A morte de São José: misteriosa, mas a mais sublime que se pode imaginar

Pode haver melhor passagem para a vida eterna do que entre os braços de Jesus e de Maria?

morte-de-sc3a3o-josc3a9Não há registros documentais da morte de São José, mas é comumente aceito que ele faleceu antes do início da vida pública de Jesus.

Nos primeiros séculos da Igreja, conforme narra Isidoro de Isolanis, costumava-se ler nas igrejas do Oriente, todo dia 19 de março, uma narração solene da morte do pai adotivo do Filho de Deus:

“Eis chegado para São José o momento de deixar esta vida. O Anjo do Senhor lhe apareceu e anunciou ter chegado a hora de abandonar o mundo e ir repousar com seus pais. Sabendo estar próximo o seu último dia, quis ele visitar, pela última vez, o Templo de Jerusalém, e lá pediu ao Senhor que o ajudasse na hora derradeira.

Voltou a Nazaré e, sentindo-se mal, recolheu-se ao leito, agravando-se em breve o seu estado. Entre Jesus e Maria, que o assistiam com carinho, expirou suavemente, abrasado no Divino Amor.

Oh, morte bem-aventurada! Como não havia de ser doce e abrasada no Divino Amor a morte daquele que expirou nos braços de Deus e da Mãe de Deus?

Jesus e Maria fecharam os olhos de São José.

E como não havia de chorar Aquele mesmo Jesus que choraria sobre a sepultura de Lázaro? ‘Vede como ele o amava!’, disseram os judeus. São José não era tão só um amigo, mas um pai querido e santíssimo para Jesus”.

A Igreja, que venera com carinho este santo de tão grande devoção dos cristãos, o reconhece como o padroeiro da boa morte.

Pode haver, afinal, melhor passagem para a vida eterna do que entre os braços de Jesus e de Maria?

Fonte: http://pt.aleteia.org/2016/01/18/a-morte-de-sao-jose-misteriosa-mas-a-mais-sublime-que-se-pode-imaginar/

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A pessoa de São José

SÃO JOSÉ, ESPOSO DE MARIA

Os cristãos atuais, que vivem a sério o seguimento de Jesus Cristo, experimentam a necessidade e a urgência de estudar e contemplar a figura encantadora de São José, o esposo da Virgem Maria. O conhecimento dele é uma exigência da formação inicial e continuada dos discípulos do Salvador.

A existência histórica de São José é fato comprovado, que salta aos olhos daqueles que pesquisam as Sagradas Escrituras, os documentos antigos e a tradição religiosa. Ele viveu entre nós há dois mil anos atrás, na Palestina, um pequeno país do Oriente Médio, na Ásia (Lc 1,27;Mt 1,18-25). Era um homem de família. Sua história está inserida na vida do povo de Deus. Sua vocação está, profundamente, ligada à sua missão de Jesus Cristo e da Mãe de Deus.

Para estudar a pessoa e o papel de São José, nós precisamos levar em conta a Bíblia, os textos da época, os apócrifos, as reflexões dos Padres da Igreja, a tradição eclesial, o magistério eclesiástico e as ciências humanas e teológicas. Dispomos de muitos livros e textos publicados, que nos ajudam compreender melhor a missão deste homem de Deus na história da salvação.

JOSÉ NAS SAGRADAS ESCRITURAS

“José” provém do termo hebraico “Iodzet”, que significa “Que Deus acrescenta”.

Na história e vida do povo de Deus, havia muitas pessoas cujo nome era “José”. É um nome que já fazia parte da cultura judaica. “José” provém do termo hebraico “Iodzet”, que significa “Que Deus acrescenta”.

Nas Sagradas Escrituras, encontramos três personagens conhecidos, os quais tiveram um papel relevante na história do povo de Deus: o patriarca José, José de Arimatéia e São José. O testemunho bíblico fornece-nos dados interessantes sobre a vida de cada um deles.

No Antigo Testamento, há o patriarca José, filho de Jacó e de Raquel. (Gn 37,1-50,26). Era o primeiro filho dela e preferido pelo pai, que nasceu em Harã. Invejado e odiado pelos irmãos, foi lançado por eles numa cisterna. Vendido para mercadores, foi levado, como escravo, para o Egito. Eles o revenderan para Putifar, comandante da guarda do faraó.

