Pregação da Sexta-feira da Paixão – texto integral

O Papa Francisco presidiu na tarde desta Sexta-feira Santa na Basílica de São Pedro a celebração da Paixão do Senhor. A homilia da cerimônia, intitulada “O CRUX, AVE SPES UNICA” (A cruz, única esperança do mundo), esteve a cargo do Pregador da casa Pontifícia Frei Raniero Cantalamessa ofmcap. Eis a íntegra de sua reflexão:
“Escutamos a narrativa da Paixão de Cristo. Trata-se, essencialmente, do relato de uma morte violenta. Notícias de mortes, e mortes violentas, quase nunca faltam nos noticiários vespertinos. Também nestes últimos dias, temos escutado tais notícias, como a dos 38 cristãos coptas assassinados no Egito no Domingo de Ramos. Estas notícias se sucedem com tal rapidez, que nos fazem esquecer, a cada noite, as do dia anterior. Por que, então, após 2000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte; ela deu um novo sentido à morte de cada ser humano. Sobre ela, reflitamos por um momento.
“Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34). No início do seu ministério, àqueles que lhe perguntavam com qual autoridade ele expulsava os vendedores do templo, Jesus disse: “Destruí este templo e em três dias eu o levantarei”. “Ele falava do templo do seu corpo” (Jo 2, 19. 21), havia comentado João naquela ocasião, e eis que agora o próprio evangelista nos diz que do lado deste templo “destruído” jorram água e sangue. É uma clara alusão à profecia de Ezequiel que falava do futuro templo de Deus, daquele lado do qual jorra um fio de água que se torna primeiro um riacho, depois um rio navegável, em torno do qual floresce toda forma de vida.
Mas, penetremos no epicentro da fonte deste “rio de água viva” (Jo 7, 38), no coração trespassado de Cristo. No Apocalipse, o mesmo discípulo que Jesus amava escreve: “Com efeito, entre o trono com os quatro Viventes e os Anciãos, vi um Cordeiro de pé, como que imolado” (Ap 5, 6). Imolado, mas de pé, ou seja, trespassado, mas ressuscitado e vivo.
Existe agora, dentro da Trindade e dentro do mundo, um coração humano que bate, não só metaforicamente, mas realmente. Se, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, também o seu coração ressuscitou dentre os mortos; este coração vive, como todo o resto do seu corpo, em uma dimensão diferente da primeira, real, embora mística. Se o Cordeiro vive no céu “imolado, mas de pé”, também o seu coração compartilha o mesmo estado; é um coração trespassado, mas vivente; eternamente trespassado, precisamente porque eternamente vivente.
Há uma expressão que foi criada justamente para descrever a profundidade da maldade que pode aglutinar-se no seio da humanidade: “coração de trevas”. Depois do sacrifício de Cristo, mais profundo do que o coração de trevas, palpita no mundo um coração de luz. Cristo, de fato, subindo ao céu, não abandonou a terra, assim como, encarnando-se, não tinha abandonado a Trindade.
“Agora cumpre-se o plano do Pai – diz uma antífona da Liturgia das horas – , fazer de Cristo o coração do mundo”. Isso explica o irredutível otimismo cristão que fez uma mística medieval exclamar: “O pecado é inevitável, mas tudo ficará bem e todo tipo de coisa ficará bem ” (Juliana de Norwich).
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Os monges cartuxos adotaram um lema que aparece na entrada de seus mosteiros, nos seus documentos oficiais e em outras ocasiões. Nele está representado o globo terrestre encimado por uma cruz, rodeado pela inscrição: “Stat crux dum volvitur orbis”: A Cruz permanece intacta enquanto o Mundo dá sua órbita.
O que é a cruz, para ser esse ponto fixo, este mastro, no meio dos balanços do mundo”? Ela é o “Não” definitivo e irreversível de Deus à violência, à injustiça, ao ódio, à mentira, a tudo aquilo que nós chamamos de “mal”; e é ao mesmo tempo o “Sim” também irreversível ao amor, à verdade, ao bem. “Não” ao pecado, “Sim” ao pecador. É o que Jesus praticou em toda a sua vida e que agora consagra definitivamente com a sua morte.
A razão para esta distinção é clara: o pecador é criatura de Deus e mantém a sua dignidade, apesar de todos os seus desvios; o pecado não; este, é uma realidade espúria, adendo, fruto das próprias paixões e da “inveja do demônio” (Sb 2, 24). É a mesma razão pela qual o Verbo, encarnando-se, assumiu todo do homem, exceto o pecado. O bom ladrão, a quem Jesus moribundo promete o paraíso, é a prova viva de tudo isso. Ninguém deve se desesperar; ninguém deve dizer, como Caim: “Muito grande é a minha culpa para obter o perdão” (Gn 4, 13).
A cruz não “está”, portanto, contra o mundo, mas pelo mundo: para dar um sentido a todo o sofrimento que houve, que há e que haverá na história humana. “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo – diz Jesus a Nicodemos –, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 17). A cruz é a proclamação viva de que a vitória final não é de quem triunfa sobre os outros, mas de quem triunfa sobre si mesmo; não daqueles que causam sofrimento, mas daqueles que sofrem.
