Como esperar pelo José que nunca chega?

É muito comum, nos retiros e rodinhas de Igreja, quando se fala sobre relacionamento amoroso, as meninas se referirem ao futuro namorado, noivo, marido como o seu ‘José’. Fazem referência ao santo esposo de Maria, um exemplo para nós de respeito, cuidado, paciência e dedicação à família. São José é venerado não só como padroeiro do trabalho, mas também como um modelo de virtudes em quem os homens podem se espelhar.

Para muitas meninas, no entanto, esse discurso “esperando o José” é como uma vitrola quebrada: entra ano, sai ano, nada muda, nada do José aparecer.

O que fazer?

O tempo vai passando e a cobrança social por estar sem um namorado vai aumentando. Se já passou dos 30 anos, é um “Deus nos acuda!”, pois o relógio biológico já implora pela maternidade.

A opção é continuar vivendo a vida plenamente solteira, sendo uma pessoa legal, agradável, cuidando de sua saúde e seu corpo, ampliando seu círculo de amigos; afinal, se o José chegar, é bom encontrar uma mulher inteligente e boa de papo, no mínimo. Mas pode ser que isso não aconteça e a sua cabeça comece a se torturar com questionamentos: “O que estou fazendo de errado? Por que ninguém quer me namorar sério? Qual será o meu problema? Será que sou feia demais? Falo demais? Sou desagradável?”.

Primeiro perigo

Aí mora um primeiro perigo: o de autoflagelar-se, simplesmente porque está sozinha há um tempo, por não corresponder à expectativa social de que todas as mulheres vão namorar, noivar, casar, ter filhos e viver felizes para sempre. É claro que você pode fazer uma autocrítica e verificar se está bem com si mesma, com sua família, para estar bem com outra pessoa e pensar em formar uma família. Pense: você é uma pessoa chata? Sinceramente, avalie-se, porque ninguém quer gente chata ao seu redor para toda a vida.

Não se cobre além da conta, sempre pense se você está sendo autêntica, pois autenticidade, numa sociedade tão superficial e plastificada, é moeda valiosa e especial.

Segundo perigo

O segundo perigo está em considerar-se tão melhor que os meninos ao seu redor, que nenhum é suficientemente bom para o seu padrão de beleza ou de recursos financeiros, culturais, enfim. Para mim, nada disso adianta se o homem não é inteligente, se não consegue desenvolver um raciocínio sobre o mundo em que vivemos, se está alienado política e culturalmente, porque a beleza passa, o dinheiro acaba e companheirismo exige diálogo; então, alguém com quem minimamente se estabeleça um papo gostoso no fim do dia para mim é essencial.

O extremo oposto também é perigoso: a tentação de agarrar o primeiro homem que aparecer, seja do jeito que for – afinal, antes acompanhada de qualquer jeito do que só! Minha gente, cuidado com isso! Para estar com alguém é importante que essa pessoa tenha valores parecidos com os seus, e que seja alguém que trabalhe, consiga construir e sustentar um lar com você, que tenha sonhos que possam ser cultivados por vocês dois. Essa história de ser muro de arrimo para os outros, só para não ficar sozinha, é um barco furado. Você atendeu a uma pressão social agora, mas vai sofrer o resto da vida, talvez com um homem que não o ajude a ser alguém melhor.

É bom refletir

Lembre-se que prudente é quem constrói a casa sobre a rocha, lugar seguro, onde podem vir ventos e tempestades, mas a casa continuará inabalável (cf. Mt 7,24-27). Não seja insensata. Peça a Deus discernimento nas suas escolhas amorosas e conceba também a possibilidade de ser plenamente feliz sem estar em um relacionamento amoroso. Antes só você e Deus do que mal acompanhada.

A situação que descrevi acima não deve ser encarada como igual e existente para todas as mulheres, pois sabemos que cada mulher é única.

Estudando sobre o comportamento feminino atual e convivendo em diferentes grupos de mulheres, percebo, muitas vezes, que falta esse choque de realidade, e é para elas que escrevo.

 

Por Mariella Silva de Oliveira Costa

O Pai Nosso

A Igreja sempre considerou a Oração do Senhor (Pai Nosso) como a oração Cristã por excelência. Na antiga Igreja da África, por exemplo, os rudimentos da fé (em que cremos) foram transmitidos a partir dela; no seu catecumenato quando imersos no conhecimento da oração (o que oramos).Depois de terem uma explanação sobre o Credo (tradição) eles tinham que recitá-la publicamente de memória (redição); a passagem entre esta ‘tradição’ e ‘redição’ era a Oração do Senhor. Tertuliano não era o único a considerar a Oração do Senhor como sendo o compêndio e a síntese do Antigo e do Novo Testamento.

“Em suas poucas palavras, estão resumidas as falas dos profetas, os evangelhos, os Apóstolos; os discursos, as parábolas, os exemplos e dos ensinamentos do Senhor e, ao mesmo tempo, muitas de nossas necessidades são preenchidas. Na invocação do Pai, nos honramos a Deus; no Nome está o testemunho da fé; em Sua vontade está a oferta da obediência; no Reino está a recordação da esperança; no Pão coloca-se a questão da vida; no pedido de perdão está a confissão dos pecados; no pedido de proteção está o medo da tentação. Por que medo? Somente Deus poderia ensinar-nos como Ele queria que orássemos” (De Oratione 9,1-3).

Apesar de Lucas 11,2-4, eu examinarei apenas o texto de Mateus 6,9-13. Ele aparece inserido justamente após a segunda de três virtudes: caridade (6,1-3), oração (6,4-15) e jejum (6,16-18), todas como formas superiores à justiça dos Judeus.

Mateus 6,9-13 esta estruturado em três partes. Começa com uma invocação, continua com três pedidos com referência a Deus, e encerra com três pedidos relativo ao povo messiânico. A oração tinha uma clara orientação escatológica e presume uma sinergia Deus-homem.

“PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU”
a) ‘Pai Nosso’

Em todos os tempos, a humanidade tem se voltado para a divindade a quem chama ‘Pai’. Com isto, a humanidade pretende reconhecer Sua autoridade e suplicar o Seu amor.

