A PUREZA

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5, 8).
“ Não confundamos pureza, com ingenuidade, se assim o fosse, Maria não teria feito a pergunta: “Como se dará? Se não conheço homem algum?…” E nem muito menos Maria Madalena após sua vida de prostituição e pecados teria tido a graça da Santidade incluindo esta virtude.

Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender Dele o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz:

– “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.”
Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ela nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais!

“Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”.

Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade? … São Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz:

“Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpos e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma” (1Cor 6, 15-20).

Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus.

Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos.

Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos aspergidos com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantos virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo…

Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!… Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus.

Eu queria fazer-vos conceber desta virtude uma idéia digna de Deus, e vos mostrar, o quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e o que nós devemos fazer para conservá-la.
I – Quanto a pureza nos torna agradáveis a Deus

Seria preciso, meus irmãos, para vos fazer compreender bem a estima que devemos ter desta incomparável virtude, para vos fazer a descrição de sua beleza, e vos fazer apreciar bem seu valor junto de Deus, seria preciso, não um homem mortal, mas um anjo do céu.

Ouvindo-o, vós diríeis com admiração:

– Como todos os homens não estão dispostos a sacrificar tudo antes que perder uma virtude que nos une de uma maneira íntima com Deus?
Procuremos, contudo, conceber dela alguma coisa, considerando que dita virtude vem do céu, que ela faz descer Jesus Cristo sobre a terra, e que eleva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo.

Dizei-me, meus irmãos, de acordo com isto, acaso não merece ela o título de preciosa virtude? Não é ela digna de toda nossa estima e de todos os sacrifícios necessários para conservá-la? Nós dizemos que a pureza vem do céu, porque só havia o próprio Jesus Cristo que fosse capaz de no-la ensinar e nos fazer sentir todo o seu valor.

Ele nos deixou o exemplo prodigioso da estima que teve desta virtude. Tendo resolvido na grandeza de sua misericórdia, resgatar o mundo, Ele tomou um corpo mortal como o nosso; mas Ele quis escolher uma Virgem por Mãe.

Quem foi esta incomparável criatura, meus irmãos? Foi Maria, a mais pura entre todas e por uma graça que não foi concedida a ninguém mais, foi isenta do pecado original. Ela consagrou sua virgindade ao Bom Deus desde a idade de três anos, e oferecendo-lhe seu corpo, sua alma, ela lhe fez o sacrifício mais santo, o mais puro e o mais agradável que Deus jamais recebeu de uma criatura sobre a terra. Ela manteve este sacrifício por uma fidelidade inviolável em guardar sua pureza e em evitar tudo aquilo que pudesse mesmo de leve empanar seu brilho.

Nós vemos que a Virgem Santa fazia tanto caso desta virtude, que Ela não queria consentir em ser Mãe de Deus antes que o anjo lhe tivesse assegurado que Ela não a perderia.

Mas, tendo lhe dito o anjo que, tornando-se Mãe de Deus, bem longe de perder ou empanar sua pureza de que Ela fazia tanta estima, Ela seria ainda mais pura e mais agradável a Deus, consentiu então de bom grado, a fim de dar um novo brilho a esta pureza virginal.

Nós vemos ainda que Jesus Cristo escolhe um pai nutrício que era pobre, é verdade; mas ele quis que sua pureza estivesse por sobre a de todas as outras criaturas, exceto a Virgem Santa. Dentre seus discípulos, Ele distingue um, a quem Ele testemunhou uma amizade e uma confiança singulares, a quem Ele fez participante de seus maiores segredos, mas Ele toma o mais puro de todos, e que estava consagrado a Deus desde sua juventude.

Santo Ambrósio nos diz que a pureza nos eleva até o céu e nos faz deixar a terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela nos eleva por sobre a criatura corrompida e, por seus sentimentos e seus desejos, ela nos faz viver da mesma vida dos anjos.

Segundo São João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior que a dos anjos, pois que os cristãos só podem adquirir esta virtude pelos combates, enquanto que os anjos a têm por natureza.

Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo.
São Cipriano acrescenta que, não somente a castidade nos torna semelhantes aos anjos, mas nos dá ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Sim, nos diz este grande santo, uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.

Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele a olha, Ele a considera com sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto de suas mais caras complacências, e fixa nela sua morada para sempre. “Bem-aventurados, nos diz o Salvador, os puros de coração, porque eles verão ao bom Deus”.

Segundo São Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, ela as praticará com uma grande facilidade, “porque” – nos diz ele – “para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência.

