Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo

Resultado de imagem para castidadeO Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma força libertadora. Jesus provoca uma revolução na vida daqueles que se deixam atingir por Seu amor. Quem tem um encontro pessoal com Deus muda seus conceitos, sua mentalidade, muda sua vivência, porque sente e experimenta como é ser amado e valorizado no coração do Altíssimo.

O ideal seria que todos nós conhecêssemos a grandiosidade do amor divino nos primeiros anos de nossa vida. Mas a maioria de nós só se deixará envolver pelo amor de Deus depois de adultos ou após a vida ter nos marcado negativamente em algum aspecto. Por isso, vemos muitas pessoas que, primeiramente, vivem a sexualidade do mundo e não como pede o Senhor. Mas quando se deparam com o amor de Deus, resolvem viver a castidade. Que bom que Deus os alcançou! No entanto, a virgindade, que caracteriza a não iniciação da pessoa na vida sexual, tanto no sentido do corpo quanto a sua experiência psíquica, já não existe mais.

Daí, muitos pensam: “Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo. Só que, agora, eu conheço o sexo e as carícias. Será que vou aguentar?” Ou: “Será que mereço isso?”. Até há aqueles que se perguntam: “Nesta minha condição, será que alguém vai querer namorar comigo?”.

Sim, você pode viver castamente! É possível namorar sem sexo, mesmo que isso tenha se tornado uma espécie de dependência para você. Mais ainda: você merece namorar santamente e encontrará quem o aceite como você é e com o que já viveu.

Você só precisa ter em mente que será um desafio; afinal, foi inserido no contexto sexual e o tem registrado em sua memória, de forma muito maior do que antes da perda da virgindade.

Cuidado! Fuja das oportunidades de pecado sempre que elas estiverem à espreita. Toda vez que um pequeno gesto começar a enfraquecer a sua decisão, não o deixe acontecer.

Apesar das marcas que você pode ter em si, saiba que para Deus o que importa é a pureza de coração. “O que o homem vê não é o que importa: o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha o coração” (I Sm 16,7).

Se, no seu coração, você deseja atingir essa pureza, tem tudo para conseguir. Ela é possível em qualquer estágio da vida. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a Boa Nova de Cristo restaura constantemente a vida por dentro (interior do coração), restaura as qualidades do espírito e os dotes da pessoa (cf. CIC art. nº2527). Ou seja, a luta pela castidade fará de você uma pessoa pura no corpo e na intenção.

Não importa o seu passado. Deus lhe perdoa sempre. Se você se arrependeu, mas se confessou, Ele o perdoou. “Vai e não tornes a pecar” (Jo 8, 11).

Se Deus o perdoa, quem são os homens para condená-lo? Não importa seu passado, porque você é portador de um dom, e “o dom e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). Isso significa que o Senhor não tira as dádivas e as qualidades que Ele mesmo imprimiu nas criaturas, mesmo que essas errem.

Você é uma bênção do Senhor, neste mundo, por tudo aquilo que o Altíssimo depositou em sua essência. Você merece alguém que valorize as belezas que existem em você. Assuma-se assim!

Talvez, seja difícil adquirir a pureza e libertar-se das marcas negativas de uma sexualidade mal vivida; portanto, tenha paciência com você mesmo. Se, por acaso, você tornar a errar, não desista, procure a confissão e recomece.

Se o ato sexual ou a masturbação tornaram-se um vício, procure ajuda com um profissional ou um diretor espiritual. Tenha sempre um confessor apenas, um sacerdote em que você encontre misericórdia. Conte a ele suas fraquezas para que ele entenda melhor seu processo e identifique, na queda, as possíveis circunstâncias. Assim, ele o orientará melhor. Não desista de você, nunca pare de lutar!

A castidade parte de uma decisão por corresponder ao amor de Deus. Jesus entregou não somente Seu corpo, mas se esgotou, esvaziou-se de tudo o que Ele é, até de ser Deus, por causa de você, para que você também ame da forma correta. Então, é olhando para Jesus, principalmente nas horas mais difíceis, que encontraremos forças para não cair no pecado.

Para Deus atuar em nós basta a nossa decisão de deixá-Lo entrar em nossa vida. Você quer ser casto? Então, tome com afinco essa decisão.

Sempre é possível recomeçar!