O Antigo Testamento

Não surpreende que entre os livros inspirados do Antigo Testamento, vinte e dois textos Hebreus, Aramáicos ou Gregos atribuam ao Senhor Iahweh o nome ‘Pai’. Deus é o primeiro de todos os pais do povo de Israel. Esta paternidade divina singular é relacionada a eventos históricos envolvendo o povo de Israel. Deus é o pai de Israel porque Deus estabeleceu por meio de eleição e pacto, uma existência para Israel que o transformou no filho primogênito de Deus, um povo propriedade de Deus (Ex 4,22-23; Dt 32,6-8). Há dois componente na paternidade divina: autoridade e amor. Deus é Pai de Israel. Desta forma Ele merece a soberania, o prestígio, o poder e a legítima autoridade de pai de família, daqueles filhos que dependem d’Ele e que Lhe são subordinadas, para lhe mostrar respeito e obediência (Is 64,4; 1,2; 30,9; Ml 1,6).

Deus é o pai de Israel. Cuidadoso e carinhoso com Seus filhos, Ele os cerca de amor gratuito, sempre misericordioso e fiel. (Is 49,15; 66,15; Sl 131,2; Os 11,1-4.8).

Deus é também o pai das pessoas que se relacionam intimamente com Israel. Isto envolve pessoas notáveis como o rei ou o Messias. (Sl 89,27; 2Sm 7,14; Sl 2,7).

Em relação à paternidade de Deus para as pessoas, os autores dos últimos livros do Antigo Testamento trabalham voltados para um mudança de perspectivas, isto é, em direção a um grande universalismo. Cada ser humano pode se tornar um filho de Deus, sem dúvida isto será realidade se ele/ela for santo e fiel a Deus. (Eclo 23,1-4; 51,10; Sb 2,13.16.18;5,5;14,3). De qualquer modo, esta é uma negação da ideia do Deus “solitário” do Islamismo (Alcorão 112,4.171; 5,116-117).

O Novo Testamento

Com Jesus, a revelação bíblica da paternidade divina entra numa nova fase. Deus é o pai de Jesus Cristo e o pai dos Cristãos. Não é raro encontrar nas Epístolas Paulinas a expressão ‘o pai de Nosso Senhor Jesus Cristo’ (Rm 15,6; 2Cor 1,3; 11,31; Ef 1,13; Cl 1,3). Por outro lado, Jesus nunca diz ‘Pai Nosso”, mas ‘Meu Pai e vosso Pai’ (Jo 20,17) distinguindo entre ‘meu Pai’ (Mt 7,21) e ‘vosso Pai” (Mt 5,16).

O autoconhecimento da filiação de Jesus é muito claro no Evangelho (Lc 2,49; Mc 13,32). Ele freqüentemente declara-se o enviado do Pai (Jo 3,17.34; 5,23.36.37; 6,44,57 etc…), em Hb 3,1 é chamado “o apóstolo”, isto é, “o enviado”. Jesus também afirma que sua pregação são palavras do Pai (Jo 3,34; 12,49-50; 14,10) e dão testemunhos do Pai (Jo 5,19.36;9,4).

Os Evangelhos contém muitas orações de Jesus. Mas apenas em Mc 15,34 invoca “Deus”: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Mas este grito do Crucificado é uma citação do Sl 22,2. Todas as outras preces começam com “Pai”; para louvar (Mt 11,25-26), na invocação durante a agonia no Getsêmani (Mt 26,39.42), na súplica na Cruz (Lc 23,34.36).

O Segundo Evangelho mostra-nos como Jesus se dirige a Deus com a expressão “Abba” (Mc 14,16). É uma palavra aramaica usada como forma de tratamento íntimo com uma pessoa mais velha, e muitas vezes adotada na linguagem usada pelas crianças na família, mesmo quando adultos se dirigem ao pai. Ao chamara Deus de “Abba”, Jesus demonstrou o singular relacionamento entre Ele e Deus, e ao mesmo tempo mostrou a familiaridade, a fidelidade, o respeito, a disposição que ele possui. Na oração, o judaísmo antigo, litúrgica ou particularmente, nunca ousou dirigir-se a Deus como “Abba”.

Além de ser o Pai de Jesus Cristo, Deus é também o Pai dos Cristãos em todos os sentidos. Isto não é um fenômeno puramente natural? todos são filhos de Deus?, mas um dom escatológico em Cristo. Este conceito tem origem em Deus, que criou-nos à imagem de Seu Filho, tanto que ele tornou-se o primogênito de todos os irmãos e irmãs (Rm 8,29), e colocou em nossos corações o Espírito de Seu Filho que clama: Abba, Pai (Gl 4,6). Deus nos escolheu para sermos Seus filhos adotivos através de Jesus Cristo (Ef 1,6). O Espírito Santo testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8,16) e nós que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando que a adoção como filhos seja completa e definitiva (Rm 8,23).

Entretanto, é através da fé que nós efetivamos nossa filiação divina. “Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3,26). “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome” (Jo 1,12).

Amor (Mt 5,44) e misericórdia (Lc 6,36), perdão (Mt 6,14-15) e paz (Mt 5,9): esses são algumas das manifestações concretas dos Cristãos como filhos de Deus. Como filhos de Deus, os Cristãos tornam-se irmãos e irmãs em Cristo, através de quem podem dirigir-se a Deus como Pai “nosso”.