Mas uma vez que alcançou tais vitórias sobre o demônio, a carne e o sangue, todo o resto lhe custa muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade a este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude”.

Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos.
Nós os vemos reservados em suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios em suas refeições, respeitosos no lugar santo e edificantes em toda sua conduta.

Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente ao céu e que difundem em seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude.

Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam… Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

Sermões de São João Maria Vianney.

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Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo

Resultado de imagem para castidadeO Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma força libertadora. Jesus provoca uma revolução na vida daqueles que se deixam atingir por Seu amor. Quem tem um encontro pessoal com Deus muda seus conceitos, sua mentalidade, muda sua vivência, porque sente e experimenta como é ser amado e valorizado no coração do Altíssimo.

O ideal seria que todos nós conhecêssemos a grandiosidade do amor divino nos primeiros anos de nossa vida. Mas a maioria de nós só se deixará envolver pelo amor de Deus depois de adultos ou após a vida ter nos marcado negativamente em algum aspecto. Por isso, vemos muitas pessoas que, primeiramente, vivem a sexualidade do mundo e não como pede o Senhor. Mas quando se deparam com o amor de Deus, resolvem viver a castidade. Que bom que Deus os alcançou! No entanto, a virgindade, que caracteriza a não iniciação da pessoa na vida sexual, tanto no sentido do corpo quanto a sua experiência psíquica, já não existe mais.

Daí, muitos pensam: “Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo. Só que, agora, eu conheço o sexo e as carícias. Será que vou aguentar?” Ou: “Será que mereço isso?”. Até há aqueles que se perguntam: “Nesta minha condição, será que alguém vai querer namorar comigo?”.

Sim, você pode viver castamente! É possível namorar sem sexo, mesmo que isso tenha se tornado uma espécie de dependência para você. Mais ainda: você merece namorar santamente e encontrará quem o aceite como você é e com o que já viveu.

Você só precisa ter em mente que será um desafio; afinal, foi inserido no contexto sexual e o tem registrado em sua memória, de forma muito maior do que antes da perda da virgindade.

Cuidado! Fuja das oportunidades de pecado sempre que elas estiverem à espreita. Toda vez que um pequeno gesto começar a enfraquecer a sua decisão, não o deixe acontecer.

Apesar das marcas que você pode ter em si, saiba que para Deus o que importa é a pureza de coração. “O que o homem vê não é o que importa: o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha o coração” (I Sm 16,7).

Se, no seu coração, você deseja atingir essa pureza, tem tudo para conseguir. Ela é possível em qualquer estágio da vida. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a Boa Nova de Cristo restaura constantemente a vida por dentro (interior do coração), restaura as qualidades do espírito e os dotes da pessoa (cf. CIC art. nº2527). Ou seja, a luta pela castidade fará de você uma pessoa pura no corpo e na intenção.

Não importa o seu passado. Deus lhe perdoa sempre. Se você se arrependeu, mas se confessou, Ele o perdoou. “Vai e não tornes a pecar” (Jo 8, 11).

Se Deus o perdoa, quem são os homens para condená-lo? Não importa seu passado, porque você é portador de um dom, e “o dom e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11, 29). Isso significa que o Senhor não tira as dádivas e as qualidades que Ele mesmo imprimiu nas criaturas, mesmo que essas errem.

Você é uma bênção do Senhor, neste mundo, por tudo aquilo que o Altíssimo depositou em sua essência. Você merece alguém que valorize as belezas que existem em você. Assuma-se assim!

Talvez, seja difícil adquirir a pureza e libertar-se das marcas negativas de uma sexualidade mal vivida; portanto, tenha paciência com você mesmo. Se, por acaso, você tornar a errar, não desista, procure a confissão e recomece.

Se o ato sexual ou a masturbação tornaram-se um vício, procure ajuda com um profissional ou um diretor espiritual. Tenha sempre um confessor apenas, um sacerdote em que você encontre misericórdia. Conte a ele suas fraquezas para que ele entenda melhor seu processo e identifique, na queda, as possíveis circunstâncias. Assim, ele o orientará melhor. Não desista de você, nunca pare de lutar!

A castidade parte de uma decisão por corresponder ao amor de Deus. Jesus entregou não somente Seu corpo, mas se esgotou, esvaziou-se de tudo o que Ele é, até de ser Deus, por causa de você, para que você também ame da forma correta. Então, é olhando para Jesus, principalmente nas horas mais difíceis, que encontraremos forças para não cair no pecado.

Para Deus atuar em nós basta a nossa decisão de deixá-Lo entrar em nossa vida. Você quer ser casto? Então, tome com afinco essa decisão.