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“Dum volvitur Orbis”, enquanto o mundo dá a sua órbita. A história humana conhece muitas passagens de uma época para outra: se fala da idade da pedra, do bronze, do ferro, da era Imperial, da era atômica, da era eletrônica. Mas hoje há algo de novo. A ideia de transição já não é suficiente para descrever a realidade atual. A ideia de mutação deve ser combinada com a de fragmentação. Vivemos, alguém escreveu, em uma sociedade “líquida”; não existem mais pontos fixos, valores incontestáveis, nenhuma rocha no mar, à qual possamos nos agarrar, ou contra a qual colidir. Tudo é flutuante.
Realizou-se o pior cenário que o filósofo havia previsto como resultado da morte de Deus, que o advento do super-homem deveria ter impedido, mas que não impediu: “Que fizemos quando desprendemos esta terra da corrente que a ligava ao sol? Para onde vai agora? Para onde vamos nós? Longe de todos os sóis? Não estamos incessantemente caindo? Para diante, para trás, para o lado, para todos os lados? Haverá ainda um acima e um abaixo? Não estaremos errando como num nada infinito?” (F. Nietzsche, A Gaia Ciência, aforismo 125).
Foi dito que “matar Deus é o suicídio mais horrendo”, e é isso que estamos vendo em parte. Não é verdade que “onde Deus nasce, o homem morre” (J.-P Sartre); o oposto é verdadeiro: onde morre Deus, morre o homem.
Um pintor surrealista da segunda metade do século passado (Salvador Dalì) pintou um crucifixo que parece uma profecia desta situação. Uma imensa cruz, cósmica, com um Cristo acima, também monumental, visto do alto, com a cabeça inclinada para baixo. Abaixo dele, no entanto, não há nenhuma terra firme, mas a água. O Crucifixo não está suspenso entre o céu e a terra, mas entre o céu e o componente líquido do mundo.
Este quadro trágico (há também, no fundo, uma nuvem que poderia aludir à nuvem atômica), contém, no entanto, uma consoladora certeza: há esperança também para uma sociedade líquida como a nossa! Há esperança, porque acima dela “está a cruz de Cristo”. É o que a liturgia da Sexta-feira Santa nos faz repetir todos os anos com as palavras do poeta Venanzio Fortunato: “O crux, ave spe unica”, Salve, ó Cruz, única esperança do mundo.
Sim, Deus está morto, morreu em seu Filho Jesus Cristo; mas não ficou no sepulcro, ressuscitou. “Vós o crucificastes – grita Pedro à multidão no dia de Pentecostes –, mas Deus o ressuscitou!” (At 2, 23-24). Ele é aquele que “estava morto, mas agora vive pelos séculos dos séculos” (Ap 1, 18). A cruz não “está” imóvel no meio das turbulências do mundo” como um lembrete de um evento passado, ou um puro símbolo; está como uma realidade em ato, viva e operante.
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Tornaríamos vã, no entanto, esta liturgia da Paixão, se ficássemos, como os sociólogos, na análise da sociedade em que vivemos. Cristo não veio para explicar as coisas, mas para mudar as pessoas. O coração de trevas não é apenas aquele de algum malvado escondido no fundo da selva, e nem mesmo aquele da nação e da sociedade que o produziu. Em diferente medida está dentro de cada um de nós.
A Bíblia o chama de coração de pedra, “Tirarei do vosso peito o coração de pedra – diz Deus ao profeta Ezequiel – vos darei um coração de carne ” (Ez 36, 26). Coração de Pedra é o coração fechado à vontade de Deus e ao sofrimento dos irmãos, o coração de quem acumula quantidades ilimitadas de dinheiro e permanece indiferente ao desespero de quem não tem um copo de água para dar ao próprio filho; é também o coração de quem se deixa completamente dominar pela paixão impura, pronto para matar ou a levar uma vida dupla. Para não ficarmos com o olhar sempre dirigido para o exterior, para os demais, digamos mais concretamente: é o nosso coração de ministros de Deus e de cristãos praticantes se vivemos ainda, basicamente, “para nós mesmos” e não “para o Senhor”.
Está escrito que no momento da morte de Cristo “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo, a terra tremeu, e as rochas se partiram, os túmulos se abriram e muitos corpos de santos mortos ressuscitaram” (Mt 27, 51s.). Destes sinais se dá, normalmente, uma explicação apocalíptica, como de uma linguagem simbólica necessária para descrever o evento escatológico. Mas eles também têm um significado parenético: indicam o que deve acontecer no coração de quem lê e medita a Paixão de Cristo. Em uma liturgia como esta, São Leão Magno dizia aos fieis: “Trema a natureza humana perante a execução do Redentor, quebrem-se as rochas dos corações infiéis e aqueles que estavam encerrados nos sepulcros de sua mortalidade saiam para fora, levantando a pedra que estava sobre eles” (Sermo 66, 3; PL 54, 366).
O coração de carne, prometido por Deus nos profetas, já está presente no mundo: é o Coração de Cristo trespassado na cruz, aquele que veneramos como “o Sagrado Coração”. Ao receber a Eucaristia, acreditamos firmemente que aquele coração vem bater também dentro de nós. Olhando para a cruz daqui a pouco digamos do profundo do coração, como o publicano no templo: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”, e também nós, como ele, voltaremos para casa “justificados” (Lc 18, 13-14).
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Traduçao de Thácio Siqueira