 

Por Sandro Arquejada

Castidade, uma prova de amor

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Ter relações sexuais antes do casamento parece ser uma prática tão comum hoje em dia que as pessoas pouco se questionam sobre o assunto. Os jovens exigem isso um do outro como “‘prova de amor”‘, como um sinal de que a relação já está amadurecida; como o passo seguinte, natural, de um relacionamento onde já se experimentou de tudo, onde o enfoque não está no crescimento e conhecimento mútuos e muito menos na vontade de Deus, mas na satisfação dos seus próprios desejos e impulsos, de sua curiosidade pessoal, de sua insegurança de ser amado, do seu medo de perder o parceiro.

É espantoso ver como a maioria dos jovens, e mesmo alguns pais, encaram o ato sexual como uma etapa “natural” do relacionamento anterior ao matrimônio… desde que a moça não fique grávida.

A total facilidade de adquirir “pílulas anticoncepcionais” ou preservativos (distribuído gratuitamente em campanhas do governo e até em encartes de jornais) teve o poder de destruir aquele que parecia ser o único freio para as relações sexuais pré-matrimoniais: o medo da gravidez.

A “liberdade e absoluta segurança” prometidas e desenvolvidas pela técnica e ciência vêm de encontro à tendência hodierna de dar mais crédito ao científico que à fé. O resultado é que muitos jovens, mal preparados para discernir entre a verdade e a mentira acabam deixando-se levar pela ilusão de que tudo o que vem da ciência é “bom”, “seguro”, aconselhável.

Trata-se da inocência e da falta de preparo do jovem que acaba influenciado por uma mentalidade relativista. Ele passa também a não ter critérios objetivos para saber o que é “bem” e o que é “mal”. Como todos à sua volta, acredita ser um bem aquilo que lhe satisfaz, que lhe dá prazer, que proporciona uma “‘sensação” de bem-estar, que o faz ser aceito e acatado no meio dos outros jovens.

É fácil perceber que onde estes dois caminhos não levam Àquele que disse: “Seja o vosso ‘sim’, sim e o vosso ‘não’, não. Tudo o que passa disto vem do Maligno’. (Mat 5,37) As coisas acabam por ficar tão confusas e nebulosas para a maioria das pessoas que mesmo algumas, ligadas à Igreja, afirmam temerariamente que o sexo antes do casamento, assim como a masturbacão individual ou a dois não apresenta problemas. É o que Sto. Domingo chama de “moral de situação”, onde mesmo pessoas de fé esclarecida se deixam influenciar pela pressão social e psicológica dos argumentos que o mundo apresenta, esquecendo-se da dimensão da fé e da graça.

Em primeiro lugar, no matrimônio, não se utiliza o termo “relação sexual”, mas “ato conjugal”.

Isto se dá exatamente porque é aí que se expressa o “amor conjugal”, aquele tipo de amor humano que recebeu de Deus, através do sacramento do matrimônio uma graça especial que o elevou de tal modo que ele une em si o divino e o humano, como afirma a encíclica Gaudium et Spes, no n° .49.

As pessoas, hoje em dia, não entendem muito a dimensão e a importância da graça. O resultado é que ficam presos a um moralismo seco e estéril, que leva a uma lista vazia e sem sentido do que é “permitido” ou do que é “proibido”. O moralismo não leva a nada, é uma pregação infrutífera (e, infelizmente, muitas vezes, a mais comum) que leva o homem a contar apenas consigo mesmo.

Muito diferente é o caso da graça. Através do sacramento do matrimônio, Deus confere aos esposos uma graça especialíssima: seu amor humano é mergulhado no amor que une a própria Trindade. Toma-se, assim, um amor humano-divino, que expressará de maneira concreta e visível o amor da mesma Trindade para o mundo. Isto não é pouca coisa, de jeito nenhum!

E neste ambiente onde os esposos podem, sempre, contar com a “graça de estado” do matrimônio que o amor criador de Deus (existente no seio da Trindade com quem o Pai criou todas as coisas), que eles podem cumprir o seu papel de co-criadores, no sentido de gerar novas vidas para Deus. Exercem, assim, o direito e o dever de paternidade que Deus lhes delega pela graça do sacramento do matrimônio.

Assim, os filhos do casal não pertencem aos dois, mas a Deus. Não são educados segundo o que os dois pensam ou acham; são educados segundo o que Deus pensa, segundo a Sua vontade e para a alegria de Deus e dos irmãos. Os filhos, nesta dimensão, deixam de ser uma posse dos pais e passam a ser o que realmente serão por toda a eternidade: filhos de Deus.