Injustamente acusado pela esposa de Putifar de ter tentado seduzi-la, foi encarcerado. Sua capacidade de interpretar sonhos o permitiu ser liberto da prisão, e se tornou vice-rei do Egito. Casou-se com a filha de um sacerdote egípcio, com a qual teve dois filhos, Efraim e Manasses.

Preparando-se para a fome anunciada pelos sonhos do Faraó, José fez reservas de alimentos no Egito. Quando a escassez de alimentos atingiu seus irmãos e os obrigou a se abastecerem no Egito, José, reconhecendo-os, perdoou-os e se reconciliou com eles. Mandou que toda a família fosse morar com ele. Faleceu aos 110 anos, idade ideal conforme a sabedoria egípcia. Sua história mostra a vida do justo que sofre, mas triunfa com sabedoria, persistência, fé e vivência de fraternidade. Apresenta José como instrumento de Deus para salvar a própria família.

O Novo Testamento mostra-nos a presença de José de Arimatéia nos inícios da Igreja (Mt 27,57-61;Mc 15,42-47;Lc 23,50-56;Jo 19,38-42). Piedoso e rico judeu de Jerusalém, era membro do Sinédrio, tribunal judaico. Tinha simpatia por Jesus Cristo e era seu discípulo, embora ocultamente.

José de Arimatéia exerceu um papel importante na paixão e morte de Jesus. Não concordou com a condenação de Cristo. Depois que Jesus morreu na cruz, ele pediu a Pilatos, procurador romano, seu cadáver e, junto com Nicodemos, enterrou-o num sepulcro novo, que tinha sido preparado.

Os textos do Novo Testamento registram a presença de São José na vida da Virgem Maria e de Jesus Cristo (Mt 1-2;13,55;Mc 6,3;Lc 1-2;3;23;4,22;Jo 1,45;6,42). Embora os evangelhos sejam muito discretos a seu respeito, não deixam de evidenciar sua relevante missão dentro da história da salvação. Ocupou um lugar importante nos relatos da infância de Jesus. Durante o ministério público de Jesus, ele é apenas nomeado.

PALESTINA E EGITO

palestina_no_tempo_de_jesusSão José nasceu, cresceu e viveu na Palestina, pequeno território situado na Ásia. Cortada pelo rio Jordão, é constituída por quatro faixas que se estendem do norte para o sul, por uns 240 km: a planície costeira, a montanha, o vale do Jordão e os planaltos transjordanianos. Tem o clima do mar do Mediterrâneo, que a ladeia, com variações subtropicais ou desérticas, conforme a região.

A residência de São José era Nazaré, cidade localizada na Galiléia, ao norte da Palestina. Nazaré ficava a 30 quilômetros do lago de Generasé. O Antigo Testamento não a menciona. No tempo de São José, era uma pequena cidade, de pouca importância. Como os outros lugares da Galiléia, era aberta às influências de outros povos. Por isso, os judeus da época a desprezavam, empregando inclusive termos negativos para ela. Atualmente, tem uma população que ultrapassa os 30 mil habitantes.

A ascendência de José era de Belém, cidade que se localiza ao sul da Palestina. A 7 quilômetros de Jerusalém, era considerada a cidade de Davi, rei antigo do povo de Deus (1010-970 a. C.). Ficou célebre porque nela nasceu Jesus Cristo. Na época de São José, tinha cerca de 2 mil habitantes. Hoje possui uma população aproximada de 30 mil.

São José levou para o Egito Maria e o menino Jesus para fugir da crueldade de Herodes Magno, antigo rei dos judeus. Egito é um país situado no noroeste da África. Com área regada pelo rio Nilo, estende-se tradicionamente desde o mar Mediterrâneo até a primeira catarata que interrompe a navegação, a antiga Siene, hoje Assua. Do outro lado se estendia o país de Cuch chamado pelos gregos Etiópia, hoje Sudão. Foi antigo império, dominando inclusive a Palestina.

ESPOSO DE MARIA

São José Carpinteiro

A vida dele constitui “uma vida que segue o ritmo de Deus”

A vida de São José transcorreu na história do povo de Deus, eivada de desafios do tempo. Ele teve uma participação especial no projeto de salvação, recebendo de Deus uma missão toda particular. Com docilidade e fé, seguiu os apelos do Senhor durante o trajeto de sua existência. A vida dele constitui “uma vida que segue o ritmo de Deus” (Stefano de Fiores, teólogo e escritor).