Sempre é possível recomeçar!

 

Por Sandro Arquejada

Principais objeções à interpretação mariana da mulher do Apocalipse refutadas

A) A “Mulher” não é Maria

O texto de Apocalipse 12 é a conclusão da profecia de Gênesis 3,15. Gênesis 3,15 fala de uma mulher física, que seria ancestral biológica do Messias. Como está claro que o texto não aborda Eva, só pode-se supor que aborda sua antítese: a Virgem Maria. É por isso que o texto fala que ela deu a luz ao Messias de Israel (cf. Ap 12,5), refugiou-se (cf. Ap 12,6) e no fim de sua vida recebeu “asas de águia para voar” (cf. Ap 12,14). Ora, isso é uma síntese da história de Maria que com grande angústia espiritual, deu a luz ao Messias numa estrebaria, refugiou-se no Egito, foi perseguida por Herodes e foi assunta aos Céus. Além disso, é visto que o “sinal de Acaz” que indicava a maternidade messiânica em Isaías (Isaías 7:11,14), é novamente mostrado como um “grande sinal” por João (Ap 12:1,5).

Por fim, é interessante ver o paralelo do versículo 1 com o seguinte texto de Cântico dos Cânticos: “Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e inumeráveis jovens mulheres; uma, porém, é a minha pomba, uma só a minha perfeita; ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz. Ao vê-la, as donzelas proclamam-na bem-aventurada, rainhas e concubinas a louvam. Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?” (Cântico dos Cânticos 6:8-10). Ser proclamada bem-aventurada é outro símbolo de Maria no Novo Testamento (cf. Lc 1,48), o que novamente suporta a interpretação mariana de Apocalipse 12.

b) Ela sofre em dores de Parto (vs. 2):

No Novo Testamento, Paulo utiliza o termo “dores de parto” ( do grego ὠδίνουσα-ōdinousa) como uma metáfora para o sofrimento espiritual, para o sofrimento em geral, ou para o desejo do mundo como ele aguarda para o cumprimento final (cf. Gl 4:19; Rm 8:22). Todos sabemos que para Maria dar a luz a Jesus, foi uma verdadeira agonia, um verdadeiro sacrifício espiritual (tendo que enfrentar a perseguição de Herodes, a dúvida de José, o recenseamento, a falta de lugar para ficar…). João, portanto, resumidamente, anuncia as angústias de Maria de uma forma alegórica, através da imagem das angustiantes “dores de parto”. No século VI, Ecumênio explica:

“E assim, de acordo com as regras da linguagem figurativa, ele chama esse desânimo e tristeza de “gritar” e “angústia”. E isso não é incomum. Ainda para o bem-aventurado Moisés, quando ele estava conversando espiritualmente com Deus e perdeu o coração – pois viu Israel no deserto cercado pelo mar e pelo inimigo – Deus disse: “Por que você está chorando para mim? (Êxodo 14:15)”. Assim também aqui, a visão chama a disposição conturbada da Virgem em sua mente e coração à “gritar”.” (Ecumênio, Comentário no Apocalipse, capítulo 6,19,8)

c) Ela representa Israel, a Igreja ou Maria?

Alguns dizem que a “Mulher” do texto se refere ao povo eleito de Deus (seja ele a Igreja, seja ele Israel). Embora a Igreja admita as três interpretações (Maria, Igreja e Israel), a lógica de Apocalipse, evidencia que ele se refere primariamente à Virgem Maria, sendo as demais interpretações uma mera consequência desta primeira. Isso ocorre pois o povo de Deus não é a Mulher em si, mas seus descendentes (cf. Ap 12,17).

É por isso que a Igreja por exemplo, nunca é chamada por João de “Mulher” (Ap 12,1) ou mãe (Ap 12,5), mas sim de “Noiva” e “Esposa” de Jesus (Ap 21,9), pois esta não era a intenção primária do autor no texto. De Israel, podemos concluir o mesmo já que João considera Israel não como a grande protetora de Cristo e inimiga de Satanás, mas sim como as espirituais “Sodoma e Egito”: “Seus cadáveres {jazerão} na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito {onde o seu Senhor foi crucificado}.” (Apocalipse 11:8) devido à sua infidelidade.

Por fim, destaca-se o fato de a Mulher do Apocalipse 12 representar o cumprimento da Mulher de Gênesis 3,15. E essa Mulher não significava o povo eleito, mas sim, uma mulher física.
Por Maria ser a “Imagem da Igreja” e a “Filha de Sião”, entretanto, todos os símbolos podem secundariamente ser atribuídos à Igreja ou à Israel.