Seu matrimônio, da mesma forma, não existe para o bem deles somente, mas principalmente para que através dele possam ambos, com os filhos, servir e amar melhor a Deus, finalidade última do matrimônio.

Quando a gente entende o sentido do matrimônio, a gente compreende o papel do ato conjugal dentro dele e pode discernir toda a dimensão empobrecedora e degradante das relações sexuais fora do matrimônio. As pessoas que se casam conscientes de que estão sendo feitas, pela graça, uma só carne e um só espírito, enxergam a amplitude do seu ato: não estão realizando um compromisso entre os dois, o que seria inteiramente humano e, neste caso, pecaminoso. Estão realizando um compromisso entre si e com Deus. É Deus quem sela e realiza este compromisso de unidade. É Ele quem o sustenta e faz crescer com a Sua graça e a participação generosa dos esposos.

Tem muita gente boa hoje em dia que pensa que o que une o homem a uma mulher, o que os faz ser um é o fato de terem um relacionamento sexual pleno. Isto não é verdade. O homem ou a mulher não têm o poder de se tornarem um. O poder de tornar duas pessoas uma só é uma prerrogativa divina, uma exclusividade do Espírito Santo, que faz una a Trindade, a Igreja, o casal que passou pelo sacramento do matrimônio.

Outra idéia errônea é pensar-se que o que faz com que duas pessoas sejam uma é o amor. Como vimos, o sacramento do matrimônio eleva o amor humano de duas pessoas a uma dimensão divina, coisa que só Deus pode fazer; coisa de que nenhum amor humano é capaz. Seria, então, uma ilusão pensar-se que é o amor que transforma duas pessoas em uma só. O amor é o veículo da vontade humana que, unido ao amor e à vontade divina, diz o seu “sim” para toda a eternidade. Só o Espírito Santo tem o poder de .tornar duas pessoas uma só carne e um só espírito.

E este é o único problema de ter relações sexuais antes do casamento?

O ato conjugal (relações sexuais no matrimônio) é o único tipo de relacionamento sexual pleno abençoado e reconhecido por Deus. Somente ele expressa a unidade da Trindade, somente ele conta com a graça e a bênção de Deus. As relações sexuais fora do matrimônio não contam nem com a graça nem com a bênção de Deus, por mais excitantes, românticas e emocionantes que possam ser. Não são as emoções que medem o valor de um ato para Deus, mas a obediência à Sua vontade, a abertura à Sua graça. As relações fora do casamento não apresentam estas características.

Pelo contrário, este tipo de relacionamento é eminentemente egoísta, fechado em si mesmo, escravo da auto¬satisfação, escravizador e escravizante. É uma busca de prazer pelo prazer, sem responsabilidade nenhuma, por mais que os dois prometam amar o outro para sempre e nunca deixá-lo. É esta situação contrária à vontade de Deus que deixa um grande vazio e sentimento de solidão e escravidão à situação e ao outro envolvido nela.

O amor, pelo contrário, é aberto para a vontade de Deus, promotor do bem do outro, de sua felicidade e satisfação. O amor é, essencialmente, libertador. Busca a vontade de Deus e, porque é maduro, é também responsável diante de Deus, diante do outro e diante da sociedade. Não se fecha ridiculamente em um mundinho a dois, mas abre-se para o serviço e amor a Deus e a todos os homens.

Mas, com o casamento o amor acaba?

É absolutamente inacreditável que hoje se seja forçado a responder a uma pergunta destas. No entanto, infelizmente, é esta a ideia que nós, bobinhos, “engolimos” através dos meios de comunicação, que afirmam “retratar” uma realidade quando, no entanto, são muito mais agentes e promotores irresponsáveis de uma mentalidade pagã. Com isso, destroem não somente a fé, mas vão além: destroem a dignidade da pessoa humana e o fim para o qual ela foi criada. Pagarão suas contas diante de Deus pelos milhões de almas que vêm iludindo e levando a uma mentalidade indigna da condição humana.

É relevante que nos países europeus se tenham feito grandes campanhas para tirar do ar novelas brasileiras por considerá-las nocivas à moral e aos costumes do povo. Nós, ao contrário, aplaudimos como bobos toda a porcaria que vem envolvida na atraente roupagem da mídia. E, se a mídia diz que o casamento acaba o amor, nós acreditamos como inocentes úteis que contribuem para aumentar sua renda.