Via Rádio Vaticano

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Antes de ser padre, ele teve um grande amor

Eu já me apaixonei. Foi há muito tempo, antes de tornar-me sacerdote. Na verdade, eu ainda nem era seminarista. Ela se chamava Valentina, tinha cabelos pretos na altura do ombro, sempre enfeitados com lenços, tiaras ou chapéus. Seus olhos esverdeados e grandes eram, de fato, as janelas de sua alma, revelando seus segredos mais bonitos: se ela era linda e graciosa por fora, também o era proporcionalmente por dentro. Talvez por isso eu tenha me apaixonado.

Ainda me lembro da primeira vez que a vi. Eu era coroinha na paróquia São José. Bem, éramos uma igrejinha pequena, todos se conheciam. Era de se esperar que notássemos a presença de alguém diferente. Lá estava Valentina com seu pai e sua irmãzinha mais nova. O Sr. Bernini acabara de se mudar com as duas filhas, após ficar viúvo. Ainda hoje eu não consigo descrever a sensação que o simpático e arrebatador sorriso de Valentina me causou. Só sei que foi o suficiente para tirar minha concentração durante a Missa, o que obviamente me rendeu uma piedosa confissão. Nós tínhamos 15 anos.

Apesar de ser desengonçado, eu era um bom rapaz. Acho que ela percebeu isso e também se apaixonou por mim. A beleza de Valentina era um reflexo da beleza divina, fazendo com que eu me sentisse no Céu ao lado dela. Se você já encontrou alguém que te faz viver o Céu na Terra, valorize-a.

Valentina foi o grande amor jamais vivido da minha vida. Vou explicar. Bem, eu tinha certeza que a moça mais linda do mundo inteiro estava ao meu lado. Ela vivia sorrindo! Digo, eu tinha o sorriso dela. Eu sentia que, acima de tudo, estávamos nos tornando companheiros. As missas todas as manhãs, os rosários nos fins de tarde, os beijos na bochecha, a bênção do padre George e até mesmo do Sr. Bernini. Tudo conspirava a nosso favor! Uma coisa eu tinha certeza: eu era o garoto de 15 anos mais feliz do mundo.
Ainda assim, eu me sentia incompleto e não entendia como isso era possível. Se Valentina não era o suficiente para me preencher, o que seria? Deus. O poderoso e irresistível chamado de Deus ecoava em meus ouvidos e, na mesma hora, eu compreendi tudo: Ele era o ideal ao qual doar-me inteiramente, a única coisa capaz de saciar a minha sede.
Sou eternamente grato a Valentina. Deus se serviu dela para me mostrar que nem mesmo a maior beleza terrena se compara à sua beleza. Entre dor e lágrimas, nos despedimos. Eu estava ingressando no seminário menor. Confesso que, ao longo do tempo, me peguei pensando em como teria sido meu futuro ao lado dela: quantos filhos teríamos, quais seriam os nomes, como seria a decoração da nossa casa, se ela ainda sorriria com minhas piadas sem graça ou se eu a faria chorar algum dia. Não importa. Esses pensamentos rapidamente se esvaem quando penso que sou feliz por ser padre. São 19 anos de ministério sacerdotal. Ela também foi feliz. Casou-se, teve 4 filhos – sendo uma carmelita e um seminarista -, era uma excelente mãe e tinha um marido piedoso e íntegro.

Nesse exato momento, são 7:42 da manhã. Estou pronto para sair da casa paroquial. Fui acordado às 6:30 por um telefonema desagradável: Valentina havia falecido. A guerreira Valentina – que há 1 ano lutava contra um câncer mama – resolveu descansar. Na mesma hora um filme passou pela minha cabeça. Resolvi escrever pelo medo de que, com sua partida, ela levasse junto todas as minhas memórias da nossa santa amizade. Sou padre graças a Valentina e tenho a certeza de que estarei fortalecido no ministério com a intercessão dela lá no Céu.

(Sacerdote anônimo)

Via Aleteia

Principais objeções à interpretação mariana da mulher do Apocalipse refutadas

A) A “Mulher” não é Maria

O texto de Apocalipse 12 é a conclusão da profecia de Gênesis 3,15. Gênesis 3,15 fala de uma mulher física, que seria ancestral biológica do Messias. Como está claro que o texto não aborda Eva, só pode-se supor que aborda sua antítese: a Virgem Maria. É por isso que o texto fala que ela deu a luz ao Messias de Israel (cf. Ap 12,5), refugiou-se (cf. Ap 12,6) e no fim de sua vida recebeu “asas de águia para voar” (cf. Ap 12,14). Ora, isso é uma síntese da história de Maria que com grande angústia espiritual, deu a luz ao Messias numa estrebaria, refugiou-se no Egito, foi perseguida por Herodes e foi assunta aos Céus. Além disso, é visto que o “sinal de Acaz” que indicava a maternidade messiânica em Isaías (Isaías 7:11,14), é novamente mostrado como um “grande sinal” por João (Ap 12:1,5).

Por fim, é interessante ver o paralelo do versículo 1 com o seguinte texto de Cântico dos Cânticos: “Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e inumeráveis jovens mulheres; uma, porém, é a minha pomba, uma só a minha perfeita; ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas a louvam. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?” (Cântico dos Cânticos 6:8-10). Ser proclamada bem-aventurada é outro símbolo de Maria no Novo Testamento (cf. Lc 1,48), o que novamente suporta a interpretação mariana de Apocalipse 12.

b) Ela sofre em dores de Parto (vs. 2):

No Novo Testamento, Paulo utiliza o termo “dores de parto” ( do grego ὠδίνουσα-ōdinousa) como uma metáfora para o sofrimento espiritual, para o sofrimento em geral, ou para o desejo do mundo como ele aguarda para o cumprimento final (cf. Gl 4:19; Rm 8:22). Todos sabemos que para Maria dar a luz a Jesus, foi uma verdadeira agonia, um verdadeiro sacrifício espiritual (tendo que enfrentar a perseguição de Herodes, a dúvida de José, o recenseamento, a falta de lugar para ficar…). João, portanto, resumidamente, anuncia as angústias de Maria de uma forma alegórica, através da imagem das angustiantes “dores de parto”. No século VI, Ecumênio explica:

“E assim, de acordo com as regras da linguagem figurativa, ele chama esse desânimo e tristeza de “gritar” e “angústia”. E isso não é incomum. Ainda para o bem-aventurado Moisés, quando ele estava conversando espiritualmente com Deus e perdeu o coração – pois viu Israel no deserto cercado pelo mar e pelo inimigo – Deus disse: “Por que você está chorando para mim? (Êxodo 14:15)”. Assim também aqui, a visão chama a disposição conturbada da Virgem em sua mente e coração à “gritar”.” (Ecumênio, Comentário no Apocalipse, capítulo 6,19,8)

c) Ela representa Israel, a Igreja ou Maria?

Alguns dizem que a “Mulher” do texto se refere ao povo eleito de Deus (seja ele a Igreja, seja ele Israel). Embora a Igreja admita as três interpretações (Maria, Igreja e Israel), a lógica de Apocalipse, evidencia que ele se refere primariamente à Virgem Maria, sendo as demais interpretações uma mera consequência desta primeira. Isso ocorre pois o povo de Deus não é a Mulher em si, mas seus descendentes (cf. Ap 12,17).