Jesus, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8,29), chamou seus Apóstolos (Mt 28,10. Jo 20,17), aqueles que fazem a vontade de Deus (Mc 3,31-35) e os mais marginalizados (Mt 25,40.45) como seus “irmãos”. Ele exortou para o amor aos inimigos (Mt 5,43-47) assim ampliou o sentido de “irmãos”. Ele convida ao amor ao próximo (Lc 10,29034) que pode ser um amigo ou inimigo, aquele que ajuda e que precisa de nossa ajuda. Os dois mandamentos do Antigo Testamento são unificados (Dt 6,5 e Lv 19,18; Lc 10,25-28). Ele aponta o amor para com os seus como fonte e fundamento de nosso amor para com os outros (Jo 15,12-13).

b) “Que estais no céu”

No Evangelho, Jesus fala várias vezes do “Pai … no céu” (Mt 5,16.45) e do “Pai celeste” (Mt 5,48). O que é “céu” para Jesus e para os escritores do Novo Testamento? É o trono de Deus (Mt 5,34) de onde Sua voz é ouvida (Mc 1,11). O Espírito Santo desce do céu (Mc 1,10; At 1,12). Jesus é do céu, veio do céu (Jo 6,38), e é do céu que um dia Ele descerá novamente (1Ts 4,16). Os anjos sempre vêm do céu (Lc 2,13-15). A recompensa do Cristão está no céu: a terra natal, o lar (2Cor 5,1), bênção (Ef 1,3) e recompensa (Mt 5,12), esperança (Cl. 1,5) e herança (1Pe 1,4). Céu é portanto uma realidade divina e frequentemente substitui o nome de Deus (Mt 3,2; 16,1 etc…).

c) “Pai nosso que estais no céu”

Intimamente unidos a Jesus o Filho Único, todos os seus discípulos constituem uma única família de filhos adotivos de Deus. Eles podem dirigir-se a Deus como “Pai” de toda a humanidade que Ele ama, e em Seu amor onipotente Ele inclina-se para conceder a humanidade Sua transcendência que humanamente é impossível atingir.

A SANTIFICAÇÃO DO NOME DE DEUS
Esta é a abertura de uma série de três súplicas relacionadas a Deus. O pronome possessivo na segunda pessoa do plural é utilizado nos pedidos: “vosso” nome, “vosso” reino, “vossa” vontade. A voz passiva teológica pode ser observadas no primeiro e no terceiro pedido: “santificado seja”, “seja feita”, significando “para vós”. Os três pedidos portanto podem ser interpretados como “santificai vosso nome” , “vinde e reinai”, “fazei vossa vontade”.

a) O Nome

O nome é entre os semitas aquilo que constitui um indivíduo, pelo menos o desejo que impõe e define as suas qualidades. Mas se na humanidade há aqueles que não honram seus nomes, Deus torna plenamente efetivo o significado de Seu Nome. Entre os nomes divinos há também “o Santo”. E Deus é realmente Santo, visto que Ele transcende as realidades terrestres; Ele está afastado da ineficácia e maldade do mundo, pois é absolutamente poderoso e bom . Isto recorda também que os Judeus falavam com respeito do “Nome de Deus” de forma a evitar a referência direta a “Deus” mesmo.

b) A Santificação do Nome

De acordo com a Bíblia o Nome de Deus podia ser santificado ou profanado pelo homem ou por Deus. A humanidade santifica o Nome pela observância de Seus Mandamentos. Ela profana Seu Nome quando transgride-os. Lv 22,31-32 estabelece: “Guardareis os meus mandamento e os praticareis. Eu sou Iahweh. Não profanareis o meu Santo Nome, a fim de que Eu seja Santificado no meio dos filhos de Israel”.

Observe-se as duas formas paralelas: uma condicional “guardareis” e “a fim de que Eu seja Santificado”; e outra imperativa “guardareis” e “não profanareis”. Para Deus, santificar (não profanar) Seu Nome é manifestado pela punição dos Israelitas culpados de idolatria no Egito e a sua libertação. Deste modo os Egípcios não podem acusá-Lo de ter sido impotente no auxílio do Seu povo perseguido e oprimido pelo Faraó (Ez 20,5-12). Deus também santifica Seu Nome (não profana) intervindo para punir os pecadores pagãos. Deste modo os idólatras vêem o Seu poder. (Ez 39, 1-7).

Finalmente, Deus santificará Seu Nome definitiva e completamente quando Ele purificar os Israelitas de seus pecados, dando-lhes um novo coração e um novo espírito, para que possam observar os Seus estatutos (Ez 36,22-28). Os Cristãos sabem que Deus tem presente o início da era escatológica.

Pela intervenção salvífica, Ele revela-se a Si mesmo como Santo (revela a Santidade de Seu Nome) no Filho, e dá-nos Seu Espírito Santo. Na adesão a Deus que revelou-se como Santo, e esperando para vê-Lo em toda Sua glória e poder, os Cristãos procuram revelar Deus como Santo, para santificá-Lo pela observância de Seus Mandamentos e assim interpretar Sua glória.

A VINDA DO REINO DE DEUS
a) O Reino

O Reino de Deus, sua instituição, comunicação e realização, constitui o ensinamento central que Jesus anuncia para as multidões e para seus discípulos numa linguagem muito clara ou através da forma velada das parábolas.Para indicar o cumprimento do tempo da salvação, Jesus escolheu a expressão “Reino de Deus” para lembrar a autoridade de Deus, o território ou o sujeito de Sua autoridade. Isto fica bem nítido na Epístola aos Hebreu. Esta expressão sugere um domínio, um império, embora sobrenatural. Ou designa um estado de existência, semelhante a uma comunidade, uma realidade atual ou escatológica, uma realidade terrestre ou celeste.

b) A Vinda do Reino

Várias vezes Jesus fala que o Reino de Deus “está próximo” (Mt 4,17;10,7), outras vezes que “já chegou a vós” (12,28). No pensamento de Jesus, o Reino é tanto futuro como iminente, presente, todavia misteriosamente oculto nas próprias pessoas e atitudes.

No “Pai Nosso”, o verbo aoristo “vir” indica que o Reino veio, mas não está inteiramente realizado. Para estes Cristãos não se pergunta por uma lenta e progressiva vinda do Reino de Deus à terra; mas uma única e definitiva erupção no final dos tempos, quando Deus virá pessoalmente para governar.

Este evento escatológico coincidirá com a vinda gloriosa de Jesus que os Cristãos invocam com o “Maran atha” (1Cor 16,22), “Vinde Senhor Jesus” (Ap. 22,20). No final dos tempos, Jesus subjugará todos os inimigos, incluindo a morte, assim Deus será “tudo em todos” (1Cor 15,28).