Não temos discernimento nem critério firme de valores e, mesmo que com nossas palavras afirmemos que não cremos em uma coisa destas, nossas atitudes são de quem quer aproveitar de tudo o que o “amor” pode dar “antes que a gente se case e os filhos e a vida venham atrapalhar o nosso amor” .

Se você pensa assim, pelo amor de Deus, não se case. Você não sabe o que é o amor. Você não aprendeu ainda a beleza do matrimônio. Não é ainda digno dele. Se a Igreja visse o sexo como um mal estaria irremediavelmente separada de Deus e de Jesus. O homem foi criado por’ Deus como um ser sexuado e sua sexualidade permeia todo o seu ser físico, psíquico e, conseqüentemente, espiritual.

É a sua sexualidade que o faz co-criador no sentido da paternidade e também no sentido da cultura. É ela quem o prepara para o amor santo e puro, tanto por alguém do mesmo ou de outro sexo, no caso da amizade, como por alguém do sexo complementar (Não “oposto”! Os sexos não se opõem, complementam-se!).

O prazer que resulta e estimula uma amizade entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos complementares, assim como o prazer que resulta e estimula o relacionamento e o ato conjugal, é uma linguagem pela qual se expressa estima, apreciação, amor, amizade, partilha, complementação, crescimento, libertação.

A Igreja, como o Evangelho e o próprio Jesus, abençoam o prazer como uma linguagem, pois ele promove o homem. Repudiam, porém, o prazer pelo prazer, ou seja, o prazer como um fim, porque este degrada o homem.

É importante frizar que isto não se dá somente com relação ao ato conjugal, mas igualmente com relação a toda interação humana sadia. Também em uma amizade pode-se buscar o prazer pelo prazer: o prazer de estarem juntos em todo momento e circunstância, a busca de satisfazer o desejo de estarem juntos como uma alimentação do próprio desejo e não visando o bem do outro é uma busca egoísta do prazer, que acaba em apegos e fechamento.

Infelizmente temos visto inúmeros jovens, solteiros e casados, que sofrem por toda a sua vida as conseqüências de uma sexualidade mal vivida. É preciso não ter medo de ser puro; não ter medo de preservar-se para o amor de dimensões divino-humanas do matrimônio ou de qualquer outra vocação que se abrace por amor  a Deus e para melhor servi-Lo.

Por que o mundo LGBT passou a negar a existência da teoria do gênero?

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O chamado “mundo LGBT” tem tido uma nova prioridade: negar a todo custo a existência da teoria de gênero.

Devemos reconhecer que, na verdade, eles nunca definiram as suas ideias como uma “teoria” propriamente dita, mas é legítimo usar esse termo porque o corpo de ideias que eles defendem pode ser enunciado a partir de duas convicções específicas.

A primeira declaração da teoria de gênero é que existiria uma sexualidade específica (ou “dado biológico”) e um gênero distinto (ou “dado psicológico”). Ou seja: um ser humano pode ser masculino-homem ou feminino-mulher quando há coincidência entre o sexo biológico e o gênero; mas também poderia ser masculino-mulher ou feminino-homem, no caso em que o sexo biológico e o gênero não coincidem. Tudo isso é apresentado como “normal”, palavra insistentemente presente na terminologia LGBT.

A segunda afirmação da teoria de gênero é que seria possível escolher de forma autônoma o gênero “preferido” (ou “sentido”), prescindindo do fato biológico. Teria sido a sociedade quem nos impôs os gêneros identificados à força com o dado biológico. A partir de agora, porém, deveríamos ficar cientes de que as crianças podem crescer “livres” desses “estereótipos” e ter a oportunidade de decidir “livremente” o seu gênero, mediante uma educação que não fizesse distinções entre meninos e meninas.

Estas afirmações fazem parte de uma teoria complexa que procura legitimar a “sexualidade mutável” ou “líquida” em nome de uma “autonomia sexual” que permita a cada um escolher a própria identidade sexual (com ou sem cirurgia de mudança de sexo).

Uma parcela relevante da ciência médica, no entanto, enxerga estas crenças como uma patologia mental, definindo o transexualismo como um “transtorno de identidade de gênero” no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais e explicando-o como “o desejo persistente das características físicas e dos papéis sociais que conotam o sexo biológico oposto”. De acordo com o manual, portanto, existe apenas o sexo biológico; desejar ser diferente daquilo que naturalmente se é seria sintoma de um distúrbio mais profundo. 