É por isso que a Igreja por exemplo, nunca é chamada por João de “Mulher” (Ap 12,1) ou mãe (Ap 12,5), mas sim de “Noiva” e “Esposa” de Jesus (Ap 21,9), pois esta não era a intenção primária do autor no texto. De Israel, podemos concluir o mesmo já que João considera Israel não como a grande protetora de Cristo e inimiga de Satanás, mas sim como as espirituais “Sodoma e Egito”: “Seus cadáveres {jazerão} na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito {onde o seu Senhor foi crucificado}.” (Apocalipse 11:8) devido à sua infidelidade.

Por fim, destaca-se o fato de a Mulher do Apocalipse 12 representar o cumprimento da Mulher de Gênesis 3,15. E essa Mulher não significava o povo eleito, mas sim, uma mulher física.
Por Maria ser a “Imagem da Igreja” e a “Filha de Sião”, entretanto, todos os símbolos podem secundariamente ser atribuídos à Igreja ou à Israel.

E sim, as três interpretações podem muito bem coexistir juntas no texto, por exemplo: João vê sete cabeças na ‘grande prostituta’ que representavam sete montes (Ap 17,9), mas um versículo depois, mostra que também representavam SETE REIS! (Ap 17,10). Ambas as interpretações cabem no contexto mas a mariana é a que melhor se adapta.

d) Preferencialmente é Israel por causa do sonho de José em Gn 37?

Não. Preferencialmente o texto trata de Maria, pois Apocalipse 12 fala da Mulher profética de Gênesis 3,15, a Nova Eva, que era uma mulher física. O povo de Deus (seja ele Israel, seja ele a Igreja) não é a Mulher em si, mas seus descendentes (cf. Ap 12,17). Os símbolos (sol, lua e doze estrelas) estão vinculados no texto apenas para representar que Maria é a Filha de Sião, representante perfeita do povo eleito de Deus, como nos mostrou também os paralelos entre Lucas 1 e Sofonias 3. Como dito anteriormente, João considera Israel não como a grande protetora de Cristo e inimiga de Satanás, mas sim como as espirituais “Sodoma e Egito”: “Seus cadáveres {jazerão} na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito {onde o seu Senhor foi crucificado}.” (Apocalipse 11:8) devido à sua extrema infidelidade com o Messias.

e) Como assim há dois desertos? Maria fugiu para um deserto?

O texto de Apocalipse, apresenta dois desertos que a mulher foge: O primeiro deserto(Ap 12,6), é provavelmente o Egito, o lugar onde Maria foi com São José (Mt 2,13-14); e o segundo deserto (Ap 12,14) é o lugar “fora do alcance da cebeça da Serpente”, isto é, provavelmente o Paraíso, onde ela aguarda para a volta de Cristo orando pela Terra.

f) Quais são os tempos que aparecem em Apocalipse:

O primeiro (1260 dias) é o tempo em que a Sagrada Família fugiu para o Egito (cerca de 4 anos, segundo nos diz Santo Epifânio). Já este período simbólico destes “tempos” no versículo 14 diz respeito ao tempo que deverá se cumprir até que a Serpente seja finalmente derrotada (cf. Dn 7,25), não é portanto uma data específica, mas está ligada com o Juízo Final. Implicitamente, o versículo 14 faz referência a assunção de Maria, onde ela foi levada aos Céus de onde espera a volta de Cristo (Filipenses 3:20-21).

g) A Mulher do Apocalipse é apenas um sinal?

É o mesmo sinal de Isaías 7,14. Em Isaías é dito: “Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto.” (Isaías 7:11). E Deus dá o sinal através da profecia: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.” (Isaías 7:14). Portanto, enquanto Isaías usa o futuro, Apocalipse narra o mesmo só que no presente. Portanto esse argumento não é válido para tentar descartar o fato de ser Maria a Mulher do Apocalipse.

h) Os Pais da Igreja interpretaram como?

Alguns a Igreja e outros Maria. Santo Epifânio foi o primeiro:
“Mas em outros lugares, no Apocalipse de João, lemos que o dragão se atirou para a mulher que tinha dado à luz uma criança do sexo masculino; mas a asa de uma águia foram dadas à mulher, e ela voou para o deserto, onde o dragão não poderia alcançá-la “(Apocalipse 12: 13-14). Isso poderia ter acontecido com Maria no caso.” (Santo Epifânio de Salamia, Panarion 78, 11, PG 42, 716 B-C)

Em 430 AD, Quodvultdeus, discípulo e amigo de Santo Agostinho de Hipona, fez a primeira identificação abertamente Mariana da mulher de Apocalipse 12:

“Nenhum de vocês ignora o fato de que o dragão era o diabo. A mulher significava a Virgem Maria” (São Quodvultdeus, De symbolo 3, PL 40, 661)

De acordo com Quodvultdeus, do século V Padre da Igreja e bispo de Cartago:

“A mulher que significa Maria, que, sendo Imaculada, trouxe nossa Cabeça Imaculada. Quem mostrou-se também adiante de si mesma a figura da Santa Igreja, já que, como ela permaneceu Virgem trazendo à luz um filho” (São Quodvultdeus, De Symbolo 3, PL 40, 661).

Theodoto, bispo de Ancira, parece identificar da mesma forma Maria à Mulher “revestida de Sol”, associando-a a Jesus: “Alegra-te morada Santíssima! Alegra-te, salutar velo espiritual! Alegra-te, Mãe revestida de luz e que dá à luz o Sol que não conhece poente!” (São Theodoto de Ancira, Homilia IV in S. Deiparam et Simeonem III, PG 77,1393).