José teve uma vida simples e marcada pelo trabalho. Era originário de Belém, da estirpe de Davi, mas nunca invocou privilégios, cargos honoríficos, rendas vitalícias e tratamento especial. Era homem humilde e modesto, dedicado aos seus afazeres e responsabilidades.

Sua profissão era de carpinteiro. Trabalhava a madeira, dedicando-se a abater cedros e ciprestes nos bosques e florestas, a reparar os vigamentos das habitações e a construir portas, janelas, mesas, instrumentos agrícolas e outros manufaturados. Vivia do sustento de seu trabalho.

José era esposo de Maria, vivendo com ela um matrimônio de maneira santa e com muito amor e respeito. Pai adotivo de Jesus, deu-lhe um nome, fê-lo descendente da linhagem de Davi, esteve ao seu lado e colaborou no seu cuidado, proteção e educação. Soube aceitar Jesus como Filho de Deus, concebido no seio de Maria por obra do Espírito Santo.

 HOMEM PIEDOSO E JUSTO

Durante sua vida, José sempre foi muito piedoso e homem justo. Por estar plenamente aberto a Deus, aceitou e cumpriu os desígnios divinos com generosidade, disposição firme e empenho total. Era uma pessoa reta, obediente, íntegra, honesta, de fé profunda e inabalável, inteiramente entregue à vontade de Deus. Viveu intensamente as virtudes cristãs, amando, crendo e esperando em Deus com plena confiança e convicção.

José viveu sua completa adesão ao projeto de Deus.

 

José viveu sua completa adesão ao projeto de Deus. Abandonou-se todo a Deus, acreditando na Palavra de Deus e deixando-se guiar pelas mãos do Criador. O próprio Papa João Paulo II afirmou: “São José era um homem justo, fiel e dócil à Palavra de Deus. Envolvido de perto no mistério da encarnação, foi-lhe pedido que acreditasse naquilo que humanamente era difícil compreender. Viu desabrochar em Maria uma vida que era de origem divina, e só a fé lhe permitiu não fugir diante do mistério: ‘Não temas José’ (Mt 1,20). A exortação do anjo faz-nos intuir os temores, embora tão humanamente compreensíveis, tornando-o próximo de nós”. Aceitando e concretizando a proposta de Deus, ele foi fiel até o fim.

O CULTO DE SÃO JOSÉ

São José padroeiro da Igreja

Ao longo da tradição cristã, o magistério eclesiástico sempre destacou o valor de São José na vida da Igreja e no culto católico. O Papa Pio IX declarou-o Padroeiro da Igreja Católica em todo o mundo. Leão XIII o propôs como advogado dos lares cristãos. O Papa também estabeleceu a festa da Sagrada Família.

Pio XII instituiu a festa de São José Operário, celebrada em 1o. de maio. João XXIII acrescentou o seu nome no Cânon da Missa. No dia 19 de março, a Igreja celebra a solenidade de São José, esposo da Virgem Maria. Essa festa foi estabelecida pelo Papa Sixto IV, em 1479.

São José é muito venerado pelo povo. Muitas pessoas foram registradas com o nome dele. Encontramos seu nome em diversas ladainhas, como, por exemplo, na ladainha de “Todos os Santos” e na “Dos Agonizantes”. Há a “Ladainha de São José”, aprovada por Pio X. Existe um número enorme de grandes santos da Igreja que, em muitas ocasiões, recorreram à ajuda do esposo de Maria. Nós também somos convidados a honrá-lo e a imitar suas virtudes, de maneira que possamos ser também homens justos, íntegros e fiéis aos planos de Deus em nossa história concreta.

ROTEIRO DE ESTUDO MARIANO

Para estudar e aprofundar o tema, sugerimos os seguintes livros:

  1. Olivier Lê Gendre. José, o carpinteiro. Aparecida, Ed. Santuário, 2001
  2. Reinhard Abeln e Emil Maier-F. José, escolhido de Deus. A vida de São José contada e ilustrada para crianças. Aparecida, Ed. Santuário, 1995
  3. Geneviève Honoré-Lainé. O sim de José. Aparecida, Ed. Santuário, 1993

 

Via: Portal A12

São José, o homem a quem o próprio Deus chamou de pai

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Uma das maiores santas da história do cristianismo, Santa Teresa de Ávila, era profundamente devota a São José, considerando que, se o próprio Deus lhe obedeceu na terra como filho adotivo, também no céu Ele escuta toda prece que lhe apresentamos por intermédio do santo e humilde carpinteiro.