O chamado “mundo LGBT” percebeu que a sociedade identifica as suas convicções com uma “teoria”, o que torna mais difícil entrar nas escolas e incutir tais ideias na sociedade futura. Assim, as associações homossexuais parecem ter mudado de estratégia e agora passam a acusar o Vaticano de ter inventado a existência da teoria de gênero.

É curioso, porém, que, mesmo negando a existência da teoria como tal, os expoentes das convicções LGBT continuam afirmando o seu conteúdo. Um exemplo marcante é o da filósofa Chiara Lalli, que passou a afirmar que a alma não existe, que o instinto materno não é uma característica feminina natural e inata e que abortar é “normal” (de novo esta palavra tão em voga). É uma posição ideológica que se revela imediatamente, por mais que a filósofa esteja empenhada em negar a existência da teoria de gênero e tachá-la de “um inimigo que imaginaram ou construíram”.

O caso é que Lalli, ao negar a existência da teoria de gênero, descreve exatamente… a teoria de gênero! Ela apresenta o conteúdo da teoria sem chamá-la de teoria, sustentando-a como se fosse verdade científica. A biologia, segundo ela, não nos divide em masculino e feminino: “Há muitas possibilidades intermediárias”, como o hermafroditismo, a síndrome de Morris, a síndrome de Swyer, a síndrome de Turner e a síndrome de Klinefelter. A questão é que não se trata de “possibilidades intermediárias” entre o masculino e o feminino, mas sim de patologias genéticas, conforme indicado pelo termo “síndrome”, sendo algumas delas relacionadas especificamente ao sistema reprodutivo. Uma patologia não é uma “possibilidade intermediária”.

Depois dessa tentativa de demonstrar que até a sexualidade biológica seria “líquida”, Lalli procurou também teorizar a existência do gênero sexual como diferente da sexualidade biológica: “É possível ser do sexo masculino e ter uma identidade sexual masculina ou feminina (ou ambígua, oscilante, mutante). Nada disso é inerentemente patológico ou errado, e, acima de tudo, aquilo que é ‘feminino’ ou ‘masculino’ é profundamente determinado culturalmente, tanto que os papéis masculinos e femininos mudam no tempo e no espaço”. Em resumo, Chiara Lalli definiu claramente em que consiste a “teoria do gênero”, muito embora não queira chamá-la de teoria (além do mais, ela contraditoriamente tenta defender o relativismo apelando para adjetivos como “certo” e “errado”).

Por ironia, esta explicação oferecida por ela coincide com a que foi dada por Bento XVI, em 2012, quando ele disse: “De acordo com a filosofia do gênero, o sexo não é mais um fato original da natureza, que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de sentido, mas sim um papel social que se decide de forma autônoma e que, até agora, teria sido decidido pela sociedade. O profundamente errôneo desta teoria e da revolução antropológica subjacente a ela é evidente. O homem contesta uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a própria natureza e decide que ela não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas que é ele próprio quem a cria. Não é mais Deus quem nos criou homens e mulheres, mas a sociedade quem teria nos determinado; e, agora, nós mesmos é que decidiríamos sobre isto”.

A Enciclopédia Treccani diz o seguinte sobre a teoria do gênero: “A cultura ‘gender’ leva à ideia de que a diferença entre masculino e feminino não coincide necessariamente com a diferença entre macho e fêmea, porque as características de gênero (ou estereótipos) seriam resultado de uma construção cultural. O contraste entre sexo e gênero marca a transição da visão unitária da identidade sexual de um indivíduo – que, a partir da consciência de uma corporeidade masculina ou feminina, desenvolve gradualmente uma identidade psíquica definida (masculinidade ou feminilidade) – a uma visão dualista da sexualidade, não só distinguindo, mas separando os elementos biológicos da identidade sexual (sexo) do complexo de papéis, funções e identidades apreendidos e culturalmente estruturados (feminilidade e masculinidade). Emerge, assim, uma concepção autônoma do pertencimento a um gênero, concebida como o resultado de uma escolha cultural do indivíduo, distinta da sua corporeidade”.