Também, Ecumênio, no século VI, propôs a mesma interpretação mariológica de Apocalipse 12. Para ele, não se tratava de uma visão futurista, e sim retrospectiva. A mulher é Maria, e ela está grávida do Sol, que é Cristo. Em referência ao versículo 2 de Apocalipse 12, cita Isaías 66,7; e afirma que Maria se viu livre das dores de parto. Os gritos, seriam devido a suspeita de adultério, por parte de José. Sobre o versículo 4, Ecumênio diz que refere-se a perseguição de Herodes, e o versículo 6 à fuga para o Egito.

Via: Salve Roma

Conheça a história do jovem que se tornou católico após a JMJ

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O rapaz se chama Eduardo da Silva Campos e tem 22 anos. Em 2013, se uniu aos milhões de jovens na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, para participar da Jornada Mundial da Juventude, apesar de ser protestante. Ele nasceu no protestantismo e, por 19 anos, recebeu os ensinamentos referentes às duas denominações pelas quais passou.

“Nunca fui cristão ‘meia boca’, sempre ativo e atuante, desempenhava a função de segundo secretário da congregação, integrante do ministério de louvor e da mocidade (grupo de jovens). Foram anos maravilhosos, não tenho motivos para desmerecer minha experiência cristã ‘extra Ecclesiam’. Tenho somente uma tristeza por não ser católico há mais tempo”, disse Eduardo à equipe donoticias.cancaonova.com.

Na entrevista, o jovem fala ainda dos motivos que o levaram a participar da Jornada, sobre o cartaz que levantou na Missa de Envio e também como está sua vida após abraçar a fé católica.

Na Solenidade de Pentecostes de 2014, Eduardo recebeu o Sacramento do Batismo e da Eucaristia, na Arquidiocese do Rio de Janeiro. O jovem deve receber o Sacramento da Crisma neste ano.

Confira a íntegra:

Como soube da JMJ? Quando e por que decidiu participar do evento?

“Fiquei sabendo da JMJ por meio de propagandas televisivas e comentários de ex-alunos católicos.”

De quais atividades você participou na Jornada? O que mais chamou sua atenção?

“Por estar trabalhando durante o período da JMJ, só pude comparecer na vigília no sábado e no domingo. Participei de todos os momentos nesses dois dias, desde a adoração ao Santíssimo até a Santa Missa de envio. Não tinha noção de nada do que estava acontecendo, todavia a beleza da unidade e da liturgia me encantavam. Dormi na praia, rezei com as pessoas, chorei bastante. Foi um momento sublime!”

Você exibiu um cartaz onde se dizia “evangélico”, mas também reconhecia o Ministério Petrino de Francisco. O que motivou a iniciativa do cartaz e o que o levou a enxergar o Papa desta forma, apesar de ser protestante?

“Tudo isso começou com Bento XVI, o Magno. Por meio de sua renúncia, todo o alvoroço em volta da renúncia e eleição de um Sumo Pontífice, chamou-me a atenção. Comecei então a pesquisar sobre a Igreja, o papado, sua missão, desde quando existe e qual é o motivo. Quanto mais procurava, mais dúvidas surgiam e a Igreja com seus documentos saciavam minhas dúvidas e anseios, coisa que no protestantismo não acontecia. A passagem do Evangelho de São Mateus 16,18 fixou na minha cabeça: “Também eu e digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Hades nunca prevalecerão contra ela”. Nesse momento, ao ler essa passagem, entendi quem era o Papa: Pedro.”

Durante a Jornada, pensou em mudar de Igreja?

“Não. Queria tão somente conhecer a Igreja Católica por meio dos meus olhos e não por meio dos outros.”

E sobre sua experiência com o Papa Francisco, durante o evento…

“Foi  uma experiência ímpar! O Santo Padre passou por mim numa distância de cinco metros e fiquei arrepiado. Tive a oportunidade de me unir àquele povo que, emocionado, escutava a voz do pastor.”

Quanto aos muitos jovens católicos com os quais pôde se encontrar, como foi a experiência?

“Foi fantástica! Como eu estava com a camisa da JMJ, passei despercebido em alguns momentos (rsrs), porém sempre perguntavam o que estava carregando; então, eu mostrava o cartaz e todos ficavam admirados. Fui muito bem acolhido, todos me trataram muito bem.”

O que ficou da Jornada no seu coração?

“A concretização da unidade da Igreja perante meus olhos. Vi e vivi a Igreja em comunhão, diversidade de culturas, raças, países. Todos professando uma só fé, um só batismo, um só Senhor em sua Igreja Una e Santa. É a unidade na diversidade! Impagável!”

Quando se deu o “start” para sua conversão ao catolicismo?

“Como disse anteriormente, comecei a gostar da Igreja quando comecei a estudar sobre ela. Isso foi na época da renúncia do Santo Padre Bento XVI, hoje emérito. Acompanhei o conclave, vibrei com a eleição do novo Papa, nosso amado Papa Francisco, defendia a Igreja em alguns debates mesmo sendo protestante. Daí defino essa fase como ‘pré-start’ da conversão. As aulas do Padre Paulo Ricardo e o grupo do Facebook Escolástica da Depressão (EDD) me ajudaram muito. Muitas dúvidas, muitas perguntas, todas sanadas, todas respondidas com misericórdia. O ‘start’ se deu após a JMJ, quando ficava relembrando todo aquele momento, as experiências, as coisas que foram ditas por aquele povo.”

Como se deu o processo de transição? 

“Deu-se após a JMJ, quando ficou aquele gostinho de ‘quero mais’. A ‘liturgia’ (se é que podemos dizer assim) do culto protestante não me atraía mais. Eu já tinha me apaixonado pela liturgia latina, pela Missa e sua sincronia, organização, pelo latim (eu assistia Missas no YouTube, mas sem saber que eram na forma extraordinária), pelos paramentos (que até então  chamava de ‘roupas de padre’, pelo erguer da hóstia e do cálice. Era belíssimo aos meus olhos, parecia que tinha descoberto um tesouro.