Compartilhamos hoje um extrato do testemunho de Santa Teresa sobre a eficácia da intercessão do santo pai adotivo de Jesus:

Testemunho sobre São José
Da “Vida de Santa Teresa”, VI, 5-8
 
Quando vi o estado a que me tinham reduzido os médicos da terra e estando tão enferma em tão jovem idade, decidi recorrer aos médicos do céu e pedir-lhes a saúde, porque, muito embora suportasse a doença com tanta alegria, desejava também ser curada. Pensava que, se com saúde acabasse condenada, melhor seria ficar assim, mas também imaginava, com a saúde, ser capaz de melhor servir ao Senhor. Eis o nosso erro: não querer abandonar-nos em tudo às mãos de Deus, que sabe melhor do que nós o que nos convém. Comecei a encomendar missas e a fazer orações aprovadas (…)

Tomei então por meu advogado e patrono o glorioso São José e a ele me confiei com fervor. Este meu pai e protetor me ajudou na necessidade em que me achava e em muitas outras mais graves, em que estava em jogo a minha honra e a salvação da minha alma. Vi claramente que a sua ajuda me foi sempre maior do que eu pudesse esperar. Não me lembro de ter jamais lhe rogado uma graça sem a ter imediatamente obtido. E é coisa que maravilha recordar os grandes favores que o Senhor me fez e os perigos de alma e corpo de que me livrou por intercessão deste santo bendito.
 
A outros santos parece que Deus concedeu socorrer-nos nesta ou naquela precisão, mas experimentei que a todas o glorioso São José estende o seu patrocínio. O Senhor quer assim nos mostrar que, tal como esteve sujeito a ele na terra, onde ele podia comandá-lo como pai adotivo, assim também no céu atende tudo o que ele pede. E assim reconheceram, por experiência, ainda outras pessoas que a meu conselho se recomendaram ao seu patrocínio. Muitos outros se tornaram recentemente seus devotos por terem experimentado esta verdade.

Eu procurava celebrar sua festa com a máxima solenidade (…) Pela grande experiência que tenho dos favores obtidos de São José, quisera que todos se persuadissem de lhe ser devotos. Não conheci pessoa que lhe fosse verdadeiramente devota e lhe prestasse particular serviço sem fazer progressos na virtude. Ele ajuda muitíssimo quem a ele se recomenda. Há já vários anos que, no dia da sua festa, eu lhe peço alguma graça e sempre sou ouvida. Se o que peço não é tão reto, ele o ajeita para meu bem maior.

Se as minhas palavras tivessem autoridade, com gosto narraria em detalhes as graças que este glorioso santo tem concedido a mim e a outros, mas, não querendo ir além dos limites que me foram impostos, em muitas coisas serei mais breve do que gostaria e em outras mais demorada que o necessário: em suma, como quem tem pouca discrição em tudo o que é bem. Peço apenas, pelo amor de Deus, que quem não me crer faça a prova e verá por experiência quão benéfico é confiar-se a este glorioso Patriarca e lhe ser devoto.

Via Aleteia

A Santidade de José

Por João Paulo da Silva, Postulante Paulino

 

A Igreja une-se em oração para celebrar São José, o esposo da Virgem Maria.

Hoje, 19, a Igreja Católica reúne-se para celebrar a Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus. Para a Igreja esta é uma solenidade muito importante, com manifestações de devoção ao Santo Protetor.

José é para a Igreja o servo que foi escolhido por Deus para cuidar de Jesus e Maria, tornou-se, na verdade, mais que um cuidador, tornou-se o protetor de ambos. As solenidades são o mais alto grau celebrativo e normalmente são reservadas para os mistérios mais importantes da fé. Para a fé calólica, São José é a figura da simplicidade e do silêncio, que age na defesa dos inocentes e protege o Menino-Deus.

A comemoração deste Santo espalhou-se pelo mundo e ganhou força devocional. Como ensinou o Papa Paulo VI, “é a prova de que para ser bom e autêntico seguidor de Cristo não são necessárias ‘grandes coisas’, mas somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”.

O Papa Francisco disse, no ano passado, que “o ser guardião é a característica de José: é a sua grande missão, ser guardião. Olhemos para São José como o modelo de educador, que protege e acompanha Jesus em seu caminho de crescimento ‘em sabedoria, idade e graça’”.