A REALIZAÇÃO DA VONTADE DE DEUS
a) A Vontade de Deus

Exceto por Ap 4,11 que fala da vontade criadora de Deus, o “problema” de Deus em todo o Novo Testamento é dar a conhecer Sua gratuita vontade universal para salvação, revelada e promulgada em sua plenitude somente na escatológica inaugurada por Cristo. A vontade de Deus de salvar toda a humanidade esta expressa em um momento sob a forma de promessa, e em outro em forma de preceito. A terceira súplica do “Pai Nosso” inclui ambos os aspectos da vontade de Deus.Os Cristãos pedem a Deus que conclua o Seu plano de salvação que acontecerá no final dos tempos. Eles também pedem que a humanidade não obstrua com seus pecados a realização do projeto divino de salvação. Outrossim, em termos positivos, os Cristãos pedem que a humanidade coopere com a vontade de Deus pela observação de Suas exigências éticas.

Se é verdade, como Santo Agostinho ensinou, que “Deus não quer a sua salvação sem a sua cooperação”, então Deus executará seu plano de salvação de tal modo que a humanidade, com o auxílio do Espírito Santo, receberá a graça para acompanhar os preceitos divinos.

Esta terceira súplica não é por um povo desanimado e abatido que aceita passivamente e com resignação, a vontade de Deus. Ao contrário, é por pessoas que esperam e apressam (2Pe 3,12) dinamicamente a definitiva completa execução da vontade divina para executar suas obrigações éticas.

b) “Na terra como no céu”

A frase não se refere apenas a esta terceira súplica, mas a todas as três. Assim como Deus sempre santifica Seu Nome no céu onde Ele reina e executa Sua vontade, assim Deus também santifique Seu Nome na terra, reinando e executando Sua vontade. Ou colocando de outro modo, Deus santifica Seu Nome, governe e execute Sua vontade em todo o Universo, que inclui o céu e a terra.

O PÃO DA VIDA
Esta é a primeira de três súplicas que dizem respeito ao povo messiânico. Os pronomes pessoas estão na segunda pessoal do plural e os pronomes possessivos na primeira pessoal do plural: “nos dai”, “perdoai as nossas ofensas”, “não nos deixeis cair”, “a quem nos tem ofendido”, “o pão nosso de cada dia”, “nossas ofensas”.

a) O Pão

Um alimento fundamental, como o óleo e o vinho, na bacia mediterrânea, o pão indicado que serve para sustentar o corpo, e conforme a interpretação de muitos Padres da Igreja, para sustentar a alma.

O Cristão pede a Deus que conceda o alimento que é o pão, o alimento espiritual da Palavra de Deus e a Eucaristia, para a salvação eterna.

b) Epiousios (”de cada dia”)

Um termo que fez-se obscuro desde o tempo do Gênesis. De acordo com diversas etimologias, ele pode significar o pão “de cada dia”. E qual é esse dia? Hoje. A expressão grega pode ter sido usada para evitar “semeron”/”hoje”. Em lugar de “o pão nosso de hoje nos dai hoje”, agora se diz “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Os Cristãos recordam-se as palavras de Jesus “… o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade (comida e roupa). Buscai , em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,32-33).

Confiança na generosidade do Pai celeste é a condição necessária. Ele proverá o sustento necessário de toda a comunidade.

“De cada dia” é “de amanhã”, isto é, da escatologia. Jesus pôs seus discípulos a salvo de preocupações futuras e da acumulação de bens para si; à frente de suas preocupação sobre as coisas do mundo: “Não vos preocupei, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34).

Os Cristãos pedem pão do amanhã escatológico, do banquete do Reino do céu (Lc 14,15). Eles pedem-no para hoje porque toda realidade terrestre vive o “agora” da era escatológica que aguarda o seu pleno desenvolvimento.

A REMISSÃO DOS PECADOS
a) As transgressões

Não se trata de dívidas de gratidão obtidas por nós da generosidade paternal de Deus quando Ele nos concede suas dádivas. “Dividas” de acordo como entendimento dos Judeus são os nossos pecados. As dívidas não são consideradas como ações perversas em si mesmas, mas antes em relação a Deus cujas regras nós transgredimos e a quem nós devemos fazer uma reparação adequada.Ainda que nós devamos executar isto, nós nunca o faremos, devido a imensidão dessas dívidas. Nós mesmos nos encontramos na condição do servo implacável cujo débito chega a 10.000 talentos, e que não tem como pagar, foi vendido juntamente com todos os seus familiares e com seus bens (Mt 18,23-25). A confissão desta impossibilidade de compensar a dívida leva-nos a voltar com humildade em direção ao misericordioso amor de Deus que sobrepõe-se a tudo; então Ele perdoa nossos pecados, que nós mesmos jamais poderíamos expiar.

b) “Como nós perdoamos quem …”

A generosidade de Deus, para qual nós apelamos, coloca um única condição para que recebamos a remissão dos pecados: que nós perdoemos também quem nos ofendeu, que nós perdoe-mos aquele que tenha nos ofendido. E nos podemos mostrar misericórdia para com nossos irmãos e irmãs, exatamente porque nos podemos passar o grande tesouro de misericórdia que Deus primeiro mostrou a nós. Isto é tão claro que ao contrário também é verdade: que nossa oração não será atendida se como o servo implacável (Mt 18,23.15; cf. 6,14-15) nós deixarmos de perdoar nossos irmãos e irmãs.

O quinto pedido, como o sexto, resulta da situação que o pecado adia a definitiva vindo do Cristo glorioso e do Reino do Pai. 2Pe 3,9 diz que o Senhor não tarda a cumprir a sua promessa, como pensam alguns; mas o que ele está é usando de paciência com convosco, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se.

A PRESERVAÇÃO DAS TENTAÇÕES E A LIBERTAÇÃO DO MAL
a) A Tentação

Tentar significa testar, experimentar; portando tentação significa teste ou experiência. Algumas vezes é a humanidade que testa Deus, como os Israelitas no deserto (Dt 8,2). Isto significa desafiar Deus, negando-se a demonstrar-Lhe dedicação e obediência, em oposição ao Seu plano de salvação.Outras vezes é Deus quem testa a humanidade, como quando Ele testou Abraão no sacrifício de seu único filho (Gn 22,1f). Isto significa dizer que Deus, querendo realizar seu plano para salvação, antes deu à humanidade a decisão de acreditar ou não nEle, para obedecê-Lo ou não.

Outras vezes, ainda, é o demônio, Satanás, que testa a humanidade para tentar obstruir o plano divino de salvação, buscando empurrar a humanidade em direção à descrença e a desobediência (Mt 4,1-11).

Tentação neste sentido não vem de Deus, mas do demônio. Mas é atribuída a Deus na concepção semítica, Deus é a causa fundamental e todas as coisas (cf. Prólogo do Livro de Jó). Assim se fala da tentação de todos os dias da vida, símbolo e antecipação da tentação do último dia, “da tentação que virá sobre o mundo inteiro” (Ap 3,10). Esta “grande tribulação” (Mt 24,21) é o final e decisivo ataque que Satanás lançará contra os fiéis, atacando com tanta violência que, como disse Jesus, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma vida se salvaria. Mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados” (Mt 24,22) assim haverá fé sobre a terra (cf. Lc 18,18).

Os Cristãos rezam para o Pai celeste, para que Ele apenas os guarde da tentação, mas também que não os deixe cair em tentação. De acordo com esta ideia é o ensinamento encontrando em 1Cor 10,13: “Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; mas, com a tentação, ele vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar”.

Isto é valido para as tentação da vida diária, mas além de tudo para a grade tentação dos últimos dias.

b) A Libertação do Mal

A segunda parte do sexto pedido repete mais ou menos o que foi dito na primeira, porém no modo positivo (diferente do modo negativo da primeira parte). Os Cristãos pedem a Deus que preserve-os do mal. Porém a personificação do “ponerou” (forma masculina de “poneros” para indicar Satanás) é preferida, o que não exclui o significado de “mal”.
Sob a luz do Antigo Testamento e do Judaísmo, o “Pai Nosso” não apresenta nenhuma idéia nova.Em “Anicia Proba Faltonia” (pouco depois de 411 d.C.), Santo Agostinho, nascido de uma família nobre, que buscou proteção no Godo Alarico, observa os paralelos no Antigo Testamento de cada pedido da Oração do Senhor.Ele concluiu “Se todas as palavras da sagrada invocação constante da Escritura fossem revisadas, você não encontraria nenhuma, isto me parece, que não está contida ou resumida no “Pai Nosso” (Epístola 130,12.22-13).

Aqui está uma sinopse dos paralelos citados por Santo Agostinho:

Santificado seja o vosso nome: “Como, diante delas, te mostrastes santo em nós, assim, diante de nós, mostra levas a tua grandeza” (Eclo 36,3)

Venha a nós o vosso Reino: “Deus dos Exército, faze-nos voltar! Faze tua face brilhar, e seremos salvos” (Sl 80,8).

Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu: “Firma meus passos com a tua promessa e não deixes mal nenhum me dominar” (Sl 119,133).

O pão nosso de cada dia nos daí hoje: “… não me dês nem riqueza e nem pobreza, concede-me o pedaço de pão” (Pv 30,8).

Perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido: “Iahweh, lembra-te de Davi, de suas fadigas todas…” (Sl 132,1). “Iahweh, meu Deus, se eu fiz algo … se em minhas mãos há injustiça, se paguei com mal ao meu benfeitor … (Sl 7,4-6).

Livrai-nos do mal: “Deus meu, livra-me dos meus inimigos, protege-me dos meus agressores! (Sl 58,2).

O mesmo pode ser observado na literatura judaica; passagens de orações litúrgicas e outros textos antigos mostram-se paralelos à Oração do Senhor, um exemplo é “Literatura Rabínica e Ensino do Evangelho”, de G.G. Montefiore, Londres, 1930, p. 125-135.

Abaixo esta uma breve síntese:

Pai nosso que estais no céu: “Nosso Pai do céu, vós vos agradais em estabelece um Casa de nossa vida e para colocar Vossa Presença no centro de nossos dias ….” (Liturgia para Manhã de Sábado de acordo com o costume romano).

Santificado seja Vosso Nome: “Possa Vosso grande Nome ser elevado e santificado” (Qaddish).

Venha a nós o Vosso Reino: “Possa Vosso Reino ser realizado em vossa vida, e em vossos dias e na vida de toda Casa de Israel agora e para sempre” (Qaddish).

O pão nosso de cada dia nos dai hoje: Rabbi Eliezer, o Grande, disse: “quem tiver um pedaço de pão numa cesta e disser: que comerei amanhã? é uma pessoal de pouca fé” (B. Soda 48b).

Perdoai os nossos pecados: “Perdoai-nos, Ó Pai Nosso, porque nos temos pecado, Absolve-nos, Ó Nosso Rei, porque nos cometemos transgressões” (Amida).

Como nós perdoamos a quem nos tem ofendido: Samuel, o Pequeno, disse: “se o vosso inimigo cair, não vos rejubileis, se ele se perder, não deixai vosso coração se alegrar, para que Deus não veja e volte os Seus olhos e afaste dele Sua fúria” (Aboth 4,24).

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal: “Seja um escudo para nós, e afaste nossos inimigos, doenças, a espada, fome, angústia. Afaste o Adversário da frente e de trás de nós” (oração de Mar Bar Rabna, 5ª centúria, na Liturgia Noturna).

Não obstante isto, a Oração do Senhor é ainda a mais original das orações; é a oração por excelência. Tudo o que diz e contém (e o que não é dito) é a referência essencial do relacionamento entre a humanidade e Deus.

Colocada acima das contingência de tempo e espaço, tem um caráter universal em que a humanidade encontra a si mesmo, através de muitas épocas e civilizações.

 

 

Comunidade Shalom

Por que os católicos rezam o terço?

Durante séculos, a Igreja intensificou a oração do terço em momentos de luta. São Domingos o considerava como uma arma espiritual e os papas chamavam Maria de “vencedora das heresias”, invocando sua ajuda para combater questões que vão do catarismo ao comunismo.

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A devoção ao terço foi se desenvolvendo lentamente ao longo de cerca de 500 anos.

O terço é uma oração constituída pela recitação de 50 (até 200) Ave-Marias, em grupos de dez, cada grupo precedido por um Pai-Nosso e concluído com um Glória. Durante o rosário, medita-se sobre os mistérios da vida de Cristo e da sua Mãe.

Ainda que a tradição popular atribua a origem do terço a São Domingos (1170-1221), as pesquisas históricas atuais mostram que a devoção a esta oração se desenvolveu lentamente no tempo. O próprio João Paulo II parece afirmar isso em sua carta Rosarium Virginis Mariae (2002), que começa recordando que o terço “foi gradualmente tomando forma no segundo milênio, sob a guia do Espírito de Deus”.

Ainda que não se saiba exatamente qual é a história do início do terço, o Pe. Etienne Richer explica, em “Mariology”, que, no final do século XI, ou seja, quase um século antes de São Domingos, “já se conhecia e praticava uma devoção mariana caracterizada por numerosas Ave-Marias, com prostrações rítmicas em honra de Nossa Senhora, primeiro em comemoração das suas alegrias, depois dos seus sofrimentos”. O nome “rosário” começou associado a esta prática.

Nesta mesma época, irmãos e monges cistercienses que não conseguiam memorizar os 150 salmos que sua ordem rezava cada semana, teriam recitado 150 Pai-Nossos. Os leigos logo copiariam esta forma de rezar, mas substituindo o Pai-Nosso pela Ave-Maria. O nome dado a esta devoção foi “Saltério de Maria”.

Por volta do ano 1200, diz-se que Nossa Senhora apareceu a São Domingos e lhe disse: “Reze o meu saltério e ensine-o às pessoas. Esta oração nunca falhará”. Domingos difundiu a devoção ao Saltério de Maria e, como afirma o Pe. Richter, esta devoção foi “incorporada de forma divina à vocação pessoal de São Domingos”.

Nas décadas posteriores, o terço e o saltério de Maria convergiram e a devoção assumiu a forma específica que hoje conhecemos: as 150 Ave-Marias se dividem em dezenas e o Pai-Nosso se insere entre elas, assim como se estabelecem os três grupos de mistérios (gozosos, dolorosos e gloriosos).

Em 2002, João Paulo II acrescentou cinco mistérios ao terço, chamando-os de “luminosos”. Ele propôs estes mistérios com o fim de “mostrar plenamente a profundidade cristológica do terço”, ao incluir “os mistérios do ministério público de Cristo entre o seu Batismo e a sua Paixão”.

O terço é a arma espiritual da Igreja que “afugenta os demônios”.

Desde o século XII, a Igreja intensificou a oração do terço nos momentos de dificuldade e tribulação. Em 1569, São Pio V consagrou oficialmente o terço, atribuindo à sua recitação a destruição da heresia e a conversão de muitos pecadores. Pediu aos fiéis que rezassem o terço naquela época “de tantas heresias, gravemente perturbada e aflita por tantas guerras e pela depravação moral dos homens”.

O prolífico Leão XIII (1878-1903), conhecido sobretudo pelas suas encíclicas sobre questões sociais, especialmente a Rerum novarum (1891) – sobre as condições do trabalho –, escreveu pelo menos 16 documentos sobre o terço, incluindo 12 encíclicas.

Esse “Papa do terço” escreveu sua primeira encíclica sobre esta oração em 1883, no 25º aniversário das aparições de Lourdes. No texto, ele recorda o papel de São Domingos e como a oração do terço ajudou a derrotar os hereges albigenses no sul da França, nos séculos XII e XIII. São Domingos, dizia o Papa, “atacou intrepidamente os inimigos da Igreja Católica, não pela força das armas, mas confiando totalmente na devoção que ele foi o primeiro em instituir com o nome de Santo Terço”.

“Guiado pela inspiração e pela graça divinas – prosseguiu o Pontífice – previu que esta devoção, como a mais poderosa arma de guerra, seria o meio para colocar o inimigo em fuga e para confundir sua audácia e louca impiedade.”

Também falou sobre a eficácia e poder do terço na histórica batalha de Lepanto, entre as forças cristãs e muçulmanas, em 1521. As forças islâmicas haviam avançado rumo à Espanha e, quando estavam a ponto de superar as cristãs, o Papa Pio V fez um apelo aos fiéis para que rezassem o terço. Os cristãos ganharam e, como homenagem por esta vitória, o Papa declarou Maria como Senhora da Vitória, estabelecendo sua festa no dia 7 de outubro, dia do santo terço.

Voltando à necessidade do terço em sua época, o Papa escreveu: “É muito doloroso e lamentável ver tantas almas resgatadas por Jesus Cristo arrancadas da salvação pelo furacão de um século extraviado e lançadas no abismo e na morte eterna. Na nossa época, temos tanta necessidade do auxílio divino como na época em que o grande Domingos levantou o estandarte do Terço de Maria, a fim de curar os males do seu tempo”.

Pio XI (1922-1939) dedicou sua última encíclica – Ingravescentibus malis – ao terço, em 1937, o mesmo ano em que escreveu a Mit brennender Sorge, na qual criticava os nazistas, e a Divini Redemptoris, na qual afirmava que o consumismo ateu “pretende derrubar radicalmente a ordem social e socavar os próprios fundamentos da civilização cristã”.

Criticando o espírito da época, “com seu orgulho depreciativo”, o Papa disse que o terço é uma oração que tem “o perfume da simplicidade evangélica”, que requer humildade de espírito.

“Uma inumerável multidão, de homens santos de toda idade e condição, sempre o estimou – escreveu. Rezaram-no com grande devoção e em todo momento o usaram como arma poderosíssima para afugentar os demônios, para conservar a vida íntegra, para adquirir mais facilmente a virtude, enfim, para a consecução da verdadeira paz entre os homens.”

Em 1951, Pio XII (1939-1958) escreveu Ingruentium malorum, sobre a oração do terço: “Categoricamente, não hesitamos em afirmar em público que depositamos grande esperança no Rosário de nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo. Porque não é pela força, nem pelas armas, nem pelo poder humano, mas sim pelo auxílio alcançado por meio dessa devoção, que a Igreja, munida desta espécie de funda de Davi, consegue impávida afrontar o inimigo infernal”.

Para conhecer Jesus é preciso se voltar a Maria.

Em 1985, o então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, admitiu – no livro-entrevista “Informe sobre a Fé”, com Vittorio Messori – achar que a declaração de que Maria é “a vencedora de todas as heresias” era um pouco “exagerada”.

Explicou que, “quando eu ainda era um jovem teólogo, antes das sessões do Concílio (e também durante elas), como aconteceu e acontece hoje com muitos, tinha algumas reservas sobre certas fórmulas antigas, como, por exemplo, aquela famosa ‘De Maria nunquam satis’ [de Maria nunca se dirá o bastante]”.

É oportuno observar que Joseph Ratzinger cresceu em um ambiente muito mariano. No livro “Meu irmão, o Papa”, George Ratzinger comenta que seus avós se casaram no Santuário de Nossa Senhora de Absam e que seus pais se conheceram por meio de um anúncio que seu pai colocou (duas vezes) no jornal do santuário mariano de Altotting. Os Ratzinger rezavam o terço juntos muitas vezes e, no mês de maio, participavam de numerosas celebrações de Maria e do terço.

No entanto, apesar da sua familiaridade com Maria e da devoção mariana, ele não parecia convencido.

Como explica no livro-entrevista, o cardeal, como prefeito do dicastério vaticano, passou por uma pequena conversão. “Hoje – acrescentou –, neste confuso período, em que todo tipo de desvio herético parece se amontoar às portas da fé católica, compreendo que não se trata de exageros de almas devotas, mas de uma verdade hoje mais forte do que nunca.”

É necessário voltar a Maria se quisermos voltar à verdade sobre Jesus Cristo, à verdade sobre a Igreja e à verdade sobre o homem.”

“A oração do terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho – disse Bento XVI em 12 de maio de 2010, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das ‘Ave-Marias’, contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até a Cruz e a glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança.”

“A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida, de modo a poder proclamar com São Paulo: ‘Para mim viver é Cristo’ (Flp 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo.” 

Via Aleteia

Por que na missa não se diz “amém” no final do Pai-Nosso?

A palavra “amém”, um dos vocábulos mais utilizados pelos cristãos, é dificilmente traduzível em seu sentido mais profundo (por isso é mantida em hebraico, o idioma original), e utilizada sempre em relação a Deus.

Pronunciar esta palavra é proclamar que se tem por verdadeiro o que se acaba de dizer, com o objetivo de ratificar uma proposição, unir-se a ela ou a uma oração.

Por isso, expressar em forma grupal no âmbito do serviço divino ou ofício religioso também significa “estar de acordo” com o que foi dito.

A palavra “amém” é utilizada para concluir as orações. No entanto, a oração por excelência, o Pai-Nosso, quando rezado dentro da missa, não é acompanhado pelo “amém” no final. Fora da missa, o “amém” é dito normalmente.

Cabe ressaltar que o Pai-Nosso é a única oração da Igreja que está integrada na liturgia da missa.

Mas qual é a explicação para a ausência do “amém” no Pai-Nosso da missa? É simples: não se diz “amém” porque a oração ainda não terminou.

Depois de todos rezarem o Pai-Nosso até o “… mas livrai-nos do mal”, ao invés de dizer “amém”, o sacerdote continua a oração sozinho. A liturgia chama isso de “embolismo”, ou seja, essa oração que o padre reza sozinho é uma oração que recolhe e desenvolve a oração precedente.

O sacerdote desenvolve a última petição do Pai-Nosso (“livrai-nos do mal”) dizendo:

“Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador.”

E o povo responde com uma aclamação muito antiga, cuja origem se perde nos primeiros séculos da história da Igreja:

“Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre!”

Assim, o Pai-Nosso fica totalmente integrado à liturgia eucarística, não como um acréscimo, mas como parte fundamental dela.

Via Aleteia

Neste Dia do Padre, Igreja reza por seus pastores

“Se bem se compreendesse o que o sacerdote é na terra, morrer-se-ia, não de medo, mas de amor. […] O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”, afirmou São João Maria Vianney sobre os padres. E, nesta terça-feira, ao celebrar o Dia do Padre, a Igreja reza de modo especial por esses homens que atendem ao chamado de Deus e continuam “a obra da redenção na terra”, como explicou o mesmo santo.

O Dia do Padre é celebrado em 4 de agosto devido à comemoração litúrgica de São João Maria Vianney, considerado padroeiro dos padres. O Santo Cura D’Ars enfrentou grandes problemas no caminho da formação presbiteral, em virtude de suas dificuldades em relação aos estudos. Como padre, destacou-se pela obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo. Tornou-se num dos mais famosos confessores da Igreja Católica. Por isso, em 1929, foi proclamado pelo Papa Pio XI como “homem extraordinário e todo apostólico, padroeiro celeste de todos os párocos de Roma e do mundo católico”.

No Brasil, onde agosto foi instituído como o mês vocacional, cada domingo e dedicado a uma vocação específica, sendo no primeiro o ministério ordenado, pela proximidade com o Dia do Padre e do Santo Cura D’Ars. Por isso, recordando esta data, o Arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a VidaConsagrada da CNBB, Dom Jaime Spengler escreveu uma Carta para presbíteros.

No texto, o Prelado manifesta reconhecimento e gratidão aos serviços realizados “nas diversas Igrejas Particulares, em comunhão com os respectivos bispos”.

Dom Spengler explica ainda quem são os sacerdotes. Segundo ele, trata-se de “homens chamados pelo Senhor para anunciar a todos a Boa-Nova da salvação, através do anúncio, da celebração dos mistérios e do testemunho pessoal de vida”.

Citando o Papa Francisco, o Arcebispo sublinha a missão evangelizadora dos padres: “a evangelização supõe sair de si mesmo; supõe a dimensão do transcendente, da adoração de Deus, da contemplação, sempre associada ao movimento de ir ao encontro das pessoas, da gente”, afirmou, ao descrever que esta proximidade deve ser “cordial, de amor, concreta, física, estar com”.

Mas, Dom Jaime Spengler alertou para a necessidade de mais “trabalhadores para a vinha do Senhor”, pois, conforme lembrou, “messe é grande, os desafios enormes!”. Diante disso, reforçou o pedido de orações pedindo “ao Senhor da vinha que suscite no coração de muitos jovens, o desejo de abraçar o ministério ordenado!”.

Dom Spengler celebrou o Dia do Padre com seu clero, na Arquidiocese de Porto Alegre, na segunda-feira, 3. No Seminário Menor São José, em Gravataí, presidiu a Santa Missa, seguida de confraternização. Na ocasião, foi comemorado ainda os 25 anos de ordenação presbiteral de oito padres, entre eles o próprio Arcebispo.

Na Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), a data também foi comemorada com antecedência, no sábado, 1º. A Basílica do Santo Cura D’Ars acolheu a confraternização que reuniu o Arcebispo, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Bispos auxiliares, clero e parentes. Dom Walmor presenteou as famílias com o Devocionário a Nossa Senhora da Piedade e ressaltou que a publicação é um instrumento de evangelização. “Por meio desses momentos devocionais nosso coração entra em sintonia com o coração de Deus”, disse. 

Nesta terça-feira, em diferentes locais do país, a data também foi recordada. Na Arquidiocese de Passo Fundo (RS), por exemplo, cerca de 70 padres e religiosos participaram do encontro em celebração ao Dia do Padre, na Casa de Retiros. O momento marcou a primeira reunião do clero da Arquidiocese com Dom Paulo de Conto, administrador apostólico.

Dom Conto presidiu a Missa ao lado dosArcebispos eméritos Dom Antonio Carlos Altieri e Dom Pedro Ercílio Simon, e do Bispo emérito, Dom Urbano Allgayer. Na celebração, o administrador destacou a importância da comunidade para que o presbítero desempenhe bem a sua função. “Para o padre ser o rosto de Deus, a voz, os pés, as mãos e o coração de Cristo, o povo de Deus tem que assumir, ajudar, apoiar, rezar, defender, perdoar e promover a vida do sacerdote. Nas mãos da comunidade está o sucesso de todo e qualquer presbítero. Por sua vez, o padre tem a tarefa de fazer com que o seu povo seja também expressão de Deus, para que todos vivam na paz, perdão, solidariedade e caridade”, concluiu o Bispo

Via ACI Digital

Semana Santa: símbolos e significados

A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruze na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.

Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus,com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a Eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma – Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma),quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus,conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos – Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água.Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos – É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia,quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

Sexta-feira Santa

Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam,não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Sábado Santo

No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoaque eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora doEgito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos adas outras festas móveis. Domingo de Carnaval – 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas – 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos – 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo – 49 diasdepois.Corpus Christi – 60 dias depois.

Símbolos da Páscoa

Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altare a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava aCristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7).
João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29e 36). Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo comocordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).

Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho paradar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz: A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.

Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a trevado erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e“ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.

Ir. Ili Alves
Coordenadora diocesana da Catequese da Diocese de Palmas -Francisco Beltrão

Via Comunidade Shalom

Como “escutar” Deus

Há pessoas que, ao orar, fazem o sinal da cruz como se estivessem digitando o número telefônico do céu; depois, começam a pedir tudo aquilo de que precisam, ou a ler metodicamente orações impressas em santinhos, cadernos, folhetos; e quando terminam, fazem o sinal da cruz novamente como se estivessem guardando o fone de ouvido e vão embora, satisfeitas porque já “cumpriram” sua oração. Mas não vão deixar Deus dizer nada?

Estamos muito acostumados a falar, falar e falar na oração. É preciso equilibrar a balança. Não só falar, mas também escutar; não só pedir, mas também agradecer, louvar, adorar. E sobretudodeixar Deus falar.

Alguém poderia dizer: “Mas Deus não fala! Nunca me disse nada!”. E a isso podemos responder: sim, Ele fala, mas você não ouviu porque estava ocupado demais falando de você mesmo.

Deus fala, em primeiro lugar, por meio da sua Palavra. Mas não somente. Fala também através de outros meios, alguns tão evidentes como as palavras do Papa Francisco, sempre certeiras, que nos comovem e fazem refletir. E pode falar através do comentário de uma pessoa, de algo que vivenciamos, ouvimos ou lemos aparentemente “por acaso”.

Seria fantástico se dedicássemos alguns momentos a fazer um breve “retiro” no qual nos dediquemos sem pressa a abrir-nos ao que Deus possa querer nos dizer.

Podemos começá-lo ou terminá-lo indo à missa; passar também um tempo em adoração diante do Santíssimo; caminhar ou sentar-nos em meio a uma bela paisagem, talvez no jardim de algum convento ou parque.

E, para orar, selecionar alguma passagem bíblica, talvez um dos textos da liturgia do dia, por exemplo, ou seu trecho favorito.

Também é possível aproveitar alguma mensagem do Papa; participar de algum retiro na paróquia ou comunidade religiosa; ou inclusive fazê-lo pela internet (existem retiros gratuitos que oferecem pregações em vídeo e também o material escrito para que a pessoa imprima, com reflexões e perguntas).

Enfim, as possibilidades são infinitas.

O importante é acostumar-nos a silenciar nossa própria voz para poder captar a de Deus.

Abrir o ouvido e o coração, e preparar-nos para acolher o que o Senhor quiser nos comunicar. Calar-nos um pouquinho, aprender a ouvir a voz de Deus.

Via Aleteia