A enciclopédia prossegue: “A perspectiva de gênero coloca em discussão o fundamento biológico-natural da diferença entre os sexos: feminilidade, masculinidade, heterossexualidade e maternidade não são mais considerados estados naturais, mas estados ‘culturais’, que não são definitivos nem determinantes. Em outras palavras, a utilização do termo ‘gênero’ em vez do termo ‘sexo’ abre a possibilidade de não mais se definir a pessoa a partir da sua estrutura biológica (corpo), podendo-se defini-la de acordo com a sua ‘autocompreensão’ psicossocial. Segue-se disto que a identificação exclusiva da pessoa como gênero, e não como ser sexuado a partir de uma corporeidade, leva à neutralização da identidade sexuada. A pessoa, assim, não é mais valorizada na sua individualidade sexuada, no seu ser-homem ou ser-mulher, mas achatada numa indiferença em que homens e mulheres são percebidos como simplesmente ‘iguais’, com todas as diferenças biológicas, de papel e de caracteres anuladas, esquecendo-se do significado essencial da bipolaridade sexual e da sua estrutura objetiva”. Há, portanto, um indício da origem da teoria de gênero na ideologia comunista.

“A realização da identidade sexuada do indivíduo”, complementa a enciclopédia, “que se manifesta no seu ser-homem ou ser-mulher e que se explicita nas finalidades da sexualidade (a reprodução e a continuidade entre as gerações), pressupõe necessariamente uma dimensão corpórea definida, com base na qual o sujeito possa desenvolver uma identidade psíquica, perceber o valor da diversidade sexual e lidar com ela”

O papa Francisco tem deslegitimado corajosamente essa teoria pseudocientífica perante o mundo inteiro, inclusive incentivando os defensores dessas visões de mundo a se amarem tais como foram criados e a refletirem sobre os porquês desta “necessidade urgente” da sociedade atual de fugir de si mesma.

Via Informação Católica

O clube do carimbo e o auge da degradação sexual

A cruel e assustadora história do “clube do carimbo”, o grupo homossexual que dissemina o HIV propositalmente em casas noturnas.

Todas as épocas de acentuado declínio social estão marcadas por uma exploração desmedida da sensualidade. A corrupção moral foi a principal responsável pela queda do Império Romano, dizem os historiadores [1]. A banalização do homem tornou os romanos insensíveis a qualquer apelo da razão, abrindo caminho para o domínio bárbaro. Isso porque o ser humano, quando abandonado às suas paixões, fica incapaz de amar, isto é, enxergar o outro como pessoa. Uma sexualidade desregrada vê nos corpos instrumentos de prazer, objetos descartáveis sempre ao alcance dos desejos mais pervertidos da imaginação. Coube à Igreja a tarefa de restituir a dignidade humana frente a uma cultura de morte instalada na medula da sociedade.

Os Padres da Igreja sempre entenderam a união conjugal como uma relação em que se procura o bem do outro. O vínculo entre marido e mulher está radicado muito mais em um “empenho para com a outra pessoa”, que em um sentimento vago ou em uma atração psicofísica. É justamente o que recordava São João Paulo II ao Tribunal da Rota Romana, em um discurso de 1999:

“O simples sentimento está ligado à mutabilidade do espírito humano; só a atração recíproca, depois, muitas vezes derivante sobretudo de impulsos irracionais e às vezes aberrantes, não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se.”

O matrimônio, embora também esteja ligado ao sentimento, fundamenta-se no compromisso do amor, de onde nasce a sua indissolubilidade. “A caridade jamais acabará”, lembra o apóstolo (1 Cor13, 28). E esse amor conjugalis que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” é a razão pela qual marido e mulher são capazes do sacrifício mútuo pela salvação da família.

A cultura hodierna, por outro lado, tende não somente a negar esse amor, como a ridicularizá-lo de todas as maneiras. Em nome de uma pseudoliberdade, a sociedade é induzida a considerar o corpo algo desprezível, “colocando-o, por assim dizer, fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa”. “O seu pressuposto — comenta o Papa Bento XVI — é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim uma coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja”. Praticamente, todos os relacionamentos modernos — uniões livres, “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, namoros coloridos etc. — estão embasados nessa visão unilateral do “prazer sem freios”. Não se busca o bem do outro, mas a autossatisfação imediata. Trata-se de sexo, não de amor.

Ora, não é preciso muito esforço para perceber as consequências nefastas disso tudo. “A crônica quotidiana — falava João Paulo II no mesmo discurso à Rota Romana — traz, infelizmente, amplas confirmações acerca dos miseráveis frutos que essas aberrações da norma divino-natural acabam por produzir”.