E sim, as três interpretações podem muito bem coexistir juntas no texto, por exemplo: João vê sete cabeças na ‘grande prostituta’ que representavam sete montes (Ap 17,9), mas um versículo depois, mostra que também representavam SETE REIS! (Ap 17,10). Ambas as interpretações cabem no contexto mas a mariana é a que melhor se adapta.

d) Preferencialmente é Israel por causa do sonho de José em Gn 37?

Não. Preferencialmente o texto trata de Maria, pois Apocalipse 12 fala da Mulher profética de Gênesis 3,15, a Nova Eva, que era uma mulher física. O povo de Deus (seja ele Israel, seja ele a Igreja) não é a Mulher em si, mas seus descendentes (cf. Ap 12,17). Os símbolos (sol, lua e doze estrelas) estão vinculados no texto apenas para representar que Maria é a Filha de Sião, representante perfeita do povo eleito de Deus, como nos mostrou também os paralelos entre Lucas 1 e Sofonias 3. Como dito anteriormente, João considera Israel não como a grande protetora de Cristo e inimiga de Satanás, mas sim como as espirituais “Sodoma e Egito”: “Seus cadáveres {jazerão} na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito {onde o seu Senhor foi crucificado}.” (Apocalipse 11:8) devido à sua extrema infidelidade com o Messias.

e) Como assim há dois desertos? Maria fugiu para um deserto?

O texto de Apocalipse, apresenta dois desertos que a mulher foge: O primeiro deserto(Ap 12,6), é provavelmente o Egito, o lugar onde Maria foi com São José (Mt 2,13-14); e o segundo deserto (Ap 12,14) é o lugar “fora do alcance da cebeça da Serpente”, isto é, provavelmente o Paraíso, onde ela aguarda para a volta de Cristo orando pela Terra.

f) Quais são os tempos que aparecem em Apocalipse:

O primeiro (1260 dias) é o tempo em que a Sagrada Família fugiu para o Egito (cerca de 4 anos, segundo nos diz Santo Epifânio). Já este período simbólico destes “tempos” no versículo 14 diz respeito ao tempo que deverá se cumprir até que a Serpente seja finalmente derrotada (cf. Dn 7,25), não é portanto uma data específica, mas está ligada com o Juízo Final. Implicitamente, o versículo 14 faz referência a assunção de Maria, onde ela foi levada aos Céus de onde espera a volta de Cristo (Filipenses 3:20-21).

g) A Mulher do Apocalipse é apenas um sinal?

É o mesmo sinal de Isaías 7,14. Em Isaías é dito: “Pede ao Senhor teu Deus um sinal, seja do fundo da habitação dos mortos, seja lá do alto.” (Isaías 7:11). E Deus dá o sinal através da profecia: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco.” (Isaías 7:14). Portanto, enquanto Isaías usa o futuro, Apocalipse narra o mesmo só que no presente. Portanto esse argumento não é válido para tentar descartar o fato de ser Maria a Mulher do Apocalipse.

h) Os Pais da Igreja interpretaram como?

Alguns a Igreja e outros Maria. Santo Epifânio foi o primeiro:
“Mas em outros lugares, no Apocalipse de João, lemos que o dragão se atirou para a mulher que tinha dado à luz uma criança do sexo masculino; mas a asa de uma águia foram dadas à mulher, e ela voou para o deserto, onde o dragão não poderia alcançá-la “(Apocalipse 12: 13-14). Isso poderia ter acontecido com Maria no caso.” (Santo Epifânio de Salamia, Panarion 78, 11, PG 42, 716 B-C)

Em 430 AD, Quodvultdeus, discípulo e amigo de Santo Agostinho de Hipona, fez a primeira identificação abertamente Mariana da mulher de Apocalipse 12:

“Nenhum de vocês ignora o fato de que o dragão era o diabo. A mulher significava a Virgem Maria” (São Quodvultdeus, De symbolo 3, PL 40, 661)

De acordo com Quodvultdeus, do século V Padre da Igreja e bispo de Cartago:

“A mulher que significa Maria, que, sendo Imaculada, trouxe nossa Cabeça Imaculada. Quem mostrou-se também adiante de si mesma a figura da Santa Igreja, já que, como ela permaneceu Virgem trazendo à luz um filho” (São Quodvultdeus, De Symbolo 3, PL 40, 661).

Theodoto, bispo de Ancira, parece identificar da mesma forma Maria à Mulher “revestida de Sol”, associando-a a Jesus: “Alegra-te morada Santíssima! Alegra-te, salutar velo espiritual! Alegra-te, Mãe revestida de luz e que dá à luz o Sol que não conhece poente!” (São Theodoto de Ancira, Homilia IV in S. Deiparam et Simeonem III, PG 77,1393).

Também, Ecumênio, no século VI, propôs a mesma interpretação mariológica de Apocalipse 12. Para ele, não se tratava de uma visão futurista, e sim retrospectiva. A mulher é Maria, e ela está grávida do Sol, que é Cristo. Em referência ao versículo 2 de Apocalipse 12, cita Isaías 66,7; e afirma que Maria se viu livre das dores de parto. Os gritos, seriam devido a suspeita de adultério, por parte de José. Sobre o versículo 4, Ecumênio diz que refere-se a perseguição de Herodes, e o versículo 6 à fuga para o Egito.

Via: Salve Roma

A mulher mais poderosa do mundo, segundo a National Geographic, é… Maria!

Já é pública a capa da edição norte-americana de dezembro de 2015 da National Geographic, uma revista que não pode ser catalogada precisamente como “amistosa” para com a Igreja católica. A edição terá na capa aquela que a revista chama de “mulher mais poderosa do mundo”: Nossa Senhora, a Virgem Maria.

A matéria de Maureen Orth percorre algumas das aparições marianas mais conhecidas no mundo todo, incluindo as supostas aparições de Medjugorje, e, ao mesmo tempo, relata histórias de pessoas que receberam graças por intercessão da Virgem Maria. O texto aborda ainda o processo que a Igreja segue para reconhecer ou não o caráter sobrenatural das aparições.

Em certa passagem, Orth inclui uma breve referência ao papel de Maria no islã: embora pouco conhecida, existe no mundo muçulmano uma veneração àquela que eles também consideram a mulher mais santa de todas as mulheres: Maria, a mãe de Jesus.

Via ALETEIA

01 de Janeiro – Maria, Mãe de Deus

 

catsHoje, oito dias depois da Natividade, primeiro dia do ano novo, o calendário dos santos se abre com a festa de Maria Santíssima, no mistério de sua maternidade divina. Escolha acertada, porque de fato Ela é “a Virgem mãe, Filha de seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, objeto fixado por um eterno desígnio de amor” (Dante). Ela tem o direito de chamá-lo “Filho”, e Ele, Deus onipotente, chama-a, com toda verdade, Mãe!

Foi a primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental. Substituiu o costume pagão das dádivas (strenae) e começou a ser celebrada em Roma, no século IV. Desde 1931 era no dia 11 de outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data atual, a mesma onde antes se comemorava a circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido.

Num certo sentido, todo o ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade,começando pela solenidade da Anunciação, a 25 de Março, nove meses antes da Natividade. Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio aquele que só ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus, que nasceu na noite de Belém.

Ela assumiu para si a missão confiada por Deus. Sabendo, por conhecer as profecias, que teria também seu próprio calvário, enquanto mãe daquele que seria sacrificado em nome da salvação da Humanidade. Deus se fez carne por meio de Maria. Ela é o ponto de união entre o céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos. Sem Maria, o Evangelho seria apenas ideologia, somente “racionalismo espiritualista”, como registram alguns autores.

O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas (6,43) nos esclarece: “Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto”. Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria já coberta pelo Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc1,42). O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria. Ou se aceita Jesus e Maria ou se rejeita a ambos.

Por tomar esta verdade como dogma é que a Igreja reverencia, no primeiro dia do ano, a Mãe de Jesus. Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho reto, com a certeza de seu auxílio, para abandonarmos os apegos e vaidades do mundo, e assimilarmos a vida de Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna. Assim, com esses objetivos entreguemos o novo ano à proteção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe, incumbiu-se de formar em nós a imagem de seu Divino Filho, desde que não oponhamos de nossa parte obstáculos à sua ação maternal.

A comemoração de Maria, neste dia, soma-se ao Dia Universal da Paz. Ninguém mais poderia encarnar os ideais de paz, amor e solidariedade do que ela, que foi o terreno onde Deus fecundou seu amor pelos filhos e de cujo ventre nasceu aquele que personificou a união ente os homens e o amor ao próximo, o Cristo. Celebrar Maria é celebrar O nosso Salvador. Dia da Paz, dia da Mãe Santíssima. Nos tempos sofridos e sangrentos em que vivemos, um dia de reflexão e esperança.

 

Via A Fé Católica

Padre Pio e “la Madonna “

Não se poderia conhecer quem verdadeiramente é o Santo de Pietrelcina, se não se compreendesse o seu relacionamento especialíssimo com a Virgem Santíssima.

Ao longo de seus oitenta anos de vida, a devoção mariana, vivida como verdadeira “escravidão de amor”, marcou todo o seu itinerário desde o seu alvorecer em Pietrelcina, à sombra da imagem na “Madonna della Libera”, até o seu ocaso, sepultado como um soldado que empunha a sua “arma”, como costumava chamar o santo rosário.

Neste dia de São Pio de Pietrelcina, queremos que sua voz realmente chegue aos quatro cantos da terra e convide todos os homens a conhecerem o amor especialíssimo que devemos ter pela Virgem Maria.

“La Madonna…è la Mamma nostra!”.

AVE MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO

431056_10151448976209632_1732134580_nNão poucos protestantes estão surpresos por descobrir que a Igreja Católica na verdade concorda que Maria foi “salva”. De fato, Maria precisou de um salvador! No entanto, Maria foi salva do pecado de uma maneira muito sublime. Foi-lhe dada a graça de ser “salva” completamente do pecado de tal modo que nunca cometeu nem mesmo uma leve transgressão. Os protestantes tendem a enfatizar a “salvação” de Deus quase exclusivamente com o perdão dos pecados realmente cometidos. Porém a Sagrada Escritura indica que a salvação também possa se referir ao homem sendo protegido do pecado antes do fato:
Àquele, que é poderoso para nos preservar de toda queda e nos apresentar diante de sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém. (Judas 1,24-25)
Seiscentos anos atrás, o grande teólogo franciscano Duns Scotus explicou que a queda no pecado poderia ser comparada ao homem se aproximando despercebidamente de um buraco profundo. Se ele cai no buraco, precisa de alguém para baixar uma corda e salvá-lo. Mas se alguém o avisasse do perigo à frente, prevenindo-o de cair no buraco, ele seria salvo de cair no lugar. Da mesma forma, Maria foi salva do pecado por receber a graça de ser preservada dele. Mas ela ainda foi salva.

Todos Pecaram Exceto…

Mas e quanto ao “todos pecaram” (Rm 3,23) e “se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo 1,8)? “Todos” e “qualquer homem” não incluiriam Maria? Superficialmente, soa razoável. Mas esta maneira de pensar levaria à conclusão lógica de listar Jesus Cristo em companhia dos pecadores. Nenhum cristão de fé concordaria em dizer isso. Entretanto nenhum cristão pode negar os textos claros da Escritura declarando Cristo cheio de humanidade também. Desta maneira, tomar 1 João 1,8 em um sentido estrito, literal seria aplicar “qualquer homem” a Jesus também.
A verdade é que Jesus Cristo foi uma exceção a Romanos 3,23 e 1 João 1,8. E a Bíblia nos conta que ele estava em Hebreus 4,15: “Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado.” A questão agora é: há outras exceções a esta regra? Sim – milhões delas.
Tanto Romanos 3,23 quanto 1 João 1,9 tratam mais de pecados pessoais do que original (Romanos 5 trata de pecado original). E há também duas exceções àquela norma bíblica geral. Mas por ora simplesmente trataremos de Romanos 3,23 e 1 João 1,8. Primeiro, João 1,8 obviamente se refere a pecado pessoal porque no próximo verso, João nos diz “se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade.” Nós não confessamos o pecado original, mas sim pecados pessoais.

O contexto de Romanos 3,23 esclarece que também se refere a pecado pessoal:

“Não há nenhum justo, não há sequer um. Não há um só que tenha inteligência, um só que busque a Deus. Extraviaram-se todos e todos se perverteram. Não há quem faça o bem, não há sequer um (Sl 13,lss). A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas enganam; veneno de áspide está debaixo dos seus lábios (Sl 5,10; 139,4). A sua boca está cheia de maldição e amargar (Sl 9,28).” (Rm 3,10-14)
O pecado original não é algo que façamos; é algo que herdamos. O terceiro capítulo de Romanos trata de pecados pessoais porque fala de pecados cometidos pelo pecador. Com isto em mente, considere: um bebê no útero ou uma criança de dois anos já cometeram um pecado pessoal? Não. Para pecar, uma pessoa precisa saber que o ato que está para realizar é pecaminoso enquanto livremente empenhando sua vontade para realizá-lo. Sem as devidas faculdades para possibilitá-las a pecar, as crianças antes da idade de responsabilidade e qualquer um que não tenha o uso de seu intelecto e vontade não podem pecar. Então, há e houve milhões de exceções a Romanos 3,23 e 1 João 1,8.
Ainda assim, como sabemos que Maria é uma exceção à norma do “todos pecaram”? E mais especificamente, há suporte bíblico para esta alegação? Sim, há muito suporte bíblico.

O Nome Diz Tudo

Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. (Lucas 1,28-30).
Muitos protestantes insistirão que este texto é pouco mais do que uma saudação comum do Arcanjo Gabriel a Maria. “O que isto tem a ver com Maria ser sem pecado?”. Entretanto, a verdade é que, de acordo com a própria Maria, esta não foi uma saudação comum. O texto revela Maria ter-se perturbado “com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lucas 1,29, ênfase atribuída). O que havia nesta saudação de tão incomum para Maria reagir desta maneira? Podemos considerar pelo menos dois aspectos importantes.
Primeiro, de acordo com os estudiosos bíblicos (bem como com o Papa João Paulo II), o anjo fez mais que uma simples saudação a Maria. O anjo na realidade comunicou um novo nome ou título a ela. (cf. Redemptoris Mater, 8, 9). Em grego, a saudação foi kaire, kekaritomene, ou “Ave, cheia de graça”. De modo geral, quando um saudava o outro com kaire, um nome ou título seria encontrado no contexto imediato. “Salve, rei dos judeus” em João 19,3 e “Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saúde!” (Atos 23,26) são dois exemplos bíblicos disto. O fato de que o anjo troca o nome de Maria na saudação por “cheia de graça” não era incomum. Isto me seria análogo falando com alguém dos colegas técnicos da Catholic Answers e dizer “Olá, ele que conserta computadores.” Na cultura hebraica, nomes e mudanças de nomes nos dizem algo permanente sobre o caráter e o chamamento do nomeado. Apenas retome as mudanças de nome de Abrão para Abraão (de “pai” para “pai das multidões”) em Gênesis 17,5, Sarai para Sara (“minha princesa” para “princesa”), em Gênesis 17,15 e Jacó para Israel (“suplantador” para “ele que prevalece com Deus”) em Gênesis 32,28.
Em cada caso, os nomes revelam algo permanente sobre o nomeado. A transição de Abraão e Sara de ser um “pai” e uma “princesa” de uma família para ser “pai” e “princesa” ou “mãe” de um povo inteiro de Deus (veja Rm 4,1-18; Is 51,1-2). Eles se tornam patriarca e matriarca do povo de Deus para sempre. Jacó/Israel se torna patriarca cujo nome, “ele que prevalece com Deus”, continua para sempre na Igreja, que se chama “Israel de Deus” (Gl 6,16). O Povo de Deus “prevalecerá com Deus” para sempre na imagem do patriarca Jacó.

O que está em um nome? Segundo a Escritura, muito.

São Lucas usa o particípio perfeito passivo, kekaritomene, como seu “nome” para Maria. Esta palavra literalmente significa “ela que foi agraciada” em um sentido completo. Este adjetivo verbal, “agraciada”, não está apenas descrevendo uma simples ação do passado. O grego tem um outro tempo para isso. O tempo perfeito é usado para indicar que uma ação se completou no passado resultando num estado de ser presente. “Cheia de graça” é o nome de Maria. Então o que isso nos diz sobre Maria? Bem, a média cristã não está completa em graça e em um sentido permanente (ver Fl 3,8-12). Mas de acordo com o anjo, Maria está. Você e eu pecamos, não por causa da graça, mas por causa de uma falta de graça, ou uma falta de nossa cooperação com a graça em nossas vidas. Esta saudação do anjo é uma dica para o caráter único e chamativo da Mãe de Deus. Somente a Maria é dado o nome “cheia de graça” e no tempo perfeito, indicando que este estado permanente de Maria foi completo.

Arca da (Nova) Aliança

A Arca da Aliança no Antigo Testamento foi um verdadeiro ícone do sagrado. Porque continha a presença de Deus simbolizada pelos três tipos de Messias vindouros – o maná, os Dez Mandamentos, a vara de Araão – devia ser pura e intocada por homem pecador (ver 2 Sm 6,1-9 e Ex 25,10; Nm 4,15).
No Novo Testamento, a nova Arca não é um objeto inanimado, mas uma pessoa: a Mãe Abençoada. Quanto mais pura seria a nova Arca quando consideramos a velha arca como uma mera “sombra” em relação a ela (ver Hb 10,1)? Esta imagem de Maria como a Arca da Aliança é um indicador de que Maria estaria convenientemente livre de todo contágio de pecado para ser um meio digno de levar Deus no ventre. E mais importante: assim como a Antiga Arca da Aliança era perfeitamente boa do momento que foi construída com instruções divinas explícitas em Êxodo 25, também Maria seria pura do momento de sua concepção.

1. A Arca da Aliança continha três tipos de Jesus dentro: maná, vara de Araão e os Dez Mandamentos. Em hebraico, mandamento (dabar) pode ser traduzido por “palavra”. Compare: Maria carregou a realização de todos esses tipos em seu corpo. Jesus é o “verdadeiro ‘maná’ do céu” (João 6,32), o verdadeiro “Sumo Sacerdote” (Hebreus 3,1) e “a palavra se fez homem” (João 1,14).

2. A nuvem de glória (hebraico, Anan) foi representativa do Espírito Santo e “ensombrou” a Arca quando Moisés a consagrou em Ex 40,32-33. A palavra grega para “ensombrar” encontrada na Septuaginta é uma forma de episkiasei. Compare: “O Espírito Santo virá sobre Ti e o poder do Altíssimo Te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de Ti será chamado Filho de Deus” (Lucas 1,35). A palavra grega para “ensombrar” é episkiasei.

3. David “pulou e dançou” perante a Arca quando estava sendo carregada a Jerusalém em procissão em 2 Samuel 6,14-16. Compare: Assim que Isabel ouviu o som da saudação de Maria, João Batista “pulou de alegria” em seu ventre (cf. Lucas 1,41-44).

4. Depois de uma manifestação do poder de Deus trabalhando através da Arca, David exclama “Como pode a Arca do Senhor vir até mim?”. Compare: Depois da revelação a Isabel do verdadeiro chamado de Maria, que estava carregando Deus em seu ventre, Isabel exclama “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?” (Lucas 1,43)

5. A Arca do Senhor “permaneceu na casa de Obed-Edom… três meses” em 2 Samuel 6,11. Compare: Maria permaneceu com “Isabel” por aproximadamente três meses”. (Lucas 1,56)

A Nova Eva

É-nos importante recordar que as realizações da Nova Aliança são sempre mais gloriosas e mais perfeitas do que seus tipos do Antigo Testamento, que são “apenas uma sombra dos bens futuros” na Nova Aliança (Hb 10,1). Com isso em mente, consideremos a revelação de Maria como a Nova Eva. Depois da queda de Adão e Eva em Gênesis 3, Deus prometeu o advento de uma outra “mulher” em Gênesis 3,15, ou uma “Nova Eva” que iria se opor a Lúcifer, e cuja “descendência” esmagaria sua cabeça. Esta “mulher” e “sua descendência” reverteriam o curso, por assim dizer, que o “homem” e a “mulher” originais trouxeram sobre a humanidade por sua desobediência.
É muito significante notar aqui que “Adão” e “Eva” são revelados simplesmente como “o homem” e “a mulher” antes de que o nome da mulher fosse mudado para “Eva” (hebraico, “mãe dos viventes”) depois da queda (ver Gn 2,21). Quando então olhamos para a Nova Aliança, Jesus é explicitamente referido como o “último Adão” ou o “Novo Adão” em 1 Cor 15,45. E Jesus mesmo indica que Maria é a “mulher” ou “Nova Eva” profética do Gênesis 3,15 quando ele se refere à sua mãe como “mulher” em João 2,4 e 19,26. Além do mais, São João se refere a Maria como “mulher” oito vezes no Apocalipse 12. Assim como a primeira Eva trouxe a morte a todos seus filhos pela desobediência e prestando atenção às palavras da antiga serpente, o diabo, a “Nova Eva” do Apocalipse 12 traz vida e salvação a todos seus filhos por sua obediência. A mesma “serpente” que enganou a mulher original do Gênesis é mostrada, no Apocalipse 12, falhando em sua tentativa de dominar esta nova mulher. A Nova Eva vence a serpente e como um resultado “cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão começou então a atacar o resto dos seus filhos, os que obedecem aos mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus”. (Ap 12,17)
Se Maria é a Nova Eva e as realizações do Novo Testamento são sempre mais gloriosas do que as antecedentes no Antigo Testamento, seria impensável Maria ser concebida em pecado. Se ela fosse, seria inferior a Eva, que foi criada em um perfeito estado, livre de todo pecado.

Fonte: http://www.catholic.com/thisrock/2007/0709btb.asp