Com isso, questionava-me o tempo todo, perguntava-me por qual motivo o pastor não usava aquelas ‘roupas de padre’, não tinha um altar na igreja, não tinha uma Tradição (sim, uma Tradição com “T” maiúsculo. Minha igreja até então não tinha nada que se ligasse com os santos apóstolos). Perguntava-me também: ‘Se Pedro está lá, por que estou aqui?’. Foi uma fase, como sempre digo, de muitas perguntas. Todavia, foi uma fase boa, na qual fui vendo que a Igreja, que outrora era um monstro, era na verdade minha verdadeira casa.”

Sua família e amigos, como reagiram à sua conversão?

“Foi turbulento! É até complicado entrar em detalhes. Não aceitaram de início (e com certeza não aceitam até hoje), tivemos brigas feias, muitas vezes troca de ofensas, mas com o tempo tudo se acalmou. Hoje, temos uma relação muito boa de amizade e fraternidade. Claro que eles aguardam ansiosamente o dia que eu ‘volte’, mas minha fé está bem enraizada e bem sei em quem tenho crido.”

E como foi sua chegada na Igreja Católica?

“O povo católico é um povo diferente, pois todo mundo é irmão de todo mundo. Não há distinção; é só chegar que esse povo estará de braços abertos. De início fui acolhido pelo Pe. Jorge Bispo, da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz no Rio de Janeiro, posteriormente comecei a frequentar a Antiga Sé, minha atual paróquia. Os padres sempre muito acolhedores, verdadeiros pastores. O povo de Cristo é extraordinário, sempre caridoso (e curioso), acolheu-me com todo zelo possível. Houve também pessoas que se incomodaram com minha presença, todavia, Deus sempre interveio nessas situações.”

Como você vive sua fé hoje em dia? Tem dificuldades quanto à doutrina, hierarquia ou a Tradição católica?

“Minha fé, hoje em dia, é tão natural quanto a luz do sol que ilumina a face da Terra. Não tenho nenhuma dificuldade com a doutrina, hierarquia ou a Tradição. Sem a fé católica sou incompleto!”

Como é sua relação com a Virgem Maria? Foi uma aproximação fácil?

“Hoje, é uma relação normal de Mãe e filho. Logo que me converti, senti a vontade de rezar o terço. Fui numa loja e uma senhora me presenteou com um terço e um livrinho ensinando a rezá-lo. Ao rezá-lo no ônibus, indo para casa, senti uma presença muito forte, um arrepio intenso e uma vontade de chorar. Mas confesso que, a cada Ave-Maria, eu, em pensamento, dizia a Deus: ‘Senhor, se porventura eu Vos ofender, perdoe-me. Não quero pecar contra Ti’. Depois, com o tempo, as coisas se assentaram”.

Quais são seus planos para o futuro?

“Meus planos para o futuro… Bem, estou participando do GVA (Grupo Vocacional Arquidiocesano) aqui no Seminário São José. Acho que meu futuro dependerá do resultado desse discernimento. Contudo, peço aos irmãos que se lembrem de mim em suas orações diárias, nos terços e nas Missas. Que coloquem a mim e a minha família nessas intenções, entregando o meu futuro e o da minha família nas mãos de Deus.”

Via: Canção Nova

Papa: Quaresma, tempo para podar a falsidade, mundanidade e indiferença

O Papa Francisco presidiu, na tarde desta quarta-feira (10/02), a missa de início da Quaresma, com o tradicional rito de imposição das Cinzas, na Basílica de São Pedro. Durante a celebração houve o envio dos Missionários da Misericórdia.

Em sua homilia, o pontífice sublinhou que “a Palavra de Deus, no início do caminho quaresmal, faz à Igreja e a cada um de nós dois convites. O primeiro, é o de São Paulo: Deixai-vos reconciliar com Deus.” 

Reconciliação

“Não é simplesmente um bom conselho paterno e nem uma sugestão. É uma verdadeira e própria súplica em nome de Cristo. Vos suplicamos em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus. Por que um apelo assim tão solene e sincero? Porque Cristo sabe que somos frágeis e pecadores, conhece a fraqueza de nosso coração, o vê ferido pelo mal que cometemos e sofremos. Ele sabe que precisamos de perdão, sabe que precisamos nos sentir amados para realizar o bem. Sozinhos não somos capazes. Por isso, o Apóstolo não nos diz para fazer alguma coisa, mas para nos deixar reconciliar com Deus, permitir que Ele nos perdoe, com confiança, porque Deus é maior que o nosso coração. Ele vence o pecado e nos reergue das misérias, se as confiamos a Ele. Cabe a nós reconhecer que precisamos de misericórdia. É o primeiro passo do caminho cristão. Trata-se de entrar pela porta aberta que é Cristo, onde Ele mesmo nos espera, o Salvador, e nos oferece uma vida nova e alegre.”

Vergonha

Segundo Francisco, podem haver alguns obstáculos que fecham as portas do coração. Um deles é “a tentação de blindar as portas, ou seja, conviver com o próprio pecado, minimizando-o, justificando-se sempre, pensando em não ser pior que os outros. Assim, porém, se trancam as fechaduras da alma e se permanece fechado dentro, prisioneiros do mal. Outro obstáculo é a vergonha de abrir a porta secreta do coração. Na realidade, a vergonha é um bom sintoma, pois indica que queremos nos desligar do mal. Todavia, nunca deve se transformar em temor ou medo”.

O terceiro obstáculo, segundo o Papa, é o de nos distanciar da porta. “Isso acontece quando nos enfurnamos em nossas misérias, quando remoemos continuamente, ligando entre si as coisas negativas, até chegar aos lugares mais escuros da alma. Então a tristeza que não queremos nos torna familiar, nos desencorajamos e somos mais fracos diante das tentações. Isso acontece porque permanecemos sós conosco, nos fechando e fugindo da luz, enquanto somente a graça do Senhor nos liberta. Deixemo-nos então reconciliar, ouvindo Jesus que diz a quem está cansado e oprimido: venha a mim. Não permanecer em si mesmo, mas ir até Ele. Ali há descanso e paz”, disse o pontífice.