José é um personagem que não aparece com tanta frequência nas Sagradas Escrituras, mas recebe um adjetivo de grande honra para aquela época: “justo” (Mt 1,19). É homem que enfrenta os tabus do seu tempo e quer abandonar a Virgem em segredo; isto significa agir com a justiça da Lei e, por amor, dar a ela o divórcio, livrando-a de uma possível pena, o apredrejamento. Porém, o mensageiro intervém, afirmando que ele pode desposá-la, porque nela agiu o Espírito Santo, e o que ela espera é uma obra divina (Mt 1,20). José assume a Mãe e o Filho e por eles entrega a sua vida e os seus esforços. Esta proteção é para a Igreja e para os cristãos exemplo de fé e de esperança que deve ser vivenciado na vida e nas práticas.

 

Via: Paulinos

A imagem de São José dormindo que o Papa Francisco guarda no quarto

San José dorimido del Papa FranciscoO Papa Francisco revelou quem o ajuda a resolver problemas e superar dificuldades: São José, o pai adotivo de Jesus e patrono da Igreja. No encontro com as famílias filipinas, em Manila, na última sexta-feira (16), o pontífice contou como se confia à intercessão do santo:

“Eu gostaria de dizer a vocês também uma coisa muito pessoal. Eu gosto muito de São José porque é um homem forte e de silêncio. No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, e o escrevo em um papelzinho e o coloco em baixo de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema”, afirmou.

O Papa falou sobre esse hábito durante discurso às famílias, ao citar o santo como modelo de silêncio, abandono em Deus, mas também de ação. São José é citado nos Evangelhos repousando enquanto lhe é revelada a vontade divina em sonho.

Para evitar que o amor se perca, o pontífice pediu as famílias que nunca deixem de lado a capacidade de sonhar, e que estejam atentas a três atitudes: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria e ser voz profética. Ele destacou que Deus se manifesta ao homem nos momentos de repouso e que é essencial encontrar tempo para rezar, em meio aos afazeres diários.

“Esses momentos preciosos de repouso, de descanso com o Senhor na oração são momentos que gostaríamos, talvez, de prolongar. Mas, como São José, quando ouvimos a voz de Deus devemos despertar, levantar e agir”, disse.

A imagem de São José dormindo foi um dos poucos itens que o Papa pediu para trazerem-lhe de Buenos Aires, segundo matéria publicada no Vatican Insider. O hábito de confiar ao santo suas preces soma-se a outros sinais da devoção. A paróquia do bairro Flores, na capital argentina, onde Francisco aos 17 anos confessou-se e percebeu pela primeira vez que Deus o chamava ao sacerdócio, é dedicada ao santo. A missa de início do pontificado foi providencialmente celebrada em data especial para os devotos do patrono da Igreja: 19 de março, memória litúrgica de São José.

 

Via Aleteia

São José e o amor da vida escondida

Pouco diz a Sagrada Escritura sobre a vida do pai nutrício de Jesus, São José, cuja solenidade é celebrada hoje pela Igreja universal. Ela limita-se a citar a sua genealogia [1], o fato de que era “justo” [2], o sonho no qual recebeu a visita de um anjo [3], a sua profissão [4] e a paternidade que ele verdadeiramente exerceu junto de Jesus [5]. Nada mais. E, se isso pode levar algumas pessoas a desprezar o valor e a virtude desse grande santo, é porque não consideraram o quanto fala alto o silêncio de uma vida oculta aos olhos dos homens, mas resplandecente diante de Deus.

É importante considerar, em primeiro lugar, a grandeza dos bens que Deus colocou nas mãos de São José, para apreciar com justeza o valor de seu escondimento. A providência quis que esse homem fosse depositário fiel da virgindade perpétua de Maria Santíssima, sua esposa; do menino Jesus, o próprio Deus feito homem; e – não fossem os dois o bastante – do segredo da encarnação do Verbo. Uma vida toda passada ao lado de Jesus e Maria e tão poucas palavras ditas a seu respeito, nenhuma palavra saída de sua boca… Como isso é possível?

O beato João Paulo II tem uma frase que se adequa de modo preciso ao silêncio de José: “O bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano” [6]. Na mesma lógica, o grande orador francês, padre Jacques Bossuet, diz “que se pode ser grande sem esplendor, bem-aventurado sem ruído; que se pode ter a verdadeira glória sem o socorro da fama, com o único testemunho de sua consciência” [7]. De fato, escreve o Apóstolo: ” Gloria nostra haec est, testimonium conscientiae nostrae – A razão da nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência…” [8].

