. Como ensinou o Concílio Vaticano I, sobre a relação entre fé e razão, “a Igreja, longe de opor-se ao estudo das artes e das disciplinas humanas, favorece-as e promove-as de todos os modos”.

O que se percebia, porém, era que, ao lado da lâmpada, do automóvel e do telefone, a sociedade vivia em permanente crise espiritual. Ao lado de tantas invenções e descobertas importantes, havia uma filosofia anunciando que Deus teria morrido e que o homem deveria procurar não mais a santidade de uma vida justa, mas a frivolidade de uma vida cheia de prazeres e satisfações mundanas.

O Papa Leão XIII, ainda em 1890, notou a discrepância entre o desenvolvimento material e o espiritual das nações. Na encíclica Sapientiae Christianae, reconheceu um relativo “progresso nas comodidades corporais e extrínsecas”, mas alertou: “Toda essa natureza sensível, a abundância de meios, as forças e as riquezas, se podem gerar comodidades e aumentar a serenidade da vida, não poderão nunca satisfazer a nossa alma, criada para coisas mais altas e com mais gloriosos destinos”. Mostrando como os “bens da alma” se escureciam cada vez mais entre os homens, sua advertência se revestiu de caráter profético: “Assaz catástrofes nos apresentou já o século em que vamos, e quem sabe as que estão ainda por vir!”, exclamava o Pontífice, como que já antevendo as tragédias que atravessaram praticamente todo o século XX.

E mesmo depois de tanta destruição, seja em consequência das duas grandes guerras mundiais, seja pela ascensão do socialismo ao poder, os apelos da Igreja à conversão da humanidade não cessaram; ao contrário, intensificaram-se ainda mais. A Igreja tinha consciência que, mais que recuperar os países devastados pela guerra, era preciso resgatar o homem do profundo abismo existencial no qual se tinha lançado. Como apontou com precisão o Papa Pio XII, a era técnica estava levando “a cabo sua monstruosa obra de transformar o homem em um gigante do mundo físico, em detrimento de seu espírito, reduzido a pigmeu do mundo sobrenatural e eterno”.

A exortação de seu sucessor, o beato papa João XXIII era que se devia reconhecer uma justa “hierarquia dos valores”. A televisão, o celular, o computador e a Internet, bem como os inúmeros avanços científicos logrados nos últimos anos “constituem sem dúvida elementos positivos” de nossa civilização, porém “não são, nem podem ser, valores supremos; em comparação destes, revestem essencialmente um caráter instrumental”.

Reconhecer a natureza instrumental de nosso progresso material significa dizer que só quando o homem olha para o Céu pode edificar nesta terra “uma cidade fiável”, como indica o Papa Francisco, na encíclica Lumen Fidei. Para isto, os cristãos precisam oferecer o seu testemunho, demonstrando com suas próprias vidas como gozam dos bens terrestres: vislumbrando os dons celestes. Mais do que qualquer coisa, o cristão católico deve ser um homem de oração. Permanecendo em constante diálogo com o Senhor, poderá conservar dentro de si a graça divina, o desejo de fazer sempre a Sua vontade e de irradiar a Palavra de Deus às outras pessoas.

Onde a sociedade se esquece desta Palavra, com efeito, não há progresso algum, não há sequer verdadeira civilização. O homem é unidade de corpo e alma – corpore et anima unus – e esta tende inevitavelmente para o Senhor, longe do qual encontrará apenas trevas. Ecoam fortes no decorrer dos séculos as palavras de Jesus: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida?” (Mt 16, 26).