Missionários da Misericórdia

Estavam presentes na celebração os Missionários da Misericórdia que receberam o mandato de ser sinais e instrumentos do perdão de Deus. “Queridos irmãos, que vocês possam ajudar a abrir as portas dos corações, a vencer a vergonha e a não fugir da luz. Que as suas mãos abençoem e reergam os irmãos e irmãs com paternidade. Que através de vocês o olhar e as mãos do Pai pousem sobre os filhos e curem suas feridas”, frisou o Papa.

O Santo Padre falou sobre o segundo convite de Deus feito por meio do Profeta Joel: ‘Voltem para mim de todo o coração’. “Se é preciso voltar é porque nos distanciamos. É o mistério do pecado: nos distanciamos de Deus, dos outros e de nós mesmos. Não é difícil se dar conta: Todos vemos como fazemos esforço para ter realmente confiança em Deus, de nos confiar a Ele como Pai, sem medo. Como é difícil amar os outros, em vez de pensar mal deles. Como nos custa fazer o bem verdadeiro, enquanto somos atraídos e seduzidos por tantas realidades materiais que se disperdem e no final nos deixam pobres. Junto desta história de pecado, Jesus inaugurou uma história de salvação. O Evangelho que abre a Quaresma nos convida a ser protagonistas, abraçando três remédios, três medicamentos que curam do pecado”, disse ainda Francisco.

Oração, caridade e jejum

“Em primeiro lugar a oração, expressão de abertura e confiança no Senhor: É o encontro pessoal com Ele, que encurta as distâncias criadas pelo pecado. Rezar significa dizer: “Não sou autossuficiente, preciso de você. Você é a minha vida e minha salvação. Em segundo, a caridade para superar a estranheza em relação aos outros. O amor verdadeiro, de fato, não é um ato exterior, não é dar algo de forma paternalista para tranquilizar a consciência, mas aceitar quem precisa de nosso tempo, de nossa amizade e nossa ajuda. É viver o silêncio, vencendo a tentação de nos satisfazer. Em terceiro lugar o jejum, a penitência para nos libertar das dependências em relação ao que passa e nos treinar para ser mais sensíveis e misericordiosos. É um convite à simplicidade e partilha: tirar algo de nossa mesa e nossos bens para reencontrar o bem verdadeiro da liberdade.”

“Voltem para mim”, diz o Senhor, “de todo o coração”. “Não somente com algum ato exterior, mas do profundo de nós mesmos. De fato, Jesus nos chama para viver a oração, a caridade e a penitência com coerência e autenticidade, vencendo a hipocrisia.”

Quaresma, tempo para podar a falsidade

“Que a Quaresma seja um tempo benéfico para podar a falsidade, a mundanidade e a indiferença; para não pensar que tudo vai bem se eu estou bem; para entender que o que conta não é a aprovação, a busca de sucesso ou consenso, mas a limpeza do coração e da vida; para reencontrar a identidade cristã, ou seja, o amor que serve, não o egoísmo que se serve. Coloquemo-nos a caminho juntos, como Igreja, recebendo as Cinzas e mantendo fixo o olhar no Crucifixo. Ele, amando-nos, nos convida a nos deixar reconciliar com Deus e a retornar a Ele, para nos reencontrar”, concluiu o Papa. (MJ)

Via Rádio Vaticana

Papa: “Padre Pio é um carinho de Deus Pai”

 Na manhã deste sábado (06/02), os grupos de oração de São Padre Pio, os peregrinos da Arquidiocese de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, e devotos do santo de Pietrelcina provenientes de todo o mundo se reuniram com o Papa Francisco na Praça São Pedro em um “encontro de oração”. 

Cerca de 80 mil fiéis participaram da audiência. Desde cedo, antes da chegada do Papa, o público foi animado com cantos e orações. Também o Pregador Oficial do Vaticano, o capuchinho Raniero Cantalamessa, fez uma reflexão e entreteve os fiéis com alguns relatos sobre a vida de São Padre Pio e São Leopoldo Mandic. 

Ao ingressar na Praça, sob os aplausos da multidão, o Pontífice deu uma volta com o Papamóvel, abençoando e trocando seu carinho com os fiéis. A fria, mas ensolarada manhã de inverno, foi o cenário ideal para este evento.

Confessar até a exaustão

Em seu discurso aos devotos, definiu “Padre Pio como um servidor da misericórdia, praticando o apostolado da escuta muitas vezes até o esgotamento”. Através do ministério da Confissão, ele se tornou uma carícia viva do Pai, que cura as feridas do pecado e fortalece o coração com a paz. São Pio não se cansou de acolher as pessoas e ouvi-las, de dedicar tempo e forças para difundir o perfume do perdão do Senhor. Podia fazê-lo porque estava sempre ligado à fonte: saciava a sede continuamente em Jesus Crucificado, e assim se tornava um canal de misericórdia. Carregou no coração muitas pessoas e muitos sofrimentos, unindo tudo ao amor de Cristo que se doou até o fim. Viveu o grande mistério da dor oferecido por amor. Assim, a sua pequena gota se tornou um grande rio de misericórdia que irrigou muitos corações áridos e criou oásis de vida em muitas parte do mundo”.

Oração é a força da Igreja

Na sequência, o Papa recordou que São Pio definia estes grupos de oração “viveiros de fé, fontes de amor”; porque não eram apenas centros de encontro para estar bem com os amigos e se consolar um pouco, mas verdadeiras fontes de amor divino. A oração, dizia ele “é uma força que move o mundo, expande o sorriso e a bênção de Deus sobre todo vazio e fraqueza”.