A virtude que teve São José, desprezando as glórias humanas e escolhendo como única testemunha a palavra de Deus talhada em sua consciência, deve animar-nos a fazer o mesmo: ter em pouco caso o parecer das pessoas, para receber unicamente de Deus, “que vê o escondido” [9], a recompensa. ” Que os homens jamais falem de nós, contanto que Jesus Cristo fale um dia” [10].

Olhando ainda para o silêncio de São José, alguém poderia perguntar se não seria errado manter obscuro um tesouro tão precioso como Jesus, sem nada dizer sobre ele. Bossuet faz notar, com razão, uma aparente oposição entre a missão confiada aos Apóstolos e a missão confiada a José: Jesus “é revelado aos apóstolos para ser anunciado em todo o universo; é revelado a José para calar e ocultá-lo” [11]. Novamente, como isso é possível? O mesmo padre Bossuet explica essa diferença:

“Será Deus contrário a si próprio nessas vocações opostas? Não, fiéis; não credes: toda essa disparidade tem por fim ensinar aos filhos de Deus esta verdade importante, que toda a perfeição cristã está na obediência. Aquele que glorifica os apóstolos pela honra da pregação, glorifica também São José pela humildade do silêncio. Aprendemos por aí que a glória dos cristãos brilhantes não está nos empregos, e sim em fazer a vontade de Deus. Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe, e esta é a glória de São José e a grande honra do cristianismo.” [12]

“Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe”. Se nem todos podem ter a honra de atravessar terras e mares para anunciar o Evangelho aos quatro cantos do mundo, se nem todos receberão de Deus a coroa do martírio, todas as pessoas, sem exceção, podem obedecer a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas: “ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade” [13].

A santidade no escondimento é possível: eis a grande lição de São José. Como ensinou Paulo VI, ele “é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam ‘grandes coisas’, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. [14]

Glorioso São José, rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referência

  1. Mt 1, 16
  2. Mt 1, 19
  3. Mt 1, 18-24
  4. Mt 13, 55
  5. Lc 2, 41-51; 3, 23
  6. Homilia em visita ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, 15 de agosto de 2004, n. 4
  7. Jacques Benigne Bossuet. Panegírico de São José. 1659. In: Panegíricos. Trad. Pe. Clementino Contente. 1. ed. Rio de Janeiro: Castela, 2013. 500p.
  8. 2 Cor 1, 12
  9. Mt 6, 4
  10. Jacques Benigne Bossuet. Panegírico de São José. 1659. In: Panegíricos. Trad. Pe. Clementino Contente. 1. ed. Rio de Janeiro: Castela, 2013. 500p.
  11. Ibidem
  12. Ibidem
  13. Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen Gentium, 21 de novembro de 1964, n. 32
  14. Omelia nella Solennità di San Giuseppe, 19 marzo 1969

VOCÊ SABIA…

…que a Igreja Católica é acusada de ser machista pelo movimento feminista e pelos movimentos políticos e sociais de esquerda mesmo tendo declarado 4 dogmas sobre Nossa Senhora e nenhum para São José?

Segundo o Catecismo Da Igreja Católica, dogmas são “verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária” (§ 88).

A comunidade cristã sempre acreditou que Nossa Senhora foi Virgem: antes, durante e depois do parto de Nosso Senhor. Esse dogma foi preconizado em 649 no Quarto Concílio de Latrão e reconfirmado em 1555 no Concílio de Trento.

O segundo dogma mariano declarado foi a Maternidade Divina, em 431, no Terceiro Concílio de Éfeso. Ele afirmava que “Maria se tornou, com toda a verdade, Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”.

A Imaculada Conceição é o terceiro dogma mariano. Ele foi declarado em 1854 pelo Papa Pio IX, que defendia que “a beatíssima Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção, por singular graça de privilégio de Deus omnipotente e em atenção aos merecimentos de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por isso deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis”.

O último dogma mariano declarado até o presente momento foi a Assunção da Virgem Maria em corpo e alma aos céus. Esse dogma foi proclamado em 1950 pelo Papa Pio XII.

Mais recentemente a Igreja tem estudado a possibilidade de declarar alguns dogmas a respeito de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria. Entre os principais estão o casamento virginal, a imaculada conceição e a assunção aos céus.

Via Catecismo Da Igreja Católica