Há alguns dias, um jornal de grande circulação no país comentava o caso de “homens que passam o HIV de propósito”. Segundo a reportagem, esses indivíduos se reúnem em blogs e outros sites da internet para darem dicas de como infectar o parceiro sexual propositalmente. “Não fez ainda? Faça, pois é bem provável que já tenham feito com você”, incentivava um desses sites, ensinando a furar a camisinha durante o ato sexual. A prática tem o nome de bareback, que no linguajar homossexual significa “sexo anal sem camisinha”. O termo originalmente vem do inglês e quer dizer “cavalgar em um cavalo sem cela”. Em São Paulo, diz o jornal, uma casa noturna dedicada ao sexo gay chega a reunir mais de cem homens por dia, muitos adeptos do “clube do carimbo”, como se chama o grupo dedicado a retransmitir o vírus da Aids. “Carimbar” faz referência direta à contaminação.

Um dos entrevistados da matéria justifica seu comportamento assim: “É um prazer incontrolável. Sem a camisinha o meu prazer triplica. Eu odeio a camisinha”. O rapaz é empresário, soropositivo, tem 36 anos e frequenta casas noturnas, embora nunca se relacione sem avisar o parceiro sobre sua doença, garante. De acordo com o jornal, o “clube do carimbo” deve virar uma tendência no meio LGBT em dois ou três anos. “Hoje, a gente vive o auge dessa prática da contaminação”, informa outro entrevistado. As orgias, comumente chamadas de “roleta-russa”, mexem com o fetiche e a adrenalina, explicam os participantes; por isso, têm se tornado tão comuns. Há também uma falta de perspectiva somada a um sentimento libertário. O resultado: entre 2003 e 2013, o índice de infecção por HIV no meio homossexual aumentou para 29,1%; para os héteros, a variação foi de 1,7%.

Repetir o ensinamento católico acerca disso tudo é chover no molhado. O fato, porém, expõe diante dos olhos do público qual movimento é verdadeiramente homofóbico. Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza”, a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um “prazer incontrolável”. “Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas” (Rm 1, 26). Os efeitos insidiosos da cultura da camisinha, do sexo livre e da libertinagem podem ser reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Essa cultura de morte não procura o bem do outro, mas se desfazer dele como um lixo, como se descarta a seringa de uma droga qualquer após o uso. A Igreja, sempre na contramão das falsas ideologias, crê na sublime vocação do homem, tenha ele ou não a tendência homossexual, chamando-o a amar verdadeiramente: “Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” A castidade não mata ninguém. O “clube do carimbo”, sim.

Não se enganem: nenhum ser humano foi feito para viver como um brinquedinho de almas pervertidas. Nenhum ser humano foi feito para servir a “surras” e “pauladas”, como sugere a mídia nestes dias cinzentos, nem para bareback, “clubes do carimbo”, “roletas-russas” ou outras práticas suicidas.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988

A farsa do sexo livre

O homem não foi feito para o sexo livre. Muito antes de o movimento de contracultura fazer sucesso nos anos 1960 – com a invenção da pílula anticoncepcional, a legalização do divórcio e a aceitação do chamado “amor livre” –, Santo Tomás de Aquino, ainda no século XIII, demonstrou, de modo bem simples, porque toda a conversa dos hippies e revolucionários não passava de uma grande e verdadeira bobagem:

“A simples fornicação importa uma desordem, que redunda em dano da vida do que nascerá dessa união sexual. Vemos, pois, que todos os animais que precisam dos cuidados do macho e da fêmea para criarem os filhos, não praticam o sexo livre, mas o de um macho com uma determinada fêmea, uma ou várias, como se vê em todas as aves. Ao contrário, os animais em que as fêmeas por si só são capazes de criar os filhos, praticam o sexo livre, como se vê nos cães e em outros animais. Ora, é manifesto que, para a criação dos filhos na espécie humana, não bastam apenas os cuidados da mãe, que os amamenta, mas muito mais os cuidados do pai, que deve educá-los, defendê-los e dotá-los de bens tanto internos como externos. Por isso, é contra a natureza do ser humano praticar o sexo livre, sendo necessária a união de um homem a uma determinada mulher, com a qual ele permaneça não por pouco tempo, mas diuturnamente e mesmo por toda a vida. E daí vem para a natureza humana a solicitude natural do homem pela certeza de sua prole, porque cabe a ele educá-la. Ora, essa certeza desapareceria com o sexo livre.” [1]

Se você acaba de ler estas linhas e está revoltado com o que encontrou, feche os olhos e respire. Se não é católico, deixe de lado por um momento os termos religiosos empregados por Santo Tomás – ou simplesmente Tomás, se preferir – e tente raciocinar um pouco.