Segundo o Pontífice, “a oração é uma obra de misericórdia espiritual, um dom de fé e amor, uma intercessão necessária como o pão. Numa palavra, significa confiar: confiar a Igreja, as pessoas, as situações ao Pai, para que Ele cuide de tudo”. Para Padre Pio, “a oração é a melhor arma que temos, uma chave que abre o coração de Deus”.  

Misericórdia corporal

No final de seu discurso, o Papa quis recordar a obra de “misericórdia corporal” criada pelo Santo de Pietrelcina: a Casa Alívio do Sofrimento, inaugurada sessenta anos atrás, que ele queria que fosse um “templo de ciência e oração”, pois “os seres humanos precisam sempre de algo que vai além de uma cura tecnicamente correta. Precisam de humanidade. Precisam da atenção do coração”.

Antes de se despedir, Francisco convidou os fiéis a rezarem junto com ele o Pai Nosso e a Ave Maria. 

Exposição das relíquias

As relíquias dos dois santos se encontram no altar maior da Basílica do Vaticano e estarão expostas para a veneração dos fiéis até o dia 11. 

Padre Pio morreu em 1968 e foi canonizado por João Paulo II em 2002.

Via Rádio Viticana

O amor humano como expressão do amor divino

O livro ‘A beleza da mulher a ser revelada’ é fruto do meu relacionamento com meu noivo Guilherme. hoje, vamos pregar em cima da Carta do Papa Francisco para os noivos, um diálogo entre o Papa e os noivos, portanto vamos trabalhar três perguntas feitas ao Papa.

O medo do “para sempre”

Pergunta feita ao Papa: “Santidade, muitos pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil. Muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.”

Resposta do Papa: É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, pois isso parece impossível. Hoje, tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo. E essa mentalidade leva muitos, que estão se preparando para o matrimônio, a dizer: “Estamos juntos enquanto durar o amor”. Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Se é isso, você não pode construir seu relacionamento em algo sólido. Mas se o amor é uma relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

Guilherme: Tudo muda muito rápido, o mundo é acelerado, precisamos voltar ao que o Papa fala, não cairmos na cultura do provisório. Precisamos voltar ao que o Papa diz sobre o amor, pois ele não é apenas o sentimento.

O relacionamento é algo que cresce, não só por causa da idade e do tempo. Precisamos crescer e não parar na superficialidade.

Fernanda: Eu trazia em mim o medo de dar passos em um relacionamento por causa das decepções amorosas que vivi no passado. O que me ajudou a dar esses passos? A segurança e decisão do Guilherme.  No dia 03 de fevereiro de 2012, ele se declarou para mim e disse que estava me pedindo para fazer um “caminho de namoro, para namorar e também para se casar comigo.

Quando ele se declarou, não acreditei. Eu ri! Mas ele disse que não queria me convencer de uma vez, mas aos poucos. À medida que nosso relacionamento foi crescendo, percebi que era verdadeiro o que ele me dizia. A cada passo que dávamos, eu ia sendo curada pela constância do Guilherme, que era diferente dos outros relacionamentos que eu já havia vivido.

“No amor não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor” (I Jo 4,18). Quando eu tive de encarar a realidade de que meus pais, possivelmente, não estarão no meu casamento, percebi que eu era presa à presença deles no meu matrimônio, então o amor não era livre! Mas eu tive a coragem de não querer atrasar mais o meu casamento somente para que meus pais estivessem. Por amor ao Guilherme, tomei a decisão de me casar com eles independente da presente dos meu pais.

“Uma casa se constrói junto, e não sozinho! Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’!

Como se cura esse medo do “para sempre”?

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Cura-se dia por dia, confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque,  o ‘para sempre’ não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho, é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso nós dizemos: ‘Dá-nos, hoje, o nosso pão cotidiano’. Os esposos podem aprender a rezar assim: ‘Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano’, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será ‘para sempre’, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades” (trecho da Carta do Papa Francisco para nos noivos).

Guilherme: O Papa não nos deixa caminhar de qualquer jeito, ele aconselha os noivos a cultivarem a vida de oração.

Fernanda: É bom que cultivem juntos a oração. Nós vamos à Missa juntos todos os dias, frequentemente rezamos o terço. Homem e mulher precisam ser íntimos do Espírito Santo.

Guilherme: O fundador da Canção Nova, monsenhor Jonas, diz: “A ‘casa’ nos fala de lar, família, aconchego, calor humano, responsabilidade uns pelos outros. E isso depende de nós. Não pré-existe. Somos nós que criamos esse ambiente favorável a uma sadia recuperação”.

O estilo da celebração do matrimônio

Pergunta feita pelos noivos ao Papa na carta: “Nestes próximos meses, estamos nos preparando para nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?”. Disse-lhes o Santo Padre: “Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social. A razão mais profunda da alegria desse dia nos indica o Evangelho de João: vocês se recordam do milagre nas bodas de Caná? Em um certo momento, o vinho faltou e a festa parecia arruinada. Por sugestão de Maria, naquele momento, Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, assim, salva a festa de núpcias. O que aconteceu em Caná, há dois mil anos, acontece, na realidade, em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o ‘vinho bom’, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com banquetes, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

Fernanda: A preparação para o casamento precisa partir do casal. O que mais o irrita no outro? Você tem a capacidade de aguentar essa pessoa pelo resto de sua vida? O que faz meus pais se manterem casados até os dias de hoje? O amor. Mas é preciso dizer que o amor passa pela cruz. Onde há tribulação, prova, ali está o amor de Deus.

O amor que passa por sofrimentos e lutas, é o que verdadeiramente faz com que naquele altar possamos declarar verdadeiramente nosso amor.

Guilherme: Não são as coisas, a realidade material que levamos no casamento, mas o que construímos um com o outro. Gaste tempo querendo encontrar com seu noivo, sua noiva, porque é isso que vamos levar para nossa vida inteira.

Estamos na expectativa do nosso matrimônio. Rezem por nós!

Via Canção Noava