Embora o trecho acima tenha sido retirado de sua Suma de Teologia e use expressões consagradas pela religião católica, o argumento tomista não tem nada de religioso. É puramente racional. Não é preciso ser católico para admitir que “a fornicação simples redunda em dano da vida do que nascerá dessa união sexual”. A multidão de filhos abandonados por homens irresponsáveis (e criados tão somente por suas mães), além de outra incontável multidão de bebês mortos ainda no ventre materno, testemunham que, de fato, a vida deve acontecer dentro da comunidade familiar, da aliança firmada por um homem e uma mulher, “não por pouco tempo, mas diuturnamente e mesmo por toda a vida”. Além da questão espiritual, é com vista ao bem dos filhos que o sexo fora do casamento é condenado pela Igreja – e era, até há algumas décadas, evitado pela sociedade.

Diante de tudo isso, alguém pode objetar que o argumento de Tomás já é obsoleto, pois já foram inventadas a pílula, a camisinha e toda sorte de métodos anticoncepcionais. “Se o problema são os filhos – diz-se –, não é preciso mais evitar a fornicação. Compre camisinhas e seja feliz”. Not so fast. Esse lema de propagandas de Carnaval, longe de ser uma solução para os dramas afetivos e sexuais das pessoas, só torna ainda mais fundo o abismo em que elas se acham.

É o que lembrou o Papa São João Paulo II – ou simplesmente João Paulo, se preferir –, quando falou, em suas catequeses, sobre a “linguagem do corpo”. Ao se relacionarem sexualmente, homem e mulher entregam-se totalmente um ao outro. Os seus corpos “falam” que eles se tornaram “uma só carne” ( Gn 2, 24). Ora, como é possível que, logo depois que se doa deste modo, o casal se levante de seu leito, cada um pegue as suas coisas e volte para sua própria casa – como se aquele ato sexual não fosse ou não significasse nada? Não é evidente a farsa de um relacionamento – ou vários – que deseja o sexo, mas rejeita um compromisso sério? Que quer prazer, mas não se compromete com o outro?

Para os promotores e simpatizantes da Revolução Sexual, no entanto, tudo isso a que o homem assiste estupefato e boquiaberto – desde a destruição da família até ao desprezo da própria vida humana – foi perfeitamente querido e planejado. Não foi o próprio Herbert Marcuse quem pediu a “erotização da personalidade total”, a fim de desintegrar “as instituições em que foram organizadas as relações privadas interpessoais, particularmente a família monogâmica e patriarcal”? Não foi justamente o autor da Escola de Frankfurt quem incentivou sair “da sexualidade a serviço da reprodução para a sexualidade na função de ‘obter prazer através de zonas do corpo'” [2]? Eis que hoje os seus augúrios estão em pleno funcionamento – e a todo vapor!

Mas, o que a modernidade ganhou depois de todos esses “avanços”? Não muita coisa. Filhos sem pais. Pais sem esposas. Esposas que não são mães. E, como se não bastasse, mães que matam os próprios filhos. Este é o “admirável mundo novo” construído pelos arautos da Revolução Sexual – e, acredite se quiser, é apenas o início, o começo de um despenhadeiro, sem fundo, cujo nome é “inferno”.

É claro que ainda há remédio para a humanidade. Se Marcuse, em 1955, sugeria que, para tornar o homem livre, “o ‘pecado original’ deveria ser cometido de novo” [3], a Igreja recorda ao ser humano a sua vocação à eternidade e à união com Deus, a única que pode verdadeiramente libertá-lo. Que ninguém se engane: o sexo dito “livre” não faz outra coisa senão aprisionar o homem. É na entrega fiel e amorosa no Matrimônio – e da própria vida, a Deus – que se encontra a verdadeira libertação. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32), diz Nosso Senhor.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 2
  2. Herbert Marcuse. Eros e Civilização. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975. p. 176
  3. Ibidem